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O método usado para a transcrição das entrevistas foi baseado em Marcuschi (1986), onde o pesquisador deve saber quais são os seus objetivos e assinalar o que lhe convém para análise. Para ele, não existe a melhor transcrição, pois se trata de uma questão complexa definir com clareza o que e quando assinalar em uma conversação. Ele define análise da conversação aquela decorrente de dados empíricos em situações reais, ou seja, a conversação que faz parte do dia-a-dia, da prática social, dos falantes.

Assim, definimos as normas que regeram a transcrição das entrevistas e também os elementos essenciais para transformar as informações em dados. Elaboramos um diário de campo com anotações das características do lugar físico e os aspectos sociais da igreja ainda durante as entrevistas. Essas anotações enriqueceram nas informações e auxiliaram na transcrição que íamos realizando logo após a entrevista, pois as impressões e lembranças dos colaboradores e do local eram mais fáceis de serem lembradas.

Três categorias foram pensadas, considerando o material empírico: concepção sobre o ensino de música no DEMAD; concepções sobre as práticas musicais, e as concepções sobre música. Essas categorias, por sua vez, subsidiaram a construção do sumário. Este experimentou várias versões. Na última versão, começou a ser possível separar os dados em capítulos e respectivas subdivisões. Um processo dinâmico também se estabeleceu em relação ao marco teórico adotado.

Um grande desafio encontrado na hora da análise e da escrita foi tentar me afastar de um contato tão próximo com os colaboradores e seus depoimentos, e me concentrar no papel de pesquisadora. Nesse sentido, sigo que em relação à imparcialidade e neutralidade científica, toda e qualquer pesquisa científica deve estar amparada em evidências concretas, sejam estas oriundas de uma pesquisa de campo ou até mesmo por argumentos que sustentem as conclusões expostas na pesquisa, nesse caso a necessidade de o pesquisador manter uma postura unilateral e de neutralidade.

É importante lembrar que, como atividade humana e social, a pesquisa traz consigo, a carga de valores, preferências, interesses e princípios que orientam o pesquisador. Situado entre as ciências humanas e sociais, o estudo dos fenômenos educacionais não poderia deixar de sofrer influencias das evoluções ocorridas naquelas ciências, pois a construção da ciência é um fenômeno social por excelência. (LÜDKE; ANDRÉ, 1986). O pesquisador manter certa distância emocional do assunto abordado, isso não é o que ocorre e por causa disso que a neutralidade torna-se uma falsa neutralidade. Como Bresler relata:

Uma assunção subjacente ao paradigma qualitativo envolve as relações do investigador e dos investigados: o investigador não é visto separadamente dos investigados, mas, citando Max Weber, “é um animal suspenso em teias de significação que ele próprio teceu” (apud GEERTZ, 1973). Neutralidade é impossível porque o investigador é inevitavelmente uma parte da realidade que estuda. Ao contrário, a meta se torna a “domesticação de subjetividades” (PESHKIN, 1988), a consciência das tendências e dos preconceitos das pessoas e seu monitoramento através dos processos de coleta e análise de dados (BRESLER, 2007, p. 8).

Mas, ao mesmo tempo, a consciência desta realidade pode nos preparar para trabalhar esta variável de forma que os resultados da pesquisa não sofram interferências além das esperadas.

Certamente um dos desafios atualmente lançados à pesquisa educacional é exatamente o de tentar captar essa realidade dinâmica e complexa do seu objeto de estudo, em sua realização histórica; pois... O que ocorre em educação é, em geral, a múltipla ação de inúmeras variáveis agindo e interagindo ao mesmo tempo (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 5).

Acreditamos que é preciso que o pesquisador tenha consciência da possibilidade de interferência de sua formação moral, religiosa, cultural e de sua carga de valores para que os resultados da pesquisa não sejam influenciados por eles além do aceitável. Pois todo pesquisador tem uma preferência por um dado ponto de vista sobre um fenômeno ou problema, se posicionando sobre um determinado ponto de vista e pode se abrir para contra- argumentos e aprimorar as suas escolhas ou mudá-las.

Assim, entendemos a pesquisa como algo feito da defesa de argumentos diante de um determinado fenômeno ou problema, um conflito de pontos de vistas de pessoas não neutras. Para Gil (1999), um bom pesquisador precisa, além do conhecimento do assunto, ter curiosidade, criatividade, integridade intelectual e sensibilidade social. As experiências observadas nas aulas, ensaios, cultos possibilitaram uma análise mais ampla das atividades desenvolvidas e ajudaram a perceber os depoimentos dos alunos, professores, direção e coordenação pedagógica com mais riqueza, enriquecendo a leitura e releitura das entrevistas dos colaboradores.

Assim, a observação desempenha papel importante, pois obriga o investigador a estabelecer um contato direto com a realidade estudada (MARCONI; LAKATOS, 2002; ALVES-MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 1998) falam sobre a análise das entrevistas, que a condução da análise dos dados abrange várias etapas, a fim de que se possa conferir significação aos dados coletados. Com a análise dos dados realizamos a descrição dos aspectos gerais da formação musical na IEADERN no Templo Central, configurando o contexto, seus objetivos de ensinar música e a sua relação com a prática musical no culto que falaremos mais adiante nos próximos capítulos.

Os conteúdos obtidos nas entrevistas mostraram como a direção e a coordenação pedagógica do departamento de música (DEMAD) orientam e organizam o ensino de música, como também o perfil do ensino musical com os conteúdos e o seu sistema de avaliação. Também foi possível descrever as práticas musicais na igreja, as características dos grupos, o perfil de alunos, professores em sua formação. A compreensão da concepção do ensino musical foi algo importante obtido, pois tem haver em compreender a função e o significado da música na igreja.

Assim como o perfil dos alunos e professores, tendo uma compreensão musical e social, o perfil dos músicos e regentes da orquestra e suas concepções sobre música na igreja também foi considerado importante na compreensão da análise das coletas dos dados. E, por fim, realizamos a categorização dos elementos centrais encontrados e extraídos dos temas

mais recorrentes das entrevistas e notas de campo. Selecionamos essas categorias e encontramos, a partir das falas e das concepções, perspectivas e expectativas em relação ao ensino de música na ótica da direção, coordenação pedagógica, professores, alunos, músicos e regentes, como podemos observar na Tabela 7, que retrata os pontos categorizados na investigação.

TABELA 7 - Categorias e Elementos Centrais da música e ensino na IEADERN

Categorização Elementos Centrais Colaboradores

Formação Musical Ensino de música tradicional Repertório Sacro e da Igreja (Concepção

da Igreja)

Coordenação Pedagógica Professores

Serviço na Igreja Cultuar a Deus

Louvar a Deus Evangelizar A música como cura

Músicos Regentes

Concepções de Música e Ensino na Igreja

A visão religiosa influencia a visão de música e a visão de ensino A interferência religiosa no ensino de

música.

Repertório Sacro e da Igreja

Direção do Departamento de Música da Igreja Coordenação Pedagógica Professores Profissionalização dos músicos aperfeiçoamento acadêmico

A Escola de Música da UFRN recebe uma grande demanda de pessoas que vem da IEADERN para aperfeiçoar seus

conhecimentos e práticas musicais

Professores Alunos

Método Aulas coletivas de instrumento, práticas de grupo, orquestra de alunos, corais.

Professores Alunos, Músicos Fonte: acervo da pesquisa

Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras. Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto. Sabei que o Senhor é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto. Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome. Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração.

3 REFERENCIAL TEÓRICO