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Chapter 5: Analysis and empirical findings

5.2 How does the case of IC Group correspond to the CVC framework?

5.2.1 Value creation spectrum

Com a implantação das Escolas Industriais nas capitais brasileiras, em cumprimento à Lei Orgânica do Ensino Industrial, surge a necessidade de contratar professores e profissionais qualificados para atuarem no ensino industrial.

Na busca por profissionais qualificados, o Ministério da Educação, em 1942, realizou segundo Falcão e Cunha (2009), suas primeiras contratações de docentes estrangeiros para lecionarem nestas escolas industriais e técnicas federais das capitais brasileiras. Chegaram ao Rio de Janeiro vinte e nove técnicos suíços. Em maio, quatro meses após a vinda dos suíços, oito técnicos norte-americanos desembarcaram no Brasil, contratados por Roberto Mange em nome do Governo Brasileiro. Alguns destes técnicos, vindos dos EUA, não se adaptaram por encontrarem dificuldades na língua portuguesa, entrosamento e atraso salarial, retornando assim à sua terra natal.

Uma solução mais estável para a contratação de docentes qualificados teve início com a participação do Ministro da Educação, Gustavo Capanema, na I Conferência de Ministros e Diretores de Educação das Repúblicas Americanas, realizada em Havana.

Realizada entre 25 de setembro e 04 de outubro de 1943, o evento tinha o intuito de compreender a educação pública americana, por meio de várias deliberações, recomendações, acordos e convênios formulados pelas autoridades presentes.

Fonseca (1961) descreve algumas das resoluções debatidas na I Conferência, como a resolução de número XV relativa às escolas de ensino industrial e técnico, e a resolução XXVIII referente à Educação nas Américas.

Na resolução XV o Brasil ocupou uma posição reconfortante, sendo que das recomendações que foram discutidas na assembléia muitas já eram realidade no sistema educacional brasileiro tais como: orientação profissional para descobrir aptidões e capacidades dos alunos, a predominância da preparação técnica sem prejuízo das disciplinas de caráter cultural, a multiplicação das escolas que atendessem as necessidades regionais, entre outras.

A resolução XXVIII, referente à Educação nas Américas, recomendava a viabilização pelos governos individualmente ou por meio de convênios de melhorias na qualidade de ensino, como contribuição importante para o entendimento e a solidariedade interamericana. Com base nessa resolução, Gustavo Capanema entrou em entendimento com as autoridades educacionais norte americanas representadas pela Inter American Fundacion Inc, subordinada

ao Office of Inter American Affairs, visando a aproximar os dois países mediante intercâmbio de educadores, ideias e métodos pedagógicos.

A proposta de cooperação dos Estados Unidos para com o ensino brasileiro estaria concentrada no ensino profissional, segundo Cunha (2000a), o Ministro Capanema escreveu ao Presidente Vargas em 14 de abril de 1945 informando que o Coordenador de Assuntos Inter Americanos havia oficiado que a cooperação norte-americana era a Inter American

Educational Fundation Inc. convergida para o ensino profissional brasileiro.

Em 03 de janeiro de 1946, o Brasil assina com os Estados Unidos um acordo referente à resolução XXVIII e surge como parte do acordo a Comissão Brasileira Americana de Educação Industrial (CBAI), que atuaria como executor de programa de cooperação educacional. Acordo assinado pelo Ministro da Educação, Raul Leitão da Cunha, representando o Brasil, e pelo Presidente da Inter American Fundacion Inc., Kenneth Holland, representando os EUA.

A Comissão era formada por técnicos brasileiros e norte-americanos, que atuaram em conjunto para desenvolver relações de intercâmbio, treinamentos e diversas atividades da educação industrial de interesse mútuo. Fonseca (1961) descreve o vasto programa de ação para o ensino industrial resumido em doze pontos:

1) Desenvolvimento de um programa de treinamento e aperfeiçoamento de professores, instrutores e administradores;

2) Estudo e revisão do programa de ensino industrial; 3) Preparo e aquisição de material didático;

4) Ampliação dos serviços de bibliotecas; verificar a literatura técnica existente em espanhol e português, examinar a literatura técnica existente em inglês e providenciar sobre a aquisição e tradução das obras que interessam o nosso ensino industrial;

5) Determinar as necessidades do ensino industrial;

6) Aperfeiçoamento dos processos de organização e direção de oficinas; 7) Desenvolvimento de um programa de educação para prevenção de

acidentes;

8) Aperfeiçoamento dos processos de administração e supervisão de serviços centrais de administração escolar;

9) Aperfeiçoamento dos métodos de administração e supervisão escolar; 10) Estudo dos critérios de registros de administradores e professôres; 11) Seleção e orientação profissional e educacional dos alunos do ensino

industrial;

12) Estudo das possibilidades do entrosamento das atividades de outros órgãos de educação industrial que não sejam administrados pelo Ministério da Educação, bem como a possibilidade de estabelecer outros programas de treinamento, tais como ensino para adultos, etc. (FONSECA, 1961, p.565).

Dentre as diversas atuações da CBAI estava o aperfeiçoamento de profissionais das escolas industriais federais, as traduções de livros e a publicação mensal do Boletim da CBAI que circulou de janeiro de 1947 a junho de 1962, e foi um meio de difusão de algumas das ideologias do ensino industrial.

Nos Boletins constavam as listagens das publicações da CBAI ao longo dos anos, que são as obras denominadas de Biblioteca do Ensino Industrial. Os livros desta Biblioteca eram formados pela Série A os de Cultura Geral (Português, Matemática, Geografia do Brasil etc.), Série B os de Educação Industrial (Encadernação, Psicologia para professores do ensino industrial e etc.), Série C os de Cultura Técnica (Eletrotécnica, concerto de calçados etc.), Série D as Séries Didáticas para Oficinas (Curso de encadernação, fundição etc.) e Outras Publicações (Relações humanas, Brasil Health and you etc.).

Eram publicados no boletim da CBAI artigos sobre as experiências de professores e diretores brasileiros que fizeram intercâmbio nos EUA e dos norte-americanos no Brasil, artigos de autoridades brasileiras e norte-americanas fossem políticos, diretores, técnicos, ministros que publicavam sobre tradução de livros, administração e gestão escolar, pedagogia e psicologia do ensino industrial, filmes traduzidos, questionamentos e resolução de problemas das disciplinas técnicas, higiene industrial, legislações, avaliações e outros.

Em 1947, a CBAI iniciou o primeiro curso de aperfeiçoamento para professores. Fonseca (1961) explica que o curso era dividido em duas partes: na primeira os selecionados seriam concentrados na Escola Técnica Nacional para uma revisão dos conhecimentos gerais, estudo da língua inglesa e ampliação dos conhecimentos econômicos e sociais brasileiros; na segunda parte quem obtivera bom desempenho continuaria o aperfeiçoamento nos EUA durante um ano, onde seis meses estagiariam em escolas profissionais, três meses na indústria e três meses de formação pedagógica.

O aperfeiçoamento dos diretores também ocorreu em 1947, quando dez diretores das escolas técnicas e industriais federais acompanharam um curso de especialização no

Pennsylvania State College que compreendia:

[...] análise do trabalho, organização e planejamento de cursos, metodologia do ensino, organização e direção de oficinas, objetivos e organização do ensino industrial, administração do ensino industrial, supervisão do ensino industrial e métodos de inquérito, sendo os professôres personalidades de destaque no ensino industrial americano. (FONSECA, 1961, p.568).

Como não foi possível a participação de todos os diretores, em 1948 formou-se um segundo grupo com o mesmo destino e curso de aperfeiçoamento idêntico ao anterior. Neste segundo grupo houve a participação do Dr. Orlando Nigro, diretor da EIC.

O Curso de Férias para aperfeiçoamento de professores organizado pela CBAI teve início também em 1947 e passou a ser realizado anualmente. No Boletim CBAI (1951) tem a notícia de mais um Curso de Desenho Técnico e de Ofícios das seções de Metal e Madeira que aconteceu nas capitais: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Recife. Cidades consideradas pontos estratégicos para execução das atividades e deslocamentos dos professores.

Os professores da EIC participaram do curso de férias destinado a Curso de Professores de Ofícios realizado na cidade do Rio de Janeiro com a presença de Darwin Monteiro da Silva e José Garcia Neto, e em São Paulo com a presença de João Feliz Firmino Leite. Os cursos de aperfeiçoamento da CBAI contribuíram significativamente para qualificação dos profissionais e professores que aturaram nas escolas industriais.

A CBAI foi extinta em 1962, Cunha (2000a, p.10) relata que “Seu acervo e seus encargos foram assumidos pelo Grupo Executivo do Ensino Industrial, criado pelo Decreto n.53.041/62.”, a GEEI incorporou as atribuições da CBAI atuando diretamente ou mediante convênio com entidades públicas ou privadas especializadas.

Em 1950 a Comissão implantou no Brasil o Training Within Industry (TWI), que segundo Fonseca (1961, p.572) “uma das maiores contribuições que a CBAI trouxe a causa industrial de nosso país foi, sem dúvida, a introdução, em nosso meio, do chamado método TWI.”, que foi um método de treinamento introduzido no comércio, indústrias e escolas industriais brasileiras.