5.2 Utgravnings- og dokumentasjonsmetoder
5.2.1 Utgravningsmetodikk, steinalder
Antes de ingressar estritamente no papel da Extensão, apresento algumas concepções de Extensão retiradas do referencial teórico escolhido e das entrevistas coletadas. Essa apresentação preliminar justifica-se em função da ligação entre concepções e papéis da Extensão.
A Extensão Universitária, instituída dentro do princípio da indissociabilidade com o ensino e a pesquisa, enfrenta nas diversas instâncias os desafios de superar as concepções de simples prestação de serviços. Ao mesmo tempo, propõe-se a ultrapassar a relação direta e linear - tradicionalmente estabelecida - entre “[...] os
que sabem e os que não sabem”. (CUNHA, 2012, p. 26). Nesse sentido, as concepções de Extensão que buscam inverter essa lógica atualmente, ganham espaço. De acordo com a Gestora 1:
“[...] agora, o bacana é se a gente pudesse, de alguma forma, extensões universitárias [...] ligadas a assessoria a imigrantes, que, portanto como é que a gente pensa as extensões universitárias. Então se a gente pudesse ter espaços assim, conferências [...] que fosse uma conferência por ano onde a gente pudesse reunir como extensões para poder discutir. A gente vai ter em novembro o GAIRE [...] para cá. A gente vai se reunir por dois dias pra gente pensar as nossas extensões, então vai ser uma reunião de trabalho de dois dias com todo mundo envolvido pra falar de nossas extensões, que é uma coisa bacana [...] e que a gente tem construído junto”.
De modo que, o diálogo externo com outras extensões universitárias é importante para favorecer concepções de Extensão mais preocupadas com o protagonismo dos sujeitos.
Relativamente à concepção da Extensão Universitária, a Gestora 1 manifesta-se a respeito do caráter pessoal, vinculativo e participativo dos sujeitos da seguinte forma:
“Tem muito que avançar. Então a gente tem coisas muito embrionárias ainda [...]. A concepção já mais ou menos se estabeleceu do que entendemos por Extensão. Estamos trabalhando com pessoas, pessoas que possam ser promotoras desse processo de Extensão, mas entendemos que o protagonista é esse sujeito”.
Em continuidade, a entrevistada discorre sobre a compreensão acerca da concepção da Extensão Universitária, reforçando a natureza essencial da participação dos sujeitos como protagonistas nos processos extensionistas. Segundo a Gestora 1, o sujeito “não vai ser alguém que será um objeto de
exploração da pesquisa. Ele é um sujeito na sua concepção toda”. Dessa forma, a
entrevistada expressa como se processa esse protagonismo: “Ele vai nos dizer o
que fazer da Extensão”. (Gestora 1). Reforça essa concepção o fato de que a
criação do Projeto de Extensão "[...] surgiu a partir da nossa pesquisa [...] para
entender a realidade deles, migratória, demandas [...]. (Gestora 1).
Com relação ao papel da Extensão, merece destaque, para a formação humana e produção de conhecimentos dos alunos, a vivência da realidade. Segundo a Gestora 2,
“A Extensão tem que ser [...] este espaço, a possibilidade que o aluno tem de vivenciar a realidade, de compreender a realidade, de vir para dentro de sala de aula, refletir sobre isso, e a partir dessa produção teórica, colocar questões de pesquisa vinculada à formação, seja na Graduação ou na Pós- Graduação”.
Dessa forma, a Extensão, ao colocar o aluno em contato com a realidade, possibilita a reflexão crítica, agora, tornada objeto para seu próprio aprendizado.
Nesse sentido, Extensão Universitária passa a constituir uma prática social que se estabelece a partir de diálogos propiciadores de conhecimentos, nos quais “[...] a educação deve começar por tornar os educandos progressivamente coautores dos fundamentos dos processos pedagógicos e de construção de finalidades do próprio aprendizado”. (BRANDÃO, 2003, p. 22).
Essa valorização do papel da Extensão justifica-se em função de que os alunos muitas vezes não conseguem compreender a importância da Extensão em suas formações. Segundo a Gestora 2: “Eles acham que Extensão não tem a ver
com a formação deles, e quando você começa a dialogar com os alunos, eles conseguem entender que a Extensão é fundante da sua formação [...]”. No trecho
subsequente, a entrevistada justifica essa importância da Extensão na formação dos alunos:
“[...] a partir de conhecer a realidade, que as questões que estão postas
com os grupos, com a realidade social com a qual a Universidade está inserida, essas questões têm que ir para sala de aula e delas ser gerida uma questão de pesquisa e não o contrário”.
Para o Aluno 2, “[...] Extensão é o que permite te colocar em contato com a
realidade da luta por direitos [...] tudo isso vai impactar na formação da gente [...]” e
para o Aluno 1 a Extensão “[...] é o que liga o que a gente pesquisa, o que a gente
aprende em sala de aula a nossas vidas de uma maneira mais prática”.
Assim, os entrevistados apontam para a indissociabilidade de uma Extensão realizada de fora para dentro da Universidade, o que Santos (2005, p. 176), concebe como uma “[...] Extensão ao contrário [...]”. Esta inversão resulta em construir “[...] conhecimento sobre os processos de acesso ao conhecimento existente por parte da sociedade [...]” (BOTOMÉ, 2001, p. 167), fundamental para a concretização do papel a ser exercido pela Extensão.
Apesar da progressiva sedimentação dessas concepções, a Gestora 2 demonstra preocupação com o atual cenário de possibilidades para os alunos
ingressarem na Extensão, “as Universidades públicas brasileiras estão muito
atrasadas, em pensar possibilidades de [...] como nós vamos incluir nossos alunos na Extensão? Todos e não só meia dúzia. Todos!”. A preocupação da entrevistada
resulta em parte dos diversos sentidos atribuídos ao papel a ser desempenhado pela Extensão Universitária ainda em curso no meio acadêmico, uma vez que existem “[...] múltiplas compreensões sobre o conceito e sentido da indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão na universidade”. (CUNHA, 2012, p. 32).
Para a Gestora 2, faz-se necessária a discussão teórica sobre a Extensão em razão de que nem sempre esta dimensão se encontra presente no fazer acadêmico da Universidade: “Por mais que a gente entenda a indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão no fazer acadêmico, mas no cotidiano das ações dos indivíduos nem sempre essas dimensões estão presentes”. Todavia, a visão do
Aluno 2 expressa uma concepção de quem participa ativamente de um Projeto de Extensão, pois segundo ele, a Extensão, “[...] é uma soma de conhecimentos [...]
não é de mão única”.
Pude constatar, a partir da manifestação dos entrevistados que, embora a temática da indissociabilidade esteja relativamente compreendida no meio acadêmico, muitas ações de Extensão ainda permanecem “[...] ocorrendo de forma autônoma [...]” (CUNHA, 2012, p. 26), sem quaisquer correlações, carecendo de maior aprofundamento teórico para a compreensão da necessária organicidade.