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4.1 Valgeksperimentet

4.1.1 Valg av attributter og tilhørende nivåer

Há a presença de correlações entre raízes de diversos grupos linguísticos que apresentam uma raiz similar ou aproximada. A primeira posição, segundo a Tabela 1034, pode ser representada como uma Fricativa Sonora Faringal ou como uma Fricativa Epiglotal (ou Laringal, se levarmos em conta a teoria de Albert Cuny) (DOLGOPOLSKY, 2008). A segunda posição, que seria uma Labial-Velar vestigial (POKORNY, 1989). Sua ausência em outros grupos, porém, implica que fosse um fenômeno fonético bastante localizado no Indo-Europeu, uma vez que não se repete em nenhuma das demais famílias. A terceira e a quarta posições, por sua vez, apontam para uma semelhança fonética entre as diversas protolínguas reconstruídas. A maior variedade está no fim da raiz, uma vez que, como aglutinantes ou flexivas, essas línguas deveriam apresentar certo grau de alteração na estrutura do radical com o acréscimo de desinências e sufixos.

A raiz indo-europeia é mais ou menos fixa, geralmente CVC, CCVC, CVCC ou CV (FRIEDRICH, 1970; LOCKWOOD, 1969; QUILES, 2007). Em torno dessa raiz agregam-se desinências sufixais e vogais temáticas. O conjunto de raiz e desinência/vogal temática é chamado tema. Como é um grupo em que é comum a ocorrência de temas, de raízes cujo significado é reforçado ou levemente modificado pela presença de desinências e vogais temáticas, então há força maior na marca morfológica do vocábulo, de acordo com a classe à qual pertence a palavra. Assim, um nome (substantivos, adjetivos e pronomes) sofrerá flexão de número (singular, plural, dual), gênero (masculino, feminino, neutro) e caso (nominativo, acusativo, genitivo, dativo, instrumental, ablativo, locativo e vocativo). A flexão nominal indo-europeia era complexa por ser cada desinência uma combinação de valores de número, gênero e caso. O verbo sofre flexão de modo (indicativo, imperativo, subjuntivo e optativo), número (singular, dual, plural), pessoa (primeira, segunda, terceira), voz (ativa, médio- passiva), tempo (presente, aoristo, perfeito) e possuía um complexo sistema de particípios para cada combinação tempo-modo. Diferentemente do que ocorria com os

nomes, as desinências verbais podiam ter valor separado para número-pessoa-voz e tempo-modo, tal como ocorre em língua portuguesa (LOCKWOOD, 1969).

Levando em conta essa estrutura típica do Indo-Europeu, diversos pesquisadores tiveram o cuidado de estabelecer um sistema comparativo que pudesse facilitar o modo como a língua funcionava, facilitando o levantamento de diversos vocábulos para evidenciar concepções de mundo, instituições ou práticas do povo indo-europeu que pudessem justificar algumas dessas estruturas. Ainda assim, alguns conceitos importantes para este trabalho foram negligenciados por estudiosos como Benveniste (1995) não descreveu com mais cuidado o conceito de alma por não se tratar propriamente de uma instituição, mas de uma ideia. Outros estudiosos, porém, desenvolveram uma preocupação maior em descrever essas ideias, chegando ao ponto de explicar com mais cuidado o conceito de alma e divindade, assim como o de espírito e fantasma.

Um desses estudiosos foi Pokorny (1989), linguista austríaco que elaborou um pequeno dicionário da língua indo-europeia, mas que tinha como foco a Hipótese Europeia35. Porém, suas raízes apresentaram uma tentativa de aproximar não somente aspectos fonológicos, como também de construir o que seria a base fonética do indo- europeu. Dentre as raízes que Pokorny levantou, citam-se:

1) Raiz *gu̯hren- “diafὄagma, mente, alma”. Desta raiz derivaram o norueguês arcaico grunr “ὅuὅpeita, deὅconfiança”, e o gὄego “entendeὄ, compὄeendeὄ”. Percebe-se uma ligação tênue entre a ideia de som (diafragma) e alma, e, portanto, uma ligação com o ar (o som se propaga pelo ar).

2) Raiz *men- “penὅaὄ, mente, atividade eὅpiὄitual”έ No irlandês arcaico existe a palavra domoiniur “penὅaὄ, acὄeditaὄ”έ O Alemão Arcaico cita o lexema gimunt “mente, memóὄia”έ No Latim há a palavra mens, mentis “mente”έ Há a presença do lituano manýti, mãno, mãnė “penὅaὄ”έ Em Eslavônico Eclesiástico dizia-se mьněti, mьnjǫ, mьnǐi “penὅaὄ, acὄeditaὄ”έ O Grego Homérico registra Μ “mentoὄ, conὅelheiὄo”, que provavelmente deriva de “ὄaiva, iὄa, ímpeto”36, que pode ser encontrado também em

“pὄofeta, adivinho” e em ῖ “túmulo”έ O termo hitita derivado é me- mai “falaὄ”, mais próximo ao armênio imanam “apὄendeὄ, entendeὄ”έ Outro

35 Essa hipótese reza que o Indo-Europeu surgiu na Europa, próximo aos Bálcãs.

cognato é o avéstico manyeite “penὅaὄ”, e em Sânscrito escrevia-se mánas “mente”, de onde deriva mantra “mantὄa, conὅelho ὅagὄado”, e mantrin “conὅelheiὄo”έ Nesse sentido, há já um termo indicando alma, ou mente, que se transmite à maioria das línguas-filhas, mas pode-se levantar a dúvida se referia-se à alma ou somente ao ato de pensar.

3) A raiz *ansu-, ṇsu- provavelmente derivaria do indo-europeu mais antigo *antro-m, “fantaὅma, eὅpíὄito, demὲnio”. Esse termo é originalmente ligado à esfera do sagrado, sentido que se espalha para as demais línguas-filhas, como verifica-se no inglês arcaico ̄s “deuὅ, (nome paὄa) η-ὄune” – presente em Aesir “tὄibo doὅ deuὅeὅ” e Asgard “ὄeino doὅ ρeὅiὄ”, que deriva por sua vez do norueguês arcaico ̄s˻arðr. Observa-se também o alemão Asen “deuὅeὅ”, o rúnico a(n)su-gisalas “caὅa doὅ deuὅeὅ” e a(n)suR “deuὅeὅ”, o gótico anses “ὅemideuὅeὅ, meio-deuὅeὅ”, o avéstico ahura- “ὅenhoὄ, legiὅladoὄ” – de onde deriva o nome do deus Ahura-Mazda – e aŋ˼u- “mundo, (ὅopὄo de) vida”έ Encontram-se também registrados o sânscrito ásu- “mundo, (ὅopὄo de) vida” e ásu-ra- “ὅenhoὄ, legiὅladoὄ”έ Portanto, já havia para os indo-europeus a ideia de deuses ou divindades, seres espirituais superiores aos humanos. Benveniste (1995) registra a ligação com o latim aius como um presságio da voz divina, o que reforça essa ideia.

Benveniste (1995) separa raízes de várias línguas indo-europeias e as estuda, ligando-as a aspectos gerais da cultura. De acordo com ele, os vocábulos indo-europeus ligados ao sagrado representam algumas instituições religiosas que já se faziam presentes em meio aos povos do grupo. Suas instituições sacrificiais eram a libação – com fins de aplacar a ira divina – e a oferta de gordura e sangue. Há portando, uma rede de significados apontando para um modo de relação entre deuses e humanidade que em muito se assemelha a mitos ao mesmo tempo de povos caçadores e plantadores, uma vez que a libação e o sangue centravam a oferta na terra, e a queima de gordura centrava esse sacrifício nos céus (ELIADE, 1993).

Os indo-europeus também acreditavam que a palavra tinha um valor mágico ou cósmico. Benveniste (1995) também cita as raízes *weghw

- “diὐeὄ” e *ghwedh- “oὄaὄ, ὅuplicaὄ”έ ρ pὄimeiὄa deὄiva em boa paὄte daὅ línguaὅ indo-europeias no sentido original, ou no sentido de prece ou oração. Porém, ela aparece no latim uoueo, uotum, no ὅentido de “voto”, ou contὄato veὄbal ὅagὄadoέ *ghw

línguaὅ deὅcendenteὅ com o ὅentido de “oὄação, ὅúplica, pedido, pὄece”, indicando uma ideia original também de quase um contrato entre humanidade e mundo espiritual.

Este último é bastante próximo à etimologia apontada por Eliade a partir dos trabalhos de Benveniste (1993), segundo o qual há uma forma mais recente de *ghwedh-, *gan, ὅignificando “canto”έ É por isso que o canto para eles tinha um uso estritamente religioso37, e os nomes eram dados de acordo com significados precisos. O valor do nome era tal que, ao nomear uma região nova – um hábito de cosmizar territórios e o espaço geográfico em que se instalavam – tinha-se de obedecer um ritual paὄa eὅcolheὄ aὅ palavὄaὅ coὄὄetaὅ e não “pὄejudicaὄ” o novo localέ Eὅὅe hábito também é periódico, para simbolizar a constante escatologia e gênese do mundo, e é observado em quase todos os povos indo-europeus, principalmente indianos, iranianos, romanos e celtas (ELIADE, 1992;1993).

Benveniste também desenvolve seu próprio vocabulário institucional religioso do indo-europeu. A raiz *deiwos representaria a divindade e o céu, simultaneamente, em oposição ao que é terrestre (latim homo). *ais tem acepções bastante próximas ao Pokorny (1989) *ansu-, ṇsu- “deuὅ” ou “fantaὅma, eὅpíὄito, demὲnio”έ *d˼̄- ὅignificaὄia “toὄnaὄ apto a uma opeὄação ὄeligioὅa, colocaὄ o objeto em condiçὴeὅ de ὅatiὅfaὐeὄ oὅ ὄitoὅ” (ἐEζVEζIἥἦE, 1ιιε, pέ 206). *˻’˼˹u- estaria mais próximo a uma ideia ὅacὄificial xamânica, no ὅentido de “veὄteὄ no fogo”, ὅentido pὄóximo a *dhu “pὄoduὐiὄ fumaça”38.