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5. Drøfting

5.2 Utforskende undervisning med hensyn til tilpasset opplæring

Entrevistador: Fale de sua atuação na área de transporte público na cidade de São Paulo.

Prof. André Milton: Meu interesse pelos transportes começa na minha infância, quando eu saia muito com o meu pai, e ele procurava me mostrar toda parte do transporte. Eu sempre tive muita facilidade de localização, e com isso fui acompanhando... Eu sou paulistano e desde a minha infância fui acompanhando o desenvolvimento da cidade, o crescimento da cidade através do transporte coletivo. Quando eu tinha mais ou menos uns doze anos ganhei um guia da cidade de São Paulo, que era o guia “Levi”, mais ou menos em cinqüenta e três, cinqüenta e quatro, quarto centenário de São Paulo, aí, eu abria o mapa da cidade no chão e ficava lendo o itinerário dos ônibus e riscando no mapa. Com isso comecei a perceber uma série de falhas do guia, aí, eu ligava para o empresa responsável pelo “guia Levi” da cidade, “olha, linha tal foi alterada para tal”.

E: Que tipo de falha? Este guia Levi era editado mensalmente ou anualmente ?

Prof. André Milton: O guia Levi não estava atualizado, sempre estava desatualizado. Todos os meses era editado. Mas, como essa parte do transporte me atraía, e com o crescimento da cidade, eu ligava para o guia Levi, umas três ou quatro vezes, e dizia: “olha linha tal foi prolongada para tal lugar...”, e eu passei por telefone umas três ou quatro vezes essa alteração de linha e itinerário.

E: Você lembra dessa alteração, de alguma delas? O senhor viu que estava errada, ligou para eles, e pediu para eles retificarem?

Prof. André Milton: Daquela época? Eu me lembro bem que, uma das coisas que era muito comum no Guia Levi era quando a linha tinha sido cancelada e ela continuava publicada no Guia.

E: Em que ano foi mesmo?

Prof. André Milton: A partir de cinqüenta e quatro. Era comum eu falar: olha, linha tal não existe mais, estão canceladas, precisam ser retiradas do Guia de Ruas Levi. Em compensação, a linha tal foi prolongada de tal bairro para tal bairro. Por exemplo, eu morava no bairro da Aclimação, havia a linha dezessete Aclimação, foi criada uma linha dezessete “A”, chamada jardim Aclimação. Ele não tinha no guia Levi, então eu informava que precisava incluir a linha dezessete “A”, que é uma derivação da linha. No terceiro ou quarto telefonema que eu dava para ele no guia, quem atendia era o proprietário, o senhor Jaci Levi. Aí, ele me convidou... Como eu morava na Aclimação, e essa linha de ônibus saia da praça da Sé, o escritório do guia Levi ficava na praça da Sé. Ele falou: “venha aqui no meu escritório”; e qual foi o espanto dele quando eu cheguei lá, um adolescente. Ele levou um choque, pois ele me conhecia tão bem pelo telefone e esperava um adulto, e no final apareceu um adolescente. Ele me fez a seguinte proposta: “você vai me passar as alterações mensais e eu te dou de presente o guia Levi”. Então, aquilo para mim, adolescente, então; foi um grande estímulo. Comecei a levar a sério esta questão, sobre transportes públicos. Sem saber, eu já era um “analista de transportes públicos”, porque eu comecei a fazer a “pesquisa científica”. Meu pai e a minha mãe me incentivaram e eles me davam dinheiro, então eu passei a ir fisicamente no local. Eu ia para o centro, nas principais praças, onde tinham os pontos terminais e iniciais dos ônibus. Se havia uma linha nova eu pegava o ônibus que circulava aquela linha, ia até o ponto final, anotava direitinho o itinerário, e levava para o senhor Jaci Levi. Com isso acompanhei o crescimento dos quatro pontos cardeais da cidade. Assim, eu passei a conhecer todas as empresas de ônibus. Eu ia nas garagens das empresas de ônibus, e conversava com os motoristas, cobradores e com os proprietários da frota.

E: O senhor lembra de alguma empresa de ônibus daquela época?

Prof. André Milton: Tinha a empresa de ônibus Vila Paulina, que era ali na região da Vila Prudente. Eu me lembro que eu liguei para o proprietário e ele falou: “vem aqui, vem aqui conversar comigo!”. Quando eu percebia que a empresa tinha comprado um lote de ônibus novos, então eu ligava para a empresa querendo saber detalhes. Então, o proprietário da Vila Paulina, o senhor Anselmo Simate, “vem aqui conhecer o ônibus na garagem”. Então eu ia lá. Ele se espantava, porque era um adolescente interessado por ônibus, que ia lá... Outra empresa que eu fui na garagem, foi a empresa de ônibus Penha – São Miguel. Ela já mudou de nome. A outra foi a empresa de ônibus Vila Esperança, ficava no Bairro da Penha, não existem mais.

Eu morava no bairro da Aclimação, e ia sempre na garagem da CMTC e de outras empresas de ônibus. Ia a pé, era bastante longe, andava quilômetros. Procurava o gerente geral, sentava com ele, e ficava conversando, como gente grande, querendo saber dos ônibus, de quantidade de linhas. Eu gostava de subir no ônibus e virar o letreiro para saber se havia uma outra linha que eu não conhecesse. E isso fez com que eu conhecesse toda a cidade, assim,adquiri informações para compreender e acompanhar o crescimento da cidade de São Paulo. Sem saber, eu acompanhei a evolução física da expansão dos itinerários, das empresas de ônibus, das fusões entre as empresas de transportes privadas, que nasceram, foram divididas, foram extintas, absorvidas por outras, linhas que foram alteradas. Então, eu acompanhei tudo.

E: O senhor poderia falar um pouco desse crescimento da cidade de São Paulo, das empresas, das linhas, dos itinerários de ônibus ?

Prof. André Milton: O interessante foi que eu não peguei a criação da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), que foi em quarenta e sete. Eu era muito pequeno ainda, nasci em quarenta e três. Mas eu acompanhei o auge da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos). No final ela ficou com doze garagens. Em quarenta e nove, no meu bairro, ela implanta o ônibus elétrico, cuja garagem era no bairro da Aclimação. Foi a primeira linha de ônibus elétrico de São Paulo, do Brasil. O bairro da Aclimação era o primeiro bairro que tinha ônibus elétrico, era uma novidade, o pessoal vinha passear no ônibus elétrico. Com isso, além das garagens da CMTC, eu ia no setor de fiscalização, que era o coração do controle operacional de todo sistema de transportes coletivos da cidade de São Paulo. Uma coisa muita interessante, que eu não consigo entender até hoje, quando a CMTC encampa todo o sistema de transportes coletivos da cidade, ela deixou de lado vinte empresas, vinte e uma empresas privadas.

E: Por que?

Prof. André Milton: Não consegui entender o porquê, e essas empresas é que foram o embrião da destruição da CMTC.

E: O senhor lembra alguma das empresas de ônibus?

Prof. André Milton: Sim, eu me lembro de várias, porém há um site (biblioteca eletrônica, que registra uma relação de lotes e linhas de ônibus de algumas décadas, dê uma verificada).

Na zona Oeste, nós temos a empresa de ônibus Anastácio, a empresa de ônibus Vila Ipojuca. A Anastácio existe até hoje com o nome “gato preto”. A empresa de ônibus Vila Amburguesa, Lapa Moinho Velho, Vila Pirituba. Essas eram as principais empresas que ficaram na zona Oeste. Na zona Leste localizavam as empresas de ônibus Vila Esperança, que fazia a linha Penha – São Miguel, Vila Carrão e Santo Estevão. A companhia transportadora Paulista, que depois virou empresa Paulista de ônibus que operava desde 1934. Na zona Sul, a viação Ipiranga, autoviação Taboão, a Columbia, a sociedade primor de ônibus, na região de Santo Amaro. E na zona Oeste, a viação Bandeirantes, que várias vezes, quase foi à falência. A empresa Bandeirantes que foi comprada por um empresa Mogi das Cruzes. Então, essas empresas de ônibus permaneceram e, junto com elas, algumas intermunicipais. Na zona Leste a empresa de ônibus Guarulhos, na zona Sul a autobus São Paulo - São Caetano do sul. No parque Dom Pedro II, a empresa São Bernardo do Campo. Na zona sul a viação Diadema, que fazia toda a região de Diadema e São Bernardo. Na zona Oeste tínhamos a viação Santa Clara, que depois virou a viação Himalaia e hoje a é a viação Osasco. Havia também, a empresa de ônibus Guerra, que fazia Cotia. A empresa nove de Julho, que fazia a linha Itapecerica, Taboão e Embu. Então, essas vinte e poucas empresas, elas continuaram com o transportes coletivos em São Paulo. ( Vide quadro, a seguir).