Atualmente o trabalho rural vem ressurgindo como alternativa para desempregados na Europa e isso já é percebido em países como Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha. Jovens que saíram das regiões agrícolas para cursar universidade e seguir carreira profissional nos grandes centros estão retornando ao campo e apostando em seu potencial produtor.
Especialmente nas regiões de Porto e Alentejo há uma série de novos investimentos de jovens produtores no cultivo de cogumelos, azeitona e kiwi. Mesmo com formações distintas das relacionadas ao campo, muitos deles estão retomando a agricultura para driblar os efeitos da crise econômica que assola o país há mais de cinco anos. O fator associado a esta volta também está relacionado à valorização dos produtos alimentícios, segundo os dados do Globo Rural (junho de 2013).
No Brasil também se constata nos últimos anos uma alta nos preços dos alimentos, inclusive na aquisição de produtos de mesa em mercados informais, como feiras orgânicas e regionais. Segundo o Dieese (2013) com alta nos preços dos alimentos, o Índice do Custo de Vida (ICV), calculado do município de São Paulo, variou 0,64% em outubro, acima do mês anterior (0,24%). A taxa está acumulada em 5,11% no ano e em 6,16% nos últimos 12 meses. Três grupos foram responsáveis por esta alta; a alimentação (alta de 1,33%), habitação (0,52%) e o transporte (0,48%), resultando em 0,60 pontos percentuais. Entre os alimentos, subiram, entre outros, os preços de aves e ovos (4,84%), frutas (4,03%) e carnes (3,93%).
Com esta alta nos preços33
Em outros aspectos, no contexto dos subsídios governamentais para a produção de alimentos, o caso europeu muito difere do caso brasileiro. No momento, a política agrícola européia está passando por reformas estruturais que devem levar a uma nova abordagem a partir de 2014, embora ainda a cada sete anos, são destinados 350 bilhões de Euros às , pode-se também ambicionar que assim como a juventude européia, a juventude rural brasileira também vislumbre vantagem financeira na produção de alimentos e volte ao campo nos próximos anos, embora se pautando nas reflexões levantadas na área de estudo, uma suposta reagrarização do interior paulista está mais próxima a perspectiva de desemprego nas cidades do que motivada às futuras oportunidades agrícolas.
33 Considerando que o preço pago pelos consumidores seja o mesmo pago na venda direta pelo agricultor. Ou seja, fora das redes de distribuição, supermercados e intermediários.
empresas agrícolas da UE. A Comissão Européia propôs recentemente que, a partir de 2014, 30% dos pagamentos diretos aos agricultores dependerão da implementação de normas ambientais. A Comissão também solicitou aos agricultores a plantação de pelo menos três tipos de cultivos em suas propriedades, de forma a erradicar o monocultivo destrutivo, e reservar cerca de de 7% da superfície agrícola para uma área ecológica, segundo os dados dos documentos da Comissão Européia de 2013.
Em 2013 no Brasil foi lançado também o programa Brasil Agroecológico, baseado nas diretrizes estabelecidas no Decreto 7.794/2012, que tem como principal missão articular políticas e ações de incentivo ao cultivo de alimentos orgânicos e de base agroecológica. O investimento inicial foi de R$ 8,8 bilhões, divididos em três anos.
Na visão de alguns economistas, em vista dos rendimentos aleatórios dos produtos da agricultura familiar, outro modo de gerar rendimentos a estes agricultores seria o que se considera hoje de implementação agroturística. Na região do Alto da Serra de São Pedro, já acontece a visitação à cachoeiras em propriedades familiares, que pode fornecer pistas sobre um início de multifuncionalidade.
Há também o Pagamento pelos Serviços Ambientais (PSA) para aqueles que se prontificam em recuperar e conservar os recursos ecológicos territoriais caracteriza-se como negócio promissor nesta região de diversos pontos sensíveis sob o ponto de vista ambiental.
Outra alternativa, que não se assenta nem totalmente sobre o turismo, nem completamente sobre a transição agroecológica, configura-se como os serviços ecossistêmicos, já em funcionamento em algumas regiões, por meio da recuperação de áreas de proteção permanente, reflorestamento com espécies nativas e recomposição de áreas degradadas.
Outra opção é o “Produtor de Água”34
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O Produtor de Água é uma iniciativa da Agência Nacional de Águas, que tem como objetivo a redução da erosão e assoreamento dos mananciais nas áreas rurais. O programa, de adesão voluntária, prevê o apoio técnico e financeiro à execução de ações de conservação da água e do solo, como, por exemplo, a construção de terraços e bacias de infiltração, a readequação de estradas vicinais, a recuperação e proteção de nascentes, o reflorestamento de áreas de proteção permanente e reserva legal, o saneamento ambiental, etc. Prevê também o pagamento de incentivos (ou uma espécie de compensação financeira) aos produtores rurais que, comprovadamente contribuem para a proteção e recuperação de mananciais, gerando benefícios para a bacia e a população. A concessão dos incentivos ocorre somente após a implantação, parcial ou total, das ações e práticas conservacionistas previamente contratadas e os valores a serem pagos são calculados de acordo com os resultados: abatimento da erosão e da sedimentação, redução da poluição difusa e aumento da infiltração de água no solo. (Agência Nacional de Águas, 2013. Disponível em <
, que tem como objetivo minimizar o assoreamento dos mananciais, causados principalmente pela poluição difusa resultante da
erosão das áreas rurais, com ações de conservação da água e do solo, por meio de medidas conservacionistas de manejo do solo (construção de terraços e bacias de infiltração, readequação de estradas vicinais) e de recuperação e proteção de nascentes por reflorestamento de áreas de proteção permanente e reserva legal, saneamento ambiental entre outras atividades.
Desse modo, a compensação financeira aos produtores rurais que se prontificam a executar determinadas práticas de conservação gera benefícios também externos a propriedade. Na área de estudo, por exemplo, a bacia do Rio Jacaré-Pepira é utilizada por uma grande população. Portanto, uma gama de serviços pára - agrícolas podem ser facilmente adaptados ao território, lembrando que o sucesso de tais atividades depende principalmente da qualidade das iniciativas locais. Tal como sugerido por programas afins, essas ampliam de certa forma o sentido que anteriormente lhe era atribuído, como emprego múltiplo ou atividade agrícola em tempo parcial.
Nesta perspectiva, o PSA associado à unidade familiar de produção também pode gerar uma renda extra em detrimento aos arrendamentos de cana-de-açúcar ou eucalipto, ecologicamente mais impactantes. Desta forma trabalha-se com outros valores simbólicos, construídos a partir de externalidades ecológicas, como a ampliação do convívio social e das dinâmicas territoriais em torno da apropriação dos recursos naturais, o que pode favorecer uma nova rede socioambiental, profundamente integrada à aplicação de estratégias de desenvolvimento sustentável.