Outro conceito relevante abordado por Vygotsky foi o de Zona de Desenvolvimento Proximal. A partir do seu entendimento busca-se clarificar as implicações do trabalho coletivo e os seus possíveis benefícios para o processo de ensino-aprendizagem. Concebida pelo autor como a distância entre o nível de desenvolvimento real que costuma ser determinado através da solução independente de problemas e o nível de desenvolvimento potencial, é determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com parceiros mais capazes.
Tanto o nível de desenvolvimento real, em que as funções psicológicas já estão consolidadas, quanto o nível de desenvolvimento potencial, que abrange as funções emergentes, estão sujeitos às interações entre os pares no contexto do qual participam. Ambos os níveis são criados e transformados nas relações sociais. (GÓES, 1997). Neste mesmo sentido, Vygotsky (2007, p. 103) complementa,
[...] um aspecto essencial do aprendizado é o fato dele criar zona de desenvolvimento proximal; ou seja o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação com seus companheiros.
Ao ressaltar o papel do outro e do mais experiente o autor chama atenção para a importância do ensino. Para apropriar-se do saber sistematizado, elaborado pelas instituições científicas, as novas gerações necessitam da intervenção do professor, que neste caso assume a perspectiva de mediador, cabendo a ele criar situações didáticas que proporcionem estes aprendizados.
Assumindo esta condição, Vygotsky (2007) destaca a função primordial do processo de ensino-aprendizagem, que é criar zona de desenvolvimento proximal, ou seja, “o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em
cooperação com seus companheiros” (Id, p. 103).
Outros autores contemporaneamente também discutem o conceito de ZDP. Sem perder a essência do que foi apresentado por Vygotsky, mas promovendo algumas reformulações e/ou acréscimos. Serão apresentados a seguir alguns desses conceitos, destacando as relações que existem com a proposta presente neste trabalho.
Luckin (2010) discute o conceito de ZDP na perspectiva de suporte ou andaimes. A metáfora dos andaimes que auxiliam na construção é tomada para representar a atuação do professor e/ou dos pares mais experientes, que teriam a função de diminuir o grau de complexidade do que sendo apresentado, facilitando seu o entendimento.
Neste sentido, Mortimer (2000) ressalta também a importância dos mediadores, como texto didático, apostilas ou experimentos. Nesta mesma perspectiva, o computador e os seus diversos recursos com potencial educacional, podem ser considerados com importantes na criação da ZPD. Nesta mesma perspectiva o autor considera que “a ZDP poderia ser melhor caracterizada como relação através da qual o adulto transfere à criança competência
para usar mediadores disponíveis na cultura”.
Para Meira e Lerman (2001), a ZDP é um espaço simbólico de interação e comunicação, onde o aprendizado leva ao desenvolvimento. Não é algo que pré-existe ou um campo de força que precisa ser localizado pelo professor. Pode emergir no contexto de sala de aula a partir das interações dialógicas e dos diversos tipos de assistência oferecido pelo professor ou por outros membros da cultura.
Colaço (2010) reflete sobre o conceito de ZDP a partir das formulações de Meira e Lerman (2001) e a retrata como um espaço simbólico de construção compartilhada. Desta forma, as interações entre pares têm papel de grande relevância sobre o aprendizado, cabendo à escola desenvolver propostas metodológicas incentivem as interações entre professores e alunos e entre pares de alunos, como forma de potencializar o desenvolvimento da aprendizagem.
Nesta mesma perspectiva Wood (1998) chama atenção para a importância da mediação realizada pelo mais experiente. Ao lembrar a criança de algo, o fazemos por perceber que estas informações são relevantes ao que ela está tentando fazer. Se a criança necessita dividir a tarefa em várias etapas é possível que se distancie da noção do todo. Cabe ao professor sugerir a atenção a aspectos específicos ou chamar atenção para uma visão geral do problema.
Deve-se considerar que um elogio ou reconhecimento, no momento certo, pode dar à criança a confiança e a persistência necessária ao prosseguimento e ao desenvolvimento da tarefa. São tarefas aparentemente simples, mas que expressam a importância do apoio de um adulto e de como elas interferem do desenvolvimento da criança.
Corroborando com a ideia anterior Wood (2008, p. 105) afirma,
Mostrar, lembrar, sugerir e elogiar serve para orquestrar e estruturar as atividades da criança sob a orientação de alguém que seja mais perito. Ao ajudar a criança a estruturar suas atividades, nós a estamos auxiliando a fazer coisas que ela não pode fazer sozinha até chegar o momento que ela se torne tão familiarizada com as exigências da tarefa a ponto de desenvolver perícia local e experimentar as coisas por si só.
De acordo com Torres e Irala (2007), decorre do conceito de ZDP o entendimento que a interação, mediada pela cultura, do aprendiz com o outro mais experiente pode levar o indivíduo a utilizar-se do que foi aprendido durante a ação compartilhada e colaborativa. O que inicialmente é feito no contexto do grupo, com assistência, passa a ser feito de maneira autônoma.
É relevante ressaltar, que diferente do que os autores anteriores tratam, as interações que ocorrem entre os pares e deles com o professor nem sempre se dão sob um clima de harmonia. Há casos onde o conflito marca essas relações. As relações entre adultos e criação podem ser carregadas de tensão (MORTIMER, 2000). De acordo com Góes (1997,
p. 23) a “[...] tensão entre os processos de elaboração que se confrontam, ainda que esse
Ao enfatizar a natureza social da aprendizagem, a influência da linguagem na organização do pensamento, a importância da mediação, destacando a interação entre o mais experiente (na sala de aula, tanto o professor quanto um colega podem assumir esse papel) e o menos experiente, além de retratar a ZDP como um espaço coletivo de construção do conhecimento, Vygotsky aponta os pressupostos da aprendizagem colaborativa, que contemporaneamente é discutida por outros autores que abordaremos neste trabalho.