Comparou-se a operação do sistema em suas formas agregada e desagregada para esta regra de operação, com o mesmo intuído de se verificar se a hipótese simplificadora de tratar os reservatórios como equivalentes diferenciava-se de tratá-los como um sistema desagregado. Na Figura 36 e na Figura 37 é possível observar a relação das curvas do sistema operado de forma Equivalente e Desagregado. Para os reservatórios desagregados, somou-se o volume acumulado do mês dos reservatórios integrantes de suas respectivas bacias, resultando no valor para o sistema. A operação com o reservatório Jaguaribe resultou em uma correlação de 0,96 entre as duas curvas, enquanto a do Metropolitano resultou em 0,94, demostrando a boa aproximação entre as duas curvas. Assim, a utilização da hipótese simplificadora de reservatório equivalente demostrou uma boa aproximação ao sistema desagregado nesta simulação.
Figura 36 - Operação do sistema Jaguaribe com os níveis metas 2 para o sistema equivalente e desagregado
Figura 37 - Operação do sistema Metropolitano com os níveis metas 2 para o sistema equivalente e desagregado
Fonte: Elaborado pelo autor
O resultado da operação com os Níveis metas 2 do reservatório Castanhão e Pacoti-Riachão podem ser vistos na Figura 38 e na Figura 39, respectivamente. Como dito anteriormente, decidiu-se por apresentar a acumulação apenas desses dois reservatórios devido as suas importâncias para os sistemas estudados.
O reservatório Castanhão apresenta, nesta operação, a menor acumulação no em janeiro de 1960, resultando em aproximadamente 340 hm³.O reservatório Pacoti- Riachão manteve-se, em média, com estoques acima de 50% de sua capacidade máxima. O mesmo aconteceu no reservatório Gavião (Figura 40). Nenhum reservatório atingiu o colapso nesta simulação.
Figura 38 - Operação do reservatório Castanhão para a regra de operação Nível Meta 2.
Figura 39 - Operação do reservatório Pacoti-Riachão para a regra de operação Nível Meta 2.
Fonte: Elaborado pelo autor
Figura 40 - Operação do reservatório Gavião para a regra de operação Nível Meta 2.
Fonte: Elaborado pelo autor
A Tabela 14 apresenta a frequência do tempo de permanência em cada nível de seca e a Tabela 15 mostra a falha em cada um desses níveis para todos os reservatórios integrantes do sistema Jaguaribe e para o sistema Metropolitano (a falha e frequência no nível são as mesmas para todos os reservatórios desse sistema).
O Castanhão apresentou as maiores falhas de todo o sistema. Nesta operação, observa-se que este reservatório tem algum tipo de falha em 52% do período simulado, significando que em 48% do tempo o reservatório atendeu plenamente a sua demanda exclusiva. Os reservatórios da RMF, no entanto, apresentam, aproximadamente, 74% do tempo em estado Normal, significando o atendimento pleno
das demandas da região. Um estado de seca mais intenso, apresenta-se em 1,7% do período simulado. A severidade de cada um desses níveis pode ser observada nos histogramas apresentados na Figura 41.
Tabela 14 - Frequência do tempo simulado que os reservatórios do sistema Jaguaribe e Metropolitano apresentaram em cada estado de seca, para operação Nível Meta 1
Normal Alerta Seca Seca
Severa Seca Extrema Colapso Sistema Jaguaribe 59,3% 22,9% 10,7% 6,3% 0,7% 0,0% Castanhão 47,9% 24,2% 17,7% 8,7% 1,5% 0,0% Orós 72,4% 10,8% 9,1% 6,8% 1,0% 0,0% Banabuiú 79,4% 10,6% 7,5% 2,5% 0,0% 0,0% Sistema Metropolitano (Aracoiaba, Pacajús, Pacoti-Riachão e Gavião) 74,5% 11,7% 9,6% 2,5% 1,7% 0,0%
Fonte: Elaborado pelo autor
Tabela 15 - Frequência de falha dos reservatórios do sistema Jaguaribe e Metropolitano apresentaram em cada estado de seca, para operação Nível Meta 1
Normal Alerta Seca Seca
Severa Seca Extrema Sistema Jaguaribe 40,7% 17,7% 7,0% 0,7% 0,0% Castanhão 52,1% 28,0% 10,2% 1,5% 0,0% Orós 27,6% 16,8% 7,8% 1,0% 0,0% Banabuiú 20,6% 10,0% 2,5% 0,0% 0,0% Sistema Metropolitano (Aracoiaba, Pacajús, Pacoti-Riachão e Gavião) 25,5% 13,8% 4,2% 1,7% 0,0%
Figura 41 - Histograma das severidades das falhas da operação do sistema Jaguaribe-Metropolitano com a regra de operação com Níveis Metas 2 para o sistema desagregado: (a) Castanhão; (b) Orós; (c) Banabuiú; (d) Aracoiaba; (e) Pacajús; (f) Pacoti-Riachão; (g) Gavião.
Fonte: Elaborado pelo autor
(g) (c) (f) (e) (d) (a) (b)
A pior falha ocorrida na operação do reservatório pode ser medida através da vulnerabilidade do período. Ela é calculada através do somatório das severidades ocorridas no período determinado. O reservatório Castanhão apresentou um período máximo de 166 meses (maio de 1950 a fevereiro de 1964) em que ocorreu alguma falha no atendimento de sua demanda. Nesse período, o reservatório deixou de atender um valor total de 2211 hm³, resultando em 13,3 hm³/mês (5,1 m³/s) em média. O reservatório Gavião apresentou uma vulnerabilidade máxima de 138,7 hm³ em um período de 40 meses, resultando em 3,5 m³/s de déficit médio neste período (maio de 1953 a agosto de 1956). Tabela 16 apresenta a maior vulnerabilidade e o período de tempo em que esta ocorreu para cada um dos reservatórios integrantes do sistema.
Tabela 16 - Vulnerabilidade máxima dos reservatórios do sistema Jaguaribe-Metropolitano, para a operação Nível Meta 2.
Máxima Período em que ocorreu Média do período
(hm³) (meses) (hm³/mês) (m³/s) Castanhão 2211,1 166,0 13,3 5,1 Orós 867,7 149,0 5,8 2,2 Banabuiú 439,2 123,0 3,6 1,4 Aracoiaba 6,3 40,0 0,2 0,1 Pacajús 6,9 40,0 0,2 0,1 Pacoti-Riachão 4,7 40,0 0,1 0,0 Gavião 138,7 40,0 3,5 1,3
Fonte: Elaborado pelo autor
Calculou-se a resiliência dos reservatórios para a regra de operação dada. Esta informação mede o tempo médio que o reservatório demora para retornar a um determinado nível após ir para um nível inferior. A Tabela 17 mostra a resiliência em meses dos reservatórios analisados em cada um dos níveis de seca. Nela é possível observar que o reservatório Gavião demora, aproximadamente, 8 meses em média para retornar o atendimento a sua demanda plena, quando este deixa em algum momento de atender. O reservatório Castanhão necessita de quase 40 meses para retornar ao estado Normal. Este fica, em média, 3,6 meses no estado de Seca Extrema antes de retornar ao estado de Seca Severa.
Tabela 17 - Tempo de resiliência (meses) dos reservatórios integrantes do sistema Jaguaribe- Metropolitano, para regra de operação Nível Meta 2
Normal Alerta Seca Seca
Severa Seca Extrema Sistema Jaguaribe 25,9 19,5 12,1 2,3 0,0 Castanhão 39,5 28,3 10,3 3,6 0,0 Orós 33,5 22,7 7,8 2,4 0,0 Banabuiú 17,9 20,2 3,0 0,0 0,0 Sistema Metropolitano (Aracoiaba, Pacajús, Pacoti-Riachão e Gavião) 7,7 4,3 2,3 1,3 0,0
Fonte: Elaborado pelo autor