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3.2 Metodisk tilnærming

3.2.1 Valg av respondenter

A escolha da temática, para o estudo em questão, surgiu há algum tempo, desde a altura do estágio pedagógico, mais precisamente na cadeira de Didáctica por ser um tema que me despertava curiosidade e ao mesmo tempo “apreensão”, uma vez que era preciso sair da “zona de conforto” e passar a assumir uma “zona de risco” Skovsmose (2008). Segundo este autor, o movimento entre os distintos ambientes prováveis de aprendizagem e a importância no “Cenário para Investigação” causarão alguma incerteza que não deve ser excluída, mas, especialmente “enfrentada, diagnosticada e investigada”. Outro aspeto que pesou para esta escolha prendeu-se com a desmotivação relativamente à escola, em particular à disciplina de Matemática, manifestada por uma grande quantidade de alunos que passaram por mim. A necessidade de ver e enfrentar o ensino da Matemática, de forma diferente, da que estamos habituados, foi outro fator relevante para esta opção.

A escolha da turma para este estudo, como já referido, recaiu sobre uma turma do sétimo ano. Sendo uma turma, na maioria, com alunos que já tinham ficado retidos algumas vezes e sem motivação para o estudo, em particular da disciplina de Matemática, senti necessidade de perceber se, ao abordar o ensino da Matemática

30 através da Educação Matemática Crítica, através da análise de situações do quotidiano destes alunos, contribuía para contornar a desmotivação, por estes manifestada.

Envolver os alunos em tarefas que tragam ao de cima a discussão da dimensão social da Educação Matemática implica, em primeiro lugar, tempo de pesquisa e de elaboração de tarefas dessa natureza. Implementar este tipo de atividade deve passar, também, pela elaboração de tarefas que proporcionem um trabalho no sentido do desenvolvimento de uma Educação Matemática Crítica. Por exemplo, os temas, a trabalhar, devem estar relacionados com as importantes atuações sociais e com assuntos relevantes para os alunos. Uma atividade desta natureza deve proporcionar uma compreensão da matemática presente nos modelos subjacentes ao tema.

A escolha do tema da tarefa a trabalhar nas aulas não foi difícil, uma vez que eu, enquanto cidadã, sentia necessidade e curiosidade de a analisar. Também, diariamente, somos confrontados com informações, campanhas e publicidades através dos diferentes meios de comunicação, e, muitas vezes não estamos preparados para analisar e selecionar essas informações. Muitas vezes, iludimo-nos e tomamos decisões menos acertadas devido ao pouco conhecimento dos assuntos em questão e à não predisposição de investigar mais. Esta escolha adveio, principalmente, da curiosidade de analisar/perceber algumas promoções/publicidades e outras situações visíveis na nossa sociedade. Chamou-me especial atenção algumas promoções nas quais havia produtos que tinham um desconto de 75%. Esta tarefa permitiria uma proximidade entre os sujeitos/alunos e um modelo baseado na matemática, presente nas suas vidas quotidianas, que a maior parte das vezes, à primeira vista, induz em erro.

Apesar de ser professora de matemática e de sentir curiosidade nunca tinha tido tempo e predisposição para me debruçar sobre esta situação. Surgiu, então, a oportunidade aquando da realização deste mestrado.

É preciso salientar que abordar a matemática de forma crítica exige muito trabalho por parte do professor. As tarefas a desenvolver devem ser muito bem planeadas, refletidas e ultrapassar o modelo do “paradigma do exercício” Skovsmose, (2008). A elaboração das questões devem ser cuidadas e incidir sobre o como, o quê, o porquê assim e não de outra forma, entre outras. As respostas a estas questões podem não ser as esperadas pelo professor, daí ser necessário o professor ter abertura e perceção suficientes para as respostas dadas pelos alunos, o que nem sempre é fácil.

A dimensão social e política dos alunos é levada em consideração na Educação Matemática Crítica. Assim, fazer matemática através do estudo e da compreensão dos

31 modelos matemáticos, que regulam ou moldam a sociedade, de maior ou menor grau de complexidade, deve ser proporcionado a todos os alunos, Skovsmose (2011). Ainda, segundo este autor, os jornais apresentam infinitas informações e publicidades contendo informação na forma de números e gráficos que, muitas vezes, podem não corresponder à realidade. Nessa linha, na escola, a disciplina de matemática poderia desenvolver uma competência social crítica sempre que, no espaço da sala de aula, os alunos pudessem experimentar tarefas que adotassem situações desse género. Saber lidar com essas situações deve ser parte integrante da nossa vida enquanto cidadãos. Neste sentido, ao trabalhar na aula de Matemática situações que desconstruam o fenómeno e tragam ao de cima aspetos que devemos conhecer, analisar e criticar, estamos a colaborar para que alunos e professores se tornem cidadãos mais responsáveis, esclarecidos, participativos e críticos. Este modelo de trabalho está claramente ligado com as inquietações da Educação Matemática Crítica, na medida em que favorece o pensamento crítico, promove a consciencialização e adversa a passividade, colaborando para o “empowerment” dos alunos.

Elaborar a tarefa não foi difícil dado que já tinha uma ideia do que queria estudar/analisar. Através de leituras de algumas teses3 elaborei a proposta de trabalho para os alunos baseada em algumas tarefas dos referidos trabalhos.

Neste estudo foi realizada uma única tarefa com oito questões que tinha como objetivo estudar/compreender e analisar de forma critica, neste caso, as promoções dos hipermercados e verificar de que forma essas promoções são uma mais-valia para nós enquanto cidadãos. Sendo este um tema amplo, foi preciso definir um plano de atuação mais restrito e a opção acabou por ser reflexo da conceção defendida pela Educação Matemática Crítica, de que é necessário trabalhar com os alunos temas pertinentes, atuais, e que tenham peso e sentido na sua vida pessoal. Assim, optou-se por elaborar uma tarefa sobre o tema das promoções.

O trabalho dos alunos foi apoiado por um conjunto de questões abertas que objetivava proporcionar a discussão, a troca e partilha de ideias e levantar questões que ajudassem a desocultar o papel social da matemática e, consequentemente, chamassem a atenção para a sua dimensão crítica.

Na análise desta situação os alunos conviviam com alguns conteúdos matemáticos já conhecidos como é o caso da regra de três simples, proporcionalidade

3 Tese de Mestrado de Ana Sofia Alves, realizada em 2008, na Universidade de Lisboa e Tese de

32 direta e ainda com percentagens. Ainda, se pretendia com esta tarefa, perceber/discutir se os nossos alunos estão preparados para serem cidadãos críticos e responsáveis na presença de situações não só deste género mas também acerca de algumas notícias presentes nos diferentes meios de comunicação, e na sociedade em geral. A tarefa estava inserida no tema Funções. Numa primeira parte, a tarefa foi lida e explicada pela professora e, posteriormente, lida pelos alunos, a fim de a entenderem melhor. O trabalho dos alunos foi apoiado por um leque de questões abertas com o objetivo de proporcionar a discussão, a troca e partilha de ideias e levantar questões que ajudassem a desocultar o papel social da matemática e, consequentemente, chamassem a atenção para a sua dimensão crítica.

Durante a análise/realização da tarefa, optou-se por abordar todos os grupos para os incentivar ao trabalho, uma vez que os alunos não revelam métodos/hábitos de trabalho. Seguidamente, os alunos tiveram mais algum tempo para pensar/investigar sobre a situação proposta. Posteriormente, os alunos escreveram um texto onde mencionavam as suas conclusões e as suas opiniões relativamente ao assunto em questão. Foi proporcionado também um debate em grande grupo. Numa primeira fase alguns alunos mostraram muita resistência para a elaboração deste texto. Depois de alguma insistência por parte da professora, redigiram e entregaram os registos.

Esta tarefa foi trabalhada durante apenas três aulas de 90 minutos, dado que existe um programa extenso para cumprir. A atividade foi realizada em grupos de quatro elementos, como referido anteriormente. Sou da opinião que os trabalhos em grupos díades ou grupos de três ou quatro elementos favorecem a aprendizagem, sendo uma mais-valia para a análise das situações sugeridas, uma vez que permite a partilha e troca de ideias.

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