4.2 Konsekvenser
4.2.3 Valg uten konsekvenser
Nesta secção apresento os procedimentos realizados antes, durante e após a reco- lha de dados. Apresento também os principais modos e instrumentos de recolha utiliza- dos: observação de aulas, entrevistas, produtos realizados pelos alunos e outros docu- mentos institucionais.
4.3.1. Procedimentos
A recolha de dados relativa aos alunos de uma escola requer diversos preparati- vos. O primeiro é informar o conselho executivo sobre a intenção de realizar o estudo com alunos de uma turma da escola e sobre os seus principais objectivos, solicitando autorização para o executar. O conselho executivo concordou de imediato, colocando-se ao dispor para qualquer eventualidade. O preparativo seguinte foi dar conhecimento deste estudo à coordenadora de grupo e à respectiva directora de turma.
Terminada a fase dos preparativos, iniciei o processo de recolha de dados que decorreu entre 20 de Janeiro e 17 de Fevereiro de 2009, onde foram aplicadas as tarefas propostas na unidade de ensino. Após a conclusão da unidade realizei a 2.ª entrevista, à semelhança das entrevistas anteriores. Por fim, os alunos foram sujeitos a um momento de avaliação dos conhecimentos adquiridos durante a leccionação da unidade didáctica.
4.3.2. Instrumentos
Numa investigação de carácter qualitativo é importante obter informações de diversas fontes de modo a permitir uma abordagem a partir de diversas perspectivas. Quando usados em simultâneo, estes complementam-se. Para Lessard-Hérbert, Goyette e Boutin (1990), existem três formas de recolha de dados: (i) o inquérito, que pode tomar duas formas distintas, a saber, a entrevista, se considerarmos a forma oral, e o questionário, se considerarmos a forma escrita; (ii) a observação, em particular, das aulas; e (iii) a análise documental dos produtos dos alunos. No presente estudo utilizo, como modos de recolha de dados, a observação das aulas, os produtos realizados pelos alunos e a entrevista.
51
4.3.2.1. Observação de aulas. Para facilitar a observação das aulas, pretendo
fazer um registo de observações de aulas. Segundo Bogdan e Biklen (1994), este registo é essencial para que um estudo qualitativo seja bem sucedido e constitui-se como o ins- trumento “onde o investigador regista os acontecimentos relevantes que vão surgindo no decurso do trabalho, bem como as ideias e preocupações que lhe vão surgindo” (Ponte, 2002, p. 18). Neste documento identifico a aula, o número da tarefa, data, tempo previs- to e gasto e poderei, ainda, fazer pequenas considerações sobre a tarefa, sobre a forma como a aula decorre, entre outras.
Com o objectivo de enriquecer os meus registos, usei, também, um gravador áudio, na sala de aula. O uso deste material permitia gravar as conversas que tinha com os alunos dos grupos, que se constituíam como estudos de caso, e a discussão final em grande grupo. Estes registos foram transcritos no final do dia, sempre que possível.
O gravador acompanhava-me quando me deslocava aos grupos, que constituem os estudos de caso, com o objectivo de registar as interacções entre mim e o grupo e a docente. No momento da discussão em grande grupo, o gravador ficava em cima de uma mesa no meio da sala de modo a registar todas as possíveis intervenções de todos os alunos da turma.
4.3.2.2. Produtos realizados pelos alunos. A presente unidade de ensino tem
como suporte a realização das tarefas de exploração/investigação que se pede aos alunos que resolvam, cuja escrita se torna num documento importante para o investigador ana- lisar. Em todas as tarefas os alunos tiveram que escrever, efectuar cálculos, completar tabelas ou desenhar gráficos, com ou sem o auxílio do computador, que serviram como dados de grande relevância para esta investigação. Estes dados poderão ser de dois tipos: em suporte papel ou em suporte informático. Os documentos realizados com papel e lápis serão fotocopiados e entregues aos alunos, ficando as cópias com o profes- sor para análise. Os documentos em suporte informático serão guardados numa pasta no ambiente de trabalho. No final da aula, o professor recolhe essas pastas para posterior análise. Será, também, tido em conta dados que possam surgir das respostas obtidas nas outras tarefas e em alguma actividade que seja pedida aos alunos para realizarem em casa ou nas aulas de Estudo Acompanhado.
Sempre que resolvem as tarefas propostas na unidade de ensino, recolho as reso- luções dos alunos, antes da discussão em grande grupo, e fotocopio-as. Devolvo-as aos
52
alunos quando inicio a discussão, de modo a que estes possam completar ou corrigir as suas resoluções de modo a não prejudicar o seu estudo individual.
4.3.2.3. Entrevistas. Este trabalho envolve a realização de duas entrevistas. A
primeira é realizada antes da unidade de ensino, e a sua finalidade é conhecer melhor os entrevistados e saber que conhecimento têm relativamente ao tópico “Proporcionalidade directa” leccionado no ano anterior. A segunda é realizada após a leccionação da unida- de didáctica, de modo a ter consciência da evolução dos alunos depois da unidade de ensino ter sido ministrada. A realização das entrevistas foi autorizada pelos encarrega- dos de educação, tendo sido por mim garantido o anonimato dos alunos intervenientes. Uma vez que o trabalho foi realizado sempre em grupos de dois alunos, parece-me que é fundamental que as entrevistas sejam feitas aos dois elementos do mesmo grupo, sendo que inicialmente são questionados individualmente, através da realização de questões de fórum pessoal. As entrevistas são audiogravadas para posterior transcrição integral pos- sibilitando, identificar, com clareza, os momentos de hesitação e os momentos em que voltam atrás no seu raciocínio, por algum motivo. O facto dos entrevistados estarem perante um gravador tende a não ser um factor inibidor pois passado pouco tempo, as pessoas se esquecem da sua presença (Oliveira, 2004).
As entrevistas são semi-estruturadas uma vez que serão orientadas a partir de um guião, que se encontra em anexo, e que serve de garantia de que todos os tópicos rele- vantes são abordados, de modo a poder explorar algumas questões de acordo com o diálogo conseguido com o aluno. Estas entrevistas iniciam-se com perguntas pessoais e não intimidatórias, bem como perguntas sobre as actividades de que os alunos mais gos- tam. Seguidamente, quando o aluno evidencia que se sente mais à vontade com o pro- cesso, apresento a tarefa a ser realizada. O guião permite ter ao dispor um conjunto de questões adicionais para susceptíveis de colocar de modo a verificar o seu de compreen- são do entrevistado. No decorrer da entrevista, os alunos são encorajados a reformular, elaborar suas respostas e sustentá-las com explicações, desenhos e argumentos. Este método de recolha de dados fornece: (i) uma visão mais profunda das experiências dos alunos; (ii) um conhecimento acerca das estratégias usadas pelos alunos na resolução de problemas, conceitos, concepções erróneas ou alternativas; e (iii) uma compreensão de atitudes e perspectivas dos alunos relativamente à disciplina e ao conhecimento científi- co (Hunting, 1997). Também Tuckman (1994) considera que o uso de entrevistas per-
53
mite o acesso à forma de pensar dos participantes, à maneira como estes se vêem a sim próprios e ao mundo que os rodeia, bem como através da análise dos trabalhos produzi- dos pelos alunos.
4.3.2.4. Outros documentos. Com o objectivo de caracterizar a turma em geral,
os alunos dos grupos objecto de estudos de caso e o meio envolvente onde a escola está inserida, foram ainda analisados outros documentos. Estes documentos, produzidos pela escola, são (i) as fichas biográficas da turma, preenchidas pelos alunos no inicio do ano lectivo e (ii) os processos individuais dos alunos. Com estes dados, elaborei a caracteri- zação da turma e, em especial, dos alunos que compõem os estudos de caso; Analisei ainda (iii) as pautas de avaliação e (iv) o projecto educativo, de modo a caracterizar e escola e o seu meio envolvente.