ridicularizado também como carcereiro. A Lâmia era macho. Em sua peça homônima, Crates diz sobre ela que, "a que tem pau, peidou").229 78. que peida: contra aquele que o carrega. Ou, igualmente, sob o fardo do peso, peidou — o cacete é o pau.230
Nesse comentário, a lâmia é um Lâmio, ou seja, um homem, que vive de carregar lenha. O comentador, assim como Graham Anderson, tenta explicar a razão da
flatulência de Lâmio: diz que é por causa do peso do fardo de lenha.231 O nome Lâmio
não aparece em nenhum outro texto, somente nesses versos de Aristófanes, não está dicionarizado, e não encontramos outra discussão sobre ele além dessa do comentário acima.
Na peça Vespas, Aristófanes coloca um pai e um filho conversando sobre um jantar em que figurariam pessoas importantes da sociedade de Atenas. O filho se preocupa com qual tipo de conversação o pai seria capaz de manter em tal ocasião, e lhe pergunta o que ele diria aos convivas, ao que o pai responde prontamente:
Pai: — Tudo, muito!
Primeiro, por um lado, como a Lâmia, capturada, peidou; e depois, por outro, como o Cardópion, a mãe...232
Dessa maneira o pai, durante a conversa com seu filho, retoma a temática do fragmento de Crates da Lâmia 'peidorreira'.
228
Aristófanes, Ecclesiazusae 76-78: "ἔγωγέ τοι τὸ σκύταλον ἐξηνεγκάµην τὸ τοῦ Λαµίου τουτὶ καθεύδοντος λάθραι. :: τοῦτ᾽ ἐστ᾽ ἐκείνων τῶν σκύταλων ὧν πέρδεται". Texto grego retirado de Ussher, 1973 = TLG.
229 Escólio anônimo a Aristófanes, Ecclesiazusae 77: "Λαµίου: Λάµιός τις πένης καὶ ἀπὸ ξυλοφορίας
ζῶν (διὸ καὶ βακτηρίαν ἐξενέγκασα αὐτοῦ φησιν εἶναι. κωµῳδεῖται γὰρ καὶ ὡς δεσµοφύλαξ. ἀρσενικῶς δὲ Λαµίαν. ὑπὲρ ἧς ὁ Κράτης λέγει ἐν τῷ ὁµωνύµῳ δράµατι, ὅτι σκυτάλην ἔχουσα ἐπέρδετο)". Para verificar a discussão a respeito desse escólio cf. nesta tese, Aristófanes, pp. 86-87. Trecho grego retirado de Dübner, 1969 = TLG.
230
Escólio anônimo a Aristófanes, Ecclesiazusae 78: "ὧν πέρδεται: Ἀντὶ τοῦ ὧν φέρει. ἢ ἴσως ὑπὸ τοῦ βάρους ἐπέρδετο. – τὸ σκύταλον τὸ ῥόπαλον". Para verificar a discussão a respeito desse escólio cf. nesta tese, Aristófanes, pp. 86-87. Trecho grego retirado de Dübner, 1969 = TLG.
231 Cf. nesta tese Aristófanes, pp. 85-86, n. 274, onde discutimos as razões da flatulência de lâmia. 232
Aristófanes, Vespas 1176-1178: "πολλοὺς πάνυ. / πρῶτον µὲν ὡς ἡ Λάµι' ἁλοῦσ' ἐπέρδετο, / ἔπειτα δ' ὡς ὁ Καρδοπίων τὴν µητέρα...". Cf. nesta tese, Aristófanes, pp. 84-88. Trecho grego retirado de MacDowell, 1971 = TLG.
Os trechos de Hesíquio de Alexandria, Fócio e Agátias de Mirina vão ser apresentados juntos, em razão de sua similitude: todos datam do período Bizantino, (apesar do longo tempo de distanciamento entre eles no caso de Hesíquio e Fócio, em que há quatro séculos de distância), os dois primeiros são verbetes de dicionários, o terceiro cita o primeiro, e todos citam Aristófanes e Crates.
No trecho de Hesíquio, uma entrada lexical para a palavra lâmia, ele diz que "Aristófanes fala sobre uma mulher de dentes de lâmia que passava o tempo escornada na praça pública. E alguns dizem ainda que havia na praça pública uma
mulher peidorreira".233 Hesíquio cunha um adjetivo para essa passagem, λαµιώδους –
"dentes de lâmia", como visto anteriormente.234 O trecho citado de Fócio também é
uma entrada lexical dedicada a lâmia, e comenta que ela era uma "mulher que na Ágora da Atenas passava o tempo, portando um pau e resmungando. É também uma
fera".235 Nos parece muito provável que Fócio tenha acessado a obra de Hesíquio para
construir a sua. Do mesmo modo, Agátias de Mirina diz que "também desse modo Hesíquio: Aristófanes diz assim de uma mulher que ficava na praça pública. E alguns
dizem que a mulher peidorreira que ficava na praça pública era Lâmia".236
ἐπέρδετο: o verbo πέρδοµαι não tem outra acepção a não ser "to break wind" (soltar
gases), como coloca muito delicadamente o LSJ, que traduzimos pelo vulgar "peidar" por considerarmos mais adequado ao contexto.
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Fragmento 21
ἔπη τριπήχη Θετταλικῶς τετµηµένα
uma palavra de três cúbitos cortada à moda tessália
233 Hesíquio, Léxico, Λ 248.1: "Ἁριστοφάνης φησίν, ὡς τηκούσης ἐν τῆι ἀγορᾶι τινος λαµιώδους
γυναικὸς ἐνδιατριβούσης. τινὲς δὲ ἐν τῆι ἀγορᾶι περδοµένην γυναῖκα". Para informações a respeito desse trecho cf. a "Introdução" desta tese p. 23, n. 71. Trecho grego retirado de Latte, 1953 = TLG. 234 A discussão a respeito desse adjetivo pode ser lida na "Introdução" desta tese, pp. 23-24. 235
Fócio, Léxico, p. 206: "γυνὴ Ἀθήνησιν ἐν ἀγορᾶι διατρίβουσα, σκύταλον ἔχουσα καὶ ἀποψοφοῦσα. ἔστι δὲ καὶ θηρίον". Para informações mais detalhadas sobre esse trecho, cf. a Introdução desta tese, p. 26. Trecho grego retirado de Porson, 1822 = TLG.
236 Agátias Escolástico, escólio a Pausânias, Descrição da Grécia, I.1.3: "[...] καὶ οὕτω µὲν Ἡσύχιος,
Ἀριστοφάνης δέ φησιν...γυναικὸς ἐν τῇ ἀγορᾷ † ἑστηκούσης. τινὲς δὲ ἐν τῇ ἀγορᾷ περδοµένην γυναῖκα Λάµιαν εἶναι· [...]".Para a discussão sobre esse trecho, cf. nesta tese Pausânias, especialmente o escólio de Agátias de Mirina, pp. 207-208, n. 583 Trecho grego retirado de Spiro, 1894 = TLG.
Comentário:
Novamente, é através de comentários de outro autor, Ateneu de Náucrates, que conhecemos esse fragmento. Ele se refere ao costume que tinham os tessálios de cortar grandes pedaços de carne: "Porque Crates diz na Lâmia que todos os tessálios são caluniados como glutões: logo 'uma palavra de três cúbitos cortada à moda
tessália'. Ele fala, assim, como os tessálios eram cortadores de carnes grandes".237
Aristófanes, em sua peça Rãs 799, também usa esse costume dos tessálios para fazer Eurípides se referir ao peso da tragédia de Ésquilo, por causa das palavras enormes que usa. Nessa peça, uma disputa é estabelecida entre os dois para ver quem voltaria do Hades: "e trenas exibiremos e cúbitos de palavras / e medidas
compactas".238 Essa fala é de Eurípides, que pede para trazerem uma trena com que
ele possa medir as palavras de Ésquilo, para provar como são grandes e pesadas.
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Fragmento 22
ἡµίεκτόν ἐστι χρυσοῦ (µανθάνεις;) ὀκτὼ ὀβολοί a sexta parte é de ouro (entendes?) oito óbolos
Comentário:
É na obra do gramático Júlio Pólux que esse fragmento pode ser encontrado, na parte em que ele faz um estudo sobre numismática. Nessa parte da obra ele explica as divisões da Dracma grega: "Os oito óbolos poderiam ser chamados de hemiecton,
como diz Crates na sua Lâmia: 'um hemiecton é de ouro, (entendes?), oito óbolos'''.239
O vocábulo ἡµίεκτον designa a sexta parte de uma medida de milho, que era chamada
237
Cf. Ateneu, Os sofistas de jantar, 10.12.7-10: "ὅτι δὲ καὶ πάντες Θετταλοὶ ὡς πολυφάγοι διεβάλλοντο Κράτης φησὶν ἐν Λάµιαι: ἐπεὶ — τετµηµένα. τοῦτο δ᾽ εἶπεν ὡς τῶν Θετταλῶν µεγάλα κρέα τεµνόντων". Veja a discussão desse trecho mais à frente nesta tese, p. 224. Trecho grego retirado de Kaibel, 1965-1966 = TLG. Cf. ainda nossa dissertação de mestrado para um comentário mais abrangente: Mortoza, 2013, pp. 51-52.
238
Aristófanes, Rãs, 799: "καὶ κανόνας ἐξοίσουσι καὶ πήχεις ἐπῶν / καὶ πλαίσια ξύµπηκτα". Trecho grego retirado de Coulon & Van Daele, 1967 = TLG. Πῆχυς é o substantivo que os gregos usavam para nomear o antebraço, e também para indicar a medida que um antebraço tinha, que em português se conhece como côvado, e representa uma coluna de dez centímetros de altura (LSJ, 1996, p. 1402;
Houaiss, 2008, p. 883). Ele é determinado pelo substantivo ἔπος, no genitivo plural, e por isso indica
palavras grandes, que Eurípides afirma que vai medir, uma por uma, para provar como é pesada a tragédia de Ésquilo.
239
Júlio Pólux, Léxico, 9.61.3-9.63.4: "οἱ µέντοι ὀκτὼ ὀβολοὶ ἡµίεκτον ἂν ὀνοµάζοιντο, ὡς φησὶν ἐν Λαµίᾳ Κράτης 'ἡµίεκτόν ἐστι χρυσοῦ, µανθάνεις, ὀκτὼ ὀβολοί'". Para um comentário detalhado deste trecho da obra de Júlio Pólux, cf. nesta tese pp. 210-211. Trecho grego retirado de Bethe, 1967 = TLG.
µέδιµνος.240 O LSJ informa que o µέδιµνος equivaleria a algo em torno de 12 galões,
o que nos dá uma ideia de quantidade.241
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Fragmento 23
καὶ µάλιστ᾽ ἀφροδισίοις ἀθύρµασιν sobretudo para as brincadeiras de Afrodite
Comentário:
Esse fragmento está citado numa entrada do léxico de Fócio: "brincadeira de Afrodite. Crates, Lâmia: e — brincadeiras *** pois aquele é doce de fazer, mas não é bom de
ser falado".242 É um fragmento muito pequeno, e está sem contexto algum, aparte esse
comentário de Fócio, que diz que as delícias de Afrodite são melhores de serem feitas do que de serem comentadas.
ἄθυρµα: substantivo neutro cujo significado primeiro é "brinquedo", sendo "prazer,
encanto" uma das acepções possíveis.243 Optamos pela tradução "brincadeiras", numa
tentativa de adequar a tradução ao contexto de origem, uma comédia.
ἀφροδίσιος: adjetivo triforme que se refere "àquilo que pertence à deusa do amor".244
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Fragmento 24
ἀνδριστὶ µιµεῖσθαι φωνήν imitar a voz com virilidade
240 LSJ, 1996, p. 521 e 1089. 241
Um galão no Brasil equivale a 3,6L, um galão inglês equivale a 4,55L, e um galão americano equivale a 3,78L.
242 Fócio, Léxico, Α.3396: "ἀφροδίσιον ἄθυρµα. Κράτης Λαµίαι: καὶ — ἀθύρµασιν *** ἡδὺ γὰρ
κἀκεῖνο δρᾶν ἐστι, λέγεσθαι δὲ οὐ καλόν" – Cf. a "Introdução" desta tese, p. 28, nn. 88 e 89. Trecho grego retirado de Theodoridis, 1982.
243 LSJ, 1996, pp. 33-34. 244 LSJ, 1996, p. 293.
Comentário:
ἀνδριστὶ: advérbio formado a partir da raiz do substantivo ἀνήρ, que enfatiza o
universo masculino: "virilmente, como um homem", e que seria "com a voz de um
homem", nesse caso.245
É no Léxico de Fócio que está citado esse fragmento: "imitar a voz com
virilidade: como homem. Crates, Lâmia".246 Contudo, este fragmento também está
citado em um trecho escrito pelo gramático Frínico Arábio, e era parte integrante de sua obra Preparação sofística. O fragmento de Frínico é o que se encontra citado por Fócio em seu léxico, apesar de ele não fazer referência a essa citação. Sabemos que Fócio está citando Frínico porque aquele não só afirma ter lido a obra deste último,
como também faz um pequeno resumo comentado dela em sua Biblioteca.247
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Fragmento 25
ὁ µύθος ἀπώλετο o mito foi destruído
Comentário:
É um escólio ao Filebo de Platão que fornece esse fragmento: "foi destruído como o mito. Máxima 'o mito foi destruído': os contadores enganam com esse discurso qualquer um dos que não estejam prestando atenção. Fazem menção a ela Cratino, no
Fugitivos, e Crates, na Lâmia".248 O comentador faz referência a um trecho do diálogo
245 LSJ, 1996, p. 128. Em Aristófanes, Ecclesiazusae, 149, esse advérbio também aparece: "ἄγε νῦν
ὅπως ἀνδριστὶ καὶ καλῶς ἐρεῖς" – "muito bem! agora como homem e belamente falas". Trecho grego retirado de Dübner, 1969.
246
Fócio, Léxico, Α.1159: "ἀνδριστὶ µιµεῖσθαι φωνήν: ὡς ἀνήρ. Κράτης Λαµίαι". Cf. a "Introdução" desta tese, p. 28, n. 89. Trecho grego retirado de Theodoridis, 1982 = TLG.
247 Frínico, Preparacão sofística: "<ἀνδριστὶ µιµεῖσθαι φωνήν>: ὡς ἀνήρ. Κράτης Λαµίᾳ". Para um
pequeno comentário sobre a obra do historiador Frínico, cf. nesta mesma tese Frínico, p. 209. Trecho grego retirado de De Borries, 1911 = TLG. O editor da obra de Frínico, J. de Borries, indica que esse trecho específico constitui um fragmento descontextualizado, retirado da obra de Fócio, cuja referência por ele atribuída é 127.1 (1911, p. 159, fr. 213). A edição do Léxico de Fócio, obra em que o patriarca de Constantinopla cita esse fragmento de Crates, não faz reminiscência a Frínico, autor muito anterior a Fócio. Todavia, em sua obra Biblioteca, Fócio cita Frínico, e fornece um pequeno resumo de sua obra
Preparação sofística, em que tece comentários acerca tanto da obra quanto do autor. Cf. Fócio, Biblioteca, 158.100a.33-101b.31 (Henry, 1959-1977 = TLG).
248 Anônimo, escólio ao Filebo 14a: "ὥσπερ µῦθος ἀπολόµενος. παροιµία ὁ µῦθος ἀπώλετο. τούτῳ
χρῶνται τῷ λόγῳ οἱ λέγοντές τι πρὸς τοὺς µὴ προσέχοντας. µέµνηται δὲ αὐτῆς καὶ Κρατῖνος ἐν Δραπέτισι καὶ Κράτης Λαµείᾳ". O editor dá como existente a variação Λαµίᾳ para este fragmento. Trecho grego retirado de Greene, 1938 = TLG.
platônico em que Sócrates diz a Protarco:
— Então parece que, reunidas, as ciências são muitas, e algumas delas são diferentes umas das outras. E se, de alguma maneira, algumas acabem se tornando opostas, seria eu digno de dialogar agora sobre isso se, por medo disso mesmo, eu dissesse que nenhuma ciência é diferente de outra ciência, e dessa maneira a discussão, como o mito, fosse destruída, e nós mesmos nos salvássemos por causa dessa irracionalidade?249
O comentador do texto platônico explicita que a máxima "o mito foi destruído", usada pelos contadores de histórias para sustentar sua explicação racional do mito que acabaram de narrar, não passa de uma tática que usam para enganar a audiência e deixá-la feliz por se sentir inteligente. Mas que estão enganando-a, como fazem os mágicos e ilusionistas, e considerando-a irracional, como diz Sócrates no trecho acima citado. Seth Benardete afirma que o provérbio no Filebo "foi aplicado àqueles
que não estavam prestando atenção ao que está sendo falado".250
Desse modo, após ler tanto o trecho de Platão quanto o comentário a seu respeito, podemos perceber que a intenção do comentador do Filebo é mostrar que, na verdade, o mito não está perdido, nem esquecido, e nem destruído. Ele continua presente e atuante, exceto na mente daqueles que são bobos o bastante para se deixar enganar por ditos como esse.
249 Platão, Filebo 13e9-14a5: "{ΣΩ.} Πολλαί τε αἱ συνάπασαι ἐπιστῆµαι δόξουσιν εἶναι καὶ ἀνόµοιοί
τινες αὐτῶν ἀλλήλαις· εἰ δὲ καὶ ἐναντίαι πῃ γίγνονταί τινες, ἆρα ἄξιος ἂν εἴην τοῦ διαλέγεσθαι νῦν, εἰ φοβηθεὶς τοῦτο αὐτὸ µηδεµίαν ἀνόµοιον φαίην ἐπιστήµην ἐπιστήµῃ γίγνεσθαι, κἄπειθ' ἡµῖν οὕτως ὁ λόγος ὥσπερ µῦθος ἀπολόµενος οἴχοιτο, αὐτοὶ δὲ σῳζοίµεθα ἐπί τινος ἀλογίας;". Trecho grego retirado de Burnet, 1967 = TLG.
250 Benardete, 1993, p. 5: "The proverb 'the myth is lost and gone' has three different explanations in
the scholia on Plato. Here, it is said that it was applied to those who were not paying attention to what is being said; at Theetetus 164D, it is said to be applicable to those who do not bring their account into a limit (peras); and, at the end of the Republic (621B), Proclus has the explanation for Socrates' 'The myth was saved' that 'The myth is lost and gone' refers to the fact that myths are as unuttered as what they speak of does not exist" - "O provérbio 'o mito está perdido e esquecido' tem três explicações diferentes nos scholia de Platão. Aqui diz-se que foi aplicado àqueles que não estavam prestando atenção ao que está sendo falado; no Teeteto 164D, diz-se que é aplicável àqueles que não limitam sua conta (peras); e, no final da República (621B), Proclo, para a fala de Sócrates de que 'o mito foi salvo', explica que o dito 'o mito está perdido e esquecido' se refere ao fato de que os mitos se tornam impronunciáveis na medida em que seu assunto não existe". O significado do dito "o mito foi destruído" no restante da obra de Platão não acrescenta ao nosso tema, por isso nos restringimos a comentar apenas o comentário a essa fala de Sócrates do Filebo.
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