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Analisando a área temática, “Estratégias utilizadas pelos Enfermeiros no Cuidar a Criança em Fim de Vida e a Família”, advêm 11 categorias: permitir a presença da

família, permitir presença de visitas, estar disponível, não retirar a esperança, proporcionar silêncio, proporcionar presença física, quebrar o gelo, atender à vontade da criança, referenciar para cuidados especializados, estabelecer uma relação empática e proporcionar manifestação de sentimentos.

No Quadro 9, para cada uma das onze categorias acima descritas, podemos observar as respetivas unidades de análise.

Quadro 9: Categorias e Unidades de análise relativas ao tema “Estratégias utilizadas pelos Enfermeiros no Cuidar a Criança em Fim de Vida e a Família”

CATEGORIAS SUBCATEGORIAS UNIDADES DE ANÁLISE

1. Permitir a presença da família

“ (…) a 1ª estratégia seja no que for, é presença da pessoa de referência ou a pessoa que a criança tenha um vínculo (…)” (E1)

“Nós temos sempre os pais presentes 24h.” (E2) “A figura de segurança sempre ao lado, é principalmente a mãe, ou o pai, ou ambos (…) prestamos os cuidados sempre na presença deles.” (E3)

”Temos sempre a pessoa mais significativa. (E5)

“Temos sempre os pais presentes, então a relação é sempre mais profunda…” (E6) “Eu tento preconizar que estejam sempre juntos, tanto a figura paterna como a materna, quando no fundo se sabe que o fim de vida está próximo, até mesmo na fase dos cuidados paliativos e mesmo durante o tratamento…” (E7)

“Tentamos sempre que esteja presente a figura materna ou paterna, a figura de segurança da criança…” (E8)

“Tento sempre que os pais estejam presentes e principalmente quando estamos a prestar os cuidados porque também colaboram muito…” (E9)

“Tem o pai e a mãe presente…” (E10)

“Quando a criança está em fim de vida tento que os pais fiquem presentes, principalmente quando são eles próprios a pedir se podem acompanhar os dois a criança.” (E11)

2. Permitir presença de visitas

“(…) a única coisa que acho que alteramos é realmente, em termos de visita, de regulamento, somos um bocadinho facilitadoras e permissíveis.” (E1)

“No término de vida não há limite do nº de visitas, não há aquela norma de que só pode ter 2 visitas, pode ter as visitas que quiser, à hora que quiser, pode vir durante o dia e a noite.” (E2)

3. Estar disponível

“Disponibilizamos mais tempo à família e à criança em que está iminente a morte… a enfermeira chefe tenta fazer essa gestão.” (E2) “Destacamos mais tempo há família com iminente perda da criança e à própria criança (…) temos a possibilidade de articular com os colegas, os cuidados que teríamos que prestar às outras crianças (...)” (E4)

“Dou mais disponibilidade do meu tempo a essa família, sempre.” (E6)

“(…) tento sempre estar o máximo de tempo possível com a criança e a família (…) disponibilizo mais tempo (…) e a enfermeira chefe também tem o cuidado de nos pôr sempre um plano mais leve(…) ” (E9)

“(…) mostro disponibilidade total para estar a ouvir e fazer o que for preciso (...) a enfermeira chefe tenta nos por já só com aquela criança para nos dedicarmos a 100% (…)” (E10) “Quando se tem uma criança em fim de vida, fica geralmente um enfermeiro a esse cuidado e dedica ainda mais disponibilidade… a enfermeira chefe tem o cuidado de o pôr com menos crianças (…)” (E11)

4. Não retirar a esperança

“(…) é que nós não podemos dar falsas esperanças, mas também não a podemos tirar (…) (E2)

“A esperança está sempre presente (…) É muito importante fazê-los sentir vivos até ao fim.” (E6)

”Nós nunca lhes podemos tirar a esperança porque nós não somos ninguém para tirar a esperança (…)” (E7)

5. Proporcionar silêncio

“(…) quando é preciso estar calado, também se tem que estar calado e em silêncio respeitar, perceber, até as vezes um olhar, um toque é suficiente... (E3)

“(…) e silêncio se assim o entenderem (…)” (E10)

6. Proporcionar presença física

“(…) é o toque, é o apoio, é o estar ali (…)” (E2)

“Muitas vezes basta estarmos presentes, nem precisamos de falar muito, basta trocar olhares, basta dar a mão, dar um abraço, apertar um ombro, fazermos uma carícia e dizermos palavras ternas aos meninos.” (E3)

“A presença é uma das principais formas de abordar a família, porque não há palavras mágicas para dizer nestes momentos (…)” (E4) “(…) ou só estar ao lado dela de mão dada com a mãe ou com a criança (…)” (E10)

7. Quebrar o gelo

“(…) se está ali um ar de gelo nós conseguimos também quebrar o gelo porque sabemos até que ponto conhecemos a família e até que ponto conseguimos fazer (…)” (E7)

8. Atender à vontade da criança

“(…) portanto se uma criança quer batatas fritas com salsichas, pois tem, no fundo é uma

estratégia nossa para dignificar os cuidados.” (E1)

“O adolescente verbaliza o que sente e nós tentamos ir de encontro com o que ele deseja (…) cumprimos os seus desejos (…)” (E2) “Se a criança tiver alguma coisa que gostava de fazer, tenta-se articular (…) para que essa experiência seja concretizada” (E4)

“(...) saber a vontade, quer da criança, quer dos pais (…) fazer-lhe as vontades…” (E8) “(…) tento sempre que a criança se alimente do que quer, ou seja a gosto (…)” (E9)

“(…) nós encaminhamos para realizar o sonho à aquela criança (…) são outras estratégias também muito importantes (…) é a forma de proporcionar a dignidade deles, a dignidade que cada um quer e deseja.” (E10)

9. Referenciar para cuidados especializados

“(…) primeiro vai a uma consulta da especialidade… precisa de ser vista por alguém especializado…” (E2)

“Por vezes pedimos colaboração à equipa dos cuidados paliativos (…)” (E4)

”Tento às vezes direcionar para a psicóloga (…) para lhes dar estratégias no sentido de aliviarem o sofrimento” (E8)

”Tentamos encaminhar quando achamos que está fora do nosso controlo, para a psiquiatria ou para psicologia (…)” (E9)

10. Estabelecer uma relação empática

“(…) vão-se criando laços, vai-se estabelecendo uma relação de confiança… (E4)

“(…) tenho que ter um nível de intimidade e uma relação já empática profunda que me permita, quando ele precisar, estar capaz de

receber.” (E6)

“(…) é uma relação que já se foi estabelecendo; nós conhecemo-los muito bem e eles conhecem- nos muito bem, temos um vínculo” (E7)

“(…) posso falar com eles, embora a minha técnica é quase nenhuma, é só mesmo às vezes ouvir (…)” (E8)

“(…) há ali uma ligação entre nós e eles (…)” (E9)

”(…) essencialmente saber ouvir, tudo aquilo que a família questionar (…)” (E11)

11. Proporcionar a manifestação de sentimentos

“Nós conseguimos chegar, dar um abraço, dar um toque e eles se têm vontade de chorar conseguem, facilmente exprimem as emoções, os sentimentos.” (E3)

Como podemos verificar na Tabela 6, a categoria mais comum entre os enfermeiros foi a categoria permitir a presença da família, mencionada por dez (10) dos 11 entrevistados. As categorias estar disponível, atender à vontade da criança e estabelecer uma relação empática foram abordadas cada uma por 6 enfermeiros.

No que toca às categorias proporcionar presença física e referenciar para cuidados especializados, quatro (4) dos 11 enfermeiros respondentes tocaram nestes pontos.

Relativamente à categoria não retirar a esperança, três (3) entrevistados fizeram-lhe referência, seguindo-se as categorias permitir presença de visitas e proporcionar silêncio, referidas cada uma, por dois (2) enfermeiros.

As menos citadas pelos enfermeiros foram as categorias quebrar o gelo e proporcionar manifestação de sentimentos apenas com uma (1) resposta.

Tabela 6: Número de Respostas para cada categoria relativas ao tema “Estratégias utilizadas pelos Enfermeiros no Cuidar a Criança em Fim de Vida e Família”

Enfermeiros Categorias Subcategorias E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 E8 E9 10 E 11 E Nº Total de Respostas Permitir a presença da família X X X X X X X X X X 10 Permitir presença de visitas X X 2 Estar disponível X X X X X X 6 Não retirar a esperança X X X 3 Proporcionar silêncio X X 2 Proporcionar presença física X X X X 4 Quebrar o gelo X 1 Atender à vontade da criança X X X X X X 6 Referenciar para cuidados especializados X X X X 4 Estabelecer relação empática X X X X X X 6 Proporcionar manifestação de sentimentos X 1

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