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Valg av fasadekledning i plan og prosjekteringsfasen

6. DISKUSJON

6.6. Valg av fasadekledning i plan og prosjekteringsfasen

Nossa reflexão estende-se agora à questão do trabalho relacionado à família no cotidiano da loucura. A dimensão do trabalho se insere nos laços estabelecidos uma vez que os membros de uma família estão unidos entre si também pelos direitos e obrigações de natureza econômica (LÉVI-STRAUSS,1986).

No tocante à ampla questão do trabalho, Castel (1978) apud Rosa (2004, p.191) aponta para a relação família-trabalho, ressaltando como esta “relação precária e frágil tende a esgarçar os laços familiares, podendo vulnerabilizar ou mesmo produzir desafiliação social de seus membros”. Para que a reflexão tome corpo, é importante considerar alguns aspectos relacionados ao contexto do mundo do trabalho atualmente.

O trabalho no mundo contemporâneo, de acordo com André Gorz (2005), caracteriza-se pela passagem do capitalismo moderno para o pós-moderno, pautado na mudança de foco do capital fixo material para o capital imaterial, que pode ser compreendido como o capital humano e o capital inteligência. Neste novo momento do capitalismo, o trabalhador deve ser o

produtor de si próprio, de modo a se enquadrar na economia do conhecimento. A fim de responder a essas novas exigências do mercado, ele passa a ser uma empresa de si mesmo

[devendo] se tornar, como força de trabalho, um capital fixo que exige ser continuamente reproduzido, modernizado, alargado, valorizado. Nenhum constrangimento lhe deve ser imposto do exterior, ela deve ser sua própria vendedora, obrigando-se a impor a si mesma constrangimentos necessários para assegurar a viabilidade e a competitividade da empresa que ela é (GORZ, 2005, p. 23).

Este trabalhador, ao deixar de ser mero possuidor de seu trabalho, torna-se um indivíduo que passa a ser seu próprio produto – a ser por ele mesmo produzido – para ser posto à prova no mercado de trabalho. Ao trabalhador lhe é outorgado a exigência de gerir seu capital humano ao longo de sua vida,

[de] continuar a investir em estágios de formação e compreender que a possibilidade de vender sua força de trabalho depende do trabalho gratuito, voluntário, invisível, por meio do qual sempre poderá reproduzi-la (GORZ, 2005, p. 24).

Portanto, as relações de trabalho tendem a se esgarçar e a se tornar mais fluidas, a partir do momento em que o trabalhador-empreendedor vê-se obrigado a estabelecer novas relações em um mercado instável e altamente competitivo que enaltece a individualidade e a competição intensa entre empresas individuais que podem, a todo momento, ser descartadas e substituídas. Qual seria o ônus para a saúde mental do trabalhador nesta nova configuração?

Podemos aqui pensar em duas esferas do trabalho na família: a do familiar e a do próprio sujeito da loucura. Como já vimos, Lasch (1991) aponta a família como agente de socialização responsável por reproduzir no indivíduo padrões culturais, normas éticas e regras sociais dominantes. Em se considerando a sociedade contemporânea, fundamentada na lógica da exclusão da diversidade, é possível pensar a contradição extremada que se apresenta no interior da família do sujeito da loucura. Ao apresentar como um de seus elementos, a personificação da loucura, do desconhecido, do temeroso, do que deve ser renegado, afastado

e escondido, a família, arraigada de padrões manicomiais, vê-se diante do impasse de lidar com questões de saúde mental consideradas incógnitas à própria sociedade. Ainda, o alto valor conferido à privacidade e o fechamento da família em si mesma, pode nos remeter à sobrecarga na dinâmica familiar, à família que deve responder alienadamente às suas próprias questões. A questão do sujeito da loucura apresenta-se como um objeto complexo com o qual a família pode encontrar dificuldades em lidar. Aqui, faz-se necessário questionar o alcance das políticas públicas em saúde mental no efetivo apoio às famílias.

É possível pensar no papel econômico de cada elemento familiar e no impasse em torno do sujeito da loucura que, na maioria das vezes, não se insere no mercado de trabalho, dada a peculiaridade de sua condição e, principalmente, das exigências impostas pelo mercado - “A força de trabalho se converteu em mercadoria, mensurável em termos monetários abstratos, comprada e vendida no mercado como outra mercadoria qualquer” (Lasch, 1991, p.29). Tomando-se por base que, no mercado de trabalho, não há lugar para o que é diferente e para diferentes ritmos de produção, o sujeito da loucura fica à margem do trabalho e à margem das atividades laborais desenvolvidas por seus familiares. A exclusão e o preconceito se reproduzem na esfera maior (sociedade) e na menor (família).

Portanto, consideremos a rede de significados e implicações advindas da exclusão e da não-reinserção no mercado sofridas pelo familiar e pelo próprio sujeito da loucura. Consideremos ainda de que sociedade falamos, aquela que considera a força de trabalho como mercadoria, reificando e (des)valorizando cada membro seu a partir das atividades de trabalho que realiza. Ponderemos que se trata de uma sociedade de consumo, cujo salvo-conduto se sustenta sobre a auto-produção do indivíduo em seu trabalho, que se fundamenta nas frágeis e incertas relações que estabelecemos atualmente, conforme referenciado acima com base em Gorz (2005). Lembremos ainda que, com base nas atuais exigências de ritmo de produção e de segregação da diferença, aviltantes a todos os trabalhadores, o mercado de trabalho exclui

aqueles que não acompanham seu ritmo, a partir de regras incisivas ditadas pela nova lógica do capital, bem como adoece aqueles que se esforçam para nele permanecer, gerando o sofrimento no trabalho (DEJOURS,1992). Tais contextos somente mantêm sólidas as bases das representações clássicas de loucura ao próprio sujeito da loucura, à familia e à sociedade, que prevêem a figura do louco como inferior, desqualificado, desajustado, incapaz. Perante a sociedade e perante seu grupo familiar, o sujeito da loucura, amputado psicossocial aos olhos da lógica do capital, certamente apresentará representações negativas ao tomarmos o eixo “trabalho” como eixo referencial para avaliar sua existência. É neste contexto que as atuais políticas de saúde mental propalam discursos sobre a reinserção psicossocial e o resgate de cidadania do usuário da rede de serviços.

Pegoraro (2002) corrobora com nossa colocação ao identificar, em sua pesquisa, que o trabalho aparece como a “marca da existência” dos familiares, sendo que eles avaliam sua relação com o sujeito da loucura com base em concepções que tomam o trabalho como eixo central. Neste sentido, a cura se traduziria na possibilidade de retornarem ao trabalho. Ainda, Pegoraro e Caldana (2006) retomam, para além da sobrecarga emocional da família, a importância de pensarmos o impacto da sobrecarga prática e financeira no cotidiano dos familiares envolvidos com o cuidado ao usuário da rede de saúde mental. Destaca-se ainda que os familiares responsáveis, em sua maioria uma figura feminina, em um dado momento, se afastaram do mercado de trabalho e sentiram a necessidade de delegar a terceiros algumas tarefas diárias, de modo que dispusessem de tempo e condições para manterem-se próximas do usuário. Consideremos, assim, o papel econômico de cada membro familiar e o impacto causado pelo rótulo da loucura. Barroso et al. (2007) evidenciam que os familiares avaliam as mudanças permanentes em suas vidas social e profissional como fator fundamental de sobrecarga, suplantando o peso dos cuidados diários diretamente envolvidos com o sujeito da loucura. O trabalho, tomado como eixo referencial de nossa reflexão, evidencia, portanto, a

fragilidade no núcleo da família. Fragilidade identificada, por nossa sociedade, como própria da família, naturalizada em seu acometimento pela loucura, desconsiderando-se suas múltiplas determinações e implicações. A “psiquiatrização do social”, conforme termo proposto por Amarante (1995a), evidencia-se, neste modo, no contexto da família desassistida.

Ressaltemos, ainda, o impacto econômico produzido sobre as famílias no contexto da loucura, conforme analisado por Rosa (2003). As estratégias de sobrevivência do grupo doméstico, muitas vezes encontram, como medida efetiva, a internação psiquiátrica que libera o familiar para se envolver em atividades rentáveis que garantam a sua sobrevivência. Com base na discussão proposta, destacamos Rosa (2003, p.310-311) sobre a necessidade e importância de

[...] maior visibilidade social e de suporte de compensação simbólica e material para o cuidador. Este fato que engloba não só a recompensa material, mas também o suporte na rede de serviços de saúde em geral, o apoio afetivo, psicológico, em lazer, a ampliação de poder de trocas sociais e de protagonismo frente aos serviços de saúde mental, haja vista que prover cuidado não é uma questão meramente econômica. Implica a politização da relação entre o cuidador e o portador de transtorno mental, visto que o pessoal e o cotidiano são políticos. Nesse sentido, faz- se necessário uma política de suporte ao provedor de cuidado.

A desconstrução da cultura manicomial, portanto, parece se colocar como um fenômeno complexo que abrange os âmbitos políticos, éticos, culturais e psicológicos. Neste sentido, pensar sobre este processo nos apresenta o desafio de contemplar a mudança de mentalidades em seus diversos aspectos.

2.4. O impacto das representações de loucura e a busca pela mudança de