2. Geografiske inndelinger
2.4. Valgkretser ved valg til Sametinget i Norge
Apesar de muitos estudos concordarem com a importância da BMS para o ciclo do P, bem como, a importânica do Pm como compartimento de P-lábil (Gatiboni et al. 2007; Rhenheimer et al., 2008; Turner et. al., 2013; Tuner & Wright, 2014) nada foi encontrado na literatura sobre a contribuição direta do Pm para a nutrição das plantas cultivadas. Na tentativa de observar e quantificar a capacidade das plantas em absorverem o P oriundo da BMS apartir de sua morte, se conduziu o presente experimento. O solo utilizado apresentava teores muito baixos de P disponível, segundo CQFS-RS/SC (2004) (ver tabela 3), e 20,4 mg.kg-1 de Pm. A utilização de solo com teor inicial de P muito baixo teve o intuito de criar um pulso de P com a morte da BMS, visto que em solos com teores adequados de P disponível a contribuição do Pm para a nutrição das plantas cultivadas seria baixa (Brookes et al.,1982; Matsuoka et al., 2003; Cleveland & Liptzin, 2007), como observado no experimento um.
A aplicação de biocida ocorreu assim que as plantas de trigo iniciaram o perfilhamento, período o qual as reservas de P da semente são exauridas e há grande demanda pelo nutriente (Boatwright &Viets, 1966). As médias de Pm do solo em função da aplicação ou não do biocida são apresentados na Figura 3. A aplicação ou não de biocida não alterou as médias de Pm, sendo encontrada apenas diferença nos tempos de coleta, não houve interação entre aplicação de biocida e tempo para esta variável, ficando evidente que não se conseguiu um pulso de P com a aplicação do mesmo. A grande variabilidade observada entre repetições (CV = 32,62) pode ter relação com a ausência de resposta. Outro fator importante é que as três primeiras coletas foram realizadas com o solo próximo a saturação de água, o que dificultou a amostragem e respectiva análise do Pm. No sétimo dia após a aplicação dos tratamentos,
49 o teor de Pm foi superior que aos 0, 1 e 3 dias, os quais não se diferiram entre si. Isso ocorreu provavelmente pela melhor aeração do solo no último período de coleta, estimulando a BMS, que é normalmente predominantemente aeróbica.
A saturação do solo é responsável por uma série de alterações químicas, entre elas a auto-calagem e a redução do Fe+2 a Fe+3, fator que eleva o pH e aumenta a disponibilidade de P por libera-lo dos óxidos de Fe e Al (Meurer, 2007). Com isso, no sétimo dia após a aplicação dos tratamentos o solo se encontrava possivelmente com melhor disponibilidade de P, junto a isso, a maior aeração do mesmo, devido à redução da umidade, estimulou a BMS a imobilizar quantidade superior do nutriente nesta data.
Figura 3 - Variação temporal dos teores de fósforo microbiano do solo em função da aplicação ou não de biocida.
Dias após a aplicação dos tratamentos
0 1 3 7 P m ( m g K g- 1 ) 0 10 20 30 40 50 60 70 Com Biocida Sem BIocida aB aB aB aB aB aB aA aA
Letras iguais, minúsculas no mesmo dia de coleta e maiúsculas em dias de coleta distintos, não diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0,10). As barras de erro representam o erro padrão das observações.
A imobilização de P pela BMS aos 7 dias pode ter contribuído para reduzir a disponibilidade de P para as plantas, que apresentaram redução nos teores de P nos tecidos com o passar do tempo (Figura 4). Bünemann et al. (2013) concluíram em seu estudo que o pulso de P oriundo da lise celular da BMS pode ser aproveitado pelas plantas se esta tiver capacidade de absorvê-lo antes que seja adsorvido ao solo, imobilizado pela BMS novamente ou lixiviado. Adicionalmente, Koutika et al., (2013) concluíram que em solos com alta capacidade de adsorção de P, como o utilizado para este experimento, o Pm liberado na solução do solo é readsorvido rapidamente, podendo não ser utilizado pela planta.
Os teores de P na parte aérea das plantas foram superiores nas amostragens aos, 0 e 1 dia após a aplicação dos tratamentos, comparativamente as amostragens aos 3 e 7 dias. Mesmo assim, sempre estiveram abaixo do nível considerado adequado, entre 200 a 300 mg.kg-1 (CQFS-RS/SC, 2004) provavelmente pela baixa disponibilidade de P do solo.
51 Figura 4 - Variação temporal dos teores de fósforo em parte aérea (a) e raiz (b) em plantas de trigo cultivadas em solo submetido à aplicação ou não de biocida em quatro épocas de amostragem
Dias após a aplicação dos tratamentos
0 1 3 7 P ( m g. kg -1) 0 20 40 60 80 100 120 140 Com Biocida Sem Biocida aA aA aA aA aB aB aB aB
Dias após a aplicação dos tratamentos
0 1 3 7 P (m g. kg -1) 0 20 40 60 80 100 120 140 160 Com Biocida Sem Biocida aA aA aA aA aAB aAB aB aB
Letras iguais, minúsculas no mesmo dia de coleta e maiúsculas em dias de coleta distintos, não diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0,10). As barras de erro representam o erro padrão das observações.
Fonte: Autor.
(a)
Os teores de P nas raízes das plantas tiveram comportamento semelhante aos da parte aérea, sendo as duas primeiras coletas aos 0 e 1 dia superiores a quarta coleta aos 7 dias, tendo a coleta aos 3 dias valores intermediários. Estes resultados deixam clara a redução nos teores de P com o passar do tempo, provavelmente pela diluição devido ao crescimento das plantas, principalmente em relação à parte aérea destas. A variação temporal da matéria seca de parte aérea e raiz das plantas de trigo no decorrer do tempo são apresentadas na Figura 5.
A matéria seca de parte aérea aumentou no decorrer do tempo, sendo a única variável analisada que apresentou interação entre aplicação de biocida e tempo de coleta. A aplicação de biocida afetou negativamente a matéria seca da parte aérea na segunda época de amostragem, 1 dia após a aplicação dos tratamentos, que se diferiu do tratamento controle, sem aplicação de biocida. Já na quarta época de amostragem, aos 7 dias, a matéria seca da parte aérea no tratamento com aplicação de biocida foi superior ao tratamento sem aplicação, nas demais épocas não houve diferença. Em relação ao tempo, houve incremento na matéria seca de parte aérea nos tratamentos com aplicação de biocida, sendo as duas primeiras coletas (0 e 1 dia) inferiores a última coleta aos 7 dias. Já para o tratamento sem aplicação de biocida não houve diferença no decorrer do tempo para a variável matéria seca de parte aérea.
Para matéria seca de raiz não houve diferença entre aplicação ou não de biocida e interação entre aplicação de biocida e tempo, ocorrendo apenas diferença em relação ao tempo após aplicação dos tratamentos. Ao contrário do que ocorre com a matéria seca de parte aérea, a matéria seca de raiz reduziu no decorrer do tempo. O resultado encontrado no dia da aplicação do biocida (0 dias) para matéria seca de raiz foi superior ao encontrado, aos 1 e 7 dias os quais não se diferiram. Em situação de deficiência nutricional há
53 translocação de fotoassimilados das partes com maiores reservas para as áreas com maior demanda, como folhas jovens, no intuito de manter a produção energética da planta (Taiz & Zeiger, 2004; Floss, 2011). Deste modo, a redução da matéria seca de raiz com o passar do tempo é justificável, pois as reservar energéticas da raiz foram translocadas para a parte aérea que se encontrava em fase de intensa divisão e expansão celular.
Figura 5 - Variação temporal da matéria seca de parte aérea (a) e raiz (b) de plantas de trigo cultivadas em solo submetido à aplicação ou não de biocida, em quatro épocas de amostragem.
Dias após a aplicação dos tratamentos
0 1 3 7 M at ér ia S ec a (g v as o -1) 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 Com Biocida Sem Biocida aA bA aAB aA aA bB aB aA
Dias após a aplicação dos tratamentos
0 1 3 7 M at ér ia Se ca ( g va so -1 ) 0 1 2 3 4 5 6 Com Biocida Sem Biocida aA aA aBC aBC aAB aAB aC aC
Letras iguais, minúsculas no mesmo dia de coleta e maiúsculas em dias de coleta distintos, não diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0,10). As barras de erro representam o erro padrão das observações.
Fonte: Autor.
(a)
55 O P absorvido pelas plantas (Figura 6) encontrado na parte aérea das mesmas aumentou no decorrer do tempo, acompanhando a mesma tendência encontrada para a massa seca. Ou seja, o tratamento com aplicação de biocida foi inferior ao sem aplicação na segunda coleta e superior na última, não havendo diferença nas demais. O tratamento sem aplicação de biocida não teve efeito sobre a quantidade de P absorvido no decorrer do tempo. No entanto, o tratamento com aplicação de biocida proporcionou incremento no P absorvido no decorrer do tempo, sendo as médias das duas primeiras coletas inferiores a da última. Como não foi observada diferença nas médias de Pm nos tratamentos (Figura 3) está variação na absorção de P não pode ser atribuída ao P oriundo da BMS.
Por lado, o P absorvido e encontrado nas raízes teve o mesmo comportamento, independentemente da aplicação ou não de biocida, os quais não se diferiram em qualquer tempo. Contudo houve redução na quantidade total de P nas raízes no decorrer do tempo, com a primeira coleta se diferindo da última (0 dias e 7 dias respectivamente), as coletas aos 1 e 3 dias não se diferiram, apresentando valores intermediários. Este comportamento foi similar ao encontrado para a massa seca de raiz, discutido anteriormente. Por não ter sido encontrado maiores dificuldades na separação de raízes em qualquer tempo se atribui esta redução a retranslocação de P das raízes para a parte aérea.
Portanto, vale frisar que não houve comprovadamente participação do P oriundo da BMS para a nutrição das plantas de trigo para as condições de condução do estudo.
Figura 6 - Fósforo absorvido pela parte aérea (a) e raiz (b) de plantas de trigo cultivadas em solo submetido à aplicação ou não de biocida, em quatro épocas de amostragem.
Dias após a aplicação dos tratamentos
0 1 3 7 P a bs or vi do ( g va so -1) 0,00 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10 0,12 0,14 Com Biocida Sem Biocida aBC aA bC aA aAB aA aA bA
Dias após a aplicação dos tratamentos
0 1 3 7 P ab so rv id o (g v as o -1) 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 Com Biocida Sem Biocida aA aA aB aB aB aB aC aC
Letras iguais, minúsculas no mesmo dia de coleta e maiúsculas em dias de coleta distintos, não diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0,10). As barras de erro representam o erro padrão das observações.
Fonte: Autor.
(a)
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7 CONCLUSÕES
O conteúdo de P imobilizado pela biomassa microbiana do solo em área sob sistema plantio direto é variável durante o ano, respondendo positivamente a aplicação de nutrientes independentemente da fonte utilizada ser orgânica, como o dejeto líquido de suínos, ou mineral, como o fertilizante NPK.
As condições edáficas, como disponibilidade hídrica e temperatura, são responsáveis pela maior parte das variações encontradas na imobilização microbiana de P.
O uso de inibidor microbiano, como o inibidor da nitrificação dicianodiamida, não afeta a imobilização microbina de P, independentemente de ser aplicado conjuntamente a uma fonte orgânica ou mineral.
Não foi possível nas condições de condução do estudo determinar a contribuição do P oriundo da biomassa microbiana do solo, quando de sua morte, para a nutrição das plantas cultivadas.
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