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VALG AV METODE

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3. METODE

3.2 VALG AV METODE

Segundo a revisão feita por Manuel Pinto (2000), no texto “Fontes jornalísticas: contribuições para o mapeamento do campo”, dois modos de tratar o estudo das fontes prevaleceram no jornalismo: a concepção naturalista e os estudos classificatórios. A primeira trata as fontes como um resultado “natural” do processo de produção de informação, como se a escolha de uma fonte em detrimento de outra se limitasse ao contexto técnico do fazer jornalístico. Os estudos classificatórios tiveram o mérito de confrontar essa “concepção naturalista” apresentando a complexidade de ligações e posições assumidas por essas instâncias. Segundo o autor, uma organização geral, compilando diferentes modos de classificar, evidencia a complexidade do campo. Apresentaremos, no Quadro 12, que se segue, a compilação de trabalhos de cunho classificatório proposta por Pinto (2000).

Quadro 12 - Compilação de trabalhos de cunho classificatório (PINTO, 2000) Critério de Classificação Tipos de fontes

1. Natureza Pessoais ou documentais

2. Origem Públicas (oficiais), especialistas ou privadas 3. Duração Episódicas ou permanentes

4. Âmbito geográfico Locais, nacionais ou internacionais

5. Grau de envolvimento nos fatos Oculares/primárias ou indiretas/ secundárias 6. Atitude face ao jornalista Activas (espontâneas, ávidas) ou passivas (abertas,

resistentes) (CAMINOS MARCET, 1997. In: Bezunartea et al.1998, p.81-82)

7. Identificação Fontes assumidas/explicitadas ou anónimas/confidenciais

8. Metodologia e a estratégia de atuação Proativas e reativas (MCNAIR, 1998), preventivas ou defensivas.

Dentro dessa classificação, Pinto (2000) observa que há ainda abordagens que se preocupam em compreender as consequências da classificação para a dinâmica da atividade jornalística. Trata-se dos trabalhos que enfocam a problemática da relação entre fontes e jornalistas, a “fuga das fontes”, as fontes em “off the Record”, as notícias plantadas, os boatos, enfim, uma série de problemas reais que advêm da compreensão de que a notícia é uma construção e que seus sentidos estão em disputas, ou seja, que há interesses em ambos os lados, tanto por parte das fontes como por parte dos jornalistas.

Porém, os estudos classificatórios não foram suficientes para estabelecer toda a complexidade das relações que estão implicadas no uso das fontes. Temos de considerar que as fontes, sobretudo, remetem-nos para posições, relações sociais, falam de lugares bem determinados ora por suas posições enquanto pessoas no mundo, ora por seus vínculos institucionais, sempre por uma posição discursiva. Assim, segundo Pinto (2000), os estudos das fontes devem ultrapassar as perspectivas classificatórias e considerar aspectos que tocam a problemática da “relação”.

O autor propõe que é relevante para os estudos das fontes compreender tanto o objetivo da fonte com a divulgação quanto como o objetivo do jornalista ao selecionar a fonte. Por essa razão, ele propõe as seguintes problematizações, apresentadas no quadro abaixo:

Quadro 13 - O objetivo da fonte e objetivo do jornalista (PINTO, 2000) Interesses das Fontes Interesses dos jornalistas

1. Visibilidade e atenção dos media 1. Obtenção de informação inédita 2. Marcação da agenda pública e a imposição de

certos temas como foco da atenção coletiva 2. informações obtidas noutras fontes Confirmação ou desmentido para 3. Angariação de apoio ou adesão a ideias ou a

produtos e serviços 3. Dissipação de dúvidas e desenvolvimento de matérias; 4. Prevenção ou reparação de prejuízos e malefícios 4. Lançamento de ideias e debates

5. Neutralização de interesses de concorrentes ou adversários

5. Fornecimento de avaliações e recomendações de peritos

6. Criação de uma imagem pública positiva. 6. Atribuição de credibilidade e de legitimidade a informações diretamente recolhidas pelo repórter

A proposição do autor desmistifica a defesa da ideia de que a comunicação é pura informação e que o jornalista, ao emitir a informação, tem o controle completo do que diz. Para o autor, há tensão no processo de produção da notícia porque há interesses, nem sempre congruentes, que a perpassam de modo a colocar em evidência a relação entre fonte e jornalista.

Em outro levantamento mais recente sobre o quadro das pesquisas de fontes no jornalismo (SCHIMITZ, 2011), podemos observar que a tendência à classificação ainda persiste. O autor fez uma revisão bibliográfica bem completa sobre as pesquisas de caráter classificatório observando que predominam as sobreposições e as bipolaridades na hora da classificação. Reproduzimos, a seguir, o quadro proposto por Schimitz (2011) para organizar a profusão de classificações:

Quadro 14 – Organização da profusão de classificações segundo Schimitz (2011)

Categoria Grupo Ação Crédito Qualificação

Primária e secundária (PINTO (2000), LAGE (2001). Oficial (GIERBER e JOHNSON, 1961). Oficial e não governamental (SIGAL, 1973). Oficial e oficiosa, Institucional e pessoal (GANS, 1980). Pessoal ou documental, pública ou privada (PINTO, 2000). Oficial, oficiosa e independente; testemunha e expert (LAGE, 2001). Organizada, aferição, referência e bibliográfica (CHAPARRO, 2009). Ativa e passiva (GANS,1980). Ativa, passiva, proativa e reativa (MCNAIR,1998). Ativa ou passiva, proativa ou reativa (PINTO, 2000). Informal e aliada (CHAPARRO, 2009) Explicitada Ou confidencial (PINTO, 2000). Confiável e duvidosa (GANS,1980). Confiável (LAGE, 2001). Fidedigna e duvidosa (CHARAUDEAU, 2009).

Observamos pela composição do quadro que o que prevalece entre os pesquisadores é a preocupação com “o grupo” das fontes. No nosso ponto de vista, o vínculo institucional também é central. Posteriormente ao levantamento das categorias já existentes, o autor propõe outro quadro tentando imprimir um caráter taxonômico, que aparece da seguinte forma:

Quadro 15 – Proposição de Schimitz (2011) para organizar as classificações das fontes:

Categoria Grupo Ação Crédito Qualificação

Primária Secundária Oficial Empresarial Institucional Individual Testemunhal Especializada Referência Proativa Ativa Passiva Reativa Identificada Sigilosa Confiável Fidedigna Duvidosa

Apesar da relevante tentativa de superar as dicotomias das classificações existentes e evidenciar quão “Complexa e multíplice, a tipificação das fontes”, comportando variados tipos, nomenclaturas e classificações, o trabalho de Schimitz

(2011) não deixa de confirmar a crítica de Pinto (2000) feita às pesquisas que enfatizam a classificação:

Encontramos vários destes aspectos referidos em trabalhos relevantes para o campo [...]. Elencados do modo como acabámos de fazer, levantam-se, no entanto, várias dificuldades que importa examinar. Uma delas é a de criar a ideia de que, por esta via, obtemos respostas a problemas que ainda nem sequer chegaram a ser formulados. Por exemplo, colocando a questão das fontes deste modo, pode-se fazer passar sub-repticiamente a ideia de que as fontes e os jornalistas são realidades uniformes, homogéneas, invariáveis. Ora, na esteira de Ericson (id.: 24), fontes e jornalistas parecem estar ligados por relações que pressupõem diferentes níveis de variação, os quais dependem do tipo de organização das fontes e do tipo de organização das notícias. (PINTO, 2000, p. 281)

Enfim, classificar pode dar aos jornalistas e pesquisadores da área um modelo para a organização das fontes, mas, a nosso ver, não é suficiente para formar uma compreensão das fontes e do modo como se organizam e como os jornalistas se relacionam com elas. É importante não perder de vista a afirmação com a qual conclui Pinto (2000), a partir da afirmação de Bourdieu (1996), “o jornalista é uma entidade abstracta que não existe”, ou seja, o que há no jornal não é uma massa hegemônica, são sujeitos, pessoas singulares com diferentes formações, interesses, posições e histórias de vida.

Trazemos como contribuição para esta reflexão, sobre a impossibilidade de completude da definição da fonte, o estudo de Riolfi (2000) acerca da relação entre corpo e linguagem. Aparentemente, o trabalho de Riolfi (2000) não se relaciona com as fontes jornalísticas. Contudo, um olhar mais de perto nos permite considerá-lo como um trabalho que traça um bom caminho para pensarmos o que tanto nos incomoda na incansável tentativa dos pesquisadores e jornalistas de classificar as fontes: o desejo impossível de tornar uno algo que é múltiplo.

Usando como referência para sua reflexão o livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, a autora observa que falar em artigo definido “o cego”, “o professor” é prender o sujeito em um todo e, consequentemente, não respeitar sua diferença. Nas suas palavras: “Tal formulação linguística incomoda-me, então, porque nela há uma vocação para o todo, para algo que – hipoteticamente – uniria, somaria cada deficiente visual em

uma única entidade, retirando-os do estatuto de sujeito para derrubá-los no coletivo, no conjunto.” (RIOLFI, 2000, p.72)

De modo análogo, acreditamos que a classificação das fontes é construída a partir de estereótipos de unificação: a fonte oficial, a fonte sigilosa etc. Trata-se de um desejo que não se completa, pois “a fonte oficial” pode ter interesses pessoais que passam longe da sua posição institucional, de modo que, na relação com o jornalista, esse pode usar do “oficial” para deixar transparecer o pessoal. Assim, mais do que a classificação, interessa- nos a relação entre fonte e jornalistas.

Com o intuito de trabalhar muito mais com o “traço” distintivo que marca a relação entre jornalista e fonte, vamos ater-nos mais à simbiose do que aos distanciamentos, justamente porque queremos destacar o traço da educação. Portanto, não estamos preocupados em tipificar ou classificar as fontes em educação – ainda que não ignoremos o trabalho de classificação, tomando, inclusive, proveito da tipificação já existente. Nosso foco é compreender como as fontes em educação produzem sentidos sobre os professores nos textos jornalísticos.

Nesse sentido, na próxima seção, partiremos para uma reflexão sobre a produção de sentidos no discurso da informação, a partir dos aspectos do tratamento das fontes no jornalismo, e a produção de sentidos que resulta da relação entre jornalistas e fontes.

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