Segundo Bolsche, Klumpp, & Abidi (2013) o desempenho humanitário é definido como um complexo sistema coletivo, que trabalha no sentido de salvar vidas, diminuir a vulnerabilidade e manter a dignidade humana na origem ou no decorrer do desastre. Trabalha igualmente no sentido de prevenir e reforçar a preparação e prevenção para o alerta de emergência. Considerar um desempenho eficaz, significa que a ação esteve coerente com os princípios humanitários e com a boa gestão dos recursos financeiros, materiais e humanos.
Os números anuais de catástrofes representam elevados desafios para as organizações e tentar estimar o desempenho não evitará nem diminuirá os números, mas pode ser a “chave” para reduzir a quantidade de vítimas e os prejuízos económicos (Bolsche, Klumpp, & Abidi, 2013).
Nesta dissertação procurou-se compreender o conjunto de elementos necessários no setor da logística, bem como na gestão da cadeia de abastecimento, no sentido de transmitir a importância desta atividade através de casos de sucesso e insucesso.
Apesar de Thomas (2005) afirmar que há falta de reconhecimento da importância da logística, começa a ser notória a existência de organizações internacionais com relevantes capacidades e com noções claras dessa importância.
Freitas (2012) realizou um estudo sobre a ajuda humanitária e de emergência em Portugal e afirma que algumas das ONGD portuguesas, são delegações nacionais de ONGD internacionais e que limitam-se a canalizar os fundos recolhidos nacionalmente, para as missões no local. O caso de resposta ao terramoto no Haiti constituiu uma tendência diferente visto que contou com a participação de algumas ONGD portuguesas sem experiência prévia e isso contribuiu para a expansão dos horizontes. Apesar do fraco conteúdo apresentado nas plataformas digitais portuguesas comparativamente às internacionais, a missão no Haiti é precisamente dos maiores ou até únicos relatos disponíveis de emergência no estrangeiro (sem contar com missões de cooperação e desenvolvimento).
Relativamente à preparação para o desastre, é bastante positivo as organizações demonstrarem visualmente o quão esse parâmetro é importante. Isto porque, caracteristicamente os bens financeiros são doados para ajudas diretas e raramente
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contemplam a necessidade de recursos mínimos para o desenvolvimento de serviços como a logística, entre as diferentes emergências.
Nas observações aos websites há uma tendência para associar diretamente a logística apenas ao transporte. Esta associação pode estar relacionada com o facto de anteriormente os logísticos estarem apenas localizados nas bases de receção de materiais (Thomas, 2003b).
Segundo Tomasini & Wassenhove (2009b) nas primeiras avaliações aos locais afetados é difícil calcular e projetar todas as necessidades e anexo a isso está o tempo que demoram a chegar as mercadorias. Como tal, o pré-posicionamento estratégico permite reduzir os custos da elevada procura e reduzir o tempo de distribuição. Como é possível constatar na análise dos resultados, cada vez mais organizações têm esse fator presente e como tal apostam nos stocks geoestratégicos, como mais uma medida de prevenção.
É importante que a logística no setor humanitário incentive ao desenvolvimento de ferramentas que apoiem as decisões perante condições tão exigentes (Aitken et al., 2012). Ferramentas como o LOG, manuais que explicam e auxiliam em variados processos, até os próprios catálogos de kits de emergência, são exemplos do esforço em criar mecanismos que ajudem em situações tão complexas. O público nem sempre tem a noção do quanto é importante investir em profissionais que possuam conhecimentos até na seleção de equipamentos e materiais que são enviados, tendo em conta o ambiente, o efeito do ruído, a vibração, a altitude, a exposição, entre tantos outros exemplos (Aitken et al., 2012).
Na análise realizada felizmente existe com frequência a noção da abordagem ao cluster ou às mudanças no setor humanitário após a reforma de 2005. Assim, é coerente admitir que há preocupação com a evolução, com a melhoria dos processos e com a coordenação entre organizações, para não haver duplicação de esforços.
Infelizmente é notória a ausência da demonstração dos gastos com o setor da logística, o que representa um dos pontos essenciais a mudar. Isto porque, para quem acompanha o fluxo das doações, poderia representar um incentivo a demonstração da ausência de fundos destinados aos elementos logísticos.
Assim torna-se difícil assumir e confirmar a teoria de Tomasini & Wassenhove (2009a) de que 80% das despesas, na resposta à maioria dos desastres, pertencem ao departamento da logística.
57 Para concluir, é importante incentivar à elaboração de mais casos de estudo reais, que elucidem e transmitam conhecimento e experiência, pois segundo VanVactor (2011) muitas organizações persistem em estar mal preparadas, mal equipadas e apresentam fracos mecanismos que suportem a missão.
Ainda assim, com base na literatura e na análise qualitativa apresentada, é possível afirmar que há uma tendência crescente de reconhecimento relativamente à importância da logística humanitária no contexto de emergência.
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ANEXOS
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67 ANEXO II - Catálogo com materiais de emergência (Fonte: UNICEF, 2014b)