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5.1 Metodediskusjon

5.1.2 Utvalg

No período entre 1961-1964 governou os Estados Unidos John Fitzgerald Kennedy, cuja linha para a política externa era “Aliança para o progresso”, uma política contra a insurgência, de combate à subversão. Porém, na América Latina, foco desta política, aconteceu a Revolução Cubana entre 1959 e 1961, com a derrota dos Estados Unidos neste país em 1961 e a vitória da revolução. No Brasil a crise ficaria por conta da posse do presidente João Belchior Goulart. Com a morte de Kennedy em 1963, assumiu a presidência americana Lyndon Baines Johnson, no período de 1963-1969, cuja marca de política externa seria o estímulo e apoio aos regimes militares na América Latina, sob o lema “desenvolvimento e segurança”. Neste período, apesar das contestações da sociedade civil e de políticos, o Brasil sofreu o golpe militar de 1964, apoiado pela Central Intelligence Agency (CIA) e pelo Federal Bureau of Investigation (FBI), ou seja, pelo governo norte-americano.298

O presidente Kennedy tinha como um grande desafio do seu governo que a influência de Fidel Castro não se alastrasse para os demais países da América Latina; tinha preocupações com a recuperação econômica e fazia discursos sobre isso quando tratava do continente americano, sempre propondo ajuda financeira de instituições americanas para os países da América Latina. Assim, Kenedy agiu em duas frentes, a interna e externa, pregando a defesa do hemisfério Oeste para a defesa externa. Dessa forma, surgiram os “boinas verdes” e as “escolas militares”, que atuavam no Panamá, para treinamentos de combate à guerrilha, bem como treinamentos de técnicas de torturas para militares da América Latina, a serem utilizadas contra os considerados “subversivos”.

O presidente Johnson (1963-1969), com a sua política de “desenvolvimento e segurança”, implantou dois programas em El Salvador – um de alimentos para a paz e outro de “assistência militar” – para evitar que os famintos deste país formassem grupos e

298 Ver mais sobre política externa em CONNEIL SMITH, Gordon. Los Estados Unidos y la América Latina.

México: Fondo de Cultura EcoNômica, 1977; SCHOULTZ, Lars. Estados Unidos: poder e submissão uma história da política norte-americana em relação à América Latina. São Paulo: Edusc, 2000. VIZENTINI, Paulo G. F. Relações internacionais e desenvolvimento: o nacionalismo e a política externa independente 1951-1964. Petrópolis: Vozes. 1995; CERVO, Amado Luiz; BUENO, Clodoaldo. História da política exterior do Brasil. São Paulo: Ática. [s.d.]

exigissem terra e alimentos e combater as guerrilhas locais inspiradas em Cuba. Johnson apoiou a Guerra do Vietnã e contribuiu com uma política externa que acabaria com as democracias da América Latina nos governos que o sucederam.

No Brasil, no período em questão, com a renúncia de Jânio Quadros e a posse de João Goulart, após várias tentativas de consolidação do governo Goulart, a Política Externa Independente (PEI) teve à frente San Thiago Dantas, que ainda em 1962 analisava a PEI como uma estratégia não iniciada por ele, mas a ser continuada por seu sucessor: “A política exterior independente, que encontrei iniciada no Itamarati, e procurei desenvolver e sistematizar, não foi concebida como doutrina ou projetada como plano antes de ser vertida para a realidade”.299 Conforme Dantas, a PEI deveria orientar-se pelos princípios do desenvolvimento econômico e da integração social. Dantas escrevia justificando-a:

Na origem de cada atitude, na fixação de cada linha de conduta, estava presente uma constante: a consideração exclusiva do interesse do Brasil, visto como um país que aspira ao desenvolvimento e à emancipação econômica e à conciliação histórica entre o regime democrático representativo e uma reforma social capaz de suprir a opressão da classe trabalhadora [...].300

A PEI coordenada por Dantas despertou resistência, como vimos no capítulo anterior, presente nos discursos de Leonel Brizola e Paulo Schilling, ao mesmo tempo em que percebemos o combate ao imperialismo e a defesa do nacionalismo brasileiro que nortearam as estratégias do brizolismo. Sobre esses obstáculos à atuação de Dantas e à PEI, ele menciona:“Era natural que se levantassem contra essa posição a incompreensão de alguns, os interesses contrariados de muitos, e o zelo exagerado daqueles que temem, nessas circunstâncias, desgostar amigos poderosos, em geral mais compreensivos do que eles diante das posições brasileiras”.301

Para Dantas, os pontos que orientariam e deveriam continuar guiando a ação da PEI do Brasil eram:

299 DANTAS, San Tiago. Política Externa Independente. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. p. 5, 1962. 300 Idem.

a) contribuição à preservação da paz, através da coexistência e do apoio ao desarmamento geral e progressivo; b) reafirmação e fortalecimento dos princípios de não intervenção e autodeterminação dos povos; c) Ampliação do mercado externo brasileiro mediante o desarmamento tarifário da América Latina e a intensificação das relações comerciais com todos os países, inclusive os socialistas; d) apoio à emancipação dos territórios não autônomos, seja qual for à forma jurídica utilizada para a sua sujeição à metrópole. Acredito que a esses quatro pontos se deva acrescentar um quinto, que não chegou a alcançar expressão plena nos meses de minha gestão...Refiro-me à Política de autoformulação dos planos de desenvolvi- mento econômico e de prestação e aceitação de ajuda internacional.302

No período de formulação e prática da PEI, muitos fatores indicavam novas tendências, mas, ao mesmo tempo, foram geradores de tensões, as quais se apresentavam nos cenários interno e externo. Nesse contexto, a PEI provocou rupturas e criou oportunidades de inserção. Quanto às rupturas, ocorreram um esgotamento do modelo de desenvolvimento econômico; radicalização do debate político; pragmatismo na questão comercial; uma crítica ao assistencialismo via Alpro; ameaça ideológica cubana; multilateralização e liberdade de ação diplomática e um modelo de potência intermediária tendo o Brasil à frente.

Quanto à inserção do Brasil na comunidade internacional, houve uma busca de integração regional e de um espaço comercial mais amplo; desarmamento, inspeção e reconversão; multilateralização via Organização das Nações Unidas; coexistência pacífica; não-intervenção e autodeterminação e reivindicação de liderança política. A utilização da PEI como instrumento ideológico merece a observação de três vetores de sua ação: o primeiro é o plano interno, com sua utilização junto à opinião pública nacional, não só justificando as ações do governo como também mobilizando a população pela evidenciação das ações do governo populista; o segundo plano foi o estabelecimento de relações do Brasil com países menos desenvolvidos, recém-independentes ou ainda lutando por tal status; o terceiro plano estabelecia as relações do Brasil com potências hegemônicas, aspecto em que a PEI não expressava nem apoiava a dominação, apenas seria uma versão incipiente de uma forma mais crítica, tantando mostrar que a política externa brasileira era desprovida de caráter ideológico.

No entanto, o jornal Panfleto não pouparia em suas análises críticas à ação imperialista norte-americana, tanto em países da América Latina como em diversos países onde a ação americana ocorria para destruição e controle da política, da economia e da soberania interna. Assim, Leonel Brizola e os demais colunistas do Panfleto, mesmo entendendo a proposta de uma PEI303 independente e apoiando-a, criticavam Dantas por questões políticas internas,

302 DANTAS, San Tiago. Política Externa Independente. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. p. 6, 1962. 303 Ver VIZENTINI, Paulo G. F. Relações internacionais e desenvolvimento: o nacionalismo e a política externa

como a tentativa de articulação da Frente de Mobilização Popular, bem como as ações imperialistas que contrariavam o nacionalismo.