Este estudo pretendeu contribuir para uma melhor compreensão da dinâmica dos factores
explicativos que estiveram na origem do crescimento verificado nas emissões de CO2,na
economia portuguesa e espanhola, nos últimos 30 anos (1975-2005). Através de uma análise de decomposição baseada em índices Divisia, o seu principal objectivo consistiu na identificação da tendência de aproximação ou de divergência existente nestas economias, entre o comportamento dos sectores produtivos, traduzido nos diversos efeitos explicativos (intensidade carbónica, intensidade energética, efeito estrutura e actividade) e os aumentos conferidos no efeito total. Deste modo, foi possível estabelecer uma relação entre o contexto histórico envolvente às dinâmicas sectoriais, quer político, quer económico e a sua influência nos crescimentos verificados nas emissões deste gás. Este tipo de análise, de comparação simultânea entre aspectos económicos e ambientais, permitiu assim aferir se na economia portuguesa e na economia espanhola, terão sido as opções políticas tomadas ou então as dinâmicas existentes no comportamento dos sectores produtivos, as principais razões para
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um crescimento tão pronunciado nas emissões deste gás, nestes países, ao longo de todo o período observado.
As conclusões que apresentamos em face dos resultados obtidos são bastante importantes, na medida que ao permitirem verificar a relação existente entre as dinâmicas históricas das actividades económicas e as suas implicações para os aumentos deste GEE, as mesmas poderão ser objecto de reflexão para a elaboração de futuras medidas de política, que por um lado cumpram com os desígnios do desenvolvimento sectorial, da competitividade e do emprego, mas que atentem também às obrigações internacionais de redução das emissões
de CO2 que, como sabemos, é um dos principais responsáveis pelas alterações climáticas e
pelo agravamento da tendência de aquecimento evidenciada pelo sistema climático global. De acordo com os resultados apresentados no capítulo anterior, podemos concluir que um dos principais pontos de convergência existentes entre a economia portuguesa e espanhola esteve relacionado com o contributo significativo (de sinal positivo) que demonstrou o efeito actividade nos aumentos observados no efeito total, desde 1975 até 2005 (figuras 5.13 e 5.14). Vimos que o efeito actividade mede neste estudo a variação que as emissões totais teriam tido no caso de cada sector aumentar à taxa média de crescimento do conjunto dos sectores produtivos ou seja do VAB total. Estabelecendo-se esta relação, confirmamos que terá sido em grande parte a tendência de desenvolvimento das actividades económicas, registada ao longo de todo o período em análise, o principal factor explicativo dos aumentos
verificados nas emissões sectoriais de CO2 para ambas as economias (facto que tínhamos
referido na revisão teórica, existindo agora a sua confirmação empírica).
Numa análise mais detalhada da evolução deste efeito para ambas as economias, podemos aferir que o efeito actividade teve um maior contributo para o crescimento do efeito total na economia portuguesa, sobretudo nas duas primeiras décadas deste estudo, enquanto que na economia espanhola, esta tendência é mais pronunciada nas últimas duas décadas da nossa análise (ver figuras anteriores). Em termos de contexto histórico, a explicação mais plausível para esta afectação esteve provavelmente relacionada com o impacto mais severo e prolongado do choque petrolífero de 1973-1974 na economia espanhola, que associado à crise económica que se lhe seguiu, terá afectado de forma mais pronunciada os sectores produtivos em Espanha, traduzindo-se deste modo num comportamento menos activo do efeito actividade nos crescimentos das emissões totais desta economia, entre 1975 e 1985. Nas restantes etapas analisadas (1986-1995, 1996-2005), possivelmente em resultado de uma maior abertura comercial proporcionada pela adesão destes dois países à Comunidade Económica Europeia, assiste-se à forte expansão dos sectores produtivos e por conseguinte também do efeito actividade, que no entanto é mais acentuada em Espanha do que em Portugal, sobretudo na última década deste estudo (figuras 5.17 a 5.20).
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Em relação aos principais pontos de divergência entre a economia portuguesa e a economia espanhola, desde 1975 até 2005, destacam-se as diferenças encontradas no contributo dos restantes factores explicativos para os aumentos observados no efeito total. De acordo com os resultados apresentados, concluímos pela consulta das figuras 5.13 e 5.14, que o efeito explicativo que considerámos mais importante nesta análise, isto é, aquele que mais terá contribuído para contrariar o aumento do efeito actividade não é idêntico nestas economias, resultado que consideramos ser inovador em abordagens comparativas deste género. Em face desta afectação, podemos afirmar que no caso português, foi sobretudo a contribuição negativa do efeito estrutura (i.e. das transformações estruturais que ocorreram na economia portuguesa neste período), o principal factor explicativo que terá evitado um aumento ainda maior do efeito total e assim das emissões sectoriais de CO2, situação que é distinta do caso
espanhol. Em Espanha, podemos aferir em face dos resultados apresentados, que terá sido fundamentalmente o contributo negativo do efeito intensidade carbónica (i.e. a existência de uma aparente tendência de descarbonização dos sectores produtivos), o factor explicativo que mais contribuiu para contrariar o aumento do efeito actividade, dado pelo crescimento da economia espanhola desde 1975 até 2005.
Numa análise mais detalhada destes aspectos para ambas as economias, constata-se que o efeito estrutura teve um contributo mais destacado face aos incrementos do efeito actividade na economia portuguesa, que foi mais evidente nas últimas décadas deste estudo, enquanto que o efeito intensidade carbónica foi particularmente activo na redução das emissões totais da economia espanhola, nas primeiras décadas da nossa análise (ver figuras 5.13 e 5.14). No caso português, de acordo com os resultados obtidos, este facto estará relacionado com uma perda de peso, na estrutura económica, de sectores que são tradicionalmente bastante
emissores de CO2, como por exemplo, da agricultura, das químicas e das petroquímicas ou
também do sector dos minerais não metálicos, que como sabemos foi mais acentuada após a adesão do nosso país às Comunidades Europeias em 1986 (ver este aspecto nas figuras 5.17 e 5.19). Contrariamente, verificamos que para o caso espanhol, terá sido sobretudo a influência do efeito intensidade carbónica, particularmente na segunda década deste estudo, o factor explicativo que teve um contributo mais destacado face aos incrementos do efeito actividade. Pensamos que este facto talvez esteja relacionado com as consequências do período de reconversão industrial que afectou a economia espanhola entre 1983-1985, que acompanhado de uma aposta do governo espanhol na energia nuclear nesta década, terá
levado a uma diminuição das emissões de CO2 nos consumos de energia ao nível sectorial,
mais evidente de acordo com a análise de decomposição, entre 1986 e 1995, nos sectores das químicas e das petroquímicas, dos minerais não metálicos e nas outras indústrias não especificadas (ver este aspecto na figura 5.18).
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Em face dos pontos apresentados, aferimos que o principal responsável pelos aumentos
verificados no efeito total de ambas as economias, e portanto das emissões totais de CO2
com origem nos sectores produtivos, foi o efeito actividade. Contudo, o factor explicativo que mais terá contribuído para contrariar a influência deste efeito não é idêntico para ambas as economias, destacando-se no caso português o efeito estrutura e no caso espanhol o efeito intensidade carbónica. Estabelecendo-se esta relação, considerando que o aumento das actividades económicas tem per si uma influência decisiva e semelhante, em termos médios no período (1975-2005), no incremento das emissões deste gás, concluímos que terá sido o comportamento dos restantes factores explicativos (de divergência), a principal explicação para grande parte das diferenças que observamos em termos de variação de efeito total. Assim, na ausência de uma preocupação clara de uma melhoria da eficiência energética por parte dos sectores produtivos, em termos médios para este período, que é mais presente em Portugal do que Espanha, associado ao facto de não existir igualmente uma verdadeira tendência de descarbonização da economia portuguesa desde 1975 até 2005, terão sido apenas as transformações estruturais da economia portuguesa o único factor explicativo que terá contrabalançado a tendência de forte incremento das actividades económicas, facto que denota uma especial divergência com a economia espanhola, e que justifica, de acordo com os cálculos efectuados, o crescimento das emissões carbónicas mais pronunciado no nosso país nos últimos 30 anos em estudo.