• No results found

Valg av antall faktorer for rotasjon

5. Resultater og analyse

5.5 Faktoranalysen

5.5.3 Valg av antall faktorer for rotasjon

Os protocolos desenvolvidos neste trabalho foram submetidos a apreciação ética e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Ceará sob parecer 706.154 na data de 02/06/2014 (ANEXO A). Neste termos a equipe executora comprometeu- se a cumprir todas as diretrizes e normas reguladoras descritas na Resolução 466 de 12/12/2012 do Conselho Nacional de Saúde.

3.8. Análise estatística

A análise estatística dos dados foi realizada mediante a utilização do programa estatístico GraphPad Prism versão 5.0. Utilizou-se o teste D’Agostino e Pearson para verificar a normalidade dos dados. Em seguida utilizou-se análise de variância ANOVA com pós-teste de Turkey para análises com 3 ou mais grupos. Para as análises com até dois grupos foi utilizado os testes estatísticos de Mann Whitney (quando variáveis não paramétricas) e teste T não pareado (para variáveis paramétricas).

Foi utilizada a correlação de Spearman e Pearson para as análises de associações entre os parâmetros e para realização do teste de contingência foi utilizado o teste exato de Fisher. Foi estabelecida significância estatística quando p ≤ 0,05.

4. RESULTADOS

A população em estudo foi constituída por 51 pacientes com AF com idade variando de 23 a 69 anos, com média de 39,45 anos, sendo destes 39 em uso de HU e 12 sem tratamento com HU. Em relação ao sexo, no grupo em uso de HU 23 (58,97%) foram do sexo feminino e 16 (41,03%) do sexo masculino, no grupo que não fez uso de HU 5 (41,67%) foram do sexo feminino e 7 (58,33%) do sexo masculino. O grupo controle foi constituído por 61 indivíduos sem hemoglobinopatias com idade variando de 18 a 60 anos, com média de 30,4 anos. Em relação ao sexo 31 (50,81%) foram do sexo feminino e 30 (49,18%) do sexo masculino. As características demográficas e hematológicas estão apresentadas na tabela abaixo:

Tabela 3 – Características demográficas e dados hematológicos dos pacientes com AF, em uso ou não de HU, e grupo controle

HbSS (n=51) HbAA (n=61) Valor de p HU(n=39) s/HU(n=12) Masc/Fem 16/23 7/5 30/31 --- Idade (anos) 39,79 ± 12,08 35,58 ± 10,25 30,40 ± 9,63 --- Hb (g/dL) 9,73 ± 1,24 9,42 ± 1,29 14,1 ± 1,5 < 0,0001a Ht (%) 29,42 ± 3,91 28,18 ± 4,97 42,0 ± 4,0 < 0,0001a VCM (fL) 108,8 ± 13,9 99,51 ± 6,28 83,01 ± 3,98 < 0,0001abc CHCM (%) 33,2 ± 2,41 33,64 ± 1,79 33,52 ± 1,07 0,5353 Leuc (x103/µL) 8,29 ± 2,71 11,39 ± 3,63 7,03 ± 1,96 < 0,0001abc Plaq (x106/µL) 385,6 ± 117,7 414,9 ± 116,6 226,7 ± 53,13 < 0,0001a Ret (%) 7,62 ± 2,84 8,73 ± 4,8 0,72 ± 0,38 < 0,0001a HbF (%) 14,82 ± 7,85 8,72 ± 6,54 --- 0,0229c HbS (%) 74,22 ± 16,2 78,01 ± 15,33 --- 0,4772

Nota: Os valores acima foram apresentados como média ± desvio padrão. Valores de p obtidos através do One way análise de variância (ANOVA) com pós-teste de Turkey e teste t não pareado com significância ao nível de p ≤ 0,05. (a): p ≤ 0,05 entre os grupos HbSS (HU) e HbAA; (b): p ≤ 0,05 entre os grupos HbSS (s/HU) e HbAA; (c): p ≤ 0,05 entre os grupos HbSS (HU) e (s/HU) . Fonte: Elaborado pelo autor.

Observa-se na tabela 3 uma diferença significativa (p<0,05) entre os pacientes com AF em uso de HU e indivíduos saudáveis nos parâmetros Hb, Ht, VCM, leucócitos, plaquetas e reticulócitos. As concentrações de VEGF-A nos pacientes com AF (270,2 ± 285,2 pg/mL, n=51) se mostraram aumentadas em relação ao grupo de indivíduos saudáveis (120,0 ± 79,11 pg/mL, n=61) (Gráfico – 1). Os pacientes com AF que não estavam em tratamento com HU apresentaram concentrações aumentadas de VEGF-A (365,1 ± 453,8 pg/mL, n=12) em relação ao grupo controle (120,0 ± 79,11 pg/mL, n=61) e ao grupo em uso de HU (219,0 ± 159,4 pg/mL, n=39) (Gráfico – 2). A contagem de reticulócitos apresentou diferença entre o

grupo com AF em uso de HU e o grupo controle (HU: 7,62 ± 2,84% e HbAA: 0,72 ± 0,38%). Verificou-se diferença nas concentrações de HbF quando comparada entre os pacientes com AF em uso de HU (14,82 ± 7,85%) e sem uso de HU (8,72 ± 6,54%). Não foram encontradas diferenças nas concentrações de HbS (HU: 74,22 ± 16,2% e s/HU: 78,01 ± 15,33%) nos pacientes estudados.

Gráfico 1 – Concentrações de VEGF-A entre os pacientes com AF e grupo controle

HbAA HbSS 0 200 400 600

p= 0,0002*

a

V E GF -A p g /m L

Nota: Valores de p obtidos através do Teste T não pareado com significância ao nível de p ≤ 0,05. (a): p ≤ 0,05 em relação ao grupo HbAA, n=61; grupo HbSS, n=51. Diferença significativa entre os grupos AF HU e Controle. Fonte: Elaborado pelo autor.

Gráfico 2 – Concentrações de VEGF-A entre os pacientes com AF em uso de HU, sem uso de HU e grupo controle

HbAA HbSS (HU) HbSS (s/HU) 0 500 1000 1500 2000

p= <0,0001*

ab

a

V E GF -A ( p g /m L )

Nota: Valores de p obtidos através do One way análise de variância (ANOVA) com pós teste de Tukey com significância ao nível de p ≤ 0,05. (a): p ≤ 0,05 em relação ao grupo HbAA, n=61; (b): p ≤ 0,05 em relação ao grupo HbSS(HU), n=39; HbSS(s/HU), n=12. Diferença significativa entre os grupos AF HU e Controle. Fonte: Elaborado pelo autor.

Tabela 4 – Distribuição dos genótipos e haplótipos da globina da população estudada

Genótipos n (%)

Haplótipos (n)

Bantu Benin Atípico

Bantu/Bantu 20 (51,28%) 40 --- --- Bantu/Benin 10 (25,64%) 10 10 --- Benin/Benin 2 (5,13%) --- 4 --- Bantu/Atípicos 4 (10,26%) 4 --- 4 Benin/Atípicos 1 (2,56%) --- 1 1 Atípicos/Atípicos 2 (5,13%) --- --- 4 Total 39 (100%) 54 (69,2%) 15 (19,3%) 9 (11,5%)

Nota: Analisados pacientes em uso de HU. Fonte: Elaborada pelo autor.

Com relação aos genótipos da globina S

, foram encontrados 20 casos (51,28%) de Bantu/Bantu, 10 (25,64%) de Bantu/Benin, 2 (5,13%) de Benin/Benin, 4 (10,26%) de Bantu/Atípicos, 1 (2,56%) de Benin/Atípicos e 2 (5,13%) de Atípicos/Atípicos. Dos haplótipos analisados 69,2% foram do tipo Bantu, 19,3% do tipo Benin e 11,5% do tipo atípico (Tabela 4).

Não houve diferença estatisticamente significativa na comparação entre as médias das concentrações de VEGF-A nos grupos de haplótipos estudados (p > 0,05) (Tabela 5) (Gráfico 3).

Não foi encontrada associação entre as concentrações de VEGF-A e as manifestações clínicas da AF na população estudada (Tabela 6). Excetuando-se quando avaliadas as concentrações de VEGF-A em relação à quantidade de CVO por ano, onde foi observado que o grupo de pacientes que apresentaram mais de 3 crises por ano (416,4 ± 477,0 pg/mL, n=12) apresentaram concentrações de VEGF-A maiores que os pacientes com menos de 3 crises por ano (204,6 ± 138,3 pg/mL, n=29) . Observou-se que o uso de HU não teve influência nas concentrações de VEGF-A no grupo com CVO ≤ γ (HU: 198,78 ± 148,67pg/mL, n=22; s/HU: 221,84 ± 108,98 pg/mL, n=7), mas no grupo com maior quantidade de CVO (HU: 243,94 ± 172,99 pg/mL, n=17; s/HU: 693,788 ± 711,89 pg/mL, n=5) o uso de HU é responsável pelas concentrações elevadas de VEGF-A deste grupo (Tabela 7 e Gráfico 4).

Tabela 5 –Concentrações de VEGF-A dos pacientes com AF em uso de HU de acordo com os haplótipos do cluster da globina S

Bantu/Bantu (n=20) Bantu/Benin (n=10) Benin/Benin (n=2) Valor de p VEGF-A (pg/mL) 313,7 ± 251,3 164,4 ± 134,6 a 218,1 ± 34,93ab 0,2150

Nota: Analisados pacientes em uso de HU, n=32. Resultados expressos em valores de média ± desvio padrão. Valor de p obtidos através do One way análise de variância (ANOVA) com pós-teste de Turkey com significância ao nível de p ≤ 0,05. (a): p>0,05 em relação a Bantu/Bantu; (b): p>0,05 em relação a Bantu/Benin. Fonte: Elaborado pelo autor.

Gráfico 3 – Concentrações de VEGF-A dos pacientes com AF em uso de HU de acordo com os haplótipos do cluster da globina S

Bantu/Bantu Bantu/Benin Benin/Benin 0 500 1000 1500

p=0,2150

a

ab

V E GF -A ( p g /m L )

Nota: Analisados pacientes em uso de HU, n=32. Resultados expressos em valores de média ± desvio padrão. Valores de p obtidos através do One way análise de variância (ANOVA) com pós-teste de Tukey com significância ao nível de p ≤ 0,05. (a): p>0,05 em relação a Bantu/Bantu; (b): p>0,05 em relação a Bantu/Benin. Fonte: Elaborado pelo autor.

Tabela 6 – Padrão das manifestações clínicas de acordo com a concentração de VEGF- A em pacientes com AF em uso ou não de HU

Manifestações clínicas

HU (n=39)

VEGF-A ≤ 120,0 pg/mL VEGF-A > 120,0 pg/mL

Valor de p Presença(n) Ausência(n) Presença(n) Ausência(n)

Lítiase 11 4 16 8 0,7342 Priapismo 2 3 2 9 0,5467 STA 5 10 10 14 0,7397 Úlcera de perna 8 7 11 13 0,7475 Cardiopatia 7 8 6 18 0,1852 Necrose Femural 3 12 3 21 0,6580 AVC 2 13 4 20 1,0000 Manifestações clínicas s/HU (n=12) VEGF-A ≤ 120,0 pg/mL VEGF-A > 120,0 pg/mL Valor de p Presença(n) Ausência(n) Presença(n) Ausência(n)

Lítiase 2 3 4 3 1,0000 Priapismo 1 2 1 3 1,0000 STA 2 3 2 5 1,0000 Úlcera de perna 3 2 3 4 1,0000 Cardiopatia 1 4 2 5 1,0000 Necrose Femural 0 5 1 6 1,0000 AVC 0 5 0 7 ---

Nota: Concentrações de VEGF expressas em pg/mL. Valores de p obtidos através de análise de contingência por teste exato de Fisher com significância (*) ao nível de p ≤ 0,05. Priapismo avaliado apenas com pacientes do sexo masculino. Fonte: Elaborado pelo autor.

Tabela 7 – Comparação entre as concentrações de VEGF-A e a quantidade de CVO por ano em pacientes em uso ou não de HU

VEGF-A (pg/mL)

Valor de p

CVO ≤ 3 CVO > 3

HbSS (HU) 198,78 ± 148,67 243,94 ± 172,99 > 0,05 HbSS (s/HU) 221,84 ± 108,98 693,88 ± 711,89 < 0,01

Nota: Valores de p obtidos através da análise de variância two-way (ANOVA) com pós-teste de Bonferroni com significância ao nível de p ≤ 0,05. Fonte: Elaborada pelo autor.

Gráfico 4 – Comparação entre as concentrações de VEGF-A e a quantidade de CVO por ano em pacientes com AF em uso ou não de HU

CVO  3 CVO > 3 0 500 1000 1500 HbSS (HU) HbSS (s/HU)

a

p < 0,01*

a

a

V E GF -A ( p g /m L )

Nota: Valores de p obtidos através da análise de variância two-way (ANOVA) com pós-teste de Bonferroni com significância ao nível de p ≤ 0,05. (a): p ≤ 0,05 em relação ao grupo HbSS (s/HU) com CVO>3 . Fonte: Elaborada pelo autor.

Foi observada uma correlação negativa do VEGF-A em relação a HbF (gráfico 5). Quanto maior as concentrações de VEGF-A menores são as concentrações de HbF encontradas nos pacientes com AF. Não foi encontrada correlação do VEGF-A com à HbS (Gráfico 6).

Gráfico 5 – Correlação entre as concentrações de VEGF-A e as concentrações de HbF nos pacientes com AF

0 10 20 30 40 0 500 1000 1500

p=0,0191*

r=0,3240

HbF (%) V E GF -A ( p g /m L )

Nota: Valores de p obtidos através da correlação de Spearman com significância (*) ao nível de p ≥ 0,05. Fonte: Elaborado pelo autor.

Gráfico 6 – Correlação entre as concentrações de VEGF-A e as concentrações de HbS nos pacientes com AF

0 20 40 60 80 100 0 500 1000 1500 2000

p=0,1672

r=0,1944

HbS (%) V E GF -A ( p g /m L )

Nota: Valores de p obtidos através da correlação de Spearman com significância (*) ao nível de p ≤ 0,05. Fonte: Elaborado pelo autor.

Foi observada uma correlação positiva quando comparado as concentrações de VEGF-A com a porcentagem de reticulócitos presente nos pacientes AF (Gráfico 7). Quanto maiores as concentrações de VEGF-A, maior a porcentagem de reticulócitos nos pacientes com AF.

Gráfico 7 – Correlação entre as concentrações de reticulócitos e as concentrações de VEGF-A nos pacientes com AF

0 500 1000 1500 2000 0 5 10 15 20

p=0,0175*

r=0,3314

VEGF-A (pg/mL) Re ti cu ci to s (% )

Nota: Valores de p obtidos através da correlação de Pearson com significância (*) ao nível de p ≥ 0,05. Fonte: Elaborado pelo autor.

5. DISCUSSÃO

A AF é caracterizada por hemólise crônica, com anemia de grau variável e leucocitose intensa relacionada com mal prognóstico para doença (KATO; GLADWIN; STEINBERG, 2007). O uso de HU estimula o aumento de HbF e causa redução do perfil anêmico dos pacientes fato relacionado a ação citorredutora da droga (WONG et al., 2014). Ao comparar os parâmetros hematológicos dos pacientes deste estudo, em uso ou não de HU, com um grupo controle composto por indivíduos sem hemoglobinopatias verifica-se alterações significativas nas concentrações de hemoglobina, hematócrito, VCM, leucócitos, plaquetas e reticulócitos. Estes dados são encontrados na AF mesmo quando os pacientes usam HU e corroboram com outros estudos publicados (AKINBAMI et al., 2012; CAMILO- ARAÚJO et al., 2014; CAVALCANTE et al., 2016; LAURENTINO, 2016; MIKOBI et al., 2015; MOREIRA et al., 2014).

Sendo liberado por diversas células no organismo (BAO et al., 2009; FERRARA, 1999) o VEGF causa aumento da permeabilidade vascular e indução da expressão de moléculas de adesão (NOURSE et al., 2009), também é responsável por regular a embriogênese, a angiogênese fisiológica e patológica e neovascularização intraocular (NOURSE et al., 2009; STANNARD et al., 2007; SULLIVAN; BREKKEN, 2010). Os pacientes com AF, neste estudo, mostraram concentrações elevadas de VEGF-A comparadas com as de indivíduos saudáveis. Resultados semelhantes foram encontrados em estudos realizados na Turkia (2005) onde foram encontradas concentrações elevadas de VEGF em pacientes com AF em CVO quando comparadas com indivíduos saudáveis e estudos realizados no Reino Unido (2005, 2008) e EUA (1999, 2009 e 2012) onde foram encontrados concentrações elevadas de VEGF no estado estacionário da AF em comparação com os controles (BLANN et al., β008; GÜRKAN; TANRIVERDI; BAŞδAεIŞδI, β005; εOHAN et al., 2005; NIU et al., 2009; QARI; DIER; MOUSA, 2012; SOLOVEY et al., 1999), porém os dados encontrados no presente estudo estão em desacordo com Duits e colaboradores (2006) e Nouraie e colaboradores (2011) que não encontraram diferença entre as concentrações de VEGF entre pacientes no estado estacionário, durante as CVO e grupo controle. A hipótese para o aumento das concentrações de VEGF-A na AF provavelmente é transcrição aumentada deste fator estimulada por HIF-1α, que se encontra aumentado em situações de isquemia como a causada pelas CVO (KAUL et al., 2013; VADLAPATLA; VADLAPUDI; MITRA, 2013). Outras manifestações clínicas da AF atribuídas a vasculopatia,

como a hipertensão pulmonar e a retinopatia falciforme, podem estar relacionadas ao desequilíbrio da angiogênese nesta doença (BRITTAIN; PARISE, 2007; KIM et al., 2003).

Recentemente foi reportado que a HU apresenta um efeito anti-angiogênico tanto in vitro quanto in vivo inibindo a expressão do gene para HIF-1α nas células endoteliais, a formação de capilares, proliferação de células endoteliais e prevenindo a neovascularização (DA GUARDA et al., 2016; LOPES et al., 2014, 2015). No presente estudo os pacientes com AF em uso de HU apresentaram concentrações inferiores de VEGF-A quando comparado com os pacientes sem uso do fármaco, demonstrando a possível ação anti-angiogênica. Dados compatíveis foram encontrados por Lopes e colaboradores (2015), que observaram elevadas concentrações de VEGF em pacientes com AF sem uso de HU. Outros estudos relacionam o uso de HU à diminuição das concentrações plasmáticas de VEGF em pacientes com Leucemia Mieloíde Crônica, Mielofibrose e Trombocitopenia Essencial (DI RAIMONDO et al., 2001; MEENA et al., β01γ; TREδIŃSKI et al., 2010).

Após a descoberta que os haplótipos da globina S são moduladores genéticos da variabilidade clínica da AF, muitos estudos foram desenvolvidos associando os mesmos com vários biomarcadores na doença (BANDEIRA et al., 2014; SANTOS et al., 2012; TEIXEIRA NETO et al., 2011). A distribuição dos haplótipos da globina S mostrou a maior prevalência do grupo Bantu/Bantu entre os pacientes estudados, grupo que apresenta menores quantidades de HbF e pior prognóstico, achado compatível com o estudo de Silva e colaboradores (2009) realizado no mesmo centro de referência deste estudo. Em relação ao estudo da associação do VEGF-A com os haplótipos da globina S verifica-se que não houve diferença entre as concentrações de VEGF-A com os genótipos do referido gene. Vários fatores podem ter contribuído para a dificuldade dessa análise, dentre eles a pequena amostragem; o uso de HU pela maioria dos pacientes e a pequena amostragem de pacientes BENIN/BENIN. Além disso, não foram encontrados estudos prévios associando os haplótipos da globina S com o VEGF. Portanto a análise demonstra que aparentemente esse modulador genético não intervém na angiogênese na AF.

Em relação ao estudo da associação dos eventos clínicos com o VEGF-A no presente estudo verifica-se que não houve correlação com a maioria avaliada excetuando-se as CVO. As CVO são os eventos mais frequentes e importantes do ponto de vista clínico na doença uma vez que as mesmas são desencadeadoras dos possíveis eventos de isquemia que podem comprometer órgãos vitais. Estudos avaliaram as concentrações de VEGF durante os eventos STA, cardiopatia e AVC em pacientes com AF e verificaram um aumento do VEGF na cardiopatia e no AVC e uma diminuição na STA (BAO et al., 2009; NIU et al., 2009;

REDHA et al., 2014). Estudos demonstram que pacientes com AF e úlceras de membro inferiores não são beneficiados com o uso da HU. Provavelmente esse fato esteja relacionado a ação anti-angiogênica da HU (DELANEY et al., 2013; KERSGARD; OSSWALD, 2001). No entanto, são necessários mais estudos clínicos para avaliar este mecanismo de ação da HU. A associação do aumento de VEGF-A com as CVO relatadas nos prontuários nos últimos 12 meses, no presente estudo, foi compatível com outros relatos na literatura que encontraram concentrações aumentadas de VEGF durante crises na AF (GÜRKAN;

TANRIVERDI; BAŞδAεIŞδI, β005; QARI; DIER; εOUSA, β01β; SOδOVEY et al., 1999; VAN BEEM et al., 2009). Resultados discordantes foram obtidos por Al-Habboubi (2012) e Duits (2006), que não verificaram diferenças entre as concentrações de VEGF em pacientes com AF tanto no estado estacionário como durante as CVO. Observou-se que os pacientes que apresentaram maior concentração média de VEGF-A e maior histórico de CVO não estavam em uso de HU, resultado compatível com estudos experimentais que mostram que a HU tem atividade anti-angiogênica e diminui a neovascularização e as concentrações de molécula pró-angiogênicas como o VEGF (LOPES et al., 2014, 2015).

A HbF protege o paciente com AF de muitas complicações clínicas por diminuir o balanço da concentração de HbS dentro do eritrócito (HABARA; STEINBERG, 2016). Elevadas concentrações de HbF foram correlacionadas com a redução da morbidade e mortalidade em pacientes com AF (BANK, 2006). A correlação negativa encontrada entre as concentrações de VEGF-A e HbF neste estudo demonstra que quanto maior a concentração do VEGF-A, menor será a concentração da HbF. Portanto o aumento do VEGF-A implica em uma predisposição a falcização. Resultado esse que vem a corroborar com as análises acima mencionadas quanto ao aumento do VEGF-A em pacientes com AF sem uso de HU. A hipótese pode ser explicada pelo fato de altas concentrações de HbF estarem associadas a supressão da ativação do HIF-1α, que está associado ao aumento da expressão de moléculas induzidas por hipóxia como o VEGF, mesmo em situações de normóxia, o que foi sugerido em estudos recentes em modelo animal (KAUL et al., 2013; PROMSOTE et al., 2014).

A anemia crônica na AF é compensada pelo aumento da eritropoese sendo manifestada pela reticulose. Um número maior de reticulócitos é liberado para tentar promover a reoxigenação adequada para os tecidos (FRIED, 2009; KOURY et al., 2005). Uma contagem aumentada de reticulócitos na AF esta associada a um maior número de hospitalizações, maior probabilidade de AVC e óbito na primeira infância (MEIER; WRIGHT; MILLER, 2014; MEIER et al., 2013). No presente estudo foi encontrada uma diferença significativa na contagem de reticulócitos dos pacientes com AF em comparação ao grupo

controle de indivíduos saudáveis. Resultados semelhantes foram encontrados por Cortellazzi e colaboradores (2003), que atribuíram a contagem aumentada de reticulócitos a expansão da linhagem eritróide nestes pacientes. A EPO é o hormônio responsável pela estimulação da eritropoese a nível celular. Tanto a EPO quanto o VEGF são estimulados, em condições de hipóxia, pela expressão aumentada de HIF-1α e existem relatos de concentrações elevadas desses biomarcadores em pacientes com AF (DUITS; RODRIGUEZ; SCHNOG, 2006; FRIED, 2009; GONSALVES et al., β014; GÜRKAN; TANRIVERDI; BAŞδAεIŞδI, β005; LEMUS-VARELA et al., 2010; QARI; DIER; MOUSA, 2012). O estímulo hipóxico presente na AF poderia explicar a correlação positiva entre as concentrações de VEGF e a contagem relativa de reticulócitos em pacientes com AF.

Em suma, o presente estudo foi pioneiro na avaliação das concentrações de VEGF-A na população de pacientes com AF no estado de Ceará e na associação destas

concentrações aos haplótipos da globina S

, ao efeito do uso de HU e aos eventos clínicos. Uma perspectiva para estudos futuros seria avaliar o efeito dos polimorfismos do VEGF-A nas concentrações plasmáticas de VEGF nestes pacientes e estudar o mecanismo farmacológico da possível ação anti-angiogênica da HU. Ainda como perspectiva futura, avaliar os efeitos da L-arginina e do BAY-736691 nas concentrações de VEGF-A comparando com o efeito causado pelo uso de HU.

6. CONCLUSÃO

Este estudo permitiu observar que os pacientes apresentam perfil hematológico compatível com a doença estudada e as concentrações de VEGF-A estão aumentadas em pacientes com AF independente do uso de HU, por outro lado, pacientes com AF em uso de HU têm concentrações de VEGF-A inferiores; houve associação das CVO com as concentrações de VEGF-A. O haplótipo mais prevalente na população estudada foi o Bantu. Não houve associação dos haplótipos do gene da globina S com o VEGF-A.

Em adição não houve uma correlação entre e HbS e o VEGF-A, houve uma correlação negativa entre as concentrações de VEGF-A e HbF e uma correlação positiva entre o VEGF-A e a contagem de reticulócitos.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados deste trabalho sugerem uma participação do VEGF-A na fisiopatogenia da AF. É possível que essas associações sejam consequência do envolvimento angiogênico do VEGF-A na AF. Estudos mais aprofundados avaliando marcadores angiogênicos e anti-angiogênicos bem como a expressão de proteínas do gene HIF-1α devem ser realizados para melhor compreensão do envolvimento da angiogênese em pacientes com AF.

REFERÊNCIAS

ABHARY, S et al. Common sequence variation in the VEGFA gene predicts risk of diabetic retinopathy. Inv OphthVisual Sci v. 50, n. 12, p. 5552–5558 , 2009.

AKINBAMI, A et al. Haematological values in homozygous sickle cell disease in steady state and haemoglobin phenotypes AA controls in Lagos, Nigeria. BMC v. 5, n. 1, p. 396 , 2012. AL-HABBOUBI, H et al. Contribution of VEGF polymorphisms to variation in VEGF serum levels in a healthy population. Eur Cyt v. 22, n. 3, p. 154–158 , 2011.

AL-HABBOUBI, H et al. The relation of vascular endothelial growth factor (VEGF) gene polymorphisms on VEGF levels and the risk of vasoocclusive crisis in sickle cell disease. Eur J haemat v. 89, n. 5, p. 403–9 , 2012.

AL-KHATEEB, G et al. Effect of the functional VEGFA-583C/T variant on vascular

endothelial growth factor levels and the risk of recurrent spontaneous miscarriage. Fert steril v. 95, n. 8, p. 2471–3 , 2011.

ALMEIDA et al. Sickle cell disease serum induces NADPH enzyme subunit expression and oxidant production in leukocytes. Hemat v. 15, n. 6, p. 422–429 , 2010.

ANTONARAKIS, E.; KAZAZIAN, H.; ORKIN, H. DNA polymorphism and molecular