Alternativ 1 er valgt til tross for at alternativ 2 viser bedre føyningsegenskaper og forklaringskraft fordi det virker mer rimelig at lønn slår raskere ut i yrkesdeltakingen
0.07 prosent. Dersom ledighetsraten øker med en prosent, vil dette gi en estimert nedgang i
5.5.1. Utvikling i yrkesdeltakingen og mulige forklaringsfaktorer
Ao longo deste capítulo, centrado no estudo da metáfora e da sua participação no processo de atribuição de sentido aos vocábulos gírios da diversidade sexual, percebemos que o eixo temático mais presente é o sexual. Secundariamente, apareceriam outras questões cotidianas, como enfermidades, condições socioeconômicas, práticas de atividades lícitas ou ilícitas.
Novamente, constata-se um embate entre práticas sexuais heterossexistas e não heterossexistas. É no campo desse confronto que surgem fontes para, por exemplo, a expressividade e a criptologia, a comicidade e o humor.
Kupermann (2003: 340), considerando estudos de Bakhtin sobre cultura popular e manifestações do riso, oferece-nos uma síntese contextualizadora útil às nossas próximas reflexões:
Uma das formas privilegiadas de expressão da cultura cômica popular e do realismo grotesco é o vocabulário típico da praça pública e do carnaval. Bakhtin demonstra como, na festa popular, a abolição provisória das
diferenças e sobretudo das relações hierárquicas entre os indivíduos, acompanhada da eliminação de certas regras e tabus, constituiu uma
linguagem familiar inconcebível na vida ordinária, na qual predomina a linguagem oficial com suas rígidas e bem demarcadas proibições. Essa
modificação da comunicação verbal, em certa medida, acontece ainda hoje quando é criada uma intimidade entre as pessoas. Bakhtin indica como o emprego dos diminutivos, dos apelidos, das injúrias que querem expressar, na verdade, um tratamento afetuoso, da chacota amistosa e do uso de palavrões, bem como das palmadas no ombro ou na barriga, são sobrevivências do carnaval popular. Mas, ressalta, falta na familiaridade verbal moderna (e pós-moderna) o caráter universal e utópico da percepção carnavalesca profunda do mundo. (grifos do autor)
Ora, esse “vocabulário típico da praça pública e do carnaval” a que faz referência Bakhtin aproxima-se do vocabulário dos falantes da diversidade sexual, seja por recorrer a diminutivos, formas evocativas, injúrias, palavrões, gestos e risos, mas, principalmente, por ser uma linguagem familiar, muitas vezes com elementos de temática sexual, a qual ainda hoje tende a oscilar entre o tabu e a obscenidade:
A linguagem familiar do realismo grotesco é exatamente a linguagem própria para a expressão da concepção carnavalesca do mundo, e se caracterizava pelo uso freqüente de grosserias e blasfêmias dirigidas sobretudo às divindades católicas, de palavrões, dos juramentos cômicos e, mais importante para o nosso argumento, de diversas formas de obscenidade. A linguagem familiar grotesca converteu-se em uma linguagem “semi-olvidada” e, de uma certa forma, observa Bakhtin, “em um reservatório onde se acumularam as expressões verbais proibidas e eliminadas da comunicação oficial” (ibid., p. 15). (Kupermann, 2003: 340-1)
Na proporção em que essa “linguagem familiar” afronta a “linguagem oficial”, instala-se e torna-se reconhecível a irreverência. Esta, por sua vez, passa a dar visibilidade ao não sério e, por consequência, ao riso, ao cômico e ao humor.
Nesse jogo de suspensão lúdica do “sério” e apresentação do “não sério”, em que a metáfora exerce um papel preponderante na reconfiguração do “real”, o riso, por sua abrangência, atuaria como um elemento aglutinador da comicidade e do humor.
Interessa-nos, neste trabalho, o estudo dos risos observados em conversações de falantes que integram o grupo da diversidade sexual, principalmente, os do subgrupo dos homossexuais masculinos. Nossa insistência para o termo riso está no fato de que, nesta etapa da presente pesquisa, além de abrangente, está mais associado à comicidade do que ao humor, mais ao coletivo do que ao individual.
Bremmer & Roodenburg (2000: 15) também reconhecem a amplitude do riso, o qual pode ocorrer sem a presença do humor:
Embora o humor deva provocar o riso, nem todo riso é fruto do humor. O riso pode ser ameaçador e, realmente, os etologistas afirmavam que o riso começava numa exibição agressiva dos dentes. Por outro lado, o humor e o riso correspondente também podem ser muito libertadores. Todos nós sabemos como uma pitada inesperada de humor é capaz de desfazer um clima tenso num instante. Em um contexto mais amplo, o carnaval e as festividades análogas podem corromper temporariamente as regras sociais rígidas a que todos nós obedecemos, embora, freqüentemente, com humor de baixo nível, em vez de alto. Considerando esta diversidade, não é de espantar que, [...], Jacques Le Goff observe que até agora foi impossível estabelecer a coerência entre as várias palavras, conceitos e práticas do riso.
Ainda que do ponto de vista antropológico, duas declarações de Driessen (2000) contribuem para que percebamos como o humor, inclusive na pós- modernidade, mesmo que com um aspecto risível, tende a atuar para a manutenção do status quo, para a preservação da “linguagem oficial”:
O humor é divertido e sério ao mesmo tempo; é uma qualidade vital da condição humana. O que o torna fascinante e relevante para antropólogos e historiadores é o fato de fornecer pistas para o que é realmente importante na sociedade e na cultura, incluindo a subcultura acadêmica. O humor quase sempre reflete as percepções culturais mais profundas e nos oferece um instrumento poderoso para a compreensão dos modos de pensar e sentir moldados pela cultura. (id., 2000: 251)
[...]
O humor e o riso ajudam a tornar possível a comunicação, facilitam o contato, reduzem a hostilidade, aliviam a tensão e oferecem entretenimento. (ibid., 2000: 268)
Essas considerações de Driessen (2000) poderiam nos remeter à noção de “sociedade humorística”, de Lipovetsky, pela qual os grupamentos contemporâneos visariam, entre outros valores, ao entretenimento, ao divertido e ao cool (cf. Minois, 2003: 15)
Mesmo que associada à comédia, Mendes desenvolve a noção de “força cômica”, declarando que
o único “objetivo” que se pode ver na força cômica ― enquanto força ― é o de submeter qualquer tipo de alvo aos seus poderes de reversibilidade, deslocamento, contraste, rebaixamento, desestabilização. O que pode ser visto como subversivo ou libertário na comédia não é aquilo que se
representa, não é qualquer crítica ou mensagem, não é um veredicto ou
Esse método consiste em duvidar sistematicamente, ritualisticamente, do real e da verdade. [...]. Se a comédia ensina alguma coisa, é que se pode sempre duvidar de que as coisas “tenham que ser assim”; é crer, ao contrário, que elas podem ser moldadas à nossa fantasia. [...]. O sério crê piamente que a realidade é o que ele pensa que ela seja, e que a verdade pode ser não só estabelecida como defendida. O cômico não tem pejo em apresentar o mais profundo conceito, o mais catastrófico evento, o mais doloroso sentimento “com as pernas para o ar”. (2008: 208- 9, grifos da autora)
Reconhecendo essa comicidade em várias gírias da diversidade sexual que compõem o glossário anexo, uma “força cômica” mais questionadora do que subversiva, mais próxima de um “modo de ação” desestabilizador, é que nos encaminhamos para outras considerações entre vocábulos gírios e risos, a serem desenvolvidas no próximo capítulo.