4.1 Presentasjon av respondenter
4.2.1 Utvikling og rekruttering av spillere med mål å bidra til eget A-lag og
Os arqueólogos tradicionalmente dirigem atenção aos espaços, aos lugares, às paisagens que possuem alguma relação com a vida das pessoas que existiram remotamente. Para o desenvolvimento deste trabalho, sobre a ocupação de um local específico como o sítio Morro da Formiga, levo em consideração os conceitos de espaço e de lugar.
Espaço é um termo comumente utilizado na arqueologia para se referir de um modo geral aos locais relacionados à habitação humana. Segundo autores associados às abordagens pós-processuais como Tilley (1994) e Thomas (1996), o espaço não é um pano de fundo passivo, mas sim uma entidade ativa e complexa em relação às vidas humanas. É formado por relações sociais estabelecidas entre os indivíduos e entre os indivíduos e os objetos culturais. Neste sentido, pode ser visto como socialmente produzido pelas pessoas, estando sempre centrado em relação à atividade humana.
Assim, o espaço não tem essência em si mesmo, mas somente em associação com alguma coisa. Logo, não há espaço que não seja relacional. Conforme Thomas (1996), o espaço pode existir no circulo de relações entre coisas e lugares. A própria identificação de um local como um ‘lugar de’ alguma coisa já demonstra o caráter relacional do espaço.
Os arqueólogos, na procura da resposta para questões como ‘Por que determinados lugares foram escolhidos para habitação ao contrário de outros?’; adotam diferentes abordagens. A mais tradicional refere-se à explicação através de fatores racionais, tais como a consideração das características do meio-ambiente (relacionadas à relevo, clima, vegetação, hidrografia), da disponibilidade de recursos exploráveis e, ainda, de fatores como padrões demográficos, tecnologias, transumância, territorialidade, entre outros.
Por outro lado, há uma explanação distinta, a da lógica cultural ou simbólica, que abarca aspectos mais abstratos como o simbolismo da percepção do espaço. Este enfoque opõe-se diretamente à perspectiva cartesiana, a qual defende que o mundo físico é caracterizado apenas por sua extensão espacial, composta por forma e movimento. Desta forma, não leva em conta a substancialidade, a significação que os espaços possuem. Os entendimentos cartesianos de espaço, neste sentido, reduzem o mundo ao acontecimento, rejeitando qualquer preocupação com o significado. Os espaços que contém seres humanos não são vistos como diferentes dos espaços em que nenhum ser humano pisou (Thomas, 1996).
Normalmente estes dois modos de posicionamento em relação ao entendimento da ocupação de um espaço são percebidos como opostos. Entretanto, no meu ponto de vista, tratam-se de abordagens complementares, pois se torna radical levar em conta somente aspectos pragmáticos da vida humana ou apenas mitos e simbologias. As pessoas não ocupam locais inóspitos, sem recursos, mas lugares que apresentam condições de sobrevivência e, ao mesmo tempo, que possuem e que passarão a adquirir significados particulares e conotações específicas (Tilley, 1994). Esta separação estabelecida entre o que seria um espaço geométrico (racional, material) e um espaço significante (irracional, ideal) é mais uma das dicotomias que se fazem presentes nas teorias e nas pesquisas arqueológicas.
Um outro autor, Felipe Boado (1999), ao pensar sobre o espaço como um produto de séries de mecanismos de representação, distingue três diferentes dimensões em que este pode ser percebido. Há o espaço enquanto entorno físico (matriz meio-ambiental na ação humana), o espaço enquanto entorno social (meio construído pelo ser humano e sobre o que se produzem as relações entre os indivíduos e os grupos) e o espaço enquanto entorno pensado (meio simbólico). Além disso, salienta que um espaço nunca é independente dos sistemas de representação que o monitoram, sendo elementos básicos deste sistema de representações a forma de conceber a natureza, o espaço, o tempo, a temporalidade, e as relações entre os seres humanos e o seu ambiente.
Estas formas de conceber um espaço, embora partam de pontos de vista distintos, são complementares. Quando é realizada a análise de um local, deve-se tentar levar em conta todos estes âmbitos pelos quais os espaços podem ser percebidos. Um enfoque como este só tende a enriquecer o trabalho arqueológico, pois mostra a complexidade das experiências humanas que são sempre espacialmente situadas.
Thomas (1996) sugere a utilização do termo lugar para referir-se aos locais relacionados a um mundo humano. Para ele, o espaço pode ser transformado em um lugar
pela ação humana, ao serem usados e consumidos e, igualmente, por envolvimento em estruturas de pensamento. Não é necessário, todavia, que este seja alterado fisicamente para que isso aconteça. Um lugar, então, pode emergir de qualquer lugar - a partir do momento em que nos damos conta de que estamos em algum lugar, esse se torna um lugar.
Para Thomas (1996), significado e significação são diagnósticos da existência humana. Um espaço, percebido dessa maneira, torna-se significativo em virtude do seu envolvimento em mundos humanos. Os lugares envolvem uma paisagem especifica, um conjunto de atividades sociais, teias de significados e rituais – todos inseparavelmente entrelaçados.
Ainda segundo este autor, o corpo humano é o meio através do qual as pessoas obtêm seu entendimento do mundo, uma vez que o espaço vivido só pode ser vivido através do corpo humano. Assim, quando conhecemos uma coisa ou lugar profundamente, deixa de ser nossa preocupação explícita para ser um problema de entendimento corporal. Tal forma íntima de proximidade é o resultado da habitação de um espaço. Nossa percepção de espaço se baseia, portanto, na habilidade humana de viver experiências, e é exatamente esta ação que constitui a ordem espacial do espaço vivido, experimentado (Thomas, 1996).
Tal postura, a qual defende que através do corpo humano o homem vivencia o lugar, aproxima-se muito do enfoque também adotado em parte por Tilley nos seus estudos. Para este autor, os lugares não são somente vistos, mas experimentados através do corpo humano em todos os sentidos. Uma perspectiva como esta permite considerar como as pessoas movem-se ao seu redor, como designam significados a lugares, como os entrelaçam com suas memórias, histórias e estórias, e criam o sentido de pertencimento (Tilley, 1994).
Através do entendimento corporal as pessoas vivenciam os lugares e acabam criando laços de familiaridade com estes. Neste sentido, a habitação do espaço contribui para a identidade humana, a partir do momento em que a identidade de um grupo pode ser descoberta através desta relação com um lugar. A relação de ‘habitar em’ contribui para a identidade do lugar (Thomas, 1996).
Os lugares, em última análise, constituem locais com significados humanos, com sua singularidade da existência manifestada e expressada no dia-a-dia da vida e na consciência das pessoas com modos de vida particulares. Assim, seus significados giram em torno da sua percepção existentes ou vividas neles (Thomas, 1996).
Utilizo o termo lugar a partir deste momento para me referir ao sítio arqueológico Morro da Formiga. A seguir caracterizo o estabelecimento de indivíduos nele através de um breve estudo sobre as condições ambientais da área dentro da qual o sítio faz parte e,
principalmente, de uma análise espacial intra-sítio com as evidências materiais disponíveis. Com a adoção de um enfoque contextual para a análise espacial dos elementos inseridos no espaço, busco aproximar-me dos significados surgidos entre as pessoas e as coisas neste antigo local.