DEL II – DAGENS SITUASJON
3. Dagens organisering og dimensjonering av kommunens brann- og redningsvesen
3.2. Forvaltningsområder og oppgaver
3.2.6. Utfyllende bestemmelser om kommunenes organisering og dimensjonering av brann- og
A diversificação de agregados familiares não deve ser abordada, isoladamente, como único provável elemento propiciador de alterações nos modos de vida e hábitos domésticos contemporâneos. Em conjunção com esse factor, a acelerada absorção de tecnologia pelo espaço doméstico – ocorrida ao longo da segunda metade do século XX, e marcada pela automação e, mais recentemente, pela informatização das habitações urbanas/metropolitanas – concorrem para uma profunda transformação desses hábitos, delineando novos usos do espaço físico da habitação.
102 Área Metropolitana de Lisboa em Números. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística - Núcleo de Estudos Regionais, 2000.
103 Censos Demográficos, 2001. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística, 2001.
104 «(…) são constituídas por pessoas solteiras, divorciadas, separadas ou viúvas, mas sem filhos», segundo Fausto Amaro in A família portuguesa. Tendências actuais. Revista Cidade Solidária, Jul. 2004.
105A família portuguesa. Tendências actuais. Revista Cidade Solidária, Jul. 2004.
Os últimos trinta anos do século XX assistiram a transformações profundas das dimensões espaciais da vida quotidiana, resultantes da invasão e da banalização dos electrodomésticos e, especialmente – já no final desse período – das novas medias, como a televisão por cabo ou por satélite, telefone móvel, e o acesso à rede internacional de informação – a Internet. «A
potencialização dos meios de comunicação passou a conferir às habitações a liberdade de funcionar à distância, relacionando-se entre si numa urbe virtual, quase independentemente do espaço concreto».106
Essa influência, impressa nos modos comportamentais nas áreas sob influência cultural metropolitana – na medida em que reuniões, encontros, compras, tendem a dispensar espaços concretos, podendo valer-se da sua presença na forma de bits107 – termina por trazer consigo a promessa de determinar, numa escala específica, o próprio redesenho do espaço doméstico. A invasão pela tecnologia do espaço doméstico passou a repercutir-se em alterações de comportamentos e usos do fogo, no cômputo que a prática de actividades relacionadas aos novos equipamentos passaram a atribuir e sobrepor novas funções às tradicionalmente referidas a cada sector da habitação. «A propagação do uso do computador pessoal no espaço de habitar
passou a significar para os hábitos domésticos, além de ferramenta de trabalho, um novo canal de consulta e lazer, integrando funções de informática e multimédia (…)», segundo Almeida
(2002). Numa propensão de centralização de actividades, o entretenimento electrónico, o teletrabalho e a realização de tarefas por meio virtual ampliaram o tempo de permanência do usuário dentro do fogo, transformando a opção entre o isolamento ou o convívio familiar condicionada, entre outras actividades, à conexão – ou não – a alguma forma de media, em algum dos compartimentos do fogo.
Sociedade de Consumo
Conforme um estudo divulgado pelo INE (2000), as condições materiais hoje consideradas banais nos lares lisboetas conheceram a sua difusão em meados da década de oitenta, aproximadamente. Segundo a análise, em 2000, noventa e oito por cento dos agregados familiares dispunham de televisão a cores, enquanto no início da década de noventa, este equipamento estava ao dispor de menos de metade das famílias. Evoluções favoráveis
106 Filipe Almeida, Organizações, pessoas e novas tecnologias. Coimbra: Quarteto, 2002.
107Os computadores entendem impulsos eléctricos, positivos ou negativos, que são representados por um e zero, respectivamente. A cada impulso eléctrico, damos o nome de Bit (BInary digiT). Um conjunto de oito bits reunidos como uma única unidade forma um Byte.
observaram-se, ainda, ao nível da disponibilidade de telefone, máquina de lavar roupa, vídeo - gravador e microondas. A um nível intermédio, sublinhe-se o crescimento da proporção de agregados familiares que dispõem de automóvel (que passou de trinta e seis por cento, em 1987, para cinquenta por cento, em 2000), arca congeladora (de vinte e sete por cento para cinquenta e quatro por cento) ou computador pessoal (de três por cento para vinte e um por cento). São ainda notórios, fenómenos de emergência de alguns equipamentos, em especial relevo o telemóvel que, em 2000, estava ao dispor de quarenta e sete por cento dos agregados familiares, mas também da antena parabólica, da TV por cabo ou do computador com ligação à Internet (Quadro 3), INE (2000).
1987 1989/90 1995 2000
Antena parabólica x x 8 11
Arca congeladora 27 36 54 54
Automóvel 36 36 52 60
Computador pessoal 3 5 10 21
com ligação à Internet x x x 14
Fogão 97 98 99 99
Frigorifico 86 87 95 97
Leitor de CD x x 18 38
Máquina de lavar loiça 6 6 13 17
Máquina de lavar roupa 44 50 73 82
Microondas x x 12 13
Telefone 33 41 72 76
Telemóvel x x 2 47
Televisão preto e branco 83 49 x x
cores x 48 96 98
TV por cabo x x x 19
Vídeo - gravador x 16 41 50
Quadro 3 – Evolução da disponibilidade de equipamentos nas famílias, em percentagem
Fontes: INE, Indicadores de Conforto. (2000) INE, Inquérito aos Orçamentos Familiares. (1989/90, 1995 e 2000)
«A estabilidade monetária alcançada a partir de meados dos anos noventa, juntamente com o
modo particularmente acentuado no interior das habitações», refere Beja Santos (2007). Após o
período de recessão vivido no início dos anos oitenta, as camadas populares, antes à margem do mercado de consumo, puderam fruir de equipamentos a preços acessíveis. Por sua vez, prossegue Beja Santos «(…) as classes médias ansiosas por se actualizar (…)», segundo os novos padrões de consumo, equipavam o interior das suas habitações com «(…) novidades
electrónicas, renovando o desejo de espelhar ascensão social (…)»108 através da produção do
espaço doméstico.
A relativa redução dos preços e a facilitação de pagamentos dos produtos electrónicos – item propiciador fundamental do consumo de tecnologia em larga escala para o espaço doméstico – levou à aquisição em ritmo acelerado de televisores, vídeo - gravadores, aparelhos de som compactos de alta-fidelidade, telefones sem fios, atendedores de chamadas, computadores pessoais, impressoras, máquinas fotográficas digitais, leitores de CD e vídeo - jogos.
Reduzido o tempo consumido entre o desenvolvimento de novas tecnologias e sua chegada ao mercado, o ambiente doméstico português rapidamente incorporou opções de entretenimento electrónico, integrando-se à tendência mundial de substituir pelo lazer doméstico, a diversão na rua. Durante a década de 1990, verificou-se um estrondoso aumento no número de usuários da Internet, que passou de menos de seis por cento, em 1997 para, em 2001, vinte e três por cento acedendo à rede mundial.109