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O Núcleo Museológico do Mar, situado em Buarcos, Figueira da Foz, foi inaugurado a 29 de Maio de 2003, sob a dependência do Museu Municipal Santos Rocha, com o intuito de ser um testemunho vivo da ligação que sempre existiu das gentes da figueira com o mar. Este museu retrata então um património referente à história local e regional, permitindo refletir sobre às vivências das comunidades, ressalvando sempre a sua ligação ao Mar, e a importância que este elemento natural teve a nível social, económico e cultural. O museu apresenta assim as diversas actividades ligadas às artes da pesca, com o objetivo de mostrar aos seus visitantes, as vivências do passado e o contexto social em que o concelho da Figueira da Foz se desenvolveu e cresceu. Para a elaboração deste espaço museológico foi necessária a recolha de informações

junto da população local, através de diversos testemunhos documentais, que são reveladores das afinidades das populações com a realidade marítima, com as actividades que lhe estão intrinsecamente ligadas, com os recursos naturais e tradições socioculturais.

Figura 5 - Dóris "Souto Mayor" no Núcleo Museológico do Mar, Figueira da Foz

Fonte: Autora, 2012.

O museu compõe-se em três andares onde se encontram exposições sobre duas principais áreas: A actividade piscatória da Figueira da Foz e A pesca do Bacalhau e As Gentes do Mar. Estas exposições estabelecem uma relação com concelho da Figueira da Foz e com o mar. É desta forma que encontramos uma Sala das Artes da Pesca, com um espaço dedicado apenas à Pesca do Bacalhau; uma Sala dos Dóris, e também alguns exemplos de poleame, indústria que outrora prosperou na Figueira da Foz, assim como um pequeno núcleo extraído da colecção de conchas e corais do Museu Municipal da Figueira da Foz, e uma exposição onde se encontram alguns trajes típicos das zonas piscatórias figueirenses, da autoria da buarcosense Maria Jarra (1912-1997).

Na Sala das Artes da Pesca, a primeira sala de exposições, encontram-se conteúdos relativos às actividades dos homens e mulheres figueirenses, ligadas respectivamente, à pesca e venda de peixe, destacam-se também os materiais de interesse etnológico, como os modelos de embarcações, os apetrechos, os trajes e outros materiais que correspondem às diversas identidades da nossa linha de costa. Há entrada da sala podemos visualizar a reprodução de um

mapa de 1888, representando as diversas artes de pesca que se desenvolviam ao longo da costa portuguesa, tanto em alto mar, como costeira. No mesmo espaço, está também um mapa de algumas cidades e vilas piscatórias, desde Quiaios até Nazaré, locais esses onde a pesca em alto mar era semelhante à pesca de cerco e de arrasto e próximo da costa a que é feita pelos barcos de arte. Encontram-se também nas vitrinas modelos à escala de embarcações utilizadas nas mais variadas artes de pesca: a traineira, o arrastão (lateral e à ré), o barco de arte da Costa de Lavos e os botes e bateiras de Buarcos. Além destas artes, dá-se também destaque à mulher do pescador, pois ‘no mar mandavam os homens, em terra são elas que governam’ (expressão popular, que demonstra a importância que a mulher desempenha, não só na preparação e venda do pescado, como também na família, pois era ela que geria o dinheiro, a casa e a educação dos filhos).

Localizado noutro piso temos uma Sala dedicada à Pesca do Bacalhau, onde é possível recordar a Faina Maior (a pesca do bacalhau) e a sua importância como actividade que assumiu destaque no desenvolvimento económico e sociocultural do concelho. Nesta sala, encontram-se diversos objectos e equipamentos, relacionados com esta faina, tais como: a bitácula (peça que tinha no seu interior uma bússola), os mapas de marear, sextante, telégrafo; monóculo do Comandante, as bandeiras de sinais, foguetes de sinalização e outros utensílios indispensáveis para o comando e segurança de um grande navio. Neste piso, existe também uma Sala dos Dóris, com a exposição de três destas embarcações, os dóris, que pertenciam ao bacalhoeiro “Sotto-Maior”, juntamente com o material com que estas embarcações eram apetrechadas, como por exemplo: os remos, a vela, o trole (aparelho de pesca composto por cabos com diversos anzóis), o balde e a faca do isco, as nepas (que enfiadas nas mãos ajudam a puxar os mesmos cabos sem se ferirem), o balão que faz flutuar a linha do trole, o colete salva-vidas, o ancorete e a fateixa, ambos destinados a fundear o dóri, e o suste, material que fazia parte da indumentária do pescador. Na mesma sala encontram-se também exemplos de poleame, indústria desenvolvida na Figueira da Foz e que se dedicava à produção de todo o conjunto de coisas destinadas à passagem ou ao retorno de cabos.

Por fim, encontrou-se também neste núcleo museológico, aquando da visita, uma exposição temporária relacionada com as manifestações de fé, praticadas a rogo e louvor de protecção divina, assim como uma pequena parte da colecção de conchas e corais do Museu

Municipal da Figueira da Foz, e ainda uma exposição onde se encontram alguns trajes típicos das zonas piscatórias figueirenses, da autoria da buarcosense Maria Jarra (1912-1997).

Além de todos estes espaços, o Núcleo Museológico do Mar contém uma área dedicada apenas ao público-alvo infantil, visto que recebe muitas visitas anuais de diversas escolas do país, por isso, foi determinante a criação de um espaço dedicado especialmente para este público, por forma a instrui-los das memórias e histórias deste concelho marítimo, e da importância deste meio natural para a sociedade buarcosense.