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No passado a LSCSP encontrava-se instalada na Alameda Jaú. Em 1990, iniciou a construção de uma sede nova, a Rua Capote Valente nº. 1332 no bairro de Pinheiros. A obra ficou a cargo da Construtora Austin do Brasil. Foi levantado um prédio de quatro andares, dos quais a LSCSP ocupou um andar e meio e o restante foi dividido em apartamentos completos, para residência de senhoras e moças. No ano seguinte, em 12 de junho, inaugurou-se a sede com um coquetel. O jornal Shopping News publicou uma nota dizendo:

A Residência é a mais nova sede da LSCSP das Senhoras Católicas. Inaugurado na semana passada, o hotel conta com 29 apartamentos individuais e 4 duplos. Todos eles receberão jovens do sexo feminino, ou senhoras que queiram hospedar-se.58

Shopping News 23/5/1991

Pouco depois, ao lado da Residência, passou a funcionar a Loja da LSCSP, onde podem ser compradas ou encomendadas peças finas e bordadas à mão. A qualidade desses produtos da LSCSP é tradicionalmente reputada, ganhando esta nota no jornal O Estado de São Paulo:

A LSCSP das Senhoras Católicas passa a semana toda em festa, com a reinauguração de sua loja, com os famosos enxovais de bebê, uniformes de empregadas e artesanatos para a casa. Celinha Whitaker ofereceu a decoração.

Cesar Giobbi59

57 Neto, Francisco P. de M. e Froes. César. Gestão da Responsabilidade social corporativa: O caso Brasileiro.

Rio de Janeiro: Qalitymark Editora Ltda, 2004, p 26.

58 Pasta nº 7, jornal Shopping News de 23 de maio de 1991

No quadro de mobilização generalizada dos anos 80, a LSCSP teve oportunidade de perceber o quanto fora pioneira na sua tradicional filosofia de integração com a comunidade. Tratou logo de revitalizá-la e imprimi-la a novas ações.

Com o projeto de Orientação Sócio Econômica ao Menor (OSEM), uma parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo para atendimento à comunidade, começou a funcionar em 1984 no Educandário Dom Duarte, (EDD). O projeto original previa um total de 250 participantes. Em função da intensa procura, entretanto, antes que as atividades começassem, já estavam inscritas 280 crianças. Ainda nesse ano, foram atendidos 370 meninos das favelas próximas do Educandário que, além da orientação, recebiam também uma refeição completa.

Nessa época, a Creche São Cesário também era um pólo importante das atividades, uma referência na Zona Leste da cidade. Por sua profunda integração com a comunidade, essa creche liderava o recebimento de doações da LSCSP repassando recursos excedentes para o Albergue Pedro Régis, a Creche Primeiros Passos, o EDD e a Casa da Infância. Sua barraca na Festa do Belém polarizava atenções e os moradores do bairro cuidavam com desvelo desse equipamento.

No mesmo terreno ocupado pela São Cesário e pelo Jardim Colibri foi criado o Departamento Creche das Andorinhas em 1988. Desde o início as três unidades trabalhavam tanto com crianças carentes de qualquer proveniência quanto com crianças pagantes. Esta forma de atuação demonstrava publicamente a inconsistência de críticas da época que atribuíam à LSCSP uma atitude de segregação em relação às crianças vindas das unidades da Febem.

Em 1989 mais uma unidade voltada à comunidade foi criada: a Creche Primavera, no Jardim Educandário, para atender a crianças carentes do bairro, em regime de semi- internato.

Em 1990 implantou-se no Brasil o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que “dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente” e estabelece parâmetros legais a serem seguidos pelas instituições a eles dedicadas., em suas

Disposições Preliminares, fica estabelecido:

É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à

profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) 60.

Muitas das entidades não estavam preparadas para cumprir as exigências do ECA. No Educandário jovens internos começaram a reclamar amparados pelas disposições do Estatuto. Uma das mudanças fundamentais introduzidas pelo ECA foi a afirmação que a situação das crianças em suas famílias, mesmo precárias, eram melhores para o seu completo desenvolvimento do que a permanência abrigados em instituições, por melhores que fossem.

O ECA deu voz aos jovens e eles começaram a se fazer ouvir. As reclamações chegavam aos juizes de menores, das varas das unidades de internações e das varas dos locais de residência dos internos, pertencentes à Vara da Infância e da Juventude. As crianças eram chamadas para serem ouvidas em juízo e as reivindicações eram encaminhadas às instituições pertinentes. Foi difícil internalizar essa nova postura que contrariava frontalmente a tradição observada pela LSCSP e também a orientação de muitas voluntárias que lá trabalhavam há muitos anos.

A Diretoria Central incluiu as exigências do ECA entre os parâmetros do planejamento das atividades da LSCSP, iniciando um processo contínuo para desenvolver em funcionários e voluntários a capacidade de ouvir e corresponder aos anseios dos jovens, respeitando seus direitos. O período de transição foi longo.

Em 1997 Maria Lucia Whitaker Vidigal, que já participava da Diretoria anterior, assumiu a Presidência da LSCSP e iniciou uma gestão transformadora voltada não mais apenas à caridade, mas enfatizando o atendimento. A marca maior dessa mudança foi a implantação de novos procedimentos de gestão que permitiram à Instituição ganhar uma estrutura qualificada e eficiente, aproveitando racionalmente os recursos, desenvolvendo continuamente as competências de seu quadro de voluntários e profissionais e incorporando novos talentos. A atuação de Katalin Willy, a vice-presidente, foi fundamental nessa passagem, por sua habilidade em gestão e relações humanas, harmonizando arestas e tornando possível a transformação. A LSCSP voltou-se para dentro e iniciou uma reformulação conceitual completa de suas atividades.

60 Estatudo da Criança e Adolecente (ECA) sobe aLei nº 8.068, de 13 de julho de 1990, Livro I, Titulo I, artigo

Logo que assumiu, já com a intenção de implantar planejamento estratégico para criar condições para a mudança desejada, a presidente levantou informações de forma sistematizada, enviando questionários a todas as diretoras de unidades, tanto assistidas quanto provedoras. Era fundamental conhecer a real situação da LSCSP vista em conjunto.

A Diretoria Central percebeu também a importância crescente de divulgar o trabalho e a experiência da LSCSP na promoção da cidadania. Ainda em 1997, a Presidente providenciou a realização de cursos de formação de pessoal e cursos de atualização sobre trabalho voluntário. E seu trabalho com a filantropia perpetua até hoje, e ainda requer uma continuidade futura no estudo.