8 Grunnlagsutredning og aktuelle metoder
8.3 Utredning av gangnett og kvalitet i gangforbindelser
Como muitas outras manifestações ideológicas que preenchem a consciência geral do homem contemporâneo, a liberdade sexual administrada também se constitui como uma aparência socialmente necessária. Constitui um engano acerca da condição a que os indivíduos estão sujeitos, sobretudo quanto às possibilidades efetivas de decidirem a respeito de suas vidas práticas e de escolherem corretamente as formas de gratificação que melhor lhes permita usufruir o potencial de prazer e felicidade que seus corpos e relações podem propiciar sem, com isso, perderem a autonomia e a dignidade universais, historicamente possíveis. Todavia, essa importante e contraditória manifestação da necessidade de gratificação sexual, objetivada em comportamentos, atitudes e idéias acerca dos horizontes do prazer, difere das formas clássicas de ilusão ideológica, predominantemente cognitivas e passiveis de superação mediante o exercício da reflexão teórica. Sua forma de sustentação principal tem nas incorreções do entendimento, apenas uma parte bastante reduzida da matéria-prima que compõe
sua estrutura psicossocial; sustenta-se essencialmente na dimensão psicológica, em necessidades insatisfeitas e em processos mentais apenas indiretamente penetráveis pelas luzes da razão. De modo geral, sua estrutura irracional remete a disposições mentais muito primitivas e se organiza de modo similar às demais manifestações ideológicas produzidas pelo mundo totalitário. Essa forma de liberdade sexual é intrinsecamente ideológica; constitui uma contradição objetiva da relação entre indivíduo e sociedade. Devido a sua ambivalência, é comumente experimentada pelas pessoas submersas na dinâmica cotidiana, em geral também espoliadas da condição de produtoras de sua própria subjetividade, como um consolo privado para as mazelas decorrentes da dominação social. Nestes termos, é uma contradição objetiva na medida em que expressa a agonia dos homens ante o desafio de terem que atribuir sentido a suas vidas esmagadas pela maquinaria social; na medida em que expressa o modo como representam para si mesmos uma condição de existência que os permita acreditar que podem ser felizes com a vida que concretamente possuem.
Por estar organizada de acordo com princípios erigidos sobre o falso equilíbrio entre os interesses dos indivíduos e um conjunto de estratégias socioculturais que visam mantê-los relativamente satisfeitos, a sociedade administrada busca garantir sua reprodução material e espiritual, precisamente, por meio da imposição totalitária de padrões culturais que os impulsionem para o ajustamento cego e resignado às condições de existência que lhes são estipuladas pelos detentores do poder político e econômico. Esses padrões recaem opressivamente sobre a totalidade dos homens como um destino fatídico do qual não podem se desvencilhar e que, com freqüência, são despercebidamente incorporados e reproduzidos nas situações cotidianas mais corriqueiras. Tais padrões tornaram-se importantes mediadores de tudo o que é produzido a partir desta base psicossocial que se formou paulatinamente em conjunto com a solidificação da estrutura política e econômica do capitalismo tardio. Cerceados desde a infância em suas mais diversas experiências cotidianas por uma imensidão
de estímulos constituídos em consonância com as exigências materiais da sociedade, os indivíduos sofrem a influência da determinação cultural nos conteúdos mais recônditos de sua vida psíquica.
Em sua análise da degradação da formação cultural, Adorno (1962/1966) forneceu importantes elementos para que se pudesse analisar com mais consistência a impregnação da esfera subjetiva pela forma proveniente da pseudocultura. Segundo pode-se depreender de sua análise, este processo ocorre, sobretudo, devido à ação esmagadora da superestrutura ideológica sobre as consciências individuais debilitadas. Ele indicou que as condições para que a cultura e seus mais preciosos bens regridam à forma-mercadoria estipulada pela indústria cultural estão ligadas à aniquilação do próprio indivíduo – de sua existência como um ente autônomo – e que, por este motivo, decorrem da impossibilidade de que haja contraposição ao movimento totalitário da sociedade. Os bens culturais, outrora demasiadamente espiritualizados pela filosofia idealista burguesa, foram convertidos em mercadorias; sucumbiram à reificação. Em variados graus de aplicação passaram a responder de modo imediato às angústias desencadeadas pelas necessidades dos indivíduos submergidos no desespero cotidiano que não lhes deixa muitas expectativas de futuro ou condições suficientes para que possam elaborar as mazelas do passado.
Tomados pela regressão frente às suas próprias potencialidades históricas, as pessoas acabam absorvidas unicamente pelo propósito de garantir sua autoconservação, desprezando a importância que a autonomia poderia cumprir na realização deste intento. A postura pragmática que assim se desenvolve se associa a esquemas narcisistas por meio dos quais o eu regredido a seu limiar mínimo busca se defender das ameaças reais e imaginárias, constituindo uma percepção e um entendimento da realidade desde o princípio mediados pela escolha do ego como principal objeto de investimento libidinal. Tais condições contribuem para solidificar uma base cultural coerente com a estrutura política e econômica da
sociedade; as regressões que exige dos indivíduos, os sacrifícios que amoldam suas reações psicopatológicas predominantes, afirmam-se como estruturas culturais rígidas. Este fato sócio-histórico revela o engodo implicado em se caracterizar os sofrimentos dos indivíduos regredidos como expressões psicopatológicas particulares; as grandes doenças mentais de nossa época são compartilhadas pelo conjunto das pessoas que vivem sob as mesmas condições objetivas. As mais singelas expressões da felicidade particular guardam, ao menos em germe, uma dose do sofrimento universal. É sem dúvida bastante improvável que o pseudoculto de nossa época possa se contrapor às condições gerais de incultura que ainda marcam parte importante dos costumes nacionais. Antes, pode-se perceber sem muito esforço que o processo de incorporação da incultura campesina pela pseudocultura propalada pela indústria cultural, sobretudo na América do Norte, também atingiu as terras tupiniquins com a mesma intensidade. A crítica que Adorno teceu em relação à cultura americana dos anos quarenta e cinqüenta teve sua precisão e atualidade preservada na medida em que as condições que naquela época assolaram os países mais desenvolvidos economicamente não tardaram a ser reproduzidos pelas demais culturas que adotaram o mesmo percurso econômico e cultural em momentos posteriores.
As estratégias de rápido crescimento econômico adotadas pela política desenvolvimentista e pela industrialização tardia no Brasil contribuíram para a descomunal expansão da pseudocultura. Os efeitos concretos do alinhamento da economia-política nacional às condições do mercado financeiro e comercial internacional para a vida cotidiana dos indivíduos foram tão extremos que a relação entre a base material destas transformações e os processos de mudança desencadeados na esfera dos costumes tornou-se evidente. Todavia, é preciso considerar que seus efeitos mais significativos somente atingiram tão amplamente a dimensão subjetiva porque primeiro demonstraram sua eficácia material. A reprodução de certos aspectos do capitalismo emergente demandou o desenvolvimento do individualismo competitivo e da resignação ante a ordenação
hierárquica das relações sociais. Em conseqüência, atingiu, em níveis variados, a organização mental dos indivíduos que sempre tiveram que se ajustar às condições de trabalho e de produção que tal processo implicou, caracterizando distinções importantes na forma e no grau de integração cultural a que as pessoas estão submetidas. A abrangência da integração cultural compreende também a esfera da sexualidade, de modo que a subordinação de conteúdos de timbre sexual a finalidades espúrias é uma de suas variações mais importantes. Segundo Adorno (1962/1966), ao voltarem-se maniacamente para si mesmos em um ato desesperado de autoconservação, os indivíduos vêem-se privados de condições fundamentais para estruturação de sua própria individualidade:
El seudoculto se dedica a la conservación de si en si mismo; no puede permitirse ya aquello en que, según toda teoria burguesa, se consumaba la subjetividad – la experiencia y el concepto –; con lo que se socava subjetivamente la possibilidad de la formación cultural tanto como objetivamente está todo contra ella. La experiencia, la continuidad de la conciencia en que perdura lo no presente y en que el ejercicio ya la asociación fundan una tradición en él individuo singular del caso, queda sustituida por un estado informativo puntual, deslavazado, intercambiable y efímero, al que hay que anotar que quedará borrado en él próximo instante por otras informaciones (...). (Adorno, 1962/1966, p. 194.)
Na esfera da experiência danificada e tão amplamente substituída pelos abundantes estímulos ofertados pela indústria cultural também podem ser localizadas as demandas eróticas e as possibilidades de gratificação direta ou indiretamente sexuais. É preciso considerar que, no caso do indivíduo pseudoformado, até mesmo sua possibilidade de estabelecer vinculação afetiva com um outro diferenciado representa grande ameaça a sua frágil constituição egóica, pois devido à sua vulnerabilidade aos inúmeros estímulos que definem sua identidade externamente dirigida, o tipo de identificação necessária para o estabelecimento de vínculos afetivos mais intensos ameaça provocar rupturas na identidade do eu. Tão efêmeras quanto as informações que expressam seu entendimento da realidade, modificado a cada novo dia por meio do consumo de conteúdos veiculados superficialmente pelos noticiários cotidianos, também sua identidade parece metamorfosear-se de acordo com os muitos modelos oferecidos
pela mesma indústria, restando-lhe apenas a certeza da ameaça de dissolução. A recorrência a mecanismos de defesa mediados pelo narcisismo e pelo distanciamento da realidade objetiva torna-se cada vez mais freqüente e pode provocar diferentes formas de comprometimento, especialmente, na definição dos modos de contentamento e satisfação desejados.
Em uma esfera bastante geral da regressão coletiva produzida pela pseudocultura, porém ainda distante de quaisquer traços psicopatológicos ou da adoção de atitudes ajustadas à propagação da barbárie, há um tipo de conduta frente à realidade que se caracteriza especificamente pela alienação generalizada em relação ao sofrimento universal. Trata-se do mesquinho contentamento com as condições gerais de subsistência; o qual, no passado, abrangeu os ganhos secundários obtidos com a integração do proletariado, principalmente quando ainda era possível falar em afluência e em bem-estar social e, atualmente, se manifesta na ingênua satisfação obtida por meio dos prazeres concedidos pela nova moralidade, independente de quaisquer ganhos materiais. Ao questionar se ainda faria sentido falar em alienação – nesta época em que os indivíduos realmente se reconhecem em suas mercadorias –, Marcuse (1965/1999) mostrou que no processo de integração das necessidades pelos produtos que o capitalismo deliberadamente oferece aos homens, sem que com isso coloque em risco a sua própria manutenção, está presente a incerteza quanto às motivações históricas para uma revolução, pois a integração pela esfera do consumo suprimiu a necessidade vital de transformações radicais:
Será que ainda faz sentido falar em alienação quando os indivíduos nesta sociedade realmente se encontram a si mesmos em seus automóveis, aparelhos de televisão, gadgets, jornais e políticos? Esse é um mundo de identificação – não mais são objetos mortos que se opõem ao indivíduo como se fossem estranhos. (Marcuse, 1965/1999, p. 49.)
Pode-se ponderar que a formulação de Marcuse é precisa principalmente se pensada em relação à identificação que as pessoas estabelecem com padrões forjados pela pseudocultura. A identificação com os ideais e tipos padronizados oferecidos cotidianamente pela indústria cultural sustenta-se na apropriação de
mecanismos subjetivos fundamentais ao funcionamento mental, como o narcisismo e a identidade do eu já mencionados, mas também compreende a necessidade básica de sobrevivência, impossível sem que haja o mínimo de contentamento. Certamente, não será por meio da censura aos pequenos prazeres aos quais as pessoas tem acesso controlado pelas novas estratégias de controle que poderemos desmistificar o poder da integração econômica e cultural, mas sim por revelar a dependência que a identidade do eu mantém em relação a esses inúmeros objetos de consumo e ideais de realização pessoal a eles associados. A especulação de Marcuse (1965/1999) quanto ao fato de talvez não mais fazer sentido recorrermos ao conceito de alienação para compreender esta situação parece não considerar o estranhamento dos homens em relação a si mesmos; eles somente se reconhecem nos inúmeros supérfluos que consomem porque não se constituíram como indivíduos suficientemente diferenciados. Em sua própria estrutura de personalidade já está interiorizada a determinação da pseudocultura, segundo a qual estão alienados de si mesmos, governados externamente por meio da manipulação de suas necessidades internas mais prementes. Impossibilitados de desenvolver uma subjetividade diferenciada do todo, os indivíduos enfraquecidos não tem alternativa senão identificarem-se com este todo no qual não se reconhecem como homens, mas sim como mercadorias. Possuem parte dos objetos de seu trabalho, mas não possuem a si mesmos, nem tampouco a consciência de que seu gozo privado ainda se dá às custa da miséria geral. A abundância produzida pelo Estado de bem-estar social, que fez de alguns países exemplo de capitalismo bem sucedido, ainda ressoa nas misérias que a cada dia fazem florescer novas revoltas no terceiro mundo. Talvez, repensando a afirmação de Marcuse, não faça mais sentido falar em alienação individual e sim em uma ampla e bem consolida alienação coletiva por meio da qual a felicidade particular, verdadeira para o individuo alienado de si e entregue à necessidade de autoconservar-se é generalizada para o todo, criando a ilusão de que é realmente possível atingir algum grau de contentamento sem má- consciência.
2.1 – As condições sociais predominantes na sociedade administrada não configuram uma base suficientemente favorável à constituição de indivíduos minimamente diferenciados e dotados de autonomia. Em geral, por viverem espoliados da consciência de si mesmos e não conseguirem compreender sua condição existencial ou intervir na realidade que os cerca, os indivíduos tornam-se intensamente vulneráveis à estimulação e ao controle externos. O comprometimento das funções de percepção da realidade e de mediação dos conflitos que há entre ela e as motivações pulsionais, que segundo Freud deveriam ser exercidas pela instância egóica – agora deteriorada ou nem mesmo desenvolvida –, tem implicações importantes para o processo de adaptação à realidade circundante. Sem o auxilio dessas estruturas mentais, as pessoas aderem mais facilmente aos estilos de vida que lhes são impostos pela cultura. Sem a possibilidade de refletirem sobre seus significados e amedrontados pelo terror presente nos conflitos internos que não conseguem solucionar, aceitam, sem resistência, os padrões de comportamento, as idéias e os valores dominantes; sua subjetividade torna-se cada vez mais empobrecida. Com isso, o único sentido de suas vidas passa a ser o ajustamento à sociedade. Compartilham sem questionamentos as alegrias e os sofrimentos que a vida lhes propicia como se fossem absolutamente naturais. A visão de mundo que a cultura lhes imprime, a qual, hoje de maneira bastante paradoxal, compreende a entrega irrestrita a certas formas de prazer já pasteurizadas pelos agentes de controle social, cerceia todo o campo de suas experiências, criando a ilusão de que estes são o prazer e a felicidade verdadeiros.
Como o tipo de prazer que mais facilmente as pessoas obtêm na vida cotidiana comumente conserva as determinações sociais, sobretudo àquelas derivadas da esfera do consumo por meio da qual alcançam algum reconhecimento de que são alguém de valor e podem ter realizações gratificantes, os inúmeros processos utilizados para a reprodução desta esfera assumem um importante papel também na organização dos modos de satisfação que dele decorrem. Neste
processo, destaca-se a produção e a manipulação técnicas das necessidades individuais, abrangendo, inclusive, àquelas relacionadas ao prazer sexual. As estratégias de marketing frequentemente utilizadas são dirigidas para as necessidades insatisfeitas na vida cotidiana, criando alguns conteúdos substitutivos e outros parcialmente ligados ao objeto desejado; excitam e dirigem estas necessidades e desejos, com isso, também associando-os aos produtos materiais e culturais que devem circular no mercado, aumentando o lucro dos mercadores de ilusões.
O julgamento de que o prazer a que grande parcela da população tem acesso e com o qual frequentemente se contentam em sua vida privada, esquecendo as mazelas sociais que os ameaçam, é um risco que a crítica precisar correr para poder revelar as possibilidades históricas negadas por esta situação intermediaria. Ao desmobilizar as fileiras dos descontentes, provocando a estagnação frente aos limites demarcados pela realidade, o prazer alienado contribui para o impedimento de que tantas outras pessoas em condição similar ou inferior na hierarquia social gozem de satisfação igual. Não se pretende com isso assumir uma posição moralista similar a da velha moral vitoriana e negar aos indivíduos o direito de se entregarem aos prazeres que seu corpo e sua condição de existência possam propiciar-lhes, mas sim de poder desmascarar a pretensão que freqüentemente acompanha este tipo de apreciação desinteressada do valor e da importância da energia libidinal. É preciso concordar com Marcuse (1938/1997) que frente às violências cometidas em toda a história da repressão, até mesmo o prazer alienado pode, em certas circunstâncias, representar progresso humano. Todavia, a não-percepção de seus limites pode convertê-lo em uma forma de anestesia ante ao sofrimento geral. Marcuse (1938/1997) percebeu com minuciosa atenção a impossibilidade de os indivíduos, constituídos sob as condições gerais de determinação da sociedade antagônica, assumirem o papel de juízes de sua própria felicidade, com isso, forneceu-nos os elementos teóricos necessários para a análise do potencial e dos limites da crítica à dissociação entre o prazer particular e a esfera da universalidade:
Só hoje, no último estágio do desenvolvimento do existente, quando amadureceram as forças objetivas que impulsionaram para uma ordem superior da humanidade, e só em conexão com a teoria e a práxis históricas vinculadas a essa transformação, pode a felicidade, junto com a totalidade do existente, tornar-se também objeto de crítica. (Marcuse, 1938/1997, p. 190.)
A triste consciência de que os homens agem de modo contrário a seus interesses mais razoáveis, exacerbada por situações nas quais extraem intensa satisfação dessas ações, permite distinguir entre expressões verdadeiras e falsas do prazer e denunciar a submissão do âmbito específico do prazer sexual a mecanismos psicossociais nos quais a própria substancia sexual é anulada, substituída ou ludibriada por meio de técnicas de manipulação conscientemente elaboradas para fins mercadológicos. Se tal como Marcuse indicou, é somente ante o amadurecimento das forças que podem impulsionar para uma forma superior de humanidade que se tornou lícito criticar a felicidade factual e apontar sua cisão em expressões falsas e potencialmente verdadeiras, é também em nome dessas mesmas forças que se pode distinguir entre os diferentes tipos de falsidade a que a felicidade e o prazer estão submetidos. Se, de um lado, é possível argumentar que o direito ao prazer e à felicidade privados, que não violam o direito alheio e pautam-se tão somente pelas possibilidades que o acaso forneceu ao indivíduo, são inalienáveis e que a alienação a ele atinente depende do fato de corresponderem a necessidades pré-fabricas pela indústria material e cultural; de outro, pode-se dizer que existem variações na forma de falsidade dessas satisfações. Essas variações referem-se não apenas ao fato de corresponderem a objetos falsos ou a seu caráter tolhido pela história da repressão, que não permite aos homens desejar mais do que o delimitado pela conveniência social, mas abrange também diferentes formas de mitigação dos impulsos sexuais: o pré-prazer é umas dessas importantes formas que a sociedade permissiva encontrou para amansar os impulsos sexuais ao mesmo tempo em que pode manipulá-los para finalidades não-sexuais, como a impulsão para o consumo. A energia extraída da pulsão sexual por meio da excitação constante pode favorecer tanto a produção quanto o consumo. Não são poucos os técnicos em controle do comportamento que, apesar de leigos a respeito da
fundamentação teórica da moderna psicologia comportamental, souberam bem aplicar a descoberta de Skinner (1971/1983) a respeito do modo como o controle não-aversivo é muito mais eficiente à modelagem do comportamento, pois evita que os indivíduos desenvolvam resistências que dificultem sua manipulação. Por constituírem um conjunto de métodos e técnicas dispostos de acordo com o