5. Resultater
5.3. Utvikling i arbeidstid for to kohorter av kvinner
Neste item abordaremos as expressões gelada e loira. O quadro abaixo mostra as acepções encontradas nos dicionários consultados:
QUADRO 4: ACEPÇÕES DE GELADA E LOIRA
Gelada Geada; verdura coberta de geada; suco de fruta misturada com água,
refresco _________ Geada; verdura coberta de geada; refresco de frutas gelado; folha-de- gelo; colocar-se em situação crítica, desagradável; cerveja Loira Mulher de cabelos
louros; cerveja ou chope de cor clara;
libra esterlina
____________
Mulher que tem o cabelo louro; libra esterlina; banazola,
bonacheirão, simplório
Dicionário Michaelis DUPC
Gelada Geada; orvalho; verdura coberta de geada; bebida refrigerante
gelada
Situação embaraçosa, desagradável ou desfavorável; roubada; demonstração
de indiferença ou frieza Loira Mulher que tem o cabelo louro;
libra esterlina; banazola, bonacheirão, simplório
Mulher de cabelos claros; cerveja
Observamos a ocorrência desses itens lexicais nas canções “Loira gelada”, “Deixa falar”, “Caraca, muleke!” e “Saideira”. Na primeira canção, a loira é um meio para se esquecer dos problemas, fazendo um jogo de palavras com a mulher amada – chamada de morena:
“Agora que me resta
É afogar no peito a dor apaixonada Traz uma loira gelada
Que a minha morena me abandonou”
Nas demais canções, há o adjetivo gelada como um substantivo que designa cerveja (cerveja gelada):
“Só sei que Deus deu uma vida pra cada Cuida da sua, que eu cuido da minha
E desce uma gelada.” (Deixa Falar) “Caraca, muleke! Que dia! Que isso?
Põe um pagodinho só pra relaxar Sol, praia, biquíni, gandaia
Abro uma gelada só pra refrescar” (Caraca, muleke!) “É tomando uma gelada
Nesse caso, a cerveja aparece com o intuito de celebração, de festa. Os dois casos são muito frequentes no cotidiano brasileiro: ou bebe-se para lamentar (visando o esquecimento da mágoa) ou para festejar.
Consideramos que loira e gelada são apelidos que a cerveja recebeu ao longo dos anos no Brasil. Outros termos semelhantes no vocabulário do brasileiro são: breja, cerva e loirinha.
Ao analisar as acepções dos dicionários, observamos que a definição da UL loira como cerveja – conforme a música “Loira gelada” – ocorre somente no Dicionário Houaiss e no DUPC. Portanto, em uma busca em dicionários online ou eletrônicos não é possível encontrar o significado apropriado para a compreensão da canção. Um aprendente de PLE encontraria dificuldades para a localização e entendimento da UL.
Constatamos que apenas o Dicionário Aulete apresenta uma definição para a UL gelada que se aproxima do sentido da UL nas músicas “Deixa Falar”, “Caraca, muleke!” e “Saideira”. No entanto, o dicionário assinala que se trata de um regionalismo do Rio de Janeiro. Tal informação não é precisa.
O uso da UL gelada não está restrito ao Rio de Janeiro. A título de exemplificação, selecionamos dois artigos oriundos de Belo Horizonte-MG (um artigo gastronômico24 e um artigo do jornal O Tempo25) e dois do estado de São Paulo (um artigo gastronômico do ABC Paulista26 e um artigo da Folha de São Paulo27). Nestes artigos observamos que há a ocorrência das expressões: “Mais uma gelada, por favor!”, “Garçom, desce uma gelada!” e “Tomar uma gelada”, demonstrando a existência de ocorrências da UL fora do Rio de Janeiro.
Observamos que a maior parte dos dicionários não abarca os sentidos necessários para a compreensão das ULs nas canções, o que dificultaria a leitura e o acesso aos sentidos por aprendentes estrangeiros. Esse fato corrobora para as afirmações de Galisson (1991) quanto à ausência da carga cultural compartilhada em grande parte dos dicionários.
24 Disponível em < http://www.belohorizonte.mg.gov.br/gastronomia/sabores-de-bh/mais-uma-gelada- por-favor>. 25 Disponível em < http://www.otempoonline.com.br/cmlink/hotsites/copa-do-mundo-2014/desce- mais-uma-gelada-por-favor-1.868944>. 26 Disponível em < http://www.reporterdiario.com.br/Noticia/497937/garcom-desce-uma-gelada/. 27 Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/55918-caes-tambem-vao-tomar-uma- gelada-versao-pet.shtml>.
Ressaltamos que para esclarecer os implícitos culturais, é necessário incluir adendos com o fim de explicar porque e como as palavras receberam aquela carga cultural. Reconhecemos que não é papel do dicionário apresentar tais informações enciclopédicas, conforme assinala Höfling (2006) sobre a ênfase dos dicionários nas palavras. Contudo, concluímos que em nossa pesquisa a soma dessas informações aos verbetes consultados se faz necessária.
Os itens que compõem as acepções são concernentes aos dicionários, podendo incluir ou não os sentidos culturais. No entanto, não cabe às obras lexicográficas abordar informações exteriores às acepções. Consideramos como informações enciclopédicas os adendos, ou seja, os textos, vídeos, informes, históricos e imagens que utilizamos a fim de explicitar as ULs.
A CCC das ULs pode ser justificada a partir das tradições que envolvem o consumo de cerveja no país. O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, que é consumida pela maioria dos brasileiros: está presente em praticamente todas as confraternizações e eventos sociais.
Em nosso país, a cerveja mais consumida é a Pilsen, que é caracterizada por sua cor dourada. Devido ao clima tropical, o brasileiro aprecia esse tipo de cerveja bem gelada, o que não ocorre em alguns países europeus, por exemplo. Tradicionalmente, o nome “loira gelada” ou somente “gelada” foi associado a essa qualidade de cerveja por sua coloração e temperatura que agrada ao brasileiro.
Vale ressaltar que o apelido “loira” está relacionado à coloração da cerveja mais consumida no país, mas não é exclusivo do brasileiro. Países como Estados Unidos, Argentina e Portugal também utilizam a mesma nomenclatura para se referir a este tipo de cerveja.
Além disso, é importante salientar que, no Brasil, os comerciais de cervejas geralmente associam a bebida às mulheres, o que também pode estar ligado ao termo. Em um comercial da cerveja Itaipava, de meados dos anos 2000, podemos notar essa relação entre mulher e cerveja nos seguintes versos do jingle:
“Praia com os amigos não dá pra comparar Tomando Itaipava, que é sem comparação
Como é bom mulher bonita no verão Uma morena, uma ruiva, uma loira bem gelada”
Usa-se o substantivo feminino e a associação com a mulher porque o ato de beber cerveja e frequentar bares sempre foi considerado (na tradição patriarcal brasileira) uma prática genuinamente masculina. Com as mudanças sociais e as conquistas femininas, esse quadro se alterou. As mulheres reivindicaram e conquistaram seu espaço e seus direitos. No entanto, observamos que os anúncios ainda são direcionados aos homens.
Com o fim de auxiliar os usuários de nosso website a compreenderem as canções, propomos definições para as ULs. Pautamo-nos nas asserções de Biderman (1984) quanto à microestrutura do dicionário para a elaboração do verbete. O formato do verbete proposto conta com: lema, categorização gramatical, acepções de sentido, usos e informações suplementares.
As ULs se constituem como palavras com CCC, segundo a concepção de Galisson (1987; 1989), por estarem impregnadas com uma subjetividade coletiva socialmente partilhada, resultado da relação do homem com o mundo, da língua em uso. Embora a associação do signo e da CCC seja automática para os falantes da mesma língua – que compartilham uma visão de mundo – são estranhas ao estrangeiro.
No item seguinte nos dedicaremos à análise da UL mobilete.