3 Metode
3.2 Validitet og reliabilitet
A hipertensão sistémica é comum em gatos com hipertiroidismo e resulta dos efeitos da atividade β-adrenérgica aumentada na frequência cardíaca, da contratilidade do miocárdio, da vasodilatação sistémica e da ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona. Cerca de 10 a 23% dos gatos com hipertiroidismo apresenta hipertensão aquando do diagnóstico, apesar de nalguns casos esta ser secundária à doença renal crónica. Adicionalmente, cerca de 25% dos gatos hipertiroideus normotensivos desenvolve hipertensão posteriormente ao maneio bem-sucedido do hipertiroidismo. A patofisiologia da hipertensão associada ao hipertiroidismo é fracamente percebida. As
consequências clínicas da hipertensão podem ser graves essencialmente devido à destruição que causa nos órgãos alvo, sendo estes os olhos, coração, cérebro e rins. Algumas das alterações provocadas podem ser irreversíveis. A hipertensão causada pelo hipertiroidismo pode ser muitas das vezes silenciosa, e o descolamento da retina ou hemorragia desta, ainda que raras, são as complicações mais comuns da hipertensão sistémica em gatos hipertiroideus. A resolução dos sinais de hipertensão sistémica posteriormente ao tratamento do estado hipertiroideu é imprevisível e está essencialmente dependente da causa da hipertensão (Nelson, 2015; Taylor, Sparkes, Briscoe, Carter, Sala, Jepson, Reynolds & Scansen, 2017).
A International Renal Interest Society (IRIS) considera quatro estadios tendo em conta a pressão sistólica sanguínea (PAS), sendo estes (1) PAS < 150 mmHg é um gato normotensivo, (2) com PAS = 150-159 mmHg é hipertensivo borderline, (3) com PAS = 160-179 mmHg é hipertensivo e (4) com PAS > ou = 180 mmHg o paciente apresenta uma hipertensão grave (Taylor et al., 2017).
Os critérios que justificam uma terapia antihipertensiva são: (1) gatos que evidenciam alterações oculares ou neurológicas com PAS igual, superior ou inferior a 150 mmHg numa ocasião; (2) gatos que evidenciam valores de PAS iguais ou superiores a 160 mmHg avaliações individuais e que apresentam alterações oculares, neurológicas, neurológicas ou renais e; (3) gatos com PAS igual ou superior a 170 mmHg em duas ocasiões separadas e em que o medico veterinário não considere que a causa seja stresse (Taylor et al., 2017).
Com base na literatura atual, a amlodipina é o fármaco de eleição no maneio da hipertensão em gatos. É um vasodilatador arterial potente que atua diretamente no musculo liso vascular. Cerca de 60 a 100% dos gatos responde eficazmente à amlodipina como monoterapia, independentemente dos ajustes à dose que possam ser necessários. Este fármaco já demonstrou também ser eficaz na diminuição da magnitude da proteinúria em gatos hipertensivos com doença renal cónica concomitante. A amlodipina é tipicamente administrada via oral na dose inicial de 0,125 mg/kg (0,625 mg/gato) e pode aumentar-se para o dobro (1,25 mg/gato) caso não haja uma resposta adequada no prazo de uma a três semanas. Caso a amlodipina não seja suficiente para controlar a hipertensão, outros fármacos podem ser associados nomeadamente atenolol (ajuda a controlar a taquicardia) ou inibidores da enzima conversora da angiotensina (em pacientes com doença renal cronica ajuda a diminuir a proteinuria) (Nelson, 2015; Taylor et al., 2017).
A hipertensão arterial afeta negativamente o prognóstico a longo prazo (Polzin, Osborne & Ross, 2005).
2.7.2. D
OENÇAR
ENALC
RÓNICAO hipertiroidismo e a doença renal crónica são doenças comuns da população felina geriátrica e frequentemente ocorre concomitantemente. O diagnóstico de hipertiroidismo e de doença renal concomitante pode ser difícil. A doença renal pode mascarar os sinais clínicos de hipertiroidismo e suprimir os valores de T4 total para valores dentro do intervalo de referência. Inversamente, o hipertiroidismo causa um aumento da taxa de filtração glomerular e uma diminuição da massa muscular, fatores que interferem com o diagnóstico de doença renal crónica uma vez que diminuem a concentração sanguínea de creatinina. Identificar estes pacientes pode influenciar na escolha da terapêutica bem como no cuidado a ter em conta relativamente à exacerbação da azotemia que diminui o tempo de vida dos gatos com doença renal crónica (Peterson, Varela, Rishniw & Polzin, 2018; Wakeling et al., 2008).
De maneira a classificar a doença renal crónica, a IRIS recomenda um sistema de estadiamento que utiliza a concentração sérica de creatinina, a proteinúria, a pressão sanguínea sistólica e, mais recentemente a dimetilarginina simétrica (SDMA), para auxiliar à escolha apropriada da terapêutica bem como fornecer informações quanto ao prognóstico (figura 12 – anexo 3). A SDMA é um potencial biomarcador na deteção precoce da doença renal crónica. Está inversamente correlacionada com a taxa de filtração glomerular (TFG), ou seja, quando esta diminui os valores da SDMA aumentam. Representa vantagens sobre a concentração de creatinina uma vez que os seus valores aumentam quando a TFG diminui em aproximadamente 40% a sua taxa normal, muito mais cedo que os valores de creatinina que apenas se tornam elevados quando a TFG está diminuída em 75%. Adicionalmente, os valores de SDMA não são afetados por alterações na dieta ou na massa muscular, ao contrário da creatinina (Peterson et al., 2018; Vaske, Schermerhorn & Grauer, 2016).
O tratamento bem-sucedido do hipertiroidismo diminui a função excretora renal, que resulta no aumento da concentração da creatinina sérica e na diminuição da TFG. (Vaske et al., 2016). Estudos demonstram que gatos com azotémia evidente anterior ao tratamento de hipertiroidismo têm pior prognóstico comparado com os que se tornam azotémicos após a terapêutica. Esses estudos indicam também que os valores séricos de creatinina continuam a aumentar por um período de 6 meses após atingido o estado eutiroideu, enquanto que a TFG vai diminuindo por um período de um mês e depois tende a estabilizar. Posto isto, e embora a função renal tenha tendência para estabilizar, é prudente monitorizar-se as concentrações serológicas de creatinina durante pelo menos um mês após atingido o estado eutiroideu (Milner, Channel, Levy & Schaer, 2006; Williams et al., 2010).
A proteinúria renal é um achado comum em gatos hipertiroideus, bem como em gatos com doença renal crónica. Pressupõe-se que esta seja secundária ao aumento da pressão capilar glomerular e da
capacidade tubular de reabsorção alterada. A proteinúria é um fator de risco no desenvolvimento da azotémia e na sua progressão na doença renal crónica. Independentemente do mecanismo, a resolução do hipertiroidismo leva à redução significativa da excreção proteica urinária (Vaske et al., 2016).