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5. OPPSUMMERING OG KONKLUSJONER

5.3 V IDERE PERSPEKTIVER

Segundo a definição de Bertinetto (1991, 1993), as perífrases verbais são construções gramaticais compostas por um verbo modificador conjugado em um tempo gramatical, que perde o seu significado lexical e passa a indicar tempo e aspecto, e por um verbo principal em um dos modos não finitos, que sustenta o significado de toda a construção.

Considerando os aprofundamentos teóricos realizados nessa pesquisa, nota-se que a semântica, nesse caso, decorre dos constituintes da construção de perífrases como um todo, o que autoriza afirmar que esse tipo de construção andare a + infinito é dotada de autonomia no sistema da língua.

É de fundamental importância considerar que a morfologia não é o único aspecto importante no processo de identificação de uma estrutura perifrástica. A princípio, um dos critérios mais importantes para defini-la é a forte relevância tempo-aspectual. Muitas das construções que aparentam ser perífrases com o verbo andare, são construções lexicais - considerando o paradigma verbal italiano - visto que o modificador não sofreu dessemantização, ou seja, não sofreu perdas semânticas, mantendo seu significado pleno. Deve-se evidenciar ainda que algumas perífrases também podem ser substituídas por tempos do imperfeito.

A principal característica das perífrases verbais na língua italiana, é que as mesmas são formas muito mais específicas e transmitem muito mais informações em relação aos tempos gramaticais normais, os quais necessitam de outros meios linguísticos na frase para alcançar os níveis de informação, que podem ser transmitidos por uma única estrutura. As perífrases permitem a comunicação de informações

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relevantes sobre o aspecto e sobre o contexto, o que não seria possível por meio do uso de um simples predicado verbal.

É importante notar, sobretudo, que somente através do conhecimento das estruturas perifrásticas, e do código linguístico, que o interlocutor será capaz de reconstruir essas informações. É de fato nas perífrases verbais que se percebe a integração semântica de seus constituintes, formando um significado complexo que não é alcançável por meio da soma de seus lexemas componentes conforme expresso acima. As perífrases são estruturas complexas, e como tal, sua definição e seus parâmetros de uso são um tanto quanto complexos, podendo suscitar dificuldades no processo de transferência de uso da língua nativa (L1) para a língua alvo (L2), seja num processo tradutório ou no ensino de língua estrangeira. Muitas vezes essas dificuldades estão presentes até mesmo no uso do próprio idioma. O falante, no ato da enunciação, deve realizar escolhas pertinentes ao contexto de uso, e essas escolhas devem ser as mais precisas possíveis para que o processo comunicativo obtenha êxito. E considerando o estudo em questão, a escolha do falante entre o uso da perífrase verbal andare a + infinito (estando o verbo andare no presente), o tempo presente simples do indicativo e o futuro do indicativo, num determinado contexto, será determinante para demonstrar suas intenções no processo comunicativo.

A perífrase em abordagem nesse estudo é aquela à qual se atribui menor atenção nos estudos em língua italiana, uma possível consequência de seu estatuto menos estável quando comparada com as formas com o gerúndio e o particípio, no que concerne sua organicidade sintática e semântica, ao menos na língua italiana. Muitos estudos na historiografia italiana, de fato, questionam a licitude de se tratar a estrutura andare a + infinito como uma construção perifrástica unitária, supondo que a mesma tenha sofrido uma interrupção em seu processo de Gramaticalização.

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Durante (1981) cita um futuro prospectivo vado a fare (vou fazer) como um traço presente na língua dos Setecentos (700’10), que pode ter entrado no italiano por influência da língua francesa, que foi posteriormente banido pelo Purismo11 dos Oitocentos (800’). Posteriormente, o uso entra em declínio, conforme mostram registros literários de outras pesquisas, em trajetória oposta àquelas verificadas nas demais línguas neolatinas, inclusive no Português.

As gramáticas italianas recentes omitem a existência da construção como forma de expressão de um futuro prospectivo, como em Serianni (1989), assim como tantas outras posteriores. A partir das investigações aprofundadas no assunto, foi possível concluir que a perífrase andare a + infinito é uma estrutura marginalizada, no que concerne à literatura linguística do italiano, tendo em vista os raríssimos estudos sobre a construção que, recentemente tem sofrido uma expansão no número de ocorrências, do italiano do uso médio12, ou seja, o uso não literário.

Somente em meados do século XX, a perífrase em estudo vem ganhando espaço como é possível notar de modo recorrente no italiano do uso médio utilizado por praticamente todos os cidadãos da península. E é através das mídias televisivas, jornais e rádios e pelas mídias on-line, que se verifica concretamente esse incremento nas ocorrências de uso.

Os corpora utilizados nesse estudo servem para comprovar a vivacidade da estrutura no uso do dia-a-dia, na língua italiana, visto que os exemplos analisados nesse

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Na língua italiana, existe a possibilidade de se apresentar o tempo cronológico século também em

algarismos árabes seguidos pelo símbolo (‘) plica. Então temos como correspondente a Século XVII a forma 700’ – Settecento.

11 O Purismo linguístico italiano foi um movimento amplo que rejeitava modelos externos ao que estava sendo proposto como um modelo nacional, de modo que todos os estrangeirismos existentes deveriam ser abolidos e deveriam ser evitados.

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A expressão “italiano do uso médio” define nas palavras de Sabatini (1984), a expressão da língua viva italiana.

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estudo são decorrentes do uso de políticos italianos, representantes da sociedade, que almejam através de seu discurso, uma aproximação com todas as camadas sociais. O uso linguístico, nesse sentido, é a ferramenta fundamental, ou seja, um vínculo mediador desse diálogo de classes.

Como fora já afirmado, essa pesquisa adota os pressupostos teóricos de Gramaticalização de Heine (1991, 1993), e estudos posteriores que contribuem para exemplificar funcionalmente como se dá esse processo nas construções cognitivamente formadas, como é o caso das perífrases verbais.

A respeito da construção ir + infinitivo para expressão de futuro no português, o estudo de Lima (2001) é uma referência dentre outros trabalhos em Gramaticalização. E, portanto, serão tratados aqui os estágios de mudança paradigmática que gradualmente essa estrutura alcançou no português, que servirá como modelo para abordar a questão referente à perífrase andare a + infinito no italiano.

Segundo Heine (1991, 1993) et alii, os estágios de Gramaticalização alcançados variam em profundidade de língua para língua, e baseado nessa análise, é que o objeto de estudo em questão buscará mostrar que a Gramaticalização, embora um fenômeno comprovadamente existente nas distintas línguas naturais, pode se mostrar em estágios bastante variados (no eixo sincrônico) concernendo uma construção, havendo inclusive padrões de uso distintos de uma estrutura formal equivalente em línguas distintas. Levando em consideração que existem dois modelos para a verificação do fenômeno de Gramaticalização - as hipóteses metonímica e metafórica, esse estudo buscará mostrar que a hipótese metafórica, ainda que considerada por alguns estudiosos como “pouco consistente”, no que tange às evidências empíricas do processo evolutivo de andare de um verbo pleno até o seu estágio de verbo auxiliar, atravessando etapas diacrônicas de evolução, esse é o padrão mais adequado para explicar o processo em sua

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sincronia, visto que os corpora de estudo estão restritos a um breve período de tempo, que aponta para os usos da língua apenas na atualidade.

A hipótese metafórica, defendida dentre outros, por Heine (1993), consiste na projeção de contextos espaciais para contextos temporais, isto é, uma conceituação do futuro como: o estar depois no tempo, em termos espaciais, como um estar à frente. Lima (2001) exemplifica o caso do verbo to go em inglês, como auxiliar de futuro, um caso clássico do inglês: I’m going to write a letter – a ação designada pelo infinitivo seria concebida como estando à frente numa linha temporal percorrida pelo sujeito. Numa perspectiva metonímica, Hopper & Traugott (2003) defendem que não foi o item lexical go sozinho, o responsável pela Gramaticalização, mas sim uma forma de be going to em contextos muito particulares, nomeadamente aqueles em que essa forma vem seguida de um sintagma iniciado pela partícula to com valor final, intencional. Seria a coincidência desses dois fatores, ou a contiguidade num mesmo enunciado, que propiciaria as condições para a evolução de be going to de expressão de movimento para auxiliar de futuro.

No português, segundo Lima (2001), a origem da construção ir + verbo infinitivo consta em contextos em que se encontra uma forma do verbo de movimento ir seguida de oração infinitiva final. Segundo pesquisa do autor no CIPM (Corpus Informatizado do Português Medieval), há ocorrências da estrutura com relativa frequência já em documentos do século XIII.

No italiano, a despeito dos raríssimos estudos sobre o argumento de que trata a presente pesquisa, Sornicola (1976) afirma que a construção com o infinitivo possui um uso bastante antigo, vertendo para um valor final em meados do século XVIII, e que apenas posteriormente passa a admitir um valor ingressivo. Durante (1981: 220) cita o futuro prospectivo vado a fare como um dos traços sintáticos observados no italiano do

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século XVIII, por influência do modelo francês, sendo posteriormente banido pelo Purismo do século XIX.

Sobre o processo de Gramaticalização da estrutura no português, nota-se a presença de três traços que estão intrinsecamente envolvidos, sendo “movimento” e “intenção”, veiculados pelo significado próprio de ir, e o traço “futuro”, que é inferível pragmaticamente a partir da presença simultânea de ir e da oração que exprime o objeto desta ação. Embora o presente estudo não busque desdobramentos históricos do processo de evolução da estrutura ir + verbo infinitivo, nem mesmo de andare a + verbo infinito, são importantes as exposições de base diacrônica de Lima (2001) acerca de como a estrutura se modificou até se tornar uma variante de expressão de futuro no português atual. Segundo o autor, a história do futuro com ir pode ser encarada como o processo pelo qual a construção ir + verbo infinitivo, que inicialmente apresentava três traços importantes, já mencionados, sendo dois semânticos (movimento e intenção) e um inferível no processo comunicativo (futuro), passa por um processo gradual de demoção dos dois primeiros traços - semânticos, até seu desaparecimento, enquanto que há progressiva promoção do traço inferível, o que leva a que, no português atual, seja possível encontrar ir apenas como auxiliar de futuro na construção ir + verbo infinitivo.