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4 Metodologisk tilnærming og datagrunnlag

4.1 Utvalget

A Conferência Internacional sobre Princípios de Catalogação realizada em Paris (1961), daí ser conhecida como Conferência de Paris, teve a participação de representantes e delegações de 53 países e de 12 organismos internacionais. Foi o primeiro evento mais significativo de Catalogação que, dentre outras coisas, tinha como objetivo “[...] chegar a um acordo sobre os princípios fundamentais relativos à escolha e à forma do cabeçalho no catá- logo de autores e de títulos.” (FRÍAS MONTOYA, 1995, p. 300, tradução nossa).

O ponto alto do evento foi a aprovação da “Declaração dos Princípios da Catalo- gação”, que deveria ser a base normativa de catalogação colaborativa em nível internacional (ESTIVILL RIUS, 2012). Tal Declaração apontava para uma mudança importante, segundo Linares: terminava “[...] uma era marcada por minuciosidades, por detalhismo, por precio- sismo exagerado que chegou a fazer dos catálogos verdadeiros enigmas que se esqueciam do usuário por completo que é, por fim, o destinatário final” (apud FRÍAS MONTOYA, 1995, p. 303, tradução nossa).

Da “Declaração dos Princípios da Catalogação”, destacamos a parte relativa às funções que o catálogo da biblioteca deve desempenhar. O catálogo deve ser um instru- mento eficiente para informar: 1) se a biblioteca possui um determinado livro especificado por autor e por título ou, se inadequados, por um substituto; 2) as obras de determinado autor e as edições de uma determinada obra existentes na biblioteca (INTERNATIONAL CONFERENCE ON CATALOGUING PRINCIPLES, 1963, p. 91-92). Boa parte das discus- sões sobre o catálogo girou em torno dessas funções: a primeira função se refere a unida- des bibliográficas; a segunda, a unidades literárias.

as discussões da Conferência de Paris (1961). A contribuição de Lubetzky foi reconhecida especialmente pelo fato de que ela era fundamentada em princípios teóricos que simplifica- vam os objetivos propostos por Cutter.

Por sua parte, Verona se apoiou nos estudos da unidade literária e da unidade bibliográfica em códigos de catalogação europeus e na defesa de que o usuário se interessa majoritariamente pelo livro, ou seja, pela unidade bibliográfica.

Em geral, as duas funções foram aceitas entre os catalogadores. Lubetzky, Verona e Leonard Jolley, outro protagonista do debate que intermediava as posições dos dois primeiros, convergiram para a ideia de que o objeto de interesse na busca em catálogos de bibliotecas envolve não somente o livro específico, mas a obra que é represen- tada por ele (WILSON, 1989, p. 7-8). No entanto, houve divergência sobre a ênfase e a prioridade que se dá à efetivação das funções. Lubetzky, inspirado nos estudos de Panizzi, sustentou que os dois objetivos do produto da catalogação, como mencionamos anterior- mente, são: primeiro, “permitir que o usuário [...] determine facilmente se a biblioteca tem ou não o livro que quer”; e segundo, “revelar que obras a biblioteca tem de determinado autor e que edições ou traduções de determinada obra” (LUBETZKY, 2001, p. 113, tradução nossa). Verona considera que o catálogo deve atender, em primeiro lugar, às necessidades da maioria dos usuários e acredita que essa maioria está interessada em encontrar um item em particular, que muitas vezes será uma publicação recente. Lubetzky atém-se muito mais a princípios e à necessidade de normalização enquanto que Verona se preocupa mais com a conveniência do usuário e a rapidez da informação. (FIUZA, 1980, p. 16). A divergência entre eles seguiu-se na determinação do objetivo primário a ser contemplado nas entradas principais do catálogo. Verona argumentou que o número de usuários de bibliotecas que buscam livros é superior aos que buscam obras, então, as entra- das principais devem ser orientadas à localização de livros e a obra deve ser identificada em entradas secundárias (O’NEILL; VISINE-GOETZ, 1989, p. 167-168).

Antes de prosseguir, é necessário abrir um parêntesis para esclarecer algumas definições pertinentes à discussão de Lubetzky e Verona. Até a década de 1960, o termo inglês entry (entrada) correspondia a cada uma das fichas do catálogo, ou ao que hoje se denomina por registro bibliográfico. No contexto da Conferência, entrada refere-se a uma das fichas de que o catálogo é composto, e ela pode ser principal ou secundária. Ambas incorporam informação necessária à identificação e à representação de um livro, mas a segunda apresenta menos informação bibliográfica do que a primeira (INTERNATIONAL CONFERENCE ON CATALOGUING PRINCIPLES, 1963, p. 115). Outras definições são:

- cabeçalho, um ou mais termos que aparecem no início da entrada, os quais são destacados tipograficamente do resto da entrada de modo a determinar o lugar da entrada no catálogo; e

- subcabeçalho, um ou mais termos que sucedem ao cabeçalho delimi- tando as entradas a que se refere.

Retomando a discussão de Verona e Lubetzky, há que se considerar dois méto- dos para a entrada de catálogos: no método A, a entrada principal é estabelecida a partir do nome do autor ou do título conforme constante na página de rosto da unidade bibliográfica, sendo que, em contraste, a unidade literária é reunida por entradas secundárias. No método B, inverso ao método A, a entrada principal da unidade literária é estabelecida por meio de cabeçalho uniforme que considera títulos originais ou uniformes e a unidade bibliográfica é estabelecida em entradas secundárias.

Embora os métodos sejam incompatíveis, um deles deve ser aplicado de modo consistente. Segundo Verona, “[...] somente um catálogo que permita uma localização simples e rápida da maioria das consultas poderá ser considerado um instrumento eficiente.” (apud FIUZA, 1980, p. 12). Verona considerava que a entrada sob cabeçalho uniforme, seria mais adequado para obras antigas e célebres, enquanto que a entrada principal sob cabeçalho de autor ou de título do livro seria adequada a obras mais recentes. Verona “[...] adverte, porém, que os três objetivos do catálogo são muito importantes para que ele seja funcional e eficaz. A escolha dos métodos vai determinar somente a prioridade de atendi- mento e não advoga a negligência de nenhum dos objetivos.” (apud FIUZA, 1980, p. 13).

A declaração de Verona insinua que o catálogo tem desempenho determinado por situações eventuais ou por tipo de publicação e, por isso, entendemos que a proposta de Lubetzky (2001) é mais racional e consistente porque se apoia fundamentalmente em considerar a obra como critério primário não determinado por fator circunstancial. Além dis- so, prossegue Lubetzky, o método A, unidade bibliográfica, sobrecarrega o produto da cata- logação com muitas informações que prejudicam e confundem a compreensão dos usuários (apud O’NEILL; VISINE-GOETZ, 1989, p. 168).

Assim, as posições contrárias de Lubetzky e de Verona, ressaltamos, foram centralizadas na função que a entrada principal deveria desempenhar nos objetivos do catálogo, ou seja, “a posição de Verona é que a entrada principal deveria ser usada para identificar unidades bibliográficas. Para Lubetzky, ela deveria ser usada para reunir unidades literárias [obra].” (CARPENTER; SVENONIUS, 1985, p. 152, tradução nossa).

As ideias de Verona prevaleceram, identificar primariamente unidades bibliográfi- cas, sobre as de Lubetzky, e foram consideradas nas ações que se seguiram à Conferência,

e embora ambas fossem reconhecidas no processo de catalogação, a aplicação das fun- ções mostrou-se desigual.

Wilson (1989) analisa o segundo objetivo, identificar unidades literárias, e verifica que ele não foi cumprido em sua totalidade porque o primeiro objetivo serviu apenas como uma espécie de triagem para o segundo objetivo, determinando quais obras deveriam ser catalogadas.

Tal situação pode ser compreendida em obras publicadas em dois ou mais volumes documentais, pois, o segundo objetivo, representar obra, unidade literária, era considerado para manter a integridade da obra no processo de catalogação (WILSON, 1989, p. 8). Desse modo, o segundo objetivo restringiu-se a mostrar o relacionamento entre livros com páginas de rosto distintas, mas que continham a mesma obra (WILSON, 1989, p. 8). Nessa perspetiva, uma publicação em vários volumes refere-se à mesma obra.

Na segunda direção em favor do primeiro objetivo, representar unidade bibliográ- fica, o registro bibliográfico está estruturado em função do livro e não da obra: “[...] podemos descrevê-lo [o livro] como um aspecto de uma obra específica, mas o fato básico é que ainda estamos descrevendo um livro, um seriado específico ou outra unidade de publicação” (WILSON, 1989, p. 9, tradução nossa).

Em termos de editoração, não há regras que imponham a necessidade de publi- car uma obra dentro de um único documento. Há obra publicada em dois ou mais documen- tos e em sentido inverso, há obras publicadas dentro de um documento. No entanto, a cata- logação foi influenciada pelas configurações do documento como produto, pois o processo, notadamente após a Conferência de Paris em 1961, voltou-se de modo primário para a representação do documento como produto e de modo secundário às obras nele contidas (WILSON, 1989, p. 8). Há exceções dignas de consideração, mas em geral, obras agrupa- das e publicadas em documento único simplesmente não contam nem são catalogadas. Se levarmos a sério a identificação de obras, então, é necessário repensar a prática de catalo- gação, de modo a abranger as obras em qualquer documento.

Em Catalogação, a obra não é ‘menor’ quando publicada entre os artigos de um jornal ou em forma de capítulo de livro com outras obras, tampouco “[...] se torna de repente em obra por ser reimpressa separadamente” (WILSON, 1989, p. 8, tradução nossa). Enten- demos que isso explicita uma questão que merece reflexão sobre o que se faz em catalogação: por que consideramos a obra no conjunto documental e desconsideramo-la quando é parte de documento?

tecnológica que provocam desequilíbrio entre as duas funções, prossegue Wilson: “o domí- nio prático do primeiro objetivo, junto com a limitação tecnológica do catálogo em ficha, nos impediu de considerar a forma adequada do registro para um sistema bibliográfico em que o segundo objetivo teria a prioridade.” (1989, p. 9-10, tradução nossa).

Por isso, em parte, tais razões contribuíram para a permanência da indistinção entre a unidade bibliográfica e a unidade literária no processo de catalogação. No entanto, se levarmos em consideração o segundo objetivo, salientado e fundamentado por Lubetzky, há também que se considerar a indistinção obra-livro em registro bibliográfico de uma forma mais consistente, pois os recentes avanços tecnológicos podem viabilizar a fundamentação do processo.

4.5 A OBRA EM MODELOS E EM INSTRUMENTOS NORMATIVOS DA CATALO-