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Utvikling av pels- og elefantselbestandene

In document aANUAR 1989/90 (sider 27-34)

Uma das consequências mais fecundas do conceito de duração, proposto na filosofia bergsoniana, está na sua profunda relação com a criatividade. Como assegurou Mesquita e Duarte (1996), a criatividade se caracteriza pela capacidade de produzir o novo nos domínios artísticos ou científicos. Psicologicamente, seria um ato da inteligência, mas onde a concentração, no intuito de solucionar um problema, pode conduzir a inspiração. Para a psicanálise, todos os indivíduos teriam potencialmente esse dom, no entanto eles, em alguns casos, encontrar-se-iam constrangidos graças às inibições sociais. Portanto, como asseverou (2006 8): “ Quanto mais nos aprofundamos na natureza do tempo, mais compreendemos que duração significa invenção, criação de formas, elaboração ”

Paty (2010) afirmou, quando se refere ao contexto histórico da elaboração das teorias da eletrodinâmica e da relatividade, por Einstein, Poincaré e Lorentz, que elas foram criativas e inventivas, ditadas por caminhos peculiares às exigências de compreensão racional de cada cientista, uma vez que não existe uma via previamente traçada para o conhecimento que se constrói, nem caminho seguro para se avançar pelas veredas do desconhecido. Assim, é pertinente asseverar o caráter criativo presente na elaboração dessas duas teorias. Como se percebe, o processo de criação esteve presente em muitos momentos na elaboração da própria ciência.

No pensamento bergsoniano, os caminhos da criação estão, em sua origem, ligados aos aspectos pragmáticos pertinentes à sobrevivência do homem no mundo: assim como o instinto é um instrumento para a sobrevivência, a inteligência seria uma ferramenta capaz de permitir fabricar instrumentos, como comentou Abraham Zunino (2010, p. 223):

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Instinto e inteligência figurariam como capacidades potenciais para construir instrumentos. Enquanto o instinto, mais rígido, propiciaria o surgimento de ferramentas

orgânicas adequadas a determinadas situações evolutivas, a inteligência permitiria a produção de instrumental inorgânico ao sujeito. A inteligência, dessa sorte, assumiria a posição de fomentadora do potencial criativo do indivíduo, uma vez que está voltada ao conhecimento das relações entre as coisas. Mediante conceitos e formas, a inteligência opera no mundo e, afastando-se da realidade imediata, pode prever a realidade futura. Não obstante, como preconizou Henri Bergson, nem a inteligência e nem o instinto nos permitem ter a realidade dos objetos, visto serem recortes do real (REALE, 2006).

A inteligência, criada e moldada pela vida, estaria orientada para a ação útil no mundo. Graças a sua conexão essencial com a matéria, vincula-se à satisfação das necessidades humanas. Dessa ligação, deriva a possibilidade do entendimento de seu universo conceitual e lógico, criado à imagem dos sólidos (MARQUES, 2003) .

Na ontologia que se ergue dos pressupostos e conceitos apresentados pelo filósofo, a criatividade e a liberdade aparecem no topo deste empreendimento. Assim como as criações de artistas e de cientistas revelam explicitamente uma dinâmica criadora, a vida pessoal também assumiria essas características. Mesmo que a criação do novo não apareça claramente no mundo das relações, ela acabaria invariavelmente por se impor, quer seja nos seres vivos, quer seja no homem, ou no próprio universo (COELHO, 2007).

O indivíduo, a partir das suas vivências, carrega no seu presente as marcas do passado, de tal forma que a duração, o contínuo do tempo para o sujeito, resumir-se-ia ao eterno presente, à eterna criação e à eterna liberdade. Como declarou Abraham Zunino (2010, p. 231): “N é simples auxiliar da necessidade de viver z si” Uma bela imagem que se pode conceber, para vincular o conceito de tempo ao da criação em Bergson, é a de uma sinfonia. Essa, enquanto exclusivamente qualidade do possível, torna-se o novo que é criado e que é introduzido ao mundo no momento em que se torna real (COELHO, 2001).

O Eu profundo, criador de suas próprias vicissitudes, tem seu dinamismo respaldado por sua natureza essencialmente qualitativa. Os estados interiores do sujeito jamais seriam idênticos e não haveria maneira de os sobrepor, de os comparar, muito menos almejar qualquer relação numérica entre essas qualidades. A busca de graus de diferenciação, ou semelhanças quantitativas para essas qualidades seria uma tarefa destituída de significado, no que se refere à representação da realidade interior desse sujeito (ROSSETTI, 2001).

O processo de criação para Bergson, muito além de se desnudar nos indivíduos, é, antes, uma característica inerente ao mundo enquanto totalidade. A vida, mesmo em seu

contexto biológico, não é máquina que se repete, mas incessante e contínua novidade criadora. A vida, sempre inédita, avança e cresce sobre si mesma (REALE, 2006). Este impulso criador, o élan vital, como afirmou Rochamonte (2011), seria a consciência, fonte de toda a moral e toda a religião, que penetraria a matéria, organizando-a. Ele poderia encontrar e submeter-se a variados obstáculos, até operando mais vagarosamente em muitos momentos. No entanto, acabaria sempre prevalecendo (ROSSETTI, 2011).

Enfim, a compreensão do que seria a vida, sua capacidade de fomentar sempre o novo e o imprevisível e de como ela operaria se constrói, no pensamento bergsoniano, a partir do estudo da oposição, presente no homem concreto, entre o instinto e a inteligência, forma mais consumada da relação matéria e vida e evidente no princípio da evolução. Então, em um esforço para vencer o dualismo que vive, o Sujeito, pela busca e retorno a si mesmo, encontraria o princípio da dualidade de toda a realidade. Esse movimento, caracterizado pela mudança em seu sentido, ora é espiritualidade e ação vital de tensão criadora, ora é materialidade e movimento de extensão que interrompe o primeiro, ou seja, ação que se anula. Haveria, nesse fluir da vida, elementos que se opõem, mas também se complementariam. A vida seria, em seu princípio, ação (MARQUES, 2003).

In document aANUAR 1989/90 (sider 27-34)