4.1USOS DOS RECURSOS SEMIÓTICOS
A Atividade 4a, etapa de captação fotográfica da atividade final, contou com a presença e a participação de todas as crianças. Por limitações de câmeras, como já apontado anteriormente, precisamos dividir as crianças em quatro grupos por entre 3 a 4 crianças. Assim, ainda que tenhamos acompanhado e anotado parte de seus comportamentos e ações durante a atividade, não podemos fazer uma seleção individual das fotografias de cada um para análise. Assim, a fazemos tratando cada grupo como um sujeito e comentando as ações individuais pontuais identificadas e de interesse ao projeto.
UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 USO DE R E C UR SOS SEM IÓT IC OS R EPR ESEN TA Ç Õ ES Brinquedos X X X 3 Quadra de desporto * X 1 Natureza X X X 3 Bancos X X 2 Placa do Agrupamento de Escolas X X 2 Painel pintado X X 2 Paisagem externa X X 2 Interior X 2 EN Q U A D R A M EN TO Plano aberto X X X 3 Plano próximo X 1 Profundidade de campo X X X 3 C O R ES Menor saturação X X 2 Maior saturação X X 2 RE CU RS OS DA BD
92 Não se aplica a esta
atividade
Figura 45 – Quadro de análise semiótica da Atividade 4a - Captação fotográfica na Escola
Por se tratar de uma atividade especial, de interação in loco com o espaço de convivência e de captação fotográfica, abordaremos esta atividade ligeiramente diferente. Iremos organizar por grupos a análise das escolhas de recursos semióticos, assim como suas ações durante o processo de criação.
a) Grupo 1
As fotografias do Grupo 1 parecem revelar um menor interesse na captação de cores saturadas em comparação às demais. Contudo, vemos representados espaços de acesso, corredores e rampas, além da identificação do Agrupamento de Escolas. Formado pelas crianças que mais levantavam e queriam caminhar na sala de aula, supomos que tenham acabado demonstrando os caminhos pelos quais se deixam levar no conviver diário. A Criança I, autora do clique da tampa do esgoto, deu grande importância ao fotografar do espaço externo – muito provavelmente por ser uma criança mais ativa, enérgica, ao ser colocada em uma atividade externa que exigia deslocamento, posicionamento e pela própria experiência de captação das imagens em si.
A explicação, porém, de não encontrarmos nas fotografias deste grupo os brinquedos do recreio é pela sua parcial dificuldade de usar o aparelho que foi constatada no momento (em que pressionavam o botão rapidamente e não verificavam que a fotografia havia sido de facto captada). Aparentemente, mesmo explicando e chamando atenção para o piscar da tela quando do sucesso da captação, o dinamizador não foi capaz de solucionar sua dificuldade. Não obstante, ao nos posicionarmos perguntaram se podiam fotografar também a pequena quadra com balizas que se situa logo ao lado. Como não tínhamos permissão para fazer a captação de outras crianças que não participassem do projeto, infelizmente elas não puderam registar em imagens o espaço onde as encontramos em quase todos os recreios. A pequena quadra onde frequentemente nos chamavam para assisti-las a marcar um golo à distância ou realizar outra peripécia física.
93 O Grupo 2 parece ter dado mais atenção aos motivos da natureza em suas fotografias, com muitos detalhes de relva e árvores, além da captação do cenário à distância em um dos pontos da escola, priorizando o céu iluminado com nuvens – com a linha do horizonte quase localizada no primeiro terço inferior da foto, possivelmente uma referência inconsciente aos enquadramentos fotográficos e do cinema. Como futuramente pudemos perceber pela segunda etapa da atividade, as crianças do Grupo 2 já estavam a planejar suas histórias.
A Criança E, que se mostrou menos empolgada com a atividade de fotografia, quase apenas acompanhava seus colegas, tomando pouca iniciativa em pegar a câmera para fazer as suas captações. Acabamos descobrindo na etapa seguinte que ela tem muito gosto pelo desenho, especialmente pela criação de personagens, e não tanto pela fotografia – como mostraremos em breve, ela utilizou as fotografias apenas como inspiração e referência para desenhar sua narrativa.
A Criança B, sempre um pouco mais tímida, nesta atividade parece ter tomado mais iniciativa de interação com os colegas para apontar elementos de seu interesse e pedir a câmera para captá-los. Enquanto isso, a Criança M tomou a liderança do trio e estava sempre a se agachar e esticar na busca de seus enquadramentos – autora da fotografia da relva que usaria em sua história.
c) Grupo 3
Nas captações fotográficas do Grupo 3, tivemos a maior presença de aproximação da objetiva para captação de detalhes, texturas e interesse pelas linhas formadas criadas pela perspectiva exagerada que a aproximação da câmera causa. Apesar da maior parte das crianças do Quarto Ano ter se animado e se dedicado à atividade, este grupo foi o que produziu o maior volume de fotografias.
Em dado momento, a Criança F se pendurava pela escada, ao lado do escorrega (também representado em fotografia), com as pernas esticadas e o tronco torcido em busca de um ângulo específico para clicar. Junto com a Criança K, pareciam mais preocupadas em registar detalhes novos e as texturas de elementos conhecidos e banais – como a tinta a descascar do muro. As duas juntas viriam a produzir na segunda etapa uma história em conjunto, marcada pela intervenção cheia de cores pelo pontilhismo com canetas de feltro.
94 Isto somado aos seus trabalhos anteriores, percebemos uma maior sensibilidade a aspectos plásticos da imagem como cores e sua saturação, texturas e linhas das formas.
d) Grupo 4
O Grupo 4, por sua vez, captou mais planos longos e abertos e foi o único que demonstrou interesse em fazer a captação interior dos corredores da escola. Grande parte dos seus momentos de lazer, como pudemos verificar ao frequentar a Escola, passavam-se justamente nestes espaços internos. Nos corredores do prédio costumavam encontrar colegas e amigas de outros anos, lanchavam recostadas nas escadas de acesso aos andares superiores e riam bastante durante suas conversas. Assim, notamos durante a atividade fotográfica um olhar mais atento justamente aos bancos, muros baixos e relva onde se sentavam em roda também durante o recreio. Estavam a mostrar os lugares que representavam justamente estes momentos de prazer e afetividade que trocavam entre si e suas amigas.