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Neste sub-eixo surgem dois discursos diferentes. A ancoragem A116 que evidencia uma relação em que o tutorando se sente à vontade, que o tutor os apoia, auxilia, entretanto, faz uma ressalva, o tutor não faz pelos alunos, mas aponta caminhos para que eles possam traçar metas e atingi-las.

É importante perceber que essa relação se baseia um pouco nessa ideia, um tutor, não é um professor e o tutor não é uma pessoa para resolver os problemas pelo tutorando. Um tutor é alguém que está disponível para orientar, para ajudar a encontrar caminhos. Essa deve ser a relação, não é uma relação para ensinar como é que se faz trabalhos, como é que se faz isso, como é se faz aquilo. Não é para resolver os problemas burocráticos e etc. É para ajudar o aluno, o tutorando nesse caso, construir suas próprias metas, ter um planeamento para as atingir, a materializar o seu caminho, a gerir seu tempo, o seu espaço e a refletir sobre isso para que o aluno organize no fundo, suas aprendizagens para ter sucesso (DSC117).

Considerando também que o tutor nesse programa não é um professor, vale lembrar que a tutoria que ele exerce não é curricular, essa é realizada pelo professor da disciplina.

Assim, eu acho que sempre é boa, eles se sentem bastante à vontade para contatar comigo. Quando nos cruzamos se eles precisam de alguma coisa ou até mesmo para ligarem para mim, sempre os deixo bastante a vontade. Eu acho que eu também tenho um perfil que não evito contato sou tutora, mas não sou mais do que eles. Portanto eles se sentem à vontade para isso. As dúvidas eram mais acerca do funcionamento do curso mesmo, depois vieram questões mais burocráticas e eu encaminhei para a secretaria, aí outras coisas mais de acompanhamento continuado eu encaminhei para o GAPE, mas eu acho que sempre é um contato muito fácil. [...] (DSC116).

Por outro lado, a ancoragem A115 cujo discurso traduz uma relação de apoio, mas que não se faz tão próxima quanto o esperado. Esse fato é justificado pelo apoio que os mentores lhes oferecem também, muitas vezes essas atividades acabam por se sobreporem umas às outras, daí a necessidade da tutoria planejar junto com o mentorado.

A relação tutor-tutorando é uma relação de apoio, e de mais transparência, não é de igual para igual, mas é de facto uma colaboração. Mas de alguma forma, eu não tenho tido tanta proximidade com eles quanto seria de esperar porque como as sessões temáticas não aconteceram, e só alguns é que recorreram depois ao atendimento presencial, só com esses é que eu vou tendo uma relação um bocadinho mais próxima, pois, sempre que os encontro, pergunto como é que está a correr e se eles têm alguma dúvida, mas não há. [...] Acho que encontraram se calhar nos mentores esse apoio mais sistemático e aqui é um apoio pontual, eles têm uma dúvida, mandam-me um email, se precisam de uma ajuda dos serviços acadêmicos,

se já não está a andar qualquer coisa, eu ajudo, pronto, eu apoio pontualmente, mas penso que se sentiram a vontade para colocarem questões sempre que acharem necessário (DSC115).

Na ação tutorial, embora a relação tutor-tutorando não seja de igual pra igual, deve ser de parceria e colaboração. A tutoria requer aproximação e confiança entre as duas partes, entretanto, muitas vezes os alunos preferem procurar os seus pares em vez de procurar a tutoria por causa da relação de igualdade ser algo que os deixa mais confortáveis.

c) Eixo discursivo: A formação para exercer a tutoria no PTM23

O eixo da formação se subdivide em dois sub-eixos que são apresentados no gráfico abaixo com suas respectivas ancoragens.

Gráfico 18 – Eixo e sub-eixos da Formação no PTM23 e suas ancoragens

Fonte: Elaborado pela pesquisador

I.Sub-eixo discursivo: Formação para exercer a tutoria

No tocante à formação para exercer a tutoria no PTM23, percebemos que não difere de muitos outros programas em que a formação ocorre a partir da observação da experiência de outros tutores (A118), ou os tutores têm apenas orientações (A119).

Não tive formação, mas acompanhei a tutora anterior e assisti às sessões dela também, deu para perceber um bocadinho (DSC118).

Não tive uma formação específica para realizar esse projeto, o que eu tive orientações e também já tenho uma base que ajuda (DSC119).

Entretanto, a ancoragem A120 revela que a formação foi por iniciativa própria de uma equipe da Faculdade de Psicologia que procurou conhecer outros programas em outras

instituições de Ensino Superior e também por meio de investigações, seminários, o que não ocorre de uma hora para outra, isso requer tempo.

Se fosse um programa mais generalizado a muitas outras Faculdades, por exemplo, teria que ver um trabalho de formação desses tutores, agora, no caso específico da Faculdade de Psicologia, o que foi feito foi que nós todos fomos fazer formação juntos, envolvemos em outros projetos, estivemos com outros colegas em experiências na Universidade do Minho, fizemos investigação sobre o assunto, portanto, as equipes foram formando umas as outras. E também, obtendo informação e trazendo. A Universidade de Lisboa fez seminários, atividades complementares, portanto, houve aqui muito trabalho ao longo do tempo (DSC120).

De acordo com o DSC120 a falta de formação está relacionada a não institucionalização do programa em outras faculdades, se fosse um programa de toda a Universidade de Lisboa talvez houvesse uma uniciativa de institucionalização da tutoria e a oferta de formação para o exercício dessa atividade. Nesse sentido, os coordenadores e tutores anteriores, desde que a tutoria iniciou, vêm procurando formações em outras em congressos e seminários e buscando conhecer experiências de outras universidades.

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