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6. CONCLUSION

6.3. F UTURE W ORK

As cartas geomorfológicas foram construídas a partir da interpretação de fotografias aéreas referentes aos cenários de 1962, 1972, 1988, 1995 e ortofotos do cenário de 2010.

Os pares estereoscópicos de fotografias aéreas utilizados na fotointerpretação dos cenários de 1962 e 1972 com escala aproximada 1:25.000 foram disponibilizados pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC). O cenário de 1988 foi registrado pelo TerraFoto S/A e possui escala aproximada de 1:40.000. O cenário de 1995 na escala aproximada de 1:25.000 foi concedido pela Base Aerofotogrametria. Essas fotos foram obtidas a partir do acervo do Departamento de Planejamento Territorial e Geoprocessamento (UNESP – Rio Claro), com exceção da fotografia Faixa 06 Foto 007 pertencente ao cenário de 1995, adquirida através da empresa Base Aerofotogrametria.

A fotointerpretação do cenário de 2010 foi feita a partir de ortofotos disponibilizadas pela Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S/A (EMPLASA) na escala 1:1.000. Tais imagens foram previamente ortorretificadas pela empresa, conforme o MDS (Modelo Digital de Superfície), buscando maior exatidão planialtimétrica.

As simbologias propostas por Tricart (1965) e Verstappen e Zuidam (1975) atenderam parcialmente às necessidades da pesquisa. Cabe ressaltar que, devido as características da área de estudo, foram utilizadas também simbologias de acordo com as considerações de Rodrigues (2005) e Silveira (2009) no que se refere às feições antropogênicas.

No que se refere à fotointerpretação, esta foi realizada diretamente no programa computacional Arc GIS 9.2. Para tanto, foram geradas imagens em três dimensões utilizando o método Anáglifo. Tais imagens foram geradas a partir da sobreposição digital de pares estereoscópicos de fotografias aéreas utilizando o aplicativo StereoPhoto Maker, conforme as indicações de Souza e Oliveira (2012).

O aplicativo seleciona as áreas semelhantes, gera a sobreposição formando uma nova imagem com cores complementares (vermelho e azul-esverdeado), que deve ser nomeada e salva em pasta específica para utilização futura. A nova imagem, quando visualizada com óculos especiais de lentes coloridas (óculos 3D), provoca a percepção de profundidade, ou seja, permite a visualização da terceira dimensão do terreno pelo usuário.

Cabe ressaltar que o programa apresenta restrições quanto à sobreposição e alinhamento dos pares estereoscópicos de fotografias aéreas. As bordas das imagens apresentam distorção, dificultando o alinhamento das imagens, porém, estas podem ser corrigidas manualmente pelo usuário, utilizando os comandos position e rotation (SOUZA;

OLIVEIRA, 2012).

As fotografias aéreas dos cenários de 1962, 1972, 1988 e 1995 apresentam distorções que variam do centro (próximo da realidade do terreno) para as bordas (maior distorção da realidade) referentes ao vôo, às condições de tempo, natureza do material utilizado, etc. Tal fator influenciou na qualidade do alinhamento das imagens tanto no que se refere ao alinhamento das quadras quanto ao alinhamento dos setores de fundo de vale. Assim, realizou-se a fotointerpretação a partir do uso do estereoscópio de bolso em alguns setores, conforme a necessidade. Observa-se que, apesar do avanço das tecnologias, o uso do estereoscópio de bolso prevalece como melhor opção para a extração de dados durante a fotointerpretação. Apesar desta questão, considera-se que a utilização do software permitiu a otimização do tempo para a elaboração das cartas geomorfológicas, sendo, portanto, importante para a pesquisa.

As imagens geradas no aplicativo StereoPhoto Maker – com visualização da terceira dimensão, foram georreferenciadas de acordo com a base cartográfica no software Arc GIS 9.2. As técnicas de criação de simbologias das feições identificadas no sistema relevo foram realizadas de acordo com as considerações de Paschoal, Conceição e Cunha (2010).

Desta forma, para cada simbologia é criado um arquivo vetorial específico (linha de cumeada suave, fundo de vale em v, fundo de vale plano, vertente côncava, vertente convexa, etc). Após, utilizando o comando editor, com o auxílio dos óculos 3D, os dados relevantes obtidos na fotointerpretação foram cartografados, considerando a escala da pesquisa.

O software apresenta algumas restrições quanto à criação de cartas geomorfológicas. A elaboração da legenda automática é incipiente e confusa, de maneira que deve ser feita separadamente em outro software. Assim, nesta pesquisa, optou-se pela elaboração comandada pelo usuário, utilizando o software Corel Draw.

Outra restrição refere-se à morfografia: o tamanho da feição é modificado de acordo com o zoom dado pelo usuário. Assim, a feição deve ser mapeada de maneira detalhada, porém deve ser representada por símbolo cujo tamanho tem que ser definido na escala de impressão utilizada.

O Arc GIS 9.2 permite a quantificação de dados representados por polígonos e por linhas, possibilitando um diagnóstico quantitativo da área de estudo, importante na análise da carta geomorfológica, dado seu viés técnico e prático para a gestão ambiental.

Para a realização do mapeamento de 2010, as ortofotos referentes a esse cenário contendo o SIRGAS2000 como sistema de referência, foram georreferenciadas de acordo com a base cartográfica no software Arc GIS 9.2 com Datum Córrego Alegre a fim de padronizá-

lo com os demais documentos cartográficos construídos. As técnicas utilizadas para a espacialização da morfografia também seguiram as orientações de Paschoal, Conceição e Cunha (2010).

Apesar da impossibilidade de realizar a estereoscopia das imagens referentes ao cenário de 2010, a identificação das feições foi facilitada pela escala das ortofotos (1:1.000). Os dados MDS permitiram a visualização das rupturas topográficas, caimentos topográficos e caimentos antrópicos (áreas que sofreram cortes ou aterros modificando o caimento topográfico ou a dinâmica de escoamento superficial, comuns nos ambientes urbanizados). Apesar do cenário de 2010 aproximar-se do atual (2015), foi realizada extensa reambulação desse mapeamento por meio de trabalhos de campo.