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2. Teorikapittel

2.1 Utviklingen i samfunnet

Figura 1.2 - Plano Urbano para Jupiá. Implantação do acampamento a meio caminho da cidade de Três Lagoas e do canteiro das obras para a construção da UHE de Jupiá (CESP, 1988: 8).

Figura 1.3 — Foto Aérea de Jupiá. (MANGE, 1963: 1).

O acampamento de Jupiá (Figuras 1.2 e 1.3), de proporções muito menores (para 15.000 habitantes), foi projetado para ser montado e desmontado durante as obras de construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá.

Segundo Ernest Mange, em sua tese de livre-docência sobre o plano urbano de Jupiá, também chamado de Vila Piloto, o esquema básico do plano foi, portanto, o de uma unidade de vizinhança : 38, que se estruturava por meio de três coroas concêntricas e um centro geométrico onde estava o centro comunal, espaço coletivo para todos os trabalhadores. Nas coroas concêntricas foram ordenadas as habitações dos trabalhadores envolvidos na construção, conforme uma separação em três níveis hierárquicos, em função de seus cargos e atividades na construção civil: Nível C de operários, Nível B de encarregados, e Nível A de engenheiros e chefes.

Ainda como critério geral foi estabelecido construir 3 tipos básicos de residências, tipos A, B e C, em correspondência as categorias funcionais e salariais da mão-de-obra. As áreas construídas e os respectivos lotes

38 Segundo Ara’jo o conceito urbanístico de unidade de vizinhança adotado por

Mange teria origem na formulação de Clarence Perry a partir do livro (AND, )rving. Planning of Residential, Commercial, and )ndustrial Areas . )n: MC LEAN, Mary. Local

Planning Administration. Chicago: The )nternational City Managers Association, , p. - .

seriam, em consequência, dosados diferentemente. Tocamos aqui num dos pontos mais delicados do planejamento e que mais discussão provocou na equipe. As implicações da questão são óbvias, assim como o eram as soluções cabíveis no caso. Ou nivelávamos todas as habitações — com intenção profundamente humana, porém talvez utópica, ou materializávamos as diferenças funcionais e sociais, programando diferentes tipos de habitação. Optamos pelo segundo caminho frente a simples e pura impraticabilidade do primeiro, em termos de realidade de hoje e de Brasil (MANGE, 1963: 25).

Em Jupiá, a implantação urbana seguiria a regra da forma elementar de um círculo, na qual é imediatamente evidente a diferença entre aquilo que é igual, e aquilo que está colocado de modo distinto, uma vez que, em se tratando de uma forma elementar, com um único centro e com todos os seus pontos a ele equidistantes, é o meio mais direto para se contrastar aquilo que está estritamente organizado de modo igualitário daquilo que não está. O desenho do acampamento assim estruturado parece corresponder ao argumento do autor sobre o planejamento do núcleo urbano ter por objetivo materializar , no espaço urbano, as diferenças funcionais e sociais . Contudo, esse esquema não previa sua materialização no tempo, já que isso não seria recomendado normalmente para uma cidade:

Certamente esse partido, quase um transporte de um esquema teórico a uma realidade, não seria válido para o plano originário de um centro urbano. [...] Não o recomendaríamos genericamente, pois são notórios os inconvenientes dos planos radio-concêntricos para cidades comuns, com condições plenas de desenvolvimento e normal relacionamento com o complexo rural. Sua realidade é pois uma decorrência dos fatores e circunstâncias específicas que integram o planejamento em foco; o caráter unitário e limitado da população traduz-se no caráter fechado e organizado do plano radio-concêntrico (MANGE, 1963: 42-43).

O plano urbano de Jupiá era assim proposto enquanto um acampamento de obra temporário, onde não se previa crescimento urbano, o que pressupunha o desmanche da ordem urbana que fora criada com o fim das obras de construção da Usina. No caso da proposta de planejamento urbano para Ilha Solteira, esses pressupostos serão, no entanto, fundamentalmente transformados.

O documento do escritório Planemak sobre o planejamento de Ilha Solteira, que vimos, é produzido entre os anos de 1966 e 1967 e passará a incorporar o argumento de tornar o acampamento uma cidade definitiva. Em 1966, o então presidente Castello Branco (1964-1967) forma um Consórcio Internacional39 para o financiamento das obras de Ilha Solteira e entrega sua coordenação ao BID — Banco Interamericano de Desenvolvimento. Meses depois, neste mesmo ano, a empresa estatal Celusa, que coordenava as obras do Complexo Hidrelétrico de Urubupungá, foi incorporada à CESP, que se formava como empresa de capital misto (estatal e privado)40. Nota-se que após as diretrizes do novo Consórcio Internacional, que a partir de 1966 passou a coordenar os investimentos nas obras de Ilha Solteira, algumas transformações foram adotadas na proposta do planejamento urbano de Ilha Solteira41.

O que a pesquisa pôde constatar é que até a formação desse novo quadro de agentes à frente do empreendimento de Ilha Solteira, o desenho do planejamento urbano previsto se assemelhava aos mesmos princípios adotados no planejamento do acampamento de Jupiá. Veja-se, a seguir, a Prancha do plano urbano para Ilha Solteira (Figura 1.4), publicada no documento do Palácio da Guerra42 que relata a primeira reunião deste Consórcio Internacional e apresenta o plano urbano existente até então para Ilha Solteira e que seria objeto de reavaliação da reunião.

39 )ntegrariam o consórcio o B)D - Banco )nteramericano de Desenvolvimento, A)D –

Agência )nternacional para o Desenvolvimento, Banco Alemão de Reconstrução, grupos financeiros e governos de )tália, Espanha, Japão e Suíça. O B)D seria o responsável pela coordenação o implementação do Consórcio BRAS)L, : .

40 Além da CELUSA, fundada em , a CESP incorporou em onze empresas, dentre

empresas p’blicas, privadas e de capital misto estatal e privado . As principais foram: USELPA Usinas (idrelétricas do Paranapanema criada em , C(ERP Companhia (idroelétrica do Rio Pardo fundada em , BELSA Bandeirante de Eletricidade S.A. de

e ainda a COMEPA Companhia Melhoramentos de Paraibuna criada em BRANCO, : .

41 Esta análise é resultado da comparação entre os projetos de Jupiá e )lha Solteira. 42 BRAS)L. Palácio da Guerra. )lha Solteira projeta a revolução no futuro: . . kW .

b. Planejamento urbano inicial para Ilha Solteira (anterior a