Kapittel 4: Fra amnestimotstand til miniamnesti
4.2 Valgkampen: Etableringen av et antiinnvandringsimage
Todo o processo desenvolvido em torno de uma investigação pressupõe que há uma recolha de dados sobre o mundo real, realizada pelo investigador que, posteriormente, retira as suas conclusões. Assim, o investigador, independentemente do caráter da investigação, deve “selecionar um modo de pesquisa uma ou mais técnicas de recolha dos
dados e um ou vários instrumentos de registo dos dados” (Lessard-Hébert, Goyette, & Boutin, 2010, p.141). Neste sentido, os instrumentos possibilitam uma observação objetiva e exata pois, segundo Postic (1979) “os instrumentos de observação têm por função seguir o desenvolvimento do comportamento do jovem professor, situá-lo progressivamente numa perspectiva de evolução” (p.19). Assim, através dos instrumentos de recolha de dados é possível recolher informações essenciais para o investigador. Neste sentido, no caso do nosso trabalho recorremos a técnicas de recolha de dados utilizando diversos tipos de instrumentos, os quais damos conta de seguida.
6.1. Observação naturalista
A observação em educação assume um papel preponderante pois é através desta que se obtém os primeiros dados do contexto. De acordo com Sousa (2005) em educação a observação “destina-se essencialmente a pesquisar problemas, a procurar respostas para questões que se levantem e a ajudar na compreensão do processo pedagógico” (p.109), visto que “a observação ajuda a compreender os contextos, as pessoas que nele se movimentam e as suas interações” (Máximo-Esteves, 2008, p.87). Deste modo, é fundamental que o observador tenha consciência do que é observar e para quê observar (Estrela, 1990). Através da observação é possível registar “os acontecimentos, comportamentos e atitudes, no seu contexto próprio e sem alterar a sua espontaneidade” (Sousa, 2005, p.109).
Consideramos que a observação é muito importante para os professores em formação, na medida em que permite “tornar o professor mais consciente das situações de ensino, tornando-o simultaneamente mais consciente de si próprio em situação” (Estrela, 1990, p.58). Neste sentido, e de acordo com Estrela (1990), a observação poderá ajudar o professor a:
reconhecer e identificar fenómenos; apreender relações sequenciais e causais; ser sensível às reacções dos alunos; pôr problemas e verificar soluções; recolher objectivamente a informação, organizá-la e interpretá-la; situar-se criticamente face aos modelos existentes; realizar a síntese entre teoria e prática (p.58).
Como é possível constatar a observação é crucial para o professor em formação, por isso, no decorrer da nossa prática pedagógica, a observação esteve presente de forma contínua. Esta possibilitou-nos recorrer a diferentes instrumentos de recolha de dados que, posteriormente foram analisados e refletidos.
6.2. Registos em áudio
Durante a nossa prática pedagógica, os registos de áudio foram essenciais enquanto técnica de recolha de dados. Assim, recorremos a um gravador que captava os diálogos das
interações que as crianças estabeleciam no decurso do trabalho. Relativamente ao contexto da Educação Pré-Escolar o gravador era utilizado em momento de grande grupo, pequeno grupo e no momento de planear-fazer-rever. No 1.º Ciclo do Ensino Básico o gravador era colocado a gravar no início do dia e a gravação era interrompida nos intervalos e no final do dia8. Os
diálogos captados nos contextos foram registados em papel. Posteriormente estes foram analisados, como vamos poder constatar ao longo deste relatório.
6.3. Registos fotográficos
O registo fotográfico permite ao investigador captar imagens, que servem como auxiliar de conteúdo e de aprendizagem. Na investigação, a fotografia está estreitamente ligada à investigação qualitativa, como referem Bogdan e Biklen (1994), fornecem-nos dados descritivos que “são muitas vezes utilizados para compreender o subjectivo e são frequentemente analisados indutivamente” (p.183). Neste sentido, os registos fotográficos estiveram presentes ao longo de todo o percurso de investigação, com o objetivo de compreender todo o processo educacional. Desta forma, as fotografias, em temos investigativos não é uma resposta, mas sim uma ferramenta para chegar à resposta (Bogdan, & Biklen, 1994).
Ao longo da nossa prática, foram tiradas diversas fotografias. Resolvemos utilizar este procedimento pois segundo Bogdan e Biklen (1994) as fotografias expressam “informação sobre o comportamento dos sujeitos, a sua interação e sua forma de apresentação em determinadas situações” (p.141). As fotografias foram, posteriormente, analisadas por nós, considerando-se que nos foram úteis para fundamentar alguns aspetos importantes no âmbito da nossa pesquisa.
6.4. Produções das crianças: orais e escritas
Ao longo da nossa prática pedagógica fomos criando oportunidades para a criança se expressar, pois “se criarmos espaço para as ´cem linguagens` as crianças recorrem àquela que no momento lhes for mais útil e mais prazerosa” (Oliveira-Formosinho, & Costa, 2011, p.98). Assim, durante a Prática de Ensino Supervisionada íamos anotando as produções expressas pelas crianças, através da linguagem verbal, gestual, desenhos, entre outras. Consideramos que é fundamental que a criança registe e documente os seus sentimentos e ideias. O facto de respeitarmos a criança como ser autónomo permite que ao
8 Neste processo salvaguardamos, logo de início, o anonimato das crianças e constituiu-se, quer num contexto, quer noutro, num tipo de
longo de todo o seu percurso escolar, representem as suas próprias situações e reflitam sobre as suas experiências (Mesquita-Pires, 2013). Assim, “a escuta ativa das crianças vai instituindo a participação. O respeito com que se escuta cria um clima positivo de ética relacional. A criança sabe que é verdade que a querem incluir” (Oliveira-Formosinho, & Costa, 2011, p.91). Deste modo, os registos que fomos realizando ao longo da nossa prática pedagógica serviram-nos para orientar o nosso percurso pedagógico. A análise das produções das crianças possibilitou-nos refletir sobre os seus interesses e as suas necessidades e como iam construindo significados sobre as experiências que iam vivenciando.
6.5. Inquérito por questionário/inventário de interesses
A observação realizada nos primeiros dias em contexto foi importante, isto porque nos permitiu compreender qual a técnica de recolha de dados mais adequada para obter dados que nos permitisse retirar conclusões significativas no âmbito do nosso estudo. Neste sentido, em contexto da Educação Pré-Escolar, consideramos que foi importante ouvir as vozes das crianças, visto que “a voz da criança é uma voz legítima, com credibilidade científica pedagógica” (Gambôa, 2011, p.72). Portanto realizamos um inventário de interesses (vide Anexo I), com o intuito de compreender as conceções das crianças sobre o tema do projeto. A aplicação do mesmo procedeu-se da seguinte forma: em grupos de dois elementos as crianças eram questionadas e eram registadas as suas respostas, com o intuito de documentar os seus saberes prévios. Seguidamente foram-lhe fornecidas um conjunto de fotografias (vide Anexo II) e deixamos que as crianças as explorassem livremente. Ao longo da exploração fomos registando os diálogos que se desenvolviam entre elas. Após alguns minutos, voltamos a aplicar o mesmo inventário, com intuito de compreender o que tinha modificado, após a observação das fotografias.
No 1.º Ciclo do Ensino Básico utilizamos o inquérito por questionário (vide Anexo III) como forma de recolha de dados. Deste modo, consideramos que foi fundamental compreender como se estrutura e elabora esta técnica de recolha de dados. Para construirmos o inquérito por questionário, tivemos em consideração o objetivo principal que, consistiu na conversão da “informação obtida dos respondentes em dados pré- formados, facilitando o acesso a um número” (Afonso, 2005, p.101). Antes da aplicação do inquérito por questionário houve a necessidade de realizar um trabalho prévio, com intuito de recolher a informação necessária e, por tal tivemos de atender a um conjunto de procedimentos metodológicos, desde a formulação do problema até à sua aplicação
(Pardal, & Correia, 1995). Assim, consideramos que a fase da formulação das perguntas foi complexa, visto que “é preciso pensar cuidadosamente sobre o objetivo geral (o tipo de informação que quer solicitar) de cada uma das perguntas” (Hill, & Hill, 2009, p.89).
O questionário apresenta diversos tipos de perguntas, cada uma “com a sua especificidade, interesse face ao objeto de pesquisa e grau de dificuldade” (Pardal, & Correia, 1995, p.59). Deste modo, também foi preponderante definir a modalidade das perguntas e, por isso, o inquérito por questionário apresenta perguntas abertas, fechadas ou de escolha múltipla, como é possível verificar no quadro seguinte.
Quadro 4. Sinopse das questões integradas no inquérito por questionário
De facto foi importante elaborar as questões tendo em conta a modalidade em que estavam inseridas, isto porque nos permitiu ir ao encontro dos objetivos da pesquisa. Assim, o recurso às questões abertas foi efetivado com o intuito de compreender em profundidade o estudo em causa. As questões fechadas, para além de limitarem a resposta do inquirido, permite-nos obter dados quantitativos, também importantes para o estudo. As questões de escolha múltipla “configuram tendencialmente uma modalidade fechada” (Pardal, & Correia, 1995, p.55) e permitem ao inquirido a escolha de uma ou várias respostas.
Após a elaboração do inquérito por questionário, foi aplicado na sala do 3.º ano no final da elaboração do projeto, sendo que este foi feito na nossa presença, considerando-se, por tal, como uma aplicação presencial (Sousa, 2005).