2 STIKKRENNER
2.4 UTSKIFTING
A Análise de Informação (AI) advém dos mais diversos campos do conhecimento e envolve a representação, a organização e a recuperação da informação, atividades da CI. Na Documentação, há dois tipos de representação: a descritiva e a temática. A primeira se refere aos aspectos físicos do item documental; a segunda, ao processo e ao produto da condensação de conteúdos temáticos. Por meio da representação, podem-se organizar e recuperar os itens documentais e seus conteúdos, e as atividades desenvolvidas para sua efetivação incluem e transcendem a própria AI.
Baptista, Araújo Júnior e Carlan (2010) confirmam essa assertiva no trabalho intitulado O escopo da análise da informação, em que contextualizam o assunto no domínio da CI. Entendem a informação como um elemento básico do conhecimento, o que faz de todas as pessoas analistas da informação, que buscam e utilizam informação continuamente de acordo com necessidades e critérios específicos e
particulares, e de forma inter-relacionada nos níveis intuitivo, racional e profissional. No último nível, o foco está no conteúdo temático da informação.
Os autores explicam que o nível profissional de análise da informação é compreendido como ação de mediação especializada, imprescindível entre itens documentais e usuários da informação, com o objetivo de gerar o acesso a fontes e a conteúdos informacionais. É na denominada dimensão operacional desse nível que a AI, por meio de fases e processos, transforma o item documental em informação disponível, ou melhor, passível de ser identificada e localizada.
Torna-se claro, em todo caso, que no âmbito da Ciência da Informação, a análise da informação compreende um conjunto não fechado de processos que se caracterizam por graus variáveis de complexidade, e nos quais a representação descritiva e temática – e as linguagens que a viabilizam – assumem fundamental importância, não só diante da massa de informação que circula em todos os sentidos e nos mais variados suportes, mas principalmente em função das necessidades do usuário (BAPTISTA; ARAÚJO JÚNIOR; CARLAN, 2010, p. 67).
Os autores supracitados afirmam que a AI é sinônimo da Análise Documentária (AD), e seu objetivo é de
[...] elaborar representações condensadas do conteúdo informacional de uma população de documentos, estando diretamente relacionada à síntese e ao tratamento da informação, com o objetivo da organização e recuperação de informações e de atender as necessidades dos usuários com maior precisão. (BAPTISTA; ARAÚJO JÚNIOR; CARLAN, 2010, p. 69).
Cunha (1989, p. 40) define a AD como um “conjunto de procedimentos efetuados com o fim de expressar o conteúdo de documentos, sob formas destinadas a facilitar a recuperação da informação”. E como é um processo, realiza-se por etapas - da representação temática da informação às primordiais - que, para alguns autores, são duas. Segundo Novellino (1996), a primeira analisa o assunto de um documento e colocação o resultado dessa análise numa expressão linguística, e a segunda, atribui conceitos ao documento analisado. Para Lancaster (2004), inicia-se com a análise
conceitual e conclui-se com a tradução. Porém, a NBR-12676 apresenta três: “a) exame do documento e estabelecimento do assunto de seu conteúdo; b) identificação dos conceitos presentes no assunto; c) tradução desses conceitos nos termos de uma linguagem de indexação” (ASSOCIAÇÃO..., 1992, p. 2-3).
As fases de indexação podem ser superficiais ou profundas quanto ao nível de abrangência. Em relação às partes analisadas do documento, são classificadas em completa ou parcial, e quanto às ações de indexação, podem ser humana ou automática. Todas são válidas, porém a última apresenta a vantagem de reduzir custo e tempo.
Quanto às linguagens de indexação, são pautadas em instrumentos convencionais de uso das unidades de informação para a descrição dos conteúdos temáticos dos documentos. Classificam-se em controladas, naturais e livres. A orientação da indexação refere-se ao ajuste das necessidades dos usuários, vai além da escolha de linguagem e pode ser norteada por especialistas, autores ou os próprios usuários.
A representação temática da informação, ou indexação de assunto, como é denominada por Lancaster (2004), dá ênfase à organização do conhecimento, porquanto sua principal característica é a substituição do item documental pela descrição sumarizada, com a função de demonstrar a essência do item e de funcionar como tática de recuperação, recurso para organizar e usar a informação. Entretanto não se trata de uma ação impessoal, uma vez que se devem propor conceitos adequados aos usuários do Sistema da Informação (SI) (GONÇALVES; OLIVEIRA; NEVES, 2016).
A ação de identificar itens documentais com base no seu conteúdo pode ser realizada em qualquer tipo de suporte de informação, ou seja, tudo pode ser reduzido a representações conceituais. Leiva (2012, p. 72) concebe que “[...] a indexação é um processo executado nos objetos suscetíveis de serem representados e nas solicitações dos usuários para, em última análise, satisfazer as necessidades de informação”. Para alcançar esse objetivo, é importante a qualidade da representação,
obtida por meio da fidedignidade aos originais e às suas formas significativas de se expressar.
Normalmente trabalha-se a indexação de textos impressos em seus diferentes formatos: livros, periódicos, jornais, trabalhos acadêmicos e leis. Mesmo que tenha suas particularidades, a indexação não evidencia diferença relevante. Porém a observação de Frederick Wilfrid Lancaster (2004), no início do capítulo 13, intitulado Bases de dados de imagens e sons, lembradas por Gonçalves, Oliveira e Neves (2016), é de que, quando pensamos no documento imagético como uma fotografia, observamos que seu referente não é o mesmo que o dos outros sistemas de representação, logo, seu significado será distinto, razão por que são inerentes ao trabalho de indexação de imagens inúmeras dúvidas em decorrência da particularidade e da complexidade desse documento.