Toda escola tem objetivos que deseja alcançar e metas a cumprir. O conjunto dessas aspirações, bem como os meios para concretizá-las, é o que dá forma e vida ao PPP.
As palavras que compõem o nome do documento dizem muito sobre ele: é projeto porque reúne propostas de ação concreta a executar durante
determinado período de tempo;
é político por considerar a escola como um espaço de formação de cidadãos conscientes, responsáveis e críticos, que atuarão individual e coletivamente na sociedade, modificando os rumos a seguir;
é pedagógico porque define e organiza as atividades e os projetos educativos necessários ao processo de ensino-aprendizagem
Ao juntar as três dimensões, o PPP se fortifica e representa aquele que indica a direção a seguir não apenas para gestores e professores, mas também funcionários, educandos e famílias.
O PPP é a expressão da cultura da escola com sua (re)criação e desenvolvimento, pois expressa crenças, valores, significados, modos de pensar e agir das pessoas que participam de sua elaboração. Segundo Libâneo (2004, p. 34): É o documento que detalha objetivos, diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola, expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar.
Assim, o projeto orienta a prática de produzir uma realidade. Para tanto, é preciso primeiro conhecer a realidade. Em seguida, reflete-se sobre ela, para só depois planejar as ações para a construção da realidade desejada. É imprescindível que, nessas ações, estejam contempladas as metodologias mais adequadas para atender às necessidades sociais e individuais dos educandos.
O PPP define-se no Planejamento da Escola:
O Planejamento da escola trata-se do que chamamos de Projeto Político – Pedagógico (ou projeto Educativo), sendo o plano integral da instituição. Compõe-se de Marco Referencial, Diagnóstico e Programação. Envolve tanto a dimensão pedagógica, quanto a comunitária e administrativa da escola (VASCONCELLOS, 2010, p. 95).
Esse plano precisa ser completo o suficiente para não deixar dúvidas e flexível o bastante para se adaptar às necessidades específicas encontradas no decorrer do desenvolvimento escolar. Assim destaca Padilha (2013, p. 45), o PPP se torna um documento vivo e eficiente na medida em que serve de parâmetro para discutir referências, experiências e ações de curto, médio e longo prazo.
Sendo ele a representação de opções, percepções e condutas específicas de uma comunidade escolar, sua construção deve envolver e articular todos os que participam dessa realidade: corpo docente, discente e comunidade. Segundo Vasconcellos(2010, p. 143):
É um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, só que de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. É uma metodologia de trabalho que possibilita re-significar a ação de todos os agentes da instituição.
Enfim, é um projeto orientador que particulariza a instituição, levando em consideração a realidade e elencando as peculiaridades a fim de designar-se com autonomia e significado no âmbito escolar.
Dada a dimensão e representação, este Planejamento necessita apresentar- se de forma aberta e verdadeira com os partícipes. Sua construção deve partir do princípio da representação da escola e da sua comunidade na totalidade, abordando aspectos culturais, sociais, físicos, entre outros que definam a cultura local e das pessoas que ali estão inseridas.
Cabe às instituições de ensino promover o espaço e a aproximação para que os profissionais e a comunidade escolar contribuam com as decisões escolares e promovam de forma saudável e significativa o desenvolvimento das atividades.
Quando não existe participação, pode ocorrer um processo de fragmentação dos diferentes “olhares” sobre a escola, ou seja, a escola vista e vivenciada pelos pais não necessariamente corresponde àquela analisada e vivenciada pelo professor, sendo que a “escola” do professor pode não corresponder à do diretor, que por sua vez pouco tem a ver com aquela ditada pela política educacional elaborada a partir dos órgãos centrais do sistema educacional.
A participação de todos os envolvidos no dia a dia da escola, nas decisões sobre os rumos, garante a produção de um Planejamento no qual estejam
contemplados os diferentes “olhares” da realidade escolar, possibilitando assim a criação de vínculos entre pais, educandos, professores, funcionários e especialistas.
A presença do debate democrático possibilita a produção de critérios coletivos na orientação do processo de Planejamento, que por sua vez incorpora significados comuns aos diferentes agentes educacionais, colaborando com a identificação desses com o trabalho desenvolvido na escola. Favorece a execução de ações por meio de compromissos construídos entre aqueles diretamente atingidos pelo Planejamento Educacional.
Nesse sentido, a participação deve ser entendida como um processo de aprendizagem que demanda espaços sociais específicos para concretização, tempo para que ideias sejam debatidas e analisadas, bem como, e principalmente, o esforço de todos aqueles preocupados com a formação do cidadão e de uma escola verdadeiramente democrática.
Para que a dinâmica escolar incorpore em sua totalidade, corresponda às reais intenções da escola e caminhe de acordo com princípios estabelecidos neste documento, faz-se indispensável que o trabalho pedagógico aconteça baseado em suas orientações, que não mais são pensadas a partir do Planejamento Educacional Nacional apresentado no subitem anterior, juntamente com outros fatores que compõem as especificidades do local.
Assim se delineia a organização escolar. Com Planejamentos que se contemplam e completam, cada qual com objetivos que visam abordar o processo educacional de forma a contemplar o educando em diversas esferas.
Desde já é possível notar a importância do Planejamento como instrumento organizador, articulador e agregador de experiências.
O que fica claro é que o PPP da escola, quando bem construído e administrado, pode ajudar de forma decisiva a alcançar os objetivos. Sua ausência, por outro lado, pode significar descaso com a escola, com os educandos, com a Educação em geral, o que, certamente, refletirá no desenvolvimento da sociedade em que a escola estiver inserida.