Nesta perspectiva, faz-se mister justificar a década de 1990, marcada pela
abertura comercial brasileira e possibilitando a concorrência de produtos nacionais com estrangeiros. Neste sentido, diversas empresas industriais brasileiras tiveram que incrementar sua competitividade, sendo uma escolha natural, a opção para realocação em estados que apresentassem mão-de-obra mais barata.
Em face desse cenário, afirma-se que o processo de industrialização do
Ceará, evidencia-se materializando investimentos que migraram do sul do País em busca de novos lugares de reprodução e acumulação de capital, concomitantemente com a participação do capital local, propiciando um maior direcionamento nos setores tradicionais.
Convém ressaltar que esses investimentos visavam alcançar vantagens comparativas que lhes concedessem maior competitividade diante dos seus concorrentes externos, encontrando no estado do Ceará uma expressiva oferta de mão-de-obra e baixos salários facilitando o seu intento.
O presente trabalho analisou o comportamento do primeiro emprego na indústria de transformação do Ceará no período 1994-2009. Para alcançar o objetivo pretendido, considerou-se o contexto de política econômica nacional e as políticas de apoio à industrialização implementada pelo Estado.
Assim sendo, observa-se os resultados obtidos em todas as mesorregiões um aumento representativo do número de estabelecimentos das atividades componentes da indústria de transformação do Estado do Ceará, com reflexos no mercado de trabalho do primeiro emprego. As mesorregiões Centro-Sul Cearense e Noroeste foram as que apresentaram maior crescimento em termos da absorção de do primeiro emprego no período analisado.
Esse quadro corrobora com o primeiro pressuposto de que a interiorização promoveu o crescimento do primeiro emprego, em proporção maior à Região Metropolitana de Fortaleza, que apresentou menor crescimento relativo no período no primeiro emprego industrial. O segundo pressuposto de que houve diferenças no período do perfil do primeiro emprego na da Região Metropolitana de Fortaleza em relação às demais mesorregiões, não foi confirmado. O mesmo se verificou com o
terceiro pressuposto de que a participação setorial do primeiro emprego modificou- se ao longo do período, os resultados não evidenciaram mudanças significativas, uma vez que predominam as atividades tradicionais com as maiores participações no mercado de trabalho do primeiro emprego.
O primeiro objetivo específico foi alcançado, uma vez que se verificou a evolução do primeiro emprego por mesorregião, destacando-se ao longo do trabalho, a situação em termos de participação e crescimento dessa variável de cada uma das mesorregiões cearenses. Destacando-se as atividades da indústria de transformação que mais contribuíram para a dinâmica observada.
No que diz respeito ao segundo objetivo específico que trata de identificar o perfil do trabalhador do primeiro emprego na indústria de transformação cearense, observou-se que houve um aumento das exigências da qualificação, isto ocorreu em todas as mesorregiões. Continua havendo predominância do sexo masculino.
O terceiro objetivo específico, analisar a contribuição da estrutura industrial para a geração do primeiro emprego, também se considera alcançado, uma vez que à medida em para todas as mesorregiões do estado foi apresentada a estrutura produtiva da indústria de transformação, evidenciando as suas especificidades locais.
Verificou-se que algumas das empresas industriais, beneficiadas com os incentivos fiscais do FDI, foram instaladas nesta última década no Estado do Ceará, contribuindo assim para a elevação do emprego na indústria de transformação cearense, especialmente do primeiro emprego. Consequentemente, em todas as mesorregiões cearenses houve um crescimento na oferta de primeiro emprego, considerando os dois períodos de análise. Destacando-se com maior expressividade o crescimento do primeiro emprego nas mesorregiões do Centro-Sul Cearense e Noroeste Cearense.
Sugere-se um maior aprofundamento dessa temática, considerando uma pesquisa de campo nas empresas que se instalaram no Estado nesse período e que foram beneficiadas com as políticas de apoio à interiorização, para se analisar o real impacto dessas empresas no mercado de trabalho, em especial no primeiro emprego, das mesorregiões em que estão situadas.
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