A enfermeira Maria Dayse Pereira, diretora de Enfermagem, discorre sobre o período de sua gestão destacando a força de trabalho da Enfermagem, e orgulha-se do trabalho desenvolvido com toda a equipe, que notadamente se empenhou para conquistar o espaço científico, avançando nas técnicas do cuidar. Pereira (2012) destaca o empenho
realizado para implementação efetiva da SAE, que contribuiu efetivamente para a excelência do cuidado.
Com um modelo de liderança comunicativa, apresentado no Projeto de Gestão da Diretoria de Enfermagem (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDO, 2004 p. 68) cujo “princípio básico é uma Enfermagem empreendedora orientada para vencer desafios e superar metas, mesmo em circunstâncias de restrições e mudanças rápidas”, que registra o novo modelo conceitual e gerencial do Serviço de Enfermagem do HUWC, desenvolvido com ampla participação da Enfermagem, configura-se um movimento de renovação em direção a um processo de transformação e aprendizagem. Pereira (2012, p. 4) acredita que conseguiu inspirar a equipe para conquista de um espaço mais amplo na organização da instituição, vislumbrando a competência de cada membro.
[...] ao optar pelo modelo de gestão participativo e estilo de liderança do tipo democrática, onde a transparência das ações sempre foi uma característica do meu estilo de gerir a nossa enfermagem, acho que conseguimos inspirar a equipe para a emoção de se conquistar um espaço mais amplo na organização, não na perspectiva de ufanismo vaidoso, mas na vertente da competência e valor que eu sempre enxerguei e senti na equipe.
Pereira (2012) destaca a Gestão por Competência (FIGURA 26) na qual realizou trabalho de incentivo para as enfermeiras, propondo um gerenciamento traduzido pela competência que cada uma detém, mostrando um diferencial próprio e constantemente aprimorado
Figura 26 - Gestão por Competência
____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
Fonte: HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO (2007).
Pereira (2012, p.4) ressalta que procurou despertar nas pessoas a motivação de que elas podem fazer a diferença dentro dos processos institucionais, tão logo assumam participar deles com comprometimento, colocando-as como elementos importantes na construção dos avanços da categoria.
[...] tal como uma orquestra, fomos apenas a maestrina que despertou nas pessoas que elas é quem fazem a diferença, que o trabalho feito com competência, amor, disciplina e perseverança, é o que mais importa, que elas são as pessoas mais importantes do processo.
Uma das principais preocupações da gestora, conforme Pereira (2012) foi de capacitar a equipe para garantir uma assistência de qualidade, direcionando o grupo a uma prática eficiente, sempre tendo a visão de que equipe desenvolvida, paciente satisfeito com procedimentos realizados com segurança.
Pereira (2012) destaca a experiência das ações administrativas na formação dos enfermeiros em liderança “Coaching”, pelo Projeto “LIDERANÇA COACH” para as chefias de Enfermagem. Chiavenato (2002) relaciona “Coaching” a um tipo de parceria exercida por uma pessoa que seria denominada “coach” e outra que seria o aprendiz. Essa relação levaria o aprendiz a um processo de desenvolvimento, dos valores, crenças e visão, capaz de gerar resultados extraordinários. Entretanto, esse tipo de liderança não significa um compromisso apenas com os resultados, mas, sobretudo, com a pessoa como um todo, seu desenvolvimento e sua realização. Por meio desse processo, novas competências surgem, tanto para o coach quanto para seu cliente. Esse projeto capacitou 55 enfermeiros da instituição.
Sobre o projeto Pereira (2012, p. 5) esclarece:
As líderes eram escolhidas de acordo com um perfil de competência (todas são), mas principalmente pela percepção de que aquela líder queria realmente uma transformação positiva para a enfermagem (disposição de ser a COACH de sua equipe, para elevá-la a um patamar mais elevado e consequente melhoria da qualidade assistencial), pois só melhor cuidamos se nos sentirmos livres para criar e mudar o cenário. Nesta trajetória, penso que todas as conquistas que hoje estão sendo fortalecidas nasceram e se consolidaram através do trabalho em equipe e sem pressão negativa para atingir as metas.
A figura 27 destacada a seguir, mostra momentos de preparação da estratégia adotada, que contaram com a participação das enfermeiras do HUWC empenhadas em fazer parte dessa ruptura progressiva com o tradicionalismo da percepção de uma postura submissa à uma hierarquia autoritária, alimentada por tantos anos na instituição.
Figuras 27- Projeto “Liderança Coaching” - Enfermeiras do HUWC
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________ Fonte: HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO (2007).
Pereira (2012) relata sobre mudanças em paradigmas, e cita as principais, realizadas no período em que permaneceu na liderança do grupo. Entre essas mudanças estão: Projeto de Gestão da Diretoria de Enfermagem e planejamento estratégico participativo; Implantação de uma sala de aula do PROFAE; Implantação do Curso de Especialização em Infecção Hospitalar; Implantação da SAE; Implantação da Residência em Enfermagem; Padronização dos Procedimentos; Projeto da Tele-enfermagem; Integração docente- assistencial; Participação da Enfermagem na Formação de Comissões Institucionais e de Enfermagem.
O Projeto de Gestão da Diretoria de Enfermagem planejamento estratégico participativo apresentado pela Diretora de Enfermagem (FIGURA 28), no final do primeiro ano de seu mandato, em 2004, à equipe de enfermagem e Direção Geral. Consta do planejamento de suas atividades, apresentação da missão, valores, da equipe gerencial, assim como resultados alcançados no primeiro ano e metas para os próximos anos (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO, 2004).
Figuras 28 – Diagnóstico situacional e elaboração do Projeto de Gestão Participativa do serviço de Enfermagem ______________________________________________________________________
Apresentação do Projeto de Gestão Grupo de Enfermagem HUWC
______________________________________________________________________ Fonte: HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO (2007).
A implantação de uma sala de aula do PROFAE visando qualificar os auxiliares para o curso de técnico em Enfermagem. Registra-se a qualificação de 30 auxiliares de Enfermagem com essa parceria. Freitas (2007) relata que o projeto de profissionalização dos trabalhadores da Enfermagem, especialmente os auxiliares, teve impulso com a Lei 7498/86 que dispôs sobre o exercício profissional da Enfermagem.
A realização do curso de Especialização em Infecção Hospitalar, à frente desse projeto estava a enfermeira Fátima Souza. O curso objetivou a qualificação de enfermeiras na área de controle de infecção hospitalar.
A implantação da SAE, trazendo uma docente do Departamento de Enfermagem DENF/UFC para ministrar as aulas. Nesse momento a participação da professora Thelma Leite de Araújo que realizou curso de capacitação do Processo de Enfermagem, para as enfermeiras do HUWC, habilitando-as para a efetiva utilização do instrumento.
[...] a sistematização da assistência de Enfermagem foi consolidada no nosso período. [...] o processo se inicia timidamente na gestão da professora Raimundinha, mas sem êxito, porque só algumas colegas aderiram inclusive eu, que quando fazia a SAE, mesmo empiricamente, sem nenhum treinamento prévio, era muito criticada pelas colegas que achavam ‘coisa da DIRETORA’. Com a gestão da Suely Gadelha, foi reiniciado o processo, mas ainda de forma resistente pelas colegas, o que também não teve êxito em 100% [...] todas as profissionais que se dedicaram, estudaram sob a orientação da professora Thelma Leite, que convidamos e ela prontamente se disponibilizou para essa empreitada, que as 21 h vinha ao HU dar aula de exame físico para a primeira turma que seria o agente multiplicador deste treinamento. E as colegas ficavam até dez horas da noite, onze horas, vendo a professora dando essa parte de exame físico da sistematização da assistência (PEREIRA, 2012, p.6).
Segundo Pereira (2012) o resultado desse trabalho foi a implantação definitiva e sem retrocesso da SAE, pois a equipe se conscientizou da importância do processo, posto que era meta da Direção Geral preparar o HUWC para o processo de “Acreditação”, com participação efetiva do SECEn, com as enfermeiras Rita Paiva, Fátima Nóbrega, e Ana Maria Mesquita, todas as coordenadoras Rita Pereira, Lilian Gondim e Socorro Oliveira, e ainda todas as gerentes das unidades.
Nóbrega (2006) se relacionando a SAE destaca que cuidado humano é a essência do trabalho da Enfermagem, mas que, entretanto, nas instituições hospitalares, esse cuidado está sempre marcado por procedimentos, e distante do interagir e compartilhar. Esta perspectiva defendida por Lima (2001) se evidencia no cotidiano, quando nos vemos absorvidos por atividades burocráticas, ou quando próximos do paciente, sempre a desenvolver técnicas isoladas, correndo contra o tempo, para atingir a produtividade. Para Nóbrega (2006) essa “lógica” irracional e fria pode ser modificada, se atingirmos o envolvimento integral dos enfermeiros na consolidação da SAE.
A aplicação da SAE é um avanço na instituição, visto que traz autonomia em todos os aspectos. Ao profissional de saúde, enfermeiro, promove a consolidação da sua prática fundamentada no conhecimento científico e ao paciente, conforme Campos (1992, p. 70), “estimula a capacidade de enfrentar os seus problemas a partir de suas condições concretas de vida”.
Andrade e Vieira (2005, p. 262) afirmam que “o enfermeiro ao planejar a assistência, garante sua responsabilidade junto ao cliente assistido” e segundo Santos et al. (2002) “permite diagnosticar as necessidades do cliente, garantindo a prescrição adequada dos cuidados, orientando a supervisão do desempenho do pessoal, a avaliação dos resultados e da qualidade da assistência porque norteia as ações”.
A Diretoria de Enfermagem se mobilizou para que houvesse a sensibilização e conscientização dos profissionais para que a SAE fosse implantada nos serviços. Dessa forma organizou equipes de treinamento e contou com o apoio das enfermeiras do SECEn, além da contribuição da professora Thelma Leite. Foi um projeto que envolveu a equipe de enfermeiras do HUWC no processo de incentivo à realização da SAE por toda equipe de Enfermagem na instituição. O registro (FIGURA 29) mostra momentos em que a equipe se reuniu para essa sensibilização.
Figuras 29-: Sensibilização dos profissionais para a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). _____________________________________________________________________
Da direita para esquerda as enfermeiras: Maria Lenir, Da direita para esquerda: Profª Thelma Leite e Maria Dayse Maria Dayse, Lúcia Regina e Jackeline Osterno.
SECEn – Da direita para esquerda as enfermeiras: Ana Maria Mesquita, Selda Carvalho e Fátima Nóbrega.
____________________________________________________________________________________ Fonte: HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO (2007).
A implantação da Residência em Enfermagem que segundo afirma Pereira (2012) foi desafiador. A Professora enfermeira Neiva Francenely Cunha Vieira, diretora da FFOE na época, prontificou-se a ajudar na concretização do projeto, segundo Pereira (2012, p. 7) “foi a primeira pessoa com quem conversei e a mesma se dispôs a implantar conosco”. Contou com o apoio da Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem da UFC (FFOE/UFC) até o Departamento de Enfermagem DENF/UFC.
A Residência em Enfermagem se consolida como relevante, na medida em que qualifica o profissional para uma assistência integral e humanizada (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO, 2008a).
A Comissão de Implantação da Residência em Enfermagem contou com a
participação das enfermeiras: Maria Dayse Pereira (Diretora de Enfermagem do
HUWC/UFC); Maria Dalva Santos Alves (Coordenadora do Curso de Graduação em
Enfermagem/UFC), Rita Paiva Pereira Honório (Coordenadora da SECEN do HUWC/UFC);
(Coordenadora Geral da Residência), Maira Di Ciero Miranda, Joselany Afio Caetano, Neiva Francenely Cunha Vieira (Diretora da FFOE / UFC); Isabel Augusto Batista Braga; Jackeline
Osterno Carvalho; Lúcia Regina Ferreira da Silva (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER
CANTÍDIO, 2008b).
A figura 30 mostra momentos de reuniões com alguns membros da comissão de Residência em Enfermagem do HUWC.
Figura 30- Reuniões da Comissão de Residência em Enfermagem
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ Fonte: HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO (2007).
Consolidada em 2009, a Residência em Enfermagem do HUWC, tem como objetivo precípuo capacitar enfermeiros para a sistematização do processo de trabalho de Enfermagem nas áreas de abrangência das especialidades de cuidar clínico, cirúrgicos e saúde mental, propiciando, ao Enfermeiro Residente, cenários de cuidado para a identificação do diagnóstico de enfermagem voltado para o indivíduo, família e comunidade, articulando as ações de ensino, pesquisa e assistência (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO, 2008). O documento descreve:
[...] desenvolver nos enfermeiros residentes, competências para gestão das políticas de saúde no contexto do cuidado de enfermagem; proporcionar tecnologias para o desenvolvimento técnico - cientifico do profissional no processo de cuidar clinico, cirúrgico e saúde mental; incentivar a produção e socialização cientifica em periódicos nacionais e internacionais; estimular a participação em eventos específicos e/ou relacionados com a área de enfermagem; considerar os aspectos éticos, científicos e legais como princípios de orientação à sistematização do cuidado; desenvolver projetos de Educação Permanente voltados para o aperfeiçoamento dos conhecimentos técnico-científicos no âmbito hospitalar
fundamentado na metodologia da assistência de enfermagem; Realizar eventos de atualização para a apresentação de novas tecnologias criadas pelos residentes; Propiciar intercâmbios em instituições parceiras com experiências de tecnologias de cuidado (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO, 2008 b, p. 3).
A Padronização dos Procedimentos resultou na elaboração do Manual de Procedimentos Operacionais Padronizados – POP do HUWC. Foi fruto de estudo e troca de experiência do grupo de enfermeiros que integra a Diretoria de Enfermagem dessa instituição, consolidado em um dos mais belos trabalhos coletivos realizados por esses profissionais no HUWC. O POP vislumbra padronizar, organizar e aperfeiçoar o processo de trabalho dos profissionais de Enfermagem, ou seja, proporcionar a assistência sistematizada, reduzindo os custos operacionais, assim como oportunizar o treinamento eficaz das equipes e a contínua atualização e aperfeiçoamento dos procedimentos técnicos (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO, 2006).
Nóbrega (2006) destaca que esse manual foi lançado no ano de 2006, consta de documento onde foram detalhadas e padronizadas as principais técnicas de Enfermagem realizadas nas diversas unidades do Hospital. Scarparo; Ferraz e Chaves (2011) destacam que a padronização de condutas assistenciais e técnicas, amparada na literatura científica, organizada em forma de manuais dão subsídios à prática assistencial viabilizando ações seguras na prestação dos cuidados.
A figura 31 mostra o momento da entrega do referido manual para as enfermeiras chefes das unidades do HUWC.
Figura 31- Elaboração do Manual de Procedimento Operacional Padronizado
_____________________________________________________________________
Da esquerda para direita as enfermeiras: Rita Paiva e Maria Dayse
____________________________________________________________________ Fonte: HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO (2007).
O Projeto da Tele-enfermagem desenvolvido no HUWC disponibilizando especialização e aperfeiçoamento para profissionais do PSF de todo o Estado do Ceará. Iniciado em junho de 2009, com a liderança da enfermeira Dayse, contou com apoio da estrutura do Programa de Telessaúde, da Faculdade de Medicina da UFC, que propicia aos profissionais conferirem as palestras em seu local de trabalho (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2009. a).
Figura 32 – Projeto Tele-enfermagem desenvolvido no Hospital Universitário
____________________________________________________________________
Enfermeira Dayse Pereira
_____________________________________________________________________ Fonte: Jornal da UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (2009. a).
Integração docente-assistencial com a participação em grupo de pesquisa voltado pra Administração em Enfermagem, e incentivo para que a equipe de Enfermagem buscasse processos de qualificação profissional. Pereira (2012, p.9) aponta que uma das parcerias, foi a professora Ana Fátima que foi para dentro do Hospital para falar para as enfermeiras da necessidade de fazer mestrado, doutorado. E isso, como afirma,“tirou mais aquele ‘ranço’ de que quem cuidava, cuidava e de quem ensinava, ensinava”.
Figura 33- Projeto Integração Docente Assistencial.
_________________________________________________________________________________________
Profª Ana Fátima Carvalho e Maria Dayse
_________________________________________________________________________ Fonte: HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO (2007).
Participação da Enfermagem na Formação de Comissões Institucionais e de Enfermagem, vislumbrando a melhor qualidade assistencial. Comissão de Curativos; Comissão de Ética em Enfermagem; Comissão de Humanização; Comissão de Ensino; Comissão Auditoria; Comissão Hemovigilância; Comissão de Combate ao desperdício; Comissão Controle de Infecção Hospitalar (CCIH); Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e tecidos para transplante (CIHDOTT); Comissão de Acreditação do HUWC.
Sobre as comissões, Pereira (2012) aponta que, as exclusivas da enfermagem foram: a Comissão de Dimensionamento de pessoal, formada por: Maria Dayse, Izabel Augusto, Rita Paiva, Jackeline Osterno, Lenir Ximenes Rocha; e a Comissão da Supervisão Participativa Educativa: com o propósito da de elevar o padrão de qualidade dos serviços prestados aos clientes, família e comunidade, numa abordagem científico-humanista. O desenvolvimento do pensamento sistêmico e estratégico na função da supervisão em Enfermagem contribuindo, sobremaneira, na melhoria contínua na prestação dos cuidados aos nossos clientes.
Sobre as comissões institucionais Pereira (2012, p.9) relata:
[...] para as demais comissões, o meu trabalho foi inserir as Enfermeiras em todas essas comissões Institucionais, pois não havia nenhuma representatividade nestas, e, sentindo a necessidade, recrutei e inspirei as colegas para a importância da nossa participação.
Comissão de curativos: com intuito de direcionar as ações no tratamento das lesões e feridas, formada por enfermeiros especialistas em estomoterapia.
Comissão de Ética em Enfermagem: foram nomeadas várias comissões, mas sem êxito, porque o COREn (Conselho Regional de Enfermagem) indeferia sempre, por causa da inadimplência, só vindo se consolidar em 2010 capitaneada pela enfermeira Cláudia Gomes. Essa comissão, conforme Pereira (2012) visa realizar ações educativas, fiscalizadoras e consultivas do exercício profissional e código de ética dos profissionais de Enfermagem nas instituições, estabelecida pela Resolução do COFEn 172/1994. Sobre a Prática Legal da Enfermagem Freitas (2007, p.254) declara:
De fato, não basta determinar regimentalmente as atribuições da CEE nas instituições de saúde. É necessário discutir seu papel nessas instituições para, além de zelar pelo exercício ético dos profissionais de enfermagem, contribuir para a melhoria da qualidade da assistência prestada ao paciente, assegurar que os profissionais cumpram bem suas obrigações/deveres e também que lhes sejam garantidos os seus direitos.
Os profissionais responsáveis por estas comissões Institucionais eram a Dra. Rosalice, chefe do Escritório da Qualidade, nomeado pelo Dr. Sílvio Furtado, diretor da
instituição. Abaixo, segue (Figura 34) o nome dos enfermeiros inseridos nas comissões do HUWC.
Figura 34 – Enfermeiros nomeados para as comissões institucionais do HUWC
___________________________________________________________________________
Fonte: Pereira (2012).
Pereira (2012) discorre que houve, nesse período, processo de negociação constante com as instâncias majoritárias da UFC, sempre em busca de melhorias que pudesse oportunizar o aparecimento do brilho do trabalho da equipe de Enfermagem, através do cuidado integral, sendo que a valorização da equipe foi condição fundamental para as mudanças. Acredita que, com essas mudanças, um novo espaço e novas perspectivas foram lançados para a Enfermagem do HUWC, ao afirmar que no cenário das instituições de saúde a Enfermagem se relaciona diuturnamente com todas as demais áreas, numa interdependência que, em maior ou menor grau, exige disposição, competência e habilidade de relacionamento. Nesta perspectiva, os profissionais de Enfermagem necessitam do desenvolvimento da estratégia de liderança no processo de gestão de pessoas nas organizações de saúde.
Pereira (2012, p.4) relata em seu depoimento sobre a importância da “Gestão Participativa”.
[...] uma gestão participativa, onde as pessoas pudessem opinar, sugerir. Melhoria contínua para o serviço e não aquela perspectiva de coercitividade. O tratamento de igual como é pra ser, primeiro como manda a constituição, segundo como é pra ser e terceiro você ter uma liderança forte, uma forte influência de participação, cogestão. Eu acredito muito porque quando as pessoas sugerem é porque elas estão interessadas em mudar, e se elas estão interessadas em mudar é sempre para melhor não é pra pior.
Ressalta a abertura de maiores possibilidades e oportunidades para qualificação da equipe, tendo em vista a necessidade de oportunizar o crescimento de todos a partir de uma liderança participativa,
[...] Outra mudança também ocorrida foi a abertura, por conta da gestão participativa, a abertura das pessoas para estudar mais, a gente incentivou muito essa parte de qualificação. Antigamente, para uma pessoa sair para fazer mestrado ou
Comissão de Curativos; Vânia e João Carlos; Comissão de Ética em Enfermagem; Cláudia Gomes;
Comissão de Humanização: Todas as gerentes de Enfermagem com a direção geral; Comissão de Ensino: Fátima Nóbrega, Rita Paiva, Ana Mesquita;
Comissão Auditoria: Doralice;
Comissão Hemovigilância: Rocivânia Lélis;
Comissão de Combate ao desperdício: Maria Dayse, Lenir Rocha, Jackeline Osterno, Rita Paiva; Comissão Controle de Infecção Hospitalar (CCIH); Silvana Linhares e Jaqueline Gomes;
Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e tecidos para transplante (CIHDOTT): Clébia Azevedo. Comissão de Acreditação do HC. Maria Dayse, Lenir Rocha, Rita Paiva, Jackeline Osterno.
especialização era um Deus nos acuda. Eu mesmo sofri isso. Fiz cinco especializações, nunca me ausentei do HU, porque não deixavam. “Você quer estudar para que? Você tem é que cuidar!” Então, por conta que eu sofri tanto nesses anos que um dia eu prometi para mim mesma, que no dia em que eu alcançar a liderança máxima do HU eu vou fazer tudo ao contrário do que fizeram comigo (PEREIRA, 2012, p. 5).
Sobre esse período em que a enfermeira Dayse permaneceu na Direção de Enfermagem Rezende (2012, p.3) afirma:
[...] trabalhava muito assim, planejamento de processos. [...] nessa Direção de Enfermagem foram trabalhados muito os processos, as tomadas de decisões com