5.1.1 O processo do projeto conceitual
Nesta fase inicial do processo de desenvolvimento de produtos, ocorre uma melhor compreensão e desenvolvimento dos raciocínios básicos, de modo a obter novas soluções, paralelas ou não, com o intuito de que se conheçam bem os aspectos a partir dos quais se obtém uma solução para a problemática estudada (Niemann, 2002).
As somatórias das soluções que correspondem às exigências estabelecidas (especificações do produto) devem ser comparadas entre si, estabelecendo-se a avaliação das particularidades de cada uma. O resultado desse processo resulta numa seleção de soluções mais compatíveis ao que se deseja, descartando então as que não produzem um efeito desejado em algum quesito estabelecido. Essa fase caracterizada pela elaboração das soluções (projeto conceitual), geralmente vem acompanhada de esboços e figuras esquemáticas das características e particularidades do produto idealizado, bem como alguns princípios de funcionamento (Niemann, 2002).
A comparação entre as características apresentadas aos possíveis consumidores do produto do estudo resulta num direcionamento para os principais itens que devem necessariamente ser considerados na concepção do projeto do produto. Para Baxter (2003), nesta fase do projeto conceitual, toda a atenção deve ser concentrada principalmente nas necessidades do consumidor, e ainda ressalta que a proposta do projeto conceitual é desenvolver as linhas básicas da forma e função do produto, com o intuito de produzir um conjunto de princípios funcionais e de estilo, derivado da proposta de benefício básico resultante da definição da oportunidade. Ressalta-se que essas necessidades não se limitam a balizar o projeto do produto somente na sua fase conceitual. De fato, elas acompanham todo o desenvolvimento do produto (passando pelas fases de projeto detalhado, fabricação de protótipos e testes, fabricação do produto e sua comercialização entre outras). Agindo desta forma é que podemos minimizar possíveis desconformidades que possam ocorrer com o produto.
Desta forma, o estudo da relação das necessidades dos consumidores (cuidadores) e usuários (indivíduos com PC tetraparética espástica) do produto é muito importante, pois norteia o projeto conceitual, sendo estas:
a) Permissividade de regulagem do assento (aumento e redução da profundidade) e do apoio de cabeça acoplado sobre o encosto (aumento e redução de altura), com o intuito de atender uma maior gama de usuários, bem como para que o produto seja utilizado por um longo período à medida que o usuário cresça;
b) Regulagem da inclinação do sistema assento/encosto (“tilt”), com o objetivo de proporcionar maior apoio e conseqüente estabilidade e conforto ao usuário, bem como facilitar a tarefa do banho para o cuidador;
c) Cinto de segurança ajustável no comprimento e regulável sobre a superfície de apoio (assento e/ou encosto) para garantir segurança ao usuário, seja durante o possível deslocamento da cadeira até o local do banho ou durante o próprio banho, sem que o mesmo corra risco de queda ou escorregamento;
d) Facilidade de transporte, de tal forma que o produto seja deslocado para diversas partes da casa e/ou utilizado durante viagens sem que necessite de um grande esforço por parte do cuidador para realizar este deslocamento;
e) Garantia de que o equipamento possa transitar em diversos ambientes (sala, quarto cozinha etc.) de uma residência ou local de uso;
f) Facilidade de operação e condução do produto quando da sua utilização. Assim, todas as regulagens do produto (profundidade do assento, inclinação do assento/encosto e
altura do equipamento) devem ser realizadas de maneira fácil, sem exigir grandes esforços por parte do cuidador.
A Figura 5.1 apresenta uma visão lateral do equipamento quando da realização dos seus primeiros esboços. Observa-se que são mostradas as possíveis regulagens do equipamento, o qual é composto de um sistema de frenagem com rodas giratórias com travamento nos seus quatro pontos de apoio. Tal sistema permite que ao mesmo tempo haja liberdade de deslocamento do equipamento de acordo com a conveniência do cuidador, também permite que tais movimentos sejam feitos com total segurança devido ao sistema de freios, travando o equipamento quando necessário.
O sistema de trava para a regulagem da altura está destacado na parte inferior do lado direito da mesma figura. Tal sistema permite que a altura do equipamento seja regulada de acordo com a estatura do cuidador, permitindo um melhor alinhamento biomecânico postural do mesmo com conseqüente conforto e comodidade durante a execução da tarefa. Ainda, uma trava no sistema de regulagem de altura permite que a posição seja alterada somente intencionalmente, garantindo uma maior segurança tanto ao usuário quanto ao cuidador. E por fim, outra vantagem deste sistema é o de facilitar a tarefa do cuidador de tal forma que ele possa modificar as posições do usuário com apenas uma mão, sem a necessidade de se descuidar do seu atendimento durante a atividade de banho. A Figura 5.2 demonstra com mais detalhes o sistema de travamento.
A Figura 5.3 mostra a parte referente ao encosto do equipamento, onde um sistema de apoio de cabeça idealizado traduz maior conforto e segurança ao usuário através dos apoios laterais e regulagem de altura.
A possibilidade de retirada do tecido do encosto para a devida limpeza se traduz numa característica do equipamento, tal qual também ocorre para o assento (Fig. 5.4). Acredita-se que com o decorrer do uso, tanto o tecido do assento quanto do encosto irão requerer uma limpeza freqüente, o que exige facilidade para se colocar e tirar o tecido do assento e encosto, como mostrado na Figura 5.4 para o caso da retirada do assento. Observa-se que com uma simples retirada de pinos, o tecido pode ser facilmente removido para que seja feita a adequada limpeza.
Figura 5-4 Esboço do assento com ênfase para a retirada do tecido