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Como foi relatado no segundo capítulo dessa dissertação, um dos fatores responsáveis pela mudança do perfil da pecuária leiteira nacional consiste na migração dessa atividade para o Centro-Oeste, notadamente para o Estado de Goiás, tradicional produtor de gado de corte. Conseqüentemente,

a pecuária leiteira goiana ocupa um dos primeiros lugares dentre os maiores produtores de leite do Brasil.

Alguns autores consideram que essa rápida ascensão da pecuária leiteira em Goiás se deve, em grande parte, ao processo de organização adotado pelos produtores locais, o que tem possibilitado a eles desenvolver uma produção leiteira em nível mais profissional, quando comparada a outras regiões do País, onde esta atividade produtiva já existe há mais tempo, porém sem o sucesso goiano.

Na realidade, o deslocamento da pecuária leiteira para a região central do País é justificado pelas favoráveis condições climáticas para produção de grãos, base para alimentação de um rebanho especializado, o que, por conseguinte, possibilita substancial redução dos custos de produção do leite produzido nesse tipo de região.

Em virtude da migração da pecuária leiteira para o Estado, houve certa mudança de suas regiões produtoras de leite, fortificando algumas delas, como é o caso da Mesorregião do Sul Goiano, que, atualmente, representa mais de 51% de todo o leite produzido em Goiás.

Essa Mesorregião compreende seis microrregiões, quais sejam, Catalão, Meia Ponte, Pires do Rio, Quirinópolis, Sudoeste Goiano e Vale do Rio dos Bois.

Foi dela a parcela de 54,82% do aumento de 770.762.000 litros de leite, de 1985 a 1986, e de suas microrregiões, Sudoeste Goiano, Meia Ponte e Vale do Rio dos Bois, o aumento de 112,14%, 57,71% e 122,77%, respectivamente, da produção em relação a 1985 (SANTOS, 1998).

O particular crescimento dessas microrregiões foi sustentado pela tradição da agricultura local, que conferiu aos seus produtores uma boa habilidade na produção de grãos, fazendo valer a afirmativa que diz que "um bom produtor de leite deve ser, antes de tudo, um bom agricultor".

Dentre as bacias leiteiras do Estado, optou-se por uma situada na microrregião do Meia Ponte, município de Piracanjuba-GO, por ser tradicionalmente uma das maiores do Estado e por retratar, da maneira mais próxima da realidade, o perfil do típico produtor de leite goiano. Os dados relativos à pecuária de leite de Piracanjuba podem ser vistos no Quadro 15 .

Quadro 15 - Indicadores da pecuária de leite em Piracanjuba-GO

Descrição Período

N.º de propriedades 1.483a

N.º de produtores 1.033b

Efetivo do rebanho bovino 206.517c

N.º de vacas ordenhas 36.904d

Produção de leite vendida sob SIF (mil litros) 66.994e

Fonte: FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA DO ESTADO DE GOIÁS - FAEG (1997).

a,c

Dados originais da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de Goiás/ Superintendência de Produção Animal/ Departamento de Saúde Animal (os dados referem- se a novembro de 1997).

b Dados originais do Setor de Análises e Informes/SIPA/DDA/DFA-GO. Elaboração: DETEC/ FAEG (os dados referem -se à média de janeiro a dezembro de 1997).

d,e

Dados originais do IBGE - Pesquisa Municipal. Elaboração: Federação da Agricultura do Estado de Goiás - FAEG/DETEC. (d Os dados referem-se a 1996; e Produção de leite conforme Censo Agropecuário 1995-1996, no período de 01/08/95 a 31/07/96).

Considerando os dados apresentados no Quadro 15, foi possível estimar a produtividade média das vacas em lactação no município, que girava em torno de 1,82 litro/va ca ordenhada, representando a segunda maior produtividade do Estado, perdendo somente para a bacia leiteira de Orizona- GO, que ficava por volta de 1,90 litro/vaca ordenhada.

É importante salientar que os valores apresentados resultaram somente da produção de leite sob SIF, o que não ilustra a real produção de todas as empresas produtoras, haja vista que grande parte do que era produzido não passava pela inspeção federal. Além do mais, os dados foram provenientes de várias fontes, o que pode causar erros na avaliação da atividade.

Determinada a localidade para investigação, o próximo passo foi a definição dos tipos de produtores necessários à obtenção dos dados primários. Para tanto, definiu-se, intencionalmente, uma amostra de 15 produtores de leite

da região de Piracanjuba-GO, dividida em três estratos de produção, como segue: pequenos - até 200 litros/dia; médios - de 201 a 500 litros/dia; e grandes - acima de 500 litros/dia (baseado em pesquisa, em andamento, na Universidade Federal de Goiás). Este pequeno número de propriedades justifica-se pelo método escolhido para investigação, ou seja, o estudo de caso, que não requer um número representativo da amostra, e, sobretudo, pela limitação financeira e de tempo para realização deste trabalho.

Inicialmente, realizou-se um agrupamento de todos os produtores cooperados por estratos de produção (de acordo com o seguido nesta pesquisa) e, só então, com o apoio do Sindicato Rural de Piracanjuba e dos técnicos da cooperativa, selecionaram-se, intencionalmente, os cinco produtores de cada estrato referido, pequeno, médio e grande, para efetuar a caracterização exigida, típico produtor de cada estrato. A única condição imposta para escolha foi a distância média das empresas, que deveria estar compreendida num raio médio de 20 km da cidade, por questões das limitações já consideradas para realização da pesquisa.

Foram aplicados os dois tipos de questionários elaborados; um destinado ao próprio produtor, obtendo-se respostas de todos os selecionados, e outro destinado ao funcionário (o mais atuante), aplicado em somente 13 casos, pelo fato de dois pequenos produtores não possuírem mão-de-obra contratada e tampouco terem filhos que os auxiliassem na administração da empresa. A coleta dos dados foi feita entre os dias 12 a 20 de fevereiro de 1999, referentes ao ano de 1998.

Os produtores selecionados para a aplicação dos questionários pertenciam, exclusivamente, ao quadro de cooperados da Cooperativa Agropecuária de Piracanjuba (COOAPIL), visto que caracterizavam bem a maioria dos produtores de leite daquela região e também pelo fato de aquele laticínio ter se mostrado mais receptivo à pesquisa.

As fontes de dados secundários utilizadas tiveram origens diversas, como Anuário Estatístico (vários volumes), IBGE, FNP Consultoria, Federação da Agricultura (FAEG) e Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de Goiás, Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de Minas Gerais, COOAPIL, Sindicato Rural de Piracanjuba, Governo Federal e de Goiás