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— Vår oljekapital bor overfOres til mindre risikofylte kapitalformer

Pretendeu-se com a presente dissertação analisar os fatores que influenciam a vontade de criar uma empresa empreendedora e o seu sucesso. Para esse fim, desenvolveu-se uma abordagem metodológica para avaliação da perceção de jovens e de empreendedores de sucesso quanto ao tema do empreendedorismo e ao processo de criação de uma startup.

A presente dissertação e a metodologia definida refletem o resultado de meses de investigação e dedicação pessoal a conhecer a realidade do empreendedorismo, incluindo a participação em diversas iniciativas promovidas no contexto empreendedor português. Com uma metodologia que cruza dados

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quantitativos e qualitativos, pretendeu-se reduzir o gap entre jovens, que são apontados como os candidatos mais prováveis de se tornarem empreendedores, e casos de sucesso.

Pretendeu-se sugerir uma forma diferente de considerar o papel da motivação e das equipas empreendedoras (elementos interiores ao negócio) no processo empreendedor e na superação do receio de falhar e acabaram por se identificar oportunidades de melhoria. Na investigação feita no tema, constatou-se que os estudos recaem sobretudo na distinção entre empreendedorismo de oportunidade e de necessidade, ambos influenciados por algo exterior aos indivíduos (uma oportunidade na envolvente ou uma situação de desemprego, respetivamente). Também influenciado por condições exteriores, neste caso, condições de trabalho, existe o empreendedorismo de melhoria.

Pretendeu-se ainda compreender quais as perceções quanto à realidade do empreendedorismo e ao papel dos incentivos (elementos exteriores ao negócio) no processo.

Por uma questão de recursos, humanos e temporais, a metodologia quantitativa foi aplicada na FCT- UNL, estabelecimento de ensino do autor, junto de 50 alunos. A metodologia qualitativa foi aplicada a seis empreendedores de sucesso, cinco portugueses e um de nacionalidade irlandesa. Retiraram-se as seguintes conclusões:

• Quanto à perceção dos alunos relativamente ao tema do empreendedorismo, concordam quanto à contribuição positiva para o crescimento económico e quanto à influência que, por sua vez, o estado das economias, o contexto social e as características pessoais de cada um têm na atividade empreendedora. Observou-se que, apesar de não ser considerada uma boa primeira opção de emprego, a maioria dos alunos considera a hipótese de vir a criar um negócio, o que pode indicar que existe uma atitude empreendedora suficientemente forte para ultrapassar essa barreira social;

• Quanto à educabilidade do empreendedorismo, os entrevistados e a maioria dos inquiridos concordam que sim, que é algo que pode ser ensinado. Segundo a experiência dos entrevistados, a educação ajuda a reconhecer oportunidades divergentes relativamente às inicialmente visionadas, recolher ferramentas para o desenvolvimento do negócio, melhorar a interação com potenciais parceiros e a mediatização do projeto. Identificou-se com a análise quantitativa uma grande vontade dos alunos em vir a participar em cursos de criação de negócios e a necessidade de haver mais formação na lógica da gestão dos mesmos;

• Conforme sugerido na literatura o empreendedorismo pode ser motivado, não só por elementos exteriores aos empreendedores (necessidade, oportunidade e melhoria), mas também por aspirações pessoais e interiores, o que se confirmou com a aplicação da presente metodologia. Os alunos apontam para uma combinação de ambas as vertentes (Verheul et al., 2010), tendo a motivação pessoal de ‘atingir sucesso’ e o elemento da envolvente de ‘deteção

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de uma oportunidade’ obtido a maior e segunda maiores percentagens, respetivamente, seguidas das motivações pessoais da ‘formação base e experiência profissional’ e da vontade de ‘ter controlo’. Observou-se também, no caso dos empreendedores entrevistados, o papel importante da motivação pessoal na sua vontade de criar uma startup, seja o desejo de criar algo, de enfrentar desafios ou, como os alunos, ter controlo, havendo então uma aproximação da informação quantitativa e qualitativa;

• Concluiu-se que o principal motivo pelo qual alguns alunos não consideram, de todo, a hipótese de vir a criar um negócio, prende-se com a característica pessoal, que vai ao encontro da tendência europeia, de baixa recetividade ao risco, componente integrante do empreendedorismo e prende-se ainda com a ausência de atitude empreendedora;

• Sobre as características do ambiente em que os alunos cresceram e na influência na vontade de criar um negócio, foram referidos, a educação para o tema (escolas, universidades), havendo interesse em participar em iniciativas de formação, e a comunidade empreendedora, composta, por exemplo, por incubadoras, mentores ou redes de contactos. Já de um ponto de vista da operacionalização e com base na sua experiência, a comunidade também é referida por alguns entrevistados, pela sua diversidade cultural e tolerância;

• As incubadoras e as universidades são apontadas como importantes incentivos e fontes de ferramentas para a operacionalização, exteriores ao negócio. As primeiras são apontadas como importantes fontes de aconselhamento e de partilha de experiências. No que diz respeito à acessibilidade a estes incentivos, os alunos não consideram que estejam acessíveis a todos, pelo que se deve investir em divulgação;

• Concluiu-se, de forma consensual, que as equipas empreendedoras são muito importantes no processo, sendo que as opiniões se dividem quanto à hipótese de as formar com elementos desconhecidos. Dos 50 inquiridos, apenas um pondera vir a criar um negócio sozinho e o único entrevistado que tentou fazê-lo aprendeu, com a sua experiência, que tal é extremamente difícil. Quer pelos jovens quer pelos entrevistados, mais que a experiência, foram referidas as competências da formação-base e a motivação na ideia como principais critérios de seleção. Com base na sua experiência, os entrevistados sublinharam ainda a importância da confiança, do espírito de missão e desta motivação na ideia para as fases de operacionalização, como forma de atrair outras pessoas para a sua causa. A complementaridade foi apontada como elemento necessário, não só do ponto de vista das competências técnicas mas também das características individuais de cada um que, conjuntamente, podem formar uma equipa com fortes características empreendedoras;

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• Quanto ao receio de falhar, 39 alunos responderam que o sentem e que está associado, não só à fase inicial do negócio mas a outras subsequentes. Constatou-se que, mesmo assim, muitos consideram a hipótese de vir a criar um negócio, sendo a motivação e energia da equipa, seguido do financiamento e dos apoios externos apontados como elementos de superação deste receio. Foi do maior interesse a análise qualitativa neste assunto. Os entrevistados concederam uma perspetiva diferente quanto ao receio de falhar, fazendo este parte dos seus negócios e sendo encarado como algo positivo e motivador para os desenvolvimentos futuros, i.e., nunca é verdadeiramente ultrapassado. Também contribuíram para a reflexão sobre aquilo que, no empreendedorismo, se considera insucesso, i.e., se se trata de algo definido pelas equipas (interior) ou pela sociedade (exterior);

• Como principais motivos de insucesso apontados pelos alunos esses prendem-se com questões de operacionalização (gestão, segmento de clientes, modelo de negócio). Os entrevistados apontam a existência de demasiadas variáveis para controlar (internas e externas), incapacidade de inovar e falta de liderança. Numa fase mais inicial do negócio apontam ainda a existência de uma equipa desequilibrada.

Foi então possível analisar os vários fatores, interiores e exteriores, que podem influenciar a vontade de criar uma empresa empreendedora e o seu sucesso. Também foi possível construir uma metodologia que visa alargar o estudo quanto das motivações por trás da criação de negócios (Wood et al., 2013), apelando às vontades pessoais e características empreendedoras de cada um. As equipas são importantes no processo e, como um todo, devem possuir as características empreendedoras recomendadas para o sucesso. Fontes de tecnologia, contactos, investimento, aconselhamento e experiência são elementos favoráveis que vêm do exterior, sobretudo de incubadoras, universidades e redes. A educação serve de importante fonte de ferramentas para a operacionalização.