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Del II Gjeldende håndtering av over-

8.2 Utvalgets vurderinger av over-

Pesquisas sobre a personalidade e o pensamento criativo têm sido de interesse de alguns estudiosos na temática. Quanto às características criativas, dentre os mais destacados constam os estudos pioneiros(60-61) que destacaram a flexibilidade cognitiva, persistência e dedicação ao trabalho, pensamento independente, abertura às experiências, à ambiguidade e aos interesses não convencionais. Outro referencial importante(62) com diversos profissionais – inclusive mulheres mais criativas – identificou características como intuição, espontaneidade, tolerância à desordem e à complexidade, abertura aos impulsos e às fantasias, dotados de alto grau energético. O mesmo autor destacou ainda traços inerentes aos escritores e artistas, a saber: fantasia, originalidade, experiências místicas e inusitadas.

Sobre os aspectos influenciadores do pensamento criativo, existe uma concepção histórica sobre o pensar divergente e as suas particularidades: fluência, flexibilidade, originalidade, elaboração, redefinição e sensibilidade aos problemas – e outros detalhes associados às habilidades criativas como temperamento, interesses e atitudes(63-64). Outra investigação(65) apresentou dados referentes à criatividade; descobrindo no perfil criativo de crianças: ideias divergentes e inusitadas, humor e fantasia, preferência pela aprendizagem independente, busca de objetivo, divergência das normas vigentes quanto ao próprio gênero.

Dos estudos posteriores, no que tange à personalidade criativa, destacam-se três definições da concepção sistêmica(5): a pessoa brilhante sendo aquela que expressa pensamentos inusitados e estimulantes; a personalidade criativa referindo-se às pessoas de percepção tranquila e cheias de insight; e pessoas criativas as que mudaram a cultura com realizações notáveis, como Leonardo da Vinci, Tomas Edison, Picasso, Einstein. Tal concepção define a criatividade resultante de relações sistêmicas com três fatores: o domínio,

43 que são as regras simbólicas e procedimentos; a área, em que há decisão se a nova ideia será incluída no domínio e a pessoa. A criatividade surge quando a pessoa usa os símbolos de um domínio (música, engenharia e outras) e a sua ideia é reconhecida pela área. A criatividade é a interação triádica – domínio, área e pessoa – e fruto da oportunidade, perseverança, estar no lugar e na hora certa. O autor complementa que existem traços facilitadores no processo criativo referentes ao domínio como: predisposição genética; o interesse mediante curiosidade e interesse; e o acesso por meio de boas escolas e mentores – somando o acesso à área.

Quanto às características criativas, para o teórico acima citado(5), existe uma aura de complexidade nas pessoas criativas, categorizadas em dez dimensões da complexidade, a saber: 1) possuem grande energia psíquica e trabalham horas concentradas; 2) são simultaneamente inteligentes e simples; 3) combinam brincadeira e disciplina, responsabilidade e irresponsabilidade; 4) alternam imaginação e a fantasia; 5) apresentam traços simultâneos de introversão e extroversão; 6) apresentam traços opostos: humildes/arrogantes, ambiciosas/altruístas, competitivas/cooperadoras; 7) são agressivas e cuidadosas, sensíveis e rígidas, dominantes e submissas; 8) são rebeldes e independentes; 9) são passionais e objetivas nos trabalhos; 10) apresentam a liberdade e a sensibilidade, angústia e sofrimento seguidos de prazer e divertimento.

Este introito destaca a criatividade como fluxo, energia e onda revitalizadora que contribui para a pessoa desenvolver as suas potencialidades na dimensão da complexidade(4,5), necessitando de circunstâncias ideais para manifestar-se plenamente. A criatividade se expressa melhor em pessoas que apresentam atitudes, valores, interesses, motivações, traços personalísticos, complexidade e outros atributos favoráveis à expressão criativa.

1.3 A IMPORTÂNCIA DO CONTEXTO SOCIAL PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIATIVIDADE

1.3.1 Barreiras oriundas do contexto sociocultural que inibem a expressão criativa

Outro ponto importante a destacar são as barreiras à criatividade que inibem as expressões e habilidades criativas. Estudos na temática estão sendo desenvolvidos, sendo encontrados neste trabalho revisional da literatura(66-71).

Estes estudos desvelam que tais barreiras comprometem o processo criativo. As crenças e as pressões sociais provocam bloqueios ao comportamento exploratório. Destarte, o

44 contexto social pode representar papéis antagônicos: desenvolver ou reprimir a criatividade. Infelizmente, alguns pressupostos tradicionais ainda são cultivados na sociedade: “tudo precisa dar certo e ser perfeito..”. Estas regras idealizadoras prejudicam a performance criativa, apregoam limites e normatizações, impedem a pessoa de arriscar, experimentar, divergir e usar positivamente a imaginação, a intuição e o espírito brincalhão.

Dentre os fatores que mais bloqueiam o desenvolvimento e a expressão criativa citam- se: pressões sociais aos que divergem das normas instituídas com fiscalização, desencorajamento à diversidade e a originalidade; atitude negativa quanto ao arriscar-se, com isto, a socialização baseia-se no conforto e passividade de modo a evitar perdas ou fracassos; pensamento convergente segundo os ditames sociais; normas relacionadas ao papel sexual, ou seja, a sociedade sempre faz distinções quanto ao gênero: os homens são corajosos e independentes; e as mulheres são consideradas “frágeis”, dóceis e submissas(66).

Estudos categorizaram as barreiras que limitam a expressão criativa, dentre estas: barreiras pessoais, perceptuais, culturais e emocionais, ambientais, intelectuais e expressivas; barreiras internas e externas; barreiras estratégicas, valorativas e relativas a autoimagem(66-73).

As barreiras pessoais tratam dos elementos internos que limitam a criatividade, sendo as principais características: insegurança, desmotivação, medo, visão convergente, timidez e outras. Enquanto que as barreiras sociais referem aos elementos culturais, institucionais, grupais, ideológicos, presentes no cenário do indivíduo e limitantes à sua expressão criativa como autoritarismo, desestímulo à criatividade, incompreensão pelos pares, dentre outros.

Resultados de pesquisa(68) desvelaram que os profissionais brasileiros e portugueses citaram com maior frequência as barreiras pessoais, enquanto que os cubanos as barreiras sociais. Categorizam-se como barreiras pessoais: medo, dificuldade de ver os distintos lados do problema, complexo de inferioridade e falta de coragem de arriscar. Os respondentes apresentaram as seguintes barreiras de ordem social: falta de oportunidades para explorar o potencial imaginário, falta de tempo, desestímulos dos professores e do ambiente na infância.

Outro estudo(70) foidesenvolvido com uma amostra de 544 professores brasileiros que atuavam do ensino fundamental ao ensino superior. Utilizou-se o Inventário de Barreiras à Criatividade Pessoal, que contém 66 itens relativos a quatro modalidades de barreiras: Inibição/Timidez, Falta de Tempo/Oportunidade, Repressão Social e Falta de Motivação. As informações advindas dos resultados foram: Falta de Tempo/Oportunidade referida como

45 barreira à expressão criativa; Repressão Social pouco mencionada comparativamente às barreiras agrupadas nas demais modalidades; diferenças significativas foram observadas entre docentes do sexo feminino e masculino atinente à Repressão Social, e entre docentes de diferentes níveis de ensino na modalidade Inibição/Timidez e Repressão Social.

No que tange à questão barreiras no processo criativo, um estudo similar(71) utilizou também o Inventário de Barreiras à Criatividade Pessoal. Todavia, formaram-se dois grupos amostrais reunindo estudantes universitários, sendo 385 brasileiros e 305 mexicanos. Similarmente ao estudo com professores(70), os estudantes também indicaram Falta de Tempo/Oportunidade como barreira mais significativa à expressão criativa. Observaram-se diferenças significativas entre estudantes brasileiros e mexicanos na modalidade Falta de Motivação e entre estudantes do sexo feminino e masculino na modalidade Inibição/Timidez. Os resultados apontaram que várias barreiras são comuns entre estudantes universitários.

Nota-se que algumas barreiras – medo de errar, correr riscos, expor ideias e inibição/timidez – são frutos gerados pela educação repressora. Ou seja, comportamentos parentais – de professores, pares e outros agentes socializadores – ameaçam e reprimem a

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