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UTVIKLING OG ANVENDELSE AV SPREDNINGSMODELLER

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A seleção e a transmissão de informações e ideias, que muitos consideram como já adquiridas e dominadas, revela-se uma intrincada tarefa. A evidência e descoberta de todo um mundo repleto de complexos conceitos e profundas questões extrínsecas que rivalizam no cenário das responsabilidades e repercussões, solidifica a magnitude destes temas. O mestrado em Migrações, Inter-etnicidades e Transnacionalismo asseverou tal

importância de conhecer, assim como de debater as questões relacionadas com a mobilidade das pessoas. Não obstante os conhecimentos adquiridos durante o mestrado, impôs-se a necessidade de compreender ao máximo os desafios respeitantes à mobilização e inclusão de migrantes. As pesquisas e análises bibliográficas ficaram aquém de uma elucidação concreta em relação a necessidades, opiniões e ideias da população imigrante, principalmente respeitante à população local de Loures. Por conseguinte, considerou-se de extrema relevância contactar as próprias populações de origem imigrante, através das associações de imigrantes, de modo a ser percetível o seu olhar sobre tais questões, assim como possibilitar dar voz às suas considerações.

Foram realizadas reuniões com diversas associações de imigrantes ou que trabalham com migrantes no concelho, assim como visitas a bairros e localidades com maioria de imigrantes, onde foi possível conhecer as adversidades vividas por estas populações mais vulneráveis, através dos seus testemunhos.

Realizou-se um total de quatro reuniões com associações, efetuando-se posteriormente as respetivas atas (ver Anexos 4, 5, 6 e 7). No dia 4 de novembro de 2016 realizou-se a primeira reunião com a Associação de Moradores Unidos da Apelação (AMUA) na sua sede, onde estavam presentes João Lopes Rosa - Presidente; Catarina Canelas - responsável pela Oficina Social e ainda Maria Aida Lourenço - assistente social e responsável pela Pastoral dos Ciganos. Os presentes expuseram com bastante vividez a realidade diária dos habitantes do bairro da Apelação, em que a maioria são de origem imigrante. A falta de condições habitacionais e, até mesmo de vida, o isolamento, que por si só é causador de segregação e as poucas (e prejudiciais) vias de “escape”, de um bairro sobrecarregado com pobreza e desemprego, avivaram a noção que números e dados são uma parcela muito exígua no cenário da mobilidade e acolhimento de pessoas.

No dia 9 de novembro de 2016 foi efetuada a segunda reunião, desta feita com o Teatro Ibisco. O bairro da Apelação foi, mais uma vez, cenário de elucidações e revelações onde a diretora do Teatro, Eunice Rocha, teve a amabilidade de mostrar todo o bairro, assim como o trabalho realizado e dinamizado pelo Ibisco. Foi possível conhecer os jovens alunos do teatro, que são residentes do bairro, e descobrir as suas maiores preocupações, medos e desejos, ao mesmo tempo que mostravam o seu bairro, com as suas máculas, mas também com os seus encantos. O empenho do Teatro em reformar o bairro, para os seus habitantes, mas também para os de fora, traz um dinamismo e esperança renovada. O trabalho levado a cabo tem na sua génese acabar com os conflitos inter-bairros, causadores de infortúnios e sofrimento, que semeiam sendas de sangue e

colhem lutos. A arte transforma-se, assim, em via de escape. O bairro, que primeiramente impressiona o espírito e ofende o olhar, reduto dos esquecidos e rejeitados que ficam à mercê de si próprios e dos seus, transforma-se numa égide de audazes paladinos da camaradagem, da harmonia e do respeito. O cenário, as estórias, os comentários e pensamentos dos habitantes do bairro da Apelação expandiram-nos horizontes, ao mesmo tempo, que abriam o olhar e o coração. Desde então, os que por muitos são ignorados, serão sempre recordados pelas suas lutas diárias e triunfos monstruosos.

Realizou-se outra reunião, no dia 15 de novembro de 2016, com a Associação para a Mudança e Representação Transcultural (AMRT), no bairro do Talude, Catujal. Contou-se com a presença da presidente, Sandra Delgado, e da assistente social, Liliana Rodrigues. Expuseram-se as maiores dificuldades em relação ao trabalho no bairro, assim como relatos de contínuos afrontamentos que a população vive diariamente. É possível realizar um exercício de paridade em relação à situação da população que habita o bairro do Talude e o bairro da Apelação, porém um tópico sobressai neste paralelo: o desalojamento. O suplício que muitas famílias passam no Talude é quase indescritível, tendo de assistir inertes à destruição dos seus lares, sendo deixadas sem local para viver. Além das adversidades psicossociais causadas pelas demolições, subsiste o problema da falta de limpeza dos destroços, levando a que o bairro se transforme num jazigo de entulho. Mais uma vez, o confronto com uma realidade, antes remota, que patenteia os dissabores de uma vivência marginalizada, complexa e repleta de insuficiências e lacunas leva a um questionamento, não apenas da essência do que é considerado uma integração efetiva, mas também dos processos de reabilitação urbana e inclusão social.

A última reunião concretizou-se a 16 de novembro de 2016 com a Associação Baboque em Portugal (ABP), que contou com a presença de Manuel Mendes, o presidente da Federação de Associações Baboque em Portugal. Manuel Mendes narrou a sua experiência e revelou as circunstâncias da criação de tais associações, correlacionadas com a insuficiência e debilitação de estruturas, serviços e recursos na comunidade, que perpetuam as adversidades na sobrevivência das suas populações. Foram apresentadas as diversas iniciativas realizadas pela ABP, que numa lógica de codesenvolvimento38, foram empreendidas tanto na Guiné-Bissau como em Portugal, nomeadamente Loures. Desta

38 Este conceito defende soluções cooperativas que possam beneficiar simultaneamente as sociedades de

destino e de origem, assim como os próprios migrantes. Os migrantes são agentes de desenvolvimento para as suas comunidades nos territórios de origem. Simultaneamente, as populações dos países de destino, ao trabalharem conjuntamente com as populações de origem imigrante, estimulam a coesão social.

forma, as verbas são aplicadas na melhoria de condições nas suas sociedades de origem, com iniciativas que são acompanhadas de conhecimentos, técnicas e perspetivas. Este transnacionalismo revela-se uma peça fulcral numa lógica de cooperação e de integração, onde o associativismo de imigrantes constituí vetores de inclusão para os grupos de migrantes nas sociedades de acolhimento e como facilitadores de investimentos e desenvolvimentos nos países de origem. Manuel Mendes expôs a preocupação em relação à alienação dos filhos de imigrantes, já nascidos em Portugal, sublinhando a necessidade de iniciativas que incitem à promoção da sua autoestima e do seu posicionamento identitário.

As reuniões realizadas contribuíram para uma compreensão holística da realidade migratória, onde a perceção das diversas parcelas propiciou um melhor entendimento do completo e complexo puzzle que são as migrações.

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