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No Novo Pensamento, Rosenzweig aponta que o processo de compreensão acontece para aquele que se dispõe a compreender, para ele, não se pode prever quando o entendimento chegará à compreensão, “onde o todo poderá ser abarcado em seu conjunto com um olhar”, contudo, um leitor que se considere erudito, e seja estúpido o bastante, pensa que sabe tudo antes da primeira palavra de um livro ainda que não saiba nada mesmo depois da última.317

Considerando isso, o que faremos agora é nos colocar na escuta, buscando um caminho possível para que todos possam falar – e que possam falar! Um caminho que permita que tenhamos como princípio buscar o que agrega e não o que separa. Antes, contudo, entendemos ser necessário traçar algumas considerações visando permitir que nosso autor seja, ele mesmo, escutado e que, por conseguinte, fale.

Não podemos reduzir pensadores e seus pensamentos ao contexto em que vivem. A afirmação de que um texto só tem sentido no contexto mostrou-se frágil. A psicologia, dentre outros conhecimentos científicos, aponta fenômenos como o de um amigo que chegou a uma metáfora para sua grande idéia colocada na sua tese sobre educação. Ao apresentá-la ao seu orientador, este lhe pediu uma semana para retornar. Uma semana depois, lá estava o orientador com um livro nas mãos, dos idos de 1800 em que constava exatamente a metáfora que o orientando pensava ser originalmente sua.

Seguindo esse exemplo, aproximamos pensamentos, poemas, brincadeiras, produzidos em diferentes contextos, mas que se configuram num só texto. Entretanto, queremos supor que, sem pretender algemar, ainda seja interessante apontar o contexto. Algemar significaria atribuir ao contexto toda a responsabilidade pelo texto. Por outro, podemos sinalizar aqui que, para além do contexto, estamos falando em contingência, do ponto de vista intelectual e ação, do ponto de vista religioso, temas a que nos deteremos ao longo desse trabalho.

O que pretendemos evidenciar é que pensadores judeus como Rosenzweig, Buber, Wittgenstein têm, em comum, um pensamento, por assim dizer, prático. Todos deixaram provisoriamente seus escritos ou o ato de escrevê-los e dedicaram-se por algum tempo à educação judaica. Por outro lado, nós, de confissão católica, nos auto-intitulando como

alguém de pensamento prático, ultrapassamos a fronteira e optamos por esses pensadores, até porque inseridas no contexto da educação, não aquela que cabe às igrejas e sinagogas, mas aquela que cabe às escolas. Queremos concluir sobre o quanto pensamos ser tênue a fronteira também entre as categorias outsider e insider.318

Os autores citados, assim entendemos, constroem suas teorias com base em suas práticas e na prática. Rosenzweig caracterizará uma epistemologia da controvérsia calcada na possibilidade daquele que conhece vencer o medo e tornar-se autor, capaz de falar sobre, o que se dará na experiência relacional. Buber lerá a educação na perspectiva da comunidade e da responsabilidade para com essa comunidade. Em que ponto separa-se o pensador e o homem de fé?

Longe de nós, colocar a fé como ingrediente e, conseqüentemente, justificar a supremacia da teologia sobre as ciências da religião. Nossa intuição é de que o cientista da religião e o professor de ER, conscientes de sua responsabilidade para com o caráter científico do estudo da religião, sua sensibilidade para com o diferente e a diferença e a coerência com o fato de que não estamos, ao fazer ciência e ao educar, buscando adeptos, seja capaz de distanciar-se enquanto homem e mulher de fé, caso o sejam, necessariamente de uma crença, para então se reaproximar como pesquisador capaz de olhar para a multiplicidade de crenças,319 e ainda, para manter-se imune a riscos de ordem humana, uma vez ser uma característica de todo homem e de toda mulher nem sempre conseguirem estar vigilantes, realizarem seus trabalhos deixando o mais claro possível suas concepções, de tal modo que o Outro, crítico como proposto por Rosenzweig, possa ser seu observador e apontar suas possíveis recaídas. Propomos que nós, cientistas da religião, não nos vertamos ao mito da neutralidade científica, que tanto discutimos no passado e pelo que criticamos as ciências em geral e evidenciamos seus riscos. Pretendemos ainda estabelecer uma ligação concreta entre a teoria produzida na academia e a prática que se dá na escola.320 Afirmamos em outro trabalho

318 Sobre esse ponto, acreditamos ser necessário ampliar as discussões, até mesmo por considerarmos a

experiência, todavia, não o fazemos aqui em razão de não se tratar do objetivo deste trabalho. Acreditamos, no entanto, que nesta discussão específica das Ciências da Religião, se encontrem importantes aportes para a questão da confissão de fé do professor de Ensino Religioso.

319 Nesse sentido o próprio caráter múltiplo das crenças e das expressões religiosas seria a “vacina” que não

permitiria ao estudioso, professor de religiões, arvorar-se em sua própria crença.

320 Embora seja importante salientar que também isso é uma falácia conquanto não se possa exatamente

considerar eminente e tão somente prático o ato de ensinar que, em si mesmo, pelo menos parte de uma teoria e chega aos educandos na medida em que se constitua compreensível pela prática. Questões como caracterização do trabalho docente e “utilidade” do saber deverão ser por nós explicitadas a fim de esclarecermos essa questão.

que o Ensino Religioso seria, por assim dizer, as Ciências da Religião em prática e evidência.321

Importa então ouvirmos o que o próprio Rosenzweig tem a dizer a respeito. Uma das primeiras questões que se levanta à principal obra de Rosenzweig, A Estrela da Redenção, e que ele mesmo responde em sua obra O Novo Pensamento, diz respeito a tratar-se de um livro judaico. Uma vez que estamos propondo uma epistemologia para o Ensino Religioso, essa questão deve ser também aqui colocada para evitarmos que nossos interlocutores caiam no erro de acreditar que estamos propondo o ensino do judaísmo nas escolas. Rosenzweig assim responde a questão:

[...] Se ocupa por certo do judaísmo, porém não mais detalhadamente do que do cristianismo, e apenas mais detalhadamente do que do islamismo. Tão pouco tem a pretensão de ser algo como uma filosofia da religião – como poderia sê-lo se nele não aparece em absoluto o termo religião! É antes, meramente um sistema filosófico. [...] se trata de uma filosofia que pretende uma completa renovação do pensamento. [...].322

E voltando à questão de ser um livro judaico escreve:

[...] Recebi o novo pensamento nestes velhos termos judaicos, de maneira que os reproduzi e retransmiti valendo-me deles. Se fosse um cristão em lugar das minhas palavras lhe teriam vindo aos lábios as do Novo Testamento e a um pagão, segundo penso, certamente não as de seus livros sagrados – pois sua ascensão se desvia da linguagem originária da humanidade, a diferencia do caminho terrestre da revelação que conduz a ele-, mas talvez as suas próprias. Mas aos meus lábios vieram aquelas palavras. Por isso mesmo bem pode dizer-se que é um livro judaico, não que trata das “coisas judaicas”, pois então seriam livros judaicos os ddos estudiosos do Antigo Testamento de confissão protestante, e sim um que expressa o que tem que dizer, e, mais precisamente, o novo que tem que dizer nas antigas palavras. As coisas judaicas, como todas as coisas em geral, são sempre passageiras; as palavras judaicas, em troca, mesmo quando são antigas, participam da eterna juventude do Verbo, e quando o mundo se abrir para elas, elas o renovarão.323

321 Esse foi o título de nossa comunicação no Congresso sobre Religião, Religiosidade e Cultura, realizado em

Dourados, MS, em abril de 2006.

322 Franz ROSENZWEIG. El Nuevo Pensamiento, pp. 14-15. 323 Ibid., pp. 40-41.

Outra questão da qual ele mesmo se ocupou diz respeito à relação entre a teologia e a filosofia, a qual é apresentada na introdução ao segundo volume da ‘Estrela’:

[...] A teologia não pode rebaixar a filosofia à condição de criada doméstica, mas igualmente indigno é a função de empregada que a filosofia se tem acostumado a destinar à teologia em tempos recentes. [...] A relação verdadeira entre ambas disciplinas é fraternal em sua nova forma e inclusive deve levar à fusão numa mesma pessoa àqueles que as praticam. Os problemas teológicos querem ser traduzidos em termos humanos e os humanos elevados até o nível da teologia. [...].324

Assim sendo, o que propomos é que possamos dar seqüência a essa conversa, afinal, como o próprio Rosenzweig sinalizou repetidas vezes, e citamos algumas até aqui, não podemos nos deter à introdução.

À margem do rio: educação pressupõe concepções?

A educação compreendida como parte da vida, implica em concepções, todos as temos, sejamos nós cientistas, religiosos, intelectuais, eruditos ou leigos, todos temos uma visão de homem, de mundo e de Deus, para o bem ou para o mal, como se expressa Smith, reiteradas vezes. Como dissemos na introdução, neste capítulo pretendemos assumir a dinâmica da controvérsia, sustentando uma epistemologia que não seja normativa, conseqüentemente, tanto em razão desse trabalho dizer respeito à educação de maneira geral e à escola de maneira específica, quanto porque, especificamente no campo religioso, evidenciamos concepções, nesse momento precisamos ter claro de quais concepções estamos partindo com o pensamento de Rosenzweig. E se é assim, antes porém, sinalizaremos qual é o seu contraponto, a que controvérsia ele responde, a saber, de que seja necessário perguntar acerca do que as coisas são. Sua resposta é que a pergunta pela essência só chega a respostas tautológicas.

Importa ainda salientar que, acompanhando o pensamento de Rosenzweig, essência e concepção, como ficará claro no decorrer desse trabalho, são duas coisas distintas. Ao perguntar pela essência o que fazemos é fixar aquilo sobre o que queremos saber, retirá-lo do curso da vida. Diferentemente a concepção que temos de algo, para além de uma idéia fixa, é uma categoria que, relacionada ao como vemos alguma coisa, implica em agirmos e nos relacionarmos a partir dessa compreensão. Assim, no que diz respeito à ‘Estrela’, podemos afirmar, por exemplo, que Rosenzweig apresenta concepções da verdade, da história, uma visão de Deus, do homem e do mundo, contudo, tais concepções colocam esses conceitos em relação, aliás, eles podem ser entendidos apenas na relação; assim sendo, outro ponto importante é que esses conceitos são reais e não ideais, e essa distinção podemos ter clara no que diz respeito à pergunta pela essência.

Conforme vimos fazendo até aqui, manteremos o diálogo de três das obras de Rosenzweig: O Novo Pensamento, O Livro do Senso Comum São e Enfermo e A estrela da Redenção, sua obra principal. Quanto a esta última, queremos tornar explícito que, em razão da profundidade da obra e dos limites desse trabalho, determinados pelo seu objetivo, não temos a pretensão de desenvolver amplamente seu estudo e sim, fazer alguns recortes que possibilitem uma melhor compreensão do pensamento do autor no que tange à fundamentação do conhecimento mediado pela experiência que, por sua vez, fundamente a epistemologia da controvérsia para o Ensino Religioso.

Voltemos à questão da essência. No ‘Livrinho’, Rosenzweig descreve o ataque de paralisia a que é submetido o filósofo exatamente no momento em que este, desacreditando do senso comum, começa a se perguntar sobre o que as coisas são, considerando tais perguntas como de suma importância, perguntas últimas. Em razão disso, a filosofia se assombra, se detém em coisas diante das quais o senso comum não pára, com as quais não se assombra. O filósofo, assombrado, não pode esperar. Em sua rigidez quer a solução hoje mesmo, no momento do assombro e acaba acometido por uma paralisia e, desta forma, exclui este seu estado, de estar assombrado, bem como aquilo que lhe causou este assombro e, consequentemente, a si mesmo da corrente da vida que segue fluindo. O que lhe causou o assombro deixa de ser um lugar por onde passava o rio da vida e passa a ser uma imagem estática, uma estátua, o objeto, artificialmente retirado da corrente da vida que flui e o filósofo se pergunta sobre o que ele é, o que está por trás, qual a sua substância, quer saber da essência, do ser autêntico do objeto. Este se torna independente do tempo e de seu curso,

artificialmente solto, separado e imobilizado. Fora do fluir da vida é transformado num conceito universal, na coisa em geral. A propriedade do objeto é a sua essência.325

Importa aqui fazer alguns destaques que pontuarão todo desenvolvimento do pensamento de nosso autor. Primeiramente, nos cabe mencionar o fato de que Rosenzweig passará a se referir ao filósofo e não mais à filosofia como um todo. Trata-se marcadamente de assumir um compromisso com a contingência, com o real, afinal, não existe a filosofia em si, existe o filósofo. Quanto aos motivos da paralisia podemos elencar a busca pela essência, o niilismo, em que fatalmente chega o filósofo ao perguntar-se pela essência e o ficcionismo, que é a estratégia que o filósofo encontra para convencer a si mesmo da verdade acerca da essência das coisas, por exemplo, no caso da visão de Deus, imaginá-lo como um fantasma, imagem esta que Rosenzweig usará várias vezes no capítulo oito do ‘Livrinho’ em que tratará de Deus.

Também o uso das imagens, sendo a imagem do rio para a vida e de objeto para aquilo sobre o que se pergunta pela essência, pela substância. Essa idéia será importante, por exemplo, para entendermos porque Rosenzweig não se preocupa com o conceito religião, o que se deve também a suas raízes judaicas mas, principalmente ao fato de que compreende a relação entre as três potências, Deus, homem e o mundo e, por se tratar de relação e somente assim poder ser apreendido, não é possível, menos ainda, conceber a religião como objeto de estudo, o que constituiria, em última instância, tratar de sua essência. Finalmente, já aparece aqui a questão dos conceitos universais, para ele inconcebíveis pois saem do fluxo da vida, não respondendo assim à contingência.

Ao tratar do diagnóstico aponta as questões relativas ao ideal e à realidade das coisas. O conceito universal é intermediado pelo concreto das coisas, do que recordamos por tê-las experimentado o que, por sua vez, não é igual ao que encontramos determinado. Dando o exemplo de um pedaço de queijo, lembra que o que recordamos, desejamos e, finalmente, o que compramos não se parecem. O queijo em geral, é a idéia de queijo, o que o queijo é autenticamente e na verdade nenhum ser humano viu um queijo que “sempre” é. O que liga a idéia à realidade é o nome, tudo o mais muda, contudo, ele não é a autêntica essência da coisa.326

325 Cf. Franz ROSENZWEIG. El libro del sentido común sano y enfermo, pp. 13-16. 326 Cf. Ibid., pp. 24-25.

Todavia, o nome é o que permanece, contudo, o filósofo busca o estável no próprio fenômeno, nos fatos e dirige a eles a pergunta desesperada que busca algo estável, algo permanente, a essência. Ao fazer isso ocorre que:

[...] A firmeza do nome, a única coisa que lhe estava dada de modo tangível, se converte para ele em algo que lhe desperta receio; ao buscar agora o estável nas coisas, as coisas somem na obscuridade da essência.327

O homem do senso comum se conforma com a estabilidade dos nomes, próprios ou designações e concede às coisas, às vivências e aos acontecimentos sua liberdade indubitável, enquanto o filósofo entendendo o nome como algo sem valor, retém as coisas, vivências e acontecimentos para perguntar-lhes o que são.328

Ao tratar da terapia, Rosenzweig reconhece que o ser humano tem uma forte aversão a deixar-se tratar. O entendimento enfermo poderá voltar a ser são por meio da vida. Um grande susto, uma grande alegria, uma fatalidade tremenda podem fazer desaparecer os fantasmas do entendimento desorientado, contudo, o enfermo poderá voltar a apresentar os sintomas toda vez que a “vida” fizer influxos no ideal, quando entender que os “sublimes sentimentos” foram asfixiados pelo “tráfego da vida”, quando negar o cotidiano em favor desses sublimes sentimentos que seriam mais “autênticos” que a seca realidade.329 Contudo:

[...] O tráfego terreno continua a impor-se. E junto com ele novamente a natural articulação da vida, o poder dos acontecimentos, justo essa pujança do viver cotidiano com suas sempre renovadas pequenas tarefas e seus nomes que permanecem. A revolução contra os firmes nomes transmitidos por tradição se apaga, cessa a busca de um sentido oculto atrás dos acontecimentos, se tomam os acontecimentos tal como vêem e não se lhes busca outro sentido que o dos nomes que os nomeiam.330

Para ele, o idealismo não é algo a se combater. Um antiidealismo, irracionalismo, realismo, materialismo, naturalismo ou o que quer que seja seria igualmente perigoso. Pois a doença do entendimento não é buscar o “espiritual” como a essência escondida por trás do

327 Franz ROSENZWEIG. El libro del sentido común sano y enfermo, p. 30. 328 Cf. Ibid., p. 32.

329 Cf. Ibid., 33-35. 330 Ibid., p. 35.

real mas simplesmente porque busque algo detrás do real. Quer se trate de realidade, matéria ou natureza, todos são conceitos de essência, e não são melhores que o espírito ou a idéia. Todos querem “ser” o real ou sê-lo “autenticamente”. Todos conduzem fora da vida. Então, nenhum desses conceitos-ismo pode trazer a reconciliação entre o fazer e o pensar.331

Assim, a essência não tem verdade, vitalidade ou realidade efetiva. O conhecimento religioso, por sua vez, tem realidade efetiva e pressupõe essa realidade. Apenas a título de exemplo, mencionamos aqui a problemática, apontada no primeiro capítulo, decorrente de compreendermos valores como um dos temas do Ensino Religioso. A questão é que entendido como tema, os valores ganham essência, passam a ser O respeito, A solidariedade e assim por diante, deixando o fluxo da vida; não são mais vivências, são lugares a que se chegar; não são presente mas futuro. Sem contar o fato, que também apontamos, de que idealizamos que valores são necessariamente vivenciados e compreendidos por religiosos bastando, para tanto, ser religioso.

Tocando a água:

questionamentos decorrentes do proposto como finalidade do Ensino Religioso

Propusemos como finalidade do ER, possibilitar aos educandos uma ampliação de sua visão de mundo, levando-os a uma maior compreensão das questões religiosas no âmbito da vida moderna, elevando tais estudos e reflexões à categoria de elementos colaboradores na compreensão e vivência do autenticamente humano.

Se, como expusemos, o educador, de maneira específica e a escola, entendida como comunidade educativa e portanto real, de maneira geral, necessitam perguntar-se acerca de suas concepções, ao entendermos que caberá ao ER “ampliar a visão de mundo dos educandos”, antes, precisamos esclarecer, dentro do sistema filosófico proposto por Rosenzweig, que visão de homem, de mundo e de Deus, bem como, na seqüência, a concepção de educação e de escola, as quais, por sua vez, já evidenciarão sinais da perspectiva relacional. Conseqüentemente, abriremos espaço para tratar da experiência em

dois âmbitos, o institucional, que poderá dar conta da compreensão das questões religiosas no âmbito da vida moderna e pessoal, para darmos conta da compreensão e vivência.

Por último, espera-se que essa “compreensão e vivência” dêem conta do autenticamente humano e, neste sentido, teremos que, diferentemente do filósofo, esperar. A expectativa é que, com o desenvolvimento desse trabalho em sua primeira parte, marcadamente este capítulo, consigamos chegar até a experiência pessoal. Quanto ao autenticamente humano, precisaremos verificar se tal expressão ou tal adjetivo cabe no sistema filosófico proposto por Rosenzweig e mais, verificar se nossa proposição da superação da tensão entre instituição e experiência religiosa se mostrará eficaz para atingirmos realmente nosso educando numa proposição prática de Ensino Religioso que considere o outro tal qual ele é, a saber, o outro, o diferente.

Observando a largura do rio: sobre ampliar a visão de mundo dos educandos

No Novo Pensamento, Rosenzweig, explicitando sua proposta de uma filosofia experimentada, afirma que o ponto culminante do Primeiro Volume da ‘Estrela’ é mostrar que nenhum dos três grandes conceitos fundamentais do pensamento filosófico – Deus, Mundo e Homem, podem ser reduzidos ao outro ou a si mesmo. O que deles sabemos de modo mais exato, tomados por si mesmos, o sabemos com o saber intuitivo da experiência e o que deles podemos conhecer é sua realidade efetiva. Segundo o autor, este volume procura expor os conteúdos elementares da experiência depurada das mesclas que o pensamento tem introduzido nela.332 E afirma:

A experiência, portanto, não experimenta coisas, as quais por certo se tornam visíveis como facticidades últimas mais além da experiência por obra