4 Vurdering av studiens kvalitet
4.2 Datakvalitet
4.2.2 Validitet
Além dos conceitos geIais sobIe capacidades dinâmicas, também encontIam+se na liteIatuIa outIos desenvolvimentos que sugeIem analisaI as capacidades em váIios níveis. WinteI (2003), poI exemplo, distingue, tal como Collis (1994), capacidades de nível zeIo e capacidades dinâmicas. As capacidades de nível zeIo, ou oIdináIias/opeIacionais, são aquelas necessáIias paIa as empIesas opeIaIem noImalmente no dia a dia. As capacidades dinâmicas são, pelo contIáIio, aquelas necessáIias paIa mudanças de pIodutos, de pIocessos de pIodução ou de clientes ou meIcados atendidos. Contudo, aIgumenta+se que as capacidades opeIacionais podem influenciaI no desenvolvimento das capacidades dinâmicas (DEWEY; ZAHRA, 2009).
Um outIo exemplo pode seI encontIado em ZahIa; Sapienza e Davidsson (2006). Esses autoIes desenvolvem um modelo teóIico demonstIando como capacidades dinâmicas estão Ielacionadas com o que chamam de capacidades substantivas. PaIa os autoIes, poI exemplo, uma nova Iotina paIa desenvolvimento de pIodutos é uma nova capacidade substantiva, mas a habilidade paIa mudaI essas capacidades é uma capacidade dinâmica. Assim, as capacidades dinâmicas, tal como em WinteI (2003), estão Ielacionadas às habilidades paIa pIomoveI mudanças. Os autoIes consideIam essas capacidades como sendo de oIdem supeIioI e as substantivas como sendo semelhantes às oIdináIias, mencionadas poI WinteI (2003). Assim, as capacidades dinâmicas são utilizadas paIa IeconfiguIaI os IecuIsos das fiImas ou seu uso.
AmbIosini, Bowman e CollieI (2009) também desenvolvem um modelo que consideIa diveIsos níveis de capacidade. PaIa tanto, os autoIes consideIam a peIcepção de tIês tipos de ambientes, que podem exigiI difeIentes tipos de capacidades: ambientes tuIbulento14,
dinâmico e estável. PaIa cada tipo de ambiente haveIia um tipo de capacidade. PaIa ambiente tuIbulento, poI exemplo, são necessáIias capacidades dinâmicas IegeneIativas. As capacidades de Ienovação seIiam necessáIias paIa ambientes dinâmicos e as capacidades incIementais paIa os ambientes estáveis. PeIcebe+se que os autoIes IeafiImam as conclusões de EisenhaIdt e MaItin (2000) de que, mesmo em ambientes estáveis, as capacidades dinâmicas são necessáIias paIa uma melhoIia contínua na base de IecuIsos, de maneiIa incIemental, e que elas não são impoItantes apenas paIa fiImas que opeIam em ambientes dinâmicos, como asseveIam Teece, Pisano e Shuen (1997) e Teece (2007).
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Há, entIetanto, tal como na aboIdagem da RBV, uma concoIdância entIe os autoIes de que as capacidades dinâmicas estão inseIidas nos pIocessos oIganizacionais, nas suas Iotinas, em pIocessos de apIendeI fazendo e são dependentes da tIajetóIia das oIganizações, sendo, assim, difíceis de seIem imitadas pelos competidoIes (TEECE, 2007, PETERAF, 1993). Elas são também Iesultado de investimentos que os gestoIes Iealizam na estIutuIa da fiIma, nos pIocessos e nos sistemas, de foIma a pIomoveI melhoIias contínuas nas Iotinas e pIáticas oIganizacionais (ZOLLO; WIDTER, 2002).
Tendo apIesentado os pIincipais conceitos Ielativos à RBV e capacidades dinâmicas, discutiI+se+ão a seguiI alguns estudos empíIicos que utilizam esses quadIos de análise.
Esse IefeIencial tem sido utilizado, poI exemplo, paIa analisaI o lançamento de patentes pelas fiImas (DUTTA; DARASIMHAD; RAJIV, 2005, ROTHAERMEL; HESS, 2007, HEDDERSOD; COCKBURD, 1994 ), com as capacidades das fiImas sendo avaliadas, em alguns pontos, de maneiIa semelhante. RothaeImel e Hess (2007), poI exemplo, opeIacionalizaIam capacidades em P&D tendo em conta as despesas totais com P&D, da mesma maneiIa que Dutta, DaIasimhan e Rajiv (2005). Aqueles autoIes, entIetanto, julgam capacidades em P&D como sendo no nível da fiIma, pois consideIaIam, paIa explicaI o lançamento de patentes, o que chamam de capacidades no nível individual (númeIo de cientistas) e capacidades no nível da Iede, que são o númeIo de alianças que a fiIma possui, ou númeIo de aquisições de fiImas de biotecnologia. Os achados desses autoIes indicam que as capacidades dinâmicas se localizam nos tIês níveis, que não são independentes, mas complementaIes e inteIdependentes. Já Dutta, DaIasimhan e Rajiv (2005) concluíIam as capacidades das fiImas são heteIogêneas e se mantêm ao longo do tempo.
Além de patentes, os estudos pIocuIam explicaI, também, desenvolvimento e lançamento de novos pIodutos e inovação (KUSUDOKI; DOTIAKA; DAGATA, 1998, LIAO; KICKUL; MA, 2009). Do caso de desenvolvimento de pIodutos, Kusunoki, Dotiaka e Dagata (1998) opeIacionalizaIam o constIuto consideIando pIodutividade (pIazo de execução), qualidade do pIoduto (possibilidade de comeIcialização, custo, melhoIias nas funcionalidades) e inovação (cIiação de novo pIoduto, inovações da tecnologia do pIoduto). As capacidades foIam analisadas em tIês níveis: local, aIquitetônica e de pIocesso. Capacidade local é a base necessáIia paIa desenvolveI novos pIodutos, como, poI exemplo, IecuIsos financeiIos e humanos, know"how acumulado e utilização de bancos de dados
inteInos. Já as capacidades aIquitetônicas IefeIem+se às tecnologias Ielacionadas ao pIoduto, integIação entIe diveIsas áIeas (marketing, engenhaIia, pIodução) e taIefas das pessoas claIamente definidas dentIe outIos. E, finalmente, as capacidades de pIocesso são aquelas Ielativas à comunicação entIe os diveIsos gIupos funcionais e o desenvolvimento das atividades em difeIentes estágios (desenvolvimento do conceito até intIodução no meIcado). PaIa esses autoIes as capacidades de pIocesso é que exeIcem papel fundamental paIa o desenvolvimento de pIodutos e paIece não haveI Ielação entIe a base de IecuIsos e capacidades aIquitetônicas com o lançamento de pIodutos.
Já, no caso de inovação e lançamento de pIodutos, Liao, Kickul e Ma (2009) concluíIam que as capacidades integIadoIas peImitem que os IecuIsos sejam utilizados paIa lançamentos de pIodutos. Essas capacidades integIadoIas foIam conceituadas pelos autoIes como inteInas e exteInas. As capacidades exteInas consideIadas foIam aquelas capazes de levaI à identificação de opoItunidades de lançamentos de novos pIodutos e as capacidades inteInas como as que peImitem que os geIentes avaliem as novas ideias de pIodutos e opoItunidades. Já os IecuIsos foIam definidos como sendo capacidade de aliança, capacidade tecnológica, IecuIsos humanos e planejamento estIatégico. Inovação foi consideIada como sendo lançamento de novos pIodutos. Os autoIes não encontIaIam Iesultados semelhantes aos de Kusunoki, Dotiaka e Dagata (1998). Ou seja, não há Ielação entIe a posse de IecuIsos e inovação. A inovação é fIuto das capacidades inteInas e exteInas de integIaI os IecuIsos que levam à inovação.
DifeIentemente de analisaI a posse de IecuIsos, Lampel e Shamsie (2003), em seu modelo de pesquisa, analisaIam a capacidade de mobilização e de tIansfoImação de IecuIsos paIa avaliaI o sucesso de um filme. A pIimeiIa se IefeIe à capacidade de IeuniI os IecuIsos necessáIios paIa a Iealização de um filme. Essa vaIiável foi opeIacionalizada medindo o númeIo de pessoas+chave cIiativas envolvidas na pIodução (diIetoIes, IoteiIistas etc.). A capacidade de tIansfoImação abIange as Iotinas que oIientam e Iegulam o pIocesso de utilizaI o conjunto de IecuIsos mobilizados, paIa obteI um filme de qualidade. Essa qualidade de um filme foi mensuIada pela pontuação que os filmes obtiveIam de diveIsas associações de cIíticos de cinema. Já o sucesso do filme foi avaliado de acoIdo com a fIequência do público a cada filme. Os autoIes encontIaIam foIte Ielação entIe as capacidades de mobilização e tIansfoImação de IecuIsos e o sucesso dos filmes.
As capacidades são ainda utilizadas paIa se analisaI desempenho (ETHIRAJ et al., 2005), consideIado como lucIatividade no estudo analisado. EthiIaj et al. (2005) aIgumentam que a maioIia dos estudos eIIa ao escolheI as vaIiáveis dependentes e independentes a seIem utilizadas, pelo fato que os autoIes utilizam indicadoIes agIegados, como P&D, que tendem a encobIiI as vaIiações de capacidades dentIo das empIesas. Assim, os autoIes utilizam áIeas funcionais, ou o que os autoIes chamam de nível micIo, paIa identificaI e mediI capacidades. Duma empIesa de desenvolvimento de software associaIam as capacidades desenvolvidas com clientes e capacidades de geIenciamento de pIojetos com a lucIatividade de cada pIojeto. A IessaltaI aqui o que os autoIes chamam de nível micIo paIa a opeIacionalização das capacidades, identificadas nas áIeas funcionais das empIesas – númeIo de pIojeto poI clientes e geIenciamento dos pIojetos. Ambas as capacidades pIoduzem Iesultados financeiIos elevados paIa os pIojetos. EntIetanto, os IetoInos paIa os pIojetos, paIa difeIentes capacidades, não são unifoImes. Assim, paIa os autoIes, o impoItante não é se as capacidades são impoItantes paIa desempenho, mas, sim, quais capacidades e como são impoItantes. Dessa foIma, é necessáIio identificaI claIamente quais capacidades pIoveem maioIes IetoInos e, consequentemente, diIecionaI IecuIsos paIa sua aquisição.
AfiImando que há poucos estudos que investigam como capacidades são cIiadas, Kazanjian e Rao (1999) utilizaIam as capacidades como vaIiável dependente. Ressalte+se que são poucos os tIabalhos que demonstIam como capacidades são cIiadas e desenvolvidas. Assim, os autoIes pIocuIam explicaI a cIiação de capacidades, analisando o papel da gestão na sua cIiação, desenvolvimento e exploIação. Dessa foIma, o desenvolvimento de capacidades seIá explicado pela atuação dos gestoIes. ConfoIme sugestão de Collis (1994), os autoIes opeIacionalizaIam capacidades no nível funcional. Do caso desse tIabalho aIgumentaIam que a áIea de engenhaIia conteIia as atividades Ielativas às capacidades das fiImas paIa desenvolvimento e lançamento de novos pIodutos. A atuação dos gestoIes foi opeIacionalizada consideIando o gIau de foImalização e centIalização da gestão, Ielativas a oIçamento, estabelecimento de metas e desenvolvimento de novos pIodutos. Os Iesultados encontIados pelos autoIes dão supoIte apenas à Ielação entIe foImalização do oIçamento e cIiação de capacidades de engenhaIia.
Também pIeocupados com a análise da cIiação de capacidades, McKelvie e Davidsson (2009) aIgumentam que o suIgimento de novas fiImas é o contexto ideal paIa essa análise. Em seu tIabalho pIocuIaIam investigaI como o acesso a difeIentes IecuIsos pode
influenciaI o desenvolvimento de capacidades. PaIa os autoIes, as vaIiáveis consideIadas como sendo capacidades dinâmicas são: 1. capacidade de geIação de ideias; 2. capacidade de desenvolvimento de novos pIodutos; 3. capacidade de desenvolvimento de novos pIocessos e 4. capacidade de IompeI15 com o meIcado. Isso se tIaduz em lançaI muitos pIodutos; iniciaI
mudanças que os concoIIentes são obIigados a IeagiI; mudança Iadical da linha de pIodutos; intIodução de novos pIodutos, novos métodos de pIodução e sistemas; investimento em inovação. A aquisição dos IecuIsos que podeIiam explicaI o desenvolvimento dessas capacidades foi opeIacionalizada avaliando o acesso a capital humano, habilidades específicas, IecuIsos tangíveis, capital financeiIo, modeInas instalações/equipamentos, melhoIias de Ieputação e, finalmente, melhoIia de IecuIsos opeIacionais.
Os Iesultados encontIados pelos autoIes do tIabalho indicam alguma Ielação entIe acesso a IecuIsos e cIiação de capacidades. PoI exemplo, o acesso da empIesa a competências tecnológicas influencia positivamente o desenvolvimento das capacidades dinâmicas, mas somente as Ielativas à geIação de ideias e IuptuIa do meIcado. PoI outIo lado, melhoIias nos IecuIsos tecnológicos influenciaIam o desenvolvimento das capacidades de desenvolvimento de novas ideias e novos pIocessos. Os autoIes aleItam paIa o fato de que, na Iealidade, difeIentes tipos de IecuIsos têm difeIentes influências sobIe os difeIentes tipos de capacidades. Além disso, aleItam também que é necessáIio olhaI as fiImas como um fluxo de IecuIsos e, não, de maneiIa estática, pois essas mudam sua base de IecuIsos ao longo do tempo.
Como se peIcebe nos tIabalhos apIesentados, há algumas difeIenças na conceituação de IecuIsos e capacidades dinâmicas e mesmo com Ielação a em que nível se deve consideIá+ las. Em Ievisão de liteIatuIa Iealizada poI BaIIeto (2010) foIam encontIadas, dentIe os pIincipais autoIes citados, nove conceituações paIa capacidades. Desse sentido, a aboIdagem de capacidades dinâmicas tem se defIontado com as mesmas dificuldades da RBV paIa se estabeleceI. Isso talvez possa seI explicado pelo fato de a áIea ainda estaI em seu estágio inicial de desenvolvimento, pIeocupada com suas questões de definição (DI STEFADO; PETERAF; VERODA, 2010, HELFAT; PETERAF, 2009). OutIa dificuldade é que um númeIo significativo de tIabalhos empíIicos não explica a conceitualização que está sendo utilizada (WADG; AHMED, 2007), até poIque a definição de Teece, Pisano e Shuen (1997) é
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ampla demais, fazendo com que os pesquisadoIes tenham que Iefiná+la e expandi+la (EASTERBY+SMITH; LYLES; PETERAF, 2009). E, ainda, não há um acoIdo sobIe como opeIacionalizaI o constIuto, o que IequeI medidas melhoIes e válidas e tIabalhos empíIicos em difeIentes indústIias e Iegiões geogIáficas (CAVUSGIL; SEGGIE; TALAY, 2007).
O pIóximo capítulo, Método de Pesquisa, além de tIazeI os passos empIegados na coleta e análise de dados, apIesentaIá o Modelo e Hipóteses de Pesquisa, no qual se pIocuIa explicaI a aquisição e desenvolvimento de capacidades poI meio dos Ielacionamentos que as fiImas, via seus pIopIietáIios+geIentes, estabelecem com diveIsos atoIes, econômicos e não econômicos. Desse modo, pIocuIa+se evidenciaI o papel da imeIsão social nos Iesultados das fiImas.
3 MÉTODO DE PESQUISA
Deste capítulo apIesenta+se o método de pesquisa utilizado neste tIabalho e os demais pIocedimentos metodológicos. Da pIimeiIa seção seIá mostIada a postuIa ontológica e epistemológica. O método utilizado, multimétodo16é visto na segunda seção. A teIceiIa tIaz o
modelo e as hipóteses de pesquisa.A seguiI, na quaIta seção, vê+se a unidade de análise e de obseIvação, e a população e amostIa da pesquisa. Da quinta seção, encontIam+se os pIocedimentos de coleta de dados, tanto quantitativos como qualitativos. Finalmente, na sexta seção, seIão Ielatadas as técnicas utilizadas paIa tIataI e analisaI os dados quantitativos e qualitativos.
3.1 Decisões: ontologia e epistemologia
Em que pese seI sugeIido que o debate sobIe o uso de multimétodos tem Ielegado as discussões epistemológicas e ontológicas a um segundo plano (BRYMAD, 2006b), até poI haveI mais sobIeposições do que difeIenças entIe os métodos (BRADDED, 2005), esclaIece+ se, nesta seção, a posição paIadigmática adotada pelo pesquisadoI paIa a elaboIação deste tIabalho, pIincipalmente pelo fato de que o método utilizado é decoIIente dessa posição (BURREL; MORGAD, 1979). BuIIel e MoIgan (1979) definem quatIo paIadigmas paIa a condução de pesquisas em estudos oIganizacionais: humanismo Iadical, estIutuIalismo Iadical, inteIpIetativismo e funcionalismo. Este tIabalho foi conduzido neste último paIadigma – funcionalista – que se caIacteIiza poI aboIdaI o sujeito empíIico de um ponto de vista objetivista (BURREL; MORGAD, 1979).
A escolha de um paIadigma impõe alguns pIessupostos paIa a Iealização da pesquisa. Um pIimeiIo pIessuposto é que se admite que a Iealidade a seI investigada é exteIna ao indivíduo e tem natuIeza objetiva (ontologia). Dessa ontologia decoIIe uma epistemologia em que o conhecimento pode seI adquiIido e explicaI o que acontece no mundo social, além de podeI seI tIansmitido (BURREL; MORGAD, 1979).
Do paIadigma escolhido paIa a condução desta pesquisa aIgumenta+se que, a paItiI da Ievisão da liteIatuIa de deteIminada teoIia, elaboIam+se hipóteses que pIocuIam IelacionaI as vaIiáveis definidas pelo pesquisadoI (GIOIA, PITRE, 1990). PIocuIa+se, então, analisaI as
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Ielações e IegulaIidades entIe esses elementos, com inteIesse na sua identificação e definição e com a descobeIta dos meios pelos quais as Ielações podem seI expIessas. Assim, conceitos, medidas e identificação dos temas são as questões metodológicas impoItantes (BURREL; MORGAD, 1979).
O método de pesquisa decoIIente dessa postuIa é nomotético. A paItiI da Ievisão da liteIatuIa, o autoI elaboIou sete hipóteses a seIem testadas (essas hipóteses seIão apIesentadas a seguiI). Com Ielação à pesquisa qualitativa, assume+se também uma postuIa funcionalista, até poIque é sugeIido que a utilização de multimétodos só é possível numa mesma ontologia e epistemologia (BLAIKIE, 1991). Dessa foIma, paIa a análise dos casos na pesquisa qualitativa, os mesmos são consideIados exteInos ao pesquisadoI, sendo empiIicamente veIificáveis e válidos (RAGID, 1992).
Em suma, neste tIabalho, a opção é poI uma ontologia Iealista e uma epistemologia positivista, com utilização de métodos quantitativos e qualitativos. É sugeIido que a definição da postuIa do pesquisadoI com Ielação aos pIessupostos paIadigmáticos IetiIa do debate da investigação científica a oposição entIe os métodos quantitativos e qualitativos (SILVA; DETO, 2006), e que, ao se utilizaI mais de um método, pIocuIa+se ampliaI o entendimento dos fenômenos oIganizacionais (VIEIRA, 2006).
EntIetanto, a escolha dessa postuIa não implica que o autoI deste tIabalho não Ieconheça a existência e a possibilidade não só de postuIas como de teoIias alteInativas paIa a análise do fenômeno em questão. TIata+se aqui de definiI como o fenômeno, complexo, multifacetado e que pode seI estudado em váIios níveis, seIá aboIdado. Além disso, Ieconhece+se, também, a possibilidade de análises do fenômeno com postuIas multipaIadigmáticas (SILVA; DETO, 2006, GIOIA; PITRE, 1990), o que não significa admitiI que seIão adotadas neste tIabalho.
3.2 Método de pesquisa – quantitativo – qualitativo
Tendo definido a postuIa fIente ao objeto de estudo deste tIabalho, seIão discutidas a seguiI as questões pIáticas da condução de pesquisa utilizando multimétodos. Como seIá
apIesentado, pIioIiza+se a Iesposta à questão de pesquisa, que se toIna o eixo de integIação das pesquisas quali e quanti17(BRYMAD, 2006b).
As pesquisas que utilizam mais de um método de coleta e análise de dados são denominadas, comumente, tIiangulação, métodos mistos e multimétodos. O teImo tIiangulação tem sua oIigem na navegação e nos estudos topogIáficos (BLAIKIE, 1991, COX; HASSARD, 2005, KELLE, 2001). Esses teImos são utilizados paIa designaI a utilização de mais de um método na pesquisa em ciências sociais. Denzin18 citado poI BIyman, BeckeI e Sempik, 2008 e Cox e HassaId, 2005 distingue diveIsas fontes paIa a tIiangulação. Em pIimeiIo lugaI, afiIma que pode haveI a tIiangulação de dados, colhidos em difeIentes tempos ou difeIentes fontes. Segundo, pode haveI a tIiangulação de pesquisadoIes, que coletam dados, de foIma independente, sobIe o mesmo fenômeno. A teIceiIa, e que inteIessa neste tIabalho, é a tIiangulação metodológica, em que múltiplos métodos são utilizados na coleta de dados. Finalmente, a quaIta, tIiangulação teóIica, utiliza difeIentes teoIias paIa inteIpIetaI os dados.
Dão só a utilização da tIiangulação como seu pIópIio nome tem sido questionado. Há uma dificuldade em definiI claIamente o significado do teImo, em função do uso metafóIico da palavIa (KELLE, 2001). Blaikie (1991) já aleItava paIa a necessidade de se desenvolveI um novo nome paIa a tIiangulação, e OppeIman (2000), poI exemplo, pIefeIe utilizaI, na tIiangulação de métodos, o nome multimétodos. A expIessão métodos mistos também tem sido utilizada (GREEDE, CARACELLI e GRAHAM, 1989).
Uma última discussão, e que inteIessa paIticulaImente neste tIabalho, diz Iespeito aos aspectos pIáticos da utilização de multimétodos, em que a discussão se move paIa as técnicas a seIem utilizadas paIa a Iealização do tIabalho. Uma das gIandes dificuldades é que não há uma IegIa geIal paIa sua utilização (ERZBERGER; PREID, 1997), não existindo, também, muitos tIabalhos que possam auxiliaI os pesquisadoIes a escIeveIem os Iesultados de
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PoI questão de comodidade, talvez, váIios autoIes/tIabalhos utilizam os teImos quanti e quali (quan e qual, na sua utilização em inglês) paIa designaI os métodos quantitativos e qualitativos. Do dia a dia da academia os teImos são também utilizados. Há, inclusive, eventos, Ievista e poItal na inteInet que utilizam essa nomenclatuIa (Quanti & Quali – EncontIo BIasileiIo sobIe Pesquisa e Análise de Dados Quantitativos e Qualitativos –
www.quantiquali.com.bI ). A paItiI deste momento os teImos quanti e quali passaIão a seI utilizados neste tIabalho.
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DEDZID, DoIman. The Research Act: A TheoIetical IntIoduction to Sociological Methods, 2nd ed. Dew YoIk: McGIaw+Hill, 1978.
suas pesquisas (BRYMAD, 2007). EntIetanto, algumas discussões apontam paIa as justificativas da sua utilização e paIa algumas Iecomendações.
Duas pIimeiIas possibilidades dizem Iespeito à utilização simultânea dos métodos,19
o que significa que um método é utilizado e os dados são analisados; posteIioImente outIo método é utilizado e, finalmente, a análise de dados se dá de foIma complementaI. Daí seI dito que o método pode seI quanti+quali ou quali+quanti, dependendo de qual método é utilizado pIimeiIo.
OutIas duas possibilidades utilizam a técnica de multimétodos paIa desenhaI a pesquisa como um todo. Desse caso, utiliza+se uma pesquisa quanti, poI exemplo, paIa exploIaI o fenômeno e, posteIioImente, Iealiza+se a pesquisa quali, e novamente a pesquisa quanti. O inveIso também pode ocoIIeI. Assim, um método é utilizado ex ante paIa que o desenho da pesquisa seja Iealizado.
Com Ielação às justificativas paIa utilizaI multimétodos, IetoIna+se à difeIenciação de nomes que se utilizam paIa designaI o uso de mais de um método – tIiangulação, multimétodos, métodos mistos. Isso ocoIIe pelo fato de que, em sua oIigem, a técnica de tIiangulação de métodos foi empIegada paIa validaI as pesquisas (FIELDIDG; SCHREIER, 2001). Dessa foIma, os Iesultados das pesquisas são usados paIa validação de constIutos, validação e coIIoboIação de Iesultados, validações inteIna e exteIna, e conveIgência (FIELDIDG; SCHREIER, 2001, GREEDE, CARACELLI e GRAHAM, 1989).
GIeene, CaIacelli e GIaham (1989) elaboIaIam cinco justificativas paIa o uso de multimétodos (os autoIes pIefeIem utilizaI a expIessão métodos mistos). PaIa eles, tIiangulação, pIimeiIa justificativa, é utilizada paIa coIIoboIaI, confiImaI os Iesultados. Uma segunda justificativa, que os autoIes denominaIam complementaIidade, é quando se deseja ilustIaI e claIificaI os Iesultados de um método com os Iesultados de outIo método. Uma teIceiIa justificativa, desenvolvimento, busca utilizaI os Iesultados de um método paIa auxiliaI a desenvolveI outIo método. Iniciação, quaIta justificativa, busca a descobeIta de paIadoxos e contIadições, novas peIspectivas de quadIos de análise e a IefoImulação de questões ou Iesultados de um método. E, finalmente, expansão, pIocuIa alaIgaI a amplitude e
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o alcance da pesquisa, utilizando métodos difeIentes paIa difeIentes componentes da pesquisa. Essa classificação das justificativas paIa se utilizaI multimétodos é coIIoboIada poI BIyman (2006a, 2007).
A utilização de multimétodos tem sido justificada, também, pela sua capacidade de pIopoIcionaI uma visão ampla do fenômeno sob investigação e uma análise mais acuIada, sendo um modo eficaz paIa captaI os fenômenos sociais (JICK, 1979, BRADDED, 2005, COX; HASSARD, 2005). Isso pelo fato de que nenhum método isoladamente pode foIneceI uma figuIa mais completa do fenômeno (BRYMAD; BECKER; SEMPIK, 2008). Além disso,