6. UTVIKLING AV 3D-KONSTRUKSJON
7.7 Grunnlagsberegninger
7.7.4 Utmatting av sveis i henhold til Det Norske Veritas
A abordagem de pesquisa utilizada nesta tese é essencialmente qualitativa, por entender que esta é a melhor forma de compreender fenômenos complexos, como as relações de trabalho na cultura popular no contexto específico do Agreste pernambucano, principalmente se visto a partir da abordagem das práticas. Conforme afirma Merriam (2009), a pesquisa qualitativa possui algumas características-chave, como foco na compreensão de como as pessoas dão sentido a suas vidas, no delineamento do processo de construção de significados e na descrição de como as pessoas interpretam suas experiências; o pesquisador é o instrumento primário da coleta e análise de dados; o processo é indutivo; o produto da investigação qualitativa é ricamente descritivo; o design da pesquisa é emergente e flexível. Além disso, o pesquisador ou pesquisadora precisa ter sensibilidade para fazer boas questões e observações cuidadosas.
Na presente pesquisa, compreendo que somente uma abordagem qualitativa permite responder a questão de pesquisa e alcançar os objetivos propostos. Analisar as relações de trabalho e seus hibridismos inerentes não é algo que se possa medir quantitativamente apenas. Essa é uma análise que exige alto poder reflexivo, indo além daquilo que está posto, sendo necessário entender o que há por trás do que é dito e realizado.
Seguindo as recomendações feitas por Vieira (2006), no que se refere ao delineamento da pesquisa, esclareço que o corte da pesquisa é seccional, pois as informações em campo foram levantadas em determinado momento no tempo para a compreensão do fenômeno em estudo. A análise foi realizada em nível de campo, porque considerou um conjunto de organizações culturais (organizações entendidas como processo, conforme discutido anteriormente), e as unidades de análise consideradas foram as práticas que constituem as relações de trabalho.
A observação participante foi realizada a fim de apreender as práticas que formam as relações de trabalho de grupos de cultura popular, bem como os elementos modernos e tradicionais que as compõem e suas relações. Através dessa estratégia de pesquisa, realizada por meio de vivência no campo, foi possível acessar mais diretamente as práticas concretas que constituem o interesse da pesquisa, permitindo à pesquisadora se inserir no campo da cotidianidade vivida, em um jogo de interação que se traduz em um ir e vir entre as práticas observadas e as interpretações da pesquisadora-observadora (GORDO; SERRANO, 2008).Esse ir e vir diz respeito a um verdadeiro zooming in — que se refere à representação da prática no sentido de compreender sua dimensão discursiva e material, ou seja, o que é aceito dentro de uma prática, bem como o léxico comum empregado dentro da mesma — e zooming out, que se refere a um momento posterior ao zooming in, no qual se busca estabelecer associações e conexões entre o “aqui e agora” da prática situada e outros “lugares e depois” de outras práticas, proposto por Nicolini (2009). Esse ir e vir aconteceu de forma contínua, no decorrer de todo o período dedicado à minha inserção no campo, no qual a análise foi realizada concomitantemente, o que proporcionou uma análise mais próxima do cotidiano observado e registrado.
A observação participante é ainda um processo que, diferentemente da entrevista (que acontece em encontros exclusivos), pressupõe um período mais longo no campo e em contato com as pessoas e com os contextos a serem estudados. Dessa forma, esse foi um importante benefício que o uso dessa estratégia proporcionou ao presente trabalho, pois,
havendo a necessidade de melhores esclarecimentos sobre determinados assuntos, foi possível a complementação dos dados na sequência observacional seguinte (FLICK, 2009).
Assim, busquei observar as atividades que as pessoas que trabalham com cultura popular desenvolvem no que se refere ao seu trabalho e, principalmente, no que se refere às interações estabelecidas, por meio de vivência intensiva no campo, no qual participei do dia a dia do trabalho com os grupos de cultura popular, conforme detalho em subseção posterior. Ressalto aqui que essa observação, bem como as entrevistas e os registros visuais foram realizados no sentido de perseguir as práticas desenvolvidas por estas pessoas, e não as pessoas em si, conforme recomendam os estudos que utilizam a abordagem das práticas (BISPO, 2015; NICOLINI, 2009).
Diários de campo foram utilizados no sentido de registrar todas as observações realizadas e possíveis insights. Essas estratégias são recomendadas para a realização da etnometodologia, mas não no seu sentido convencional, e sim em conjunto com a autorreflexão crítica (RAWLS, 2008; BISPO; GODOY, 2014). Segui a proposta de Angrosino (2009) para sistematização das anotações de campo, relatando a explicação do cenário; a relação entre os participantes; a descrição dos participantes; a descrição do cenário físico e dos objetos materiais que o compõem; a descrição dos comportamentos e das interações; e os registros de conversas e de outras interações verbais. Além disso, impressões minhas também foram registradas.
Ao todo, foram geradas 15 notas de campo em formato de textos. Essas notas se referem aos dias em que estive em campo e, por vezes, em um mesmo dia, participei de um ou mais eventos, fiz entrevista informal e/ou tive uma ou mais conversas informais (conforme explico nos parágrafos seguintes). Essas notas preencheram um caderno inteiro com 56 laudas (com dimensões de 17 centímetros de comprimento e 11 centímetros de largura), e 26 laudas de outro caderno (com dimensões de 25 centímetros de comprimento e 16 centímetros de largura).
Entrevistas informais com os participantes também foram realizadas, nas quais conversas foram alimentadas por perguntas abertas, proporcionando liberdade para os informantes (ANDRADE, 2009). Conforme discutem Bourdieu et al. (2007), no momento da entrevista se institui certa violência simbólica em virtude de o pesquisador(a) dominar certo capital cultural e simbólico e o entrevistado outro, que é específico para o jogo que acontece no campo em que ele atua. Para tentar minimizar os efeitos dessa violência, os autores propõem escuta ativa e metódica e um “mimetismo mais ou menos controlado, a adotar sua
linguagem [do entrevistado] e a entrar em seus pontos de vistas, em seus sentimentos, em seus pensamentos” (BOURDIEU et al., 2007, p. 695). Um verdadeiro “exercício espiritual, visando a obter, pelo esquecimento de si, uma verdadeira conversão do olhar que lançamos sobre os outros” (BOURDIEU et al., 2007, p. 704, grifos dos autores). Nesse sentido, busquei realizar tal esforço na presente pesquisa.
Sempre que possível, as entrevistas foram gravadas por meio de gravador de áudio, a depender do consentimento do entrevistado, buscando preservar tudo o que foi dito para posterior transcrição. Notas sobre as entrevistas também foram tomadas, principalmente no sentido de captar elementos observados por mim, como a postura do entrevistado, reações, elementos do ambiente, etc. Além disso, as entrevistas foram transcritas cuidadosamente, respeitando todos os momentos, como pausas, silêncio e ênfases, formando um banco de dados para a análise (MERRIAM, 2009).
Também aconteceram várias conversas informais não gravadas, em função de o sujeito preferir a não gravação, ou porque a conversa aconteceu durante as apresentações, de forma espontânea. Nesses casos, ao fim da conversa, busquei resgatar os principais assuntos discutidos e os registrei em diário de campo. As conversas que aconteceram dessa forma e que foram utilizadas nesta pesquisa, bem como aquelas que foram gravadas, estão expostas no quadro 2.
Dados visuais também foram utilizados no sentido de orientar, complementar, amplificar e multiplicar a capacidade de registro dos sentidos na hora de apreender e transmitir aspectos da realidade social. Em outras palavras, foram utilizados por constituírem documentos que produzem interpretações situadas da realidade social (SERRANO, 2008). Para Banks (2009) os dados visuais, mais especificamente as fotografias, são representações de eventos específicos, cujos significados dependem do contexto em que foram produzidos e constituem verdadeiros eventos sociais que envolvem comunicação e entendimento mútuo da parte do criador da imagem e do sujeito da imagem.
Dessa forma, fotografias e vídeos do ambiente de trabalho, dos objetos que o compõem, das pessoas em interação e no desenvolvimento de suas atividades referentes ao trabalho com cultura popular foram tiradas por mim na tentativa de apreender em maiores detalhes a realidade estudada e de documentar os discursos produzidos pelos agentes na prática. Conforme orienta Serrano (2008), deixo claro que compreendo que tais materiais visuais não são puro reflexo da realidade, mas, sim, representações mais ou menos disformes da realidade, a partir do olhar de quem as produz.
Outro recurso utilizado foram as redes sociais, com destaque para o Facebook, principalmente para marcar a entrevista com Anderson do Pife e para me informar sobre os acontecimentos relativos à cultura popular na cidade de Caruaru. Assim, durante todo o período de coleta de informações em campo — que durou de dezembro de 2015 a março de 2016 — acompanhei o perfil de Anderson do Pife (pifeiro da Banda de Pífanos Zé do Estado e representante do setor de cultura popular no Conselho Municipal de Cultura), do Sr. Roberto Gercino (representante do Boi Tira Teima), de Alexandre (capoeirista, representante do setor de povos tradicionais no Conselho Municipal de cultura), a página do Boi Tira Teima e a página Tome Na Venta (administrada por Anderson do Pife e por Alexandre, na qual notícias referentes à cultura em Caruaru são divulgadas), ambos no Facebook, que me atualizaram das principais notícias referentes às manifestações culturais estudadas.
Dados secundários em formato de vídeos também foram usados. Seu uso se deu, principalmente, por trazer depoimentos e elementos sobre as manifestações culturais estudadas que ajudaram a compreendê-las. Os vídeos utilizados e seus respectivos links para acesso estão no quadro 4.
Na próxima seção, explico como aconteceram minhas inserções no campo.