13. KONKLUSJONER OG VIDERE ARBEID
13.3 V IDERE ARBEID
No capítulo introdutório do livro The Palgrave handbook of childhood studies, Qvortrup, Corsaro e Honig (2009) afirmam que
são necessárias tanto ideias quanto organização para permitir o impulso no estabelecimento de novos modos acadêmicos e criar novos paradigmas viáveis. Novas ideias surgiram com força durante os anos 80 entre acadêmicos individuais em diferentes países do mundo rico, aparentemente independentes uns dos outros [...] alguns deles foram, é claro, inspirados por pensamentos anteriores [...] mas notavelmente eles também, sem se conhecerem, convergiram em torno de algumas ideias centrais – particularmente uma crítica à socialização (QVORTRUP, CORSARO, HONIG, 2009, p. 3).
Este trecho chama a atenção por algumas questões, nas quais se destaca o fato de pesquisadores que não se conheciam, provenientes de diferentes países, com diferentes históricos de formação e de pesquisa, pensarem a respeito da infância e das crianças de maneira similar. Como foi apresentado na seção anterior, ao tratar dos estudos precursores da sociologia da infância, Mayall (2013) reconhece que as críticas feitas às teorias de socialização contribuíram para os estudos acerca da agência das crianças, da mesma forma que estudos que questionavam o entendimento da infância como uma fase “natural” forneceram elementos para a compreensão da infância como construção social, possibilitando a sua observação
como um fenômeno social e histórico31. A pesquisadora relata que antes da década de 1980 “o salto em direção aos estudos das crianças e da infância como uma parte da estrutura social ainda teria que ser dado” (MAYALL, 2013, p. 8), o que ocorreu, segundo ela, especialmente a partir de estudos alemães e da pesquisa internacional Childhood as a Social Phenomenon - Implications for Future Policy, pesquisa comparativa internacional sobre a posição das crianças nas sociedades industrializadas, conduzida pelo Centro Europeu de Bem-Estar Social, Política e Pesquisa, com sede em Viena, Áustria.
Ainda na década de 1970, nos Estados Unidos, o sociólogo William Corsaro havia iniciado suas pesquisas com crianças. Ele relata que seu interesse era inicialmente na aquisição da linguagem, mas que “... quis ir além e estudar o desenvolvimento social e cultural das crianças de um modo mais geral” (MÜLLER, 2007, p. 272). Em seus estudos, apresenta uma nova maneira de compreender o processo de socialização, o qual nomeia reprodução interpretativa32, que considera o papel ativo das crianças no processo de socialização, “retirando-as” da posição que as teorias tradicionais de socialização as colocaram, o de “... ator que está no processo de ser socializado” (PARSONS, 1991, p. 143, grifos nossos).
Também nos Estados Unidos, a socióloga Barrie Thorne se interessa pelas crianças e sua agência a partir de sua ligação com os estudos feministas e, em 1987, seu artigo Re-visioning women and social change: where are the children (THORNE, 1987) foi publicado no primeiro volume da revista Gender and Society. Mayall (2002) afirma que Thorne talvez seja responsável, na década de 1980, pela contribuição mais significativa para os estudos da infância em sua aproximação com os estudos de gênero.
Em 1982, o sociólogo britânico Chris Jenks publica The Sociology of Childhood (JENKS, 1982), coletânea de textos produzidos ao longo do século XX que se referiam à infância ou às crianças. Em 1998 James, Jenks e Prout publicam Theorising Childhood, livro que, segundo Nascimento (2011, p. 42), apresenta “um levantamento sobre as representações sociais da infância, com o objetivo de teorizar
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Acerca das abordagens de pesquisa na sociologia da infância conferir seção 1.3. Resumidamente os estudos têm sido feitos em três principais abordagens que enfatizam (1) a agência das crianças, (2) a construção social da infância e (3) o caráter estrutural da infância.
32 O pesquisador elucida o significado dos termos da seguinte maneira: “O termo interpretativo
abrange os aspectos inovadores e criativos da participação infantil na sociedade. [...] O termo reprodução inclui a ideia de que as crianças não se limitam a internalizar a sociedade e a cultura, mas contribuem ativamente para a produção e a mudança culturais.” (CORSARO, 2011, p. 31-32, grifos no original).
o campo dos estudos da infância a partir de diferentes abordagens”. Ainda no Reino Unido, na década de 1980, a antropóloga social Judith Ennew organizou uma série de seminários intitulados Antropologia da Infância33, que reuniram pesquisadores interessados na infância e nas crianças. Acerca do primeiro seminário, Morrow (2014, p. 152) afirma que
... visava discutir métodos apropriados para estudar influências sociais e culturais na infância, pretendendo fornecer uma perspectiva social acerca da infância e trabalhando com as crianças como unidade de analise, para complementar e ampliar os modelos médicos, psicológicos e educacionais existentes.
Um dos resultados desses encontros é o livro organizado por James e Prout (1990b), no qual pesquisadores que participaram dos seminários apresentam ideias sobre a abordagem sociológica na pesquisa com infância e crianças. No primeiro capítulo deste livro, Prout e James (1990) apresentam seis características fundamentais do novo paradigma da sociologia da infância, posteriormente referenciados em diversas publicações.
Mayall (2002, p. 20) afirma que “... um pioneiro fundamental é o sociólogo dinamarquês Jens Qvortrup”, que é também defensor das pesquisas em sociologia da infância, particularmente da perspectiva estrutural. Em 1987 coordenou o anteriormente referido projeto de pesquisa Childhood as a Social Phenomenon, que envolveu 16 países do hemisfério norte, o qual se propôs a “... caracterizar as crianças como um grupo populacional a partir de uma perspectiva estrutural” (QVORTRUP, 1991, p. 11). Em entrevista concedida à Breda e Gomes (2012, p. 502), o sociólogo relata que entre 1980 e 1982 coordenou duas pesquisas sobre família e que:
Durante esse período tive a ideia, ou melhor, fui provocado a pensar sobre a infância, pois, do meu ponto de vista, aqueles que pesquisavam o tema família realmente não assumiam um interesse nas crianças e na infância, ou seja, esses pesquisadores não discutiam a infância. De certa forma, as crianças eram consideradas objetos que consomem tempo e dinheiro ou um bloqueio às carreiras dos adultos. Elas não tinham vida própria. Senti que havia nisso uma provocação e tentei entender qual era o status da infância na sociologia naquela época. Descobri que era mais ou menos inexistente, e foi assim que tudo começou.
Diz o pesquisador que a proposta do projeto, realizado entre 1987 e 1994, concretizou os esforços dos pesquisadores da infância “para lançar o nosso novo campo em pé de igualdade com outros campos sociológicos” (2015, p.5).