• No results found

Utfordringer/muligheter – De fire hovedkategoriene

O terceiro fator relaciona-se às perturbações sociais e econômicas que

ocorrem no mundo, como movimentos migratórios em decorrência das guerras, das

instabilidades econômicas e da desestruturação das comunidades, sendo favoráveis

à disseminação da TB e outras doenças infecciosas, pois resultam em aglomerações

humanas, em moradias provisórias com deficitárias condições sanitárias (FARMER,

1997).

Assume-se que as perturbações ocorridas nas últimas décadas são reflexos

das mudanças sociais e econômicas sofridas no pós-guerra, a partir da década de

desmantelamento da infra-estrutura dos serviços de saúde constituem importantes

facilitadores para a disseminação da doença.

Um tema que emerge portanto como justificativa da permanência da TB

relaciona-se aos processos contemporâneos de reestruturação econômica e social

em resposta às mudanças da economia global desde o final da década de 60 e

início de 70, em que se estabeleceu o neoliberalismo. Certamente a lógica do

neoliberalismo, alteraram a racionalidade e a distribuição dos serviços de saúde a

partir de então (GANDY e ZUMLA, 2002).

A TB tem proporcional impacto na pobreza, conforme esboçado na figura 1.

Nos países desenvolvidos a taxa de incidência é relativamente maior entre os mais

pobres do que na população geral (GANDY e ZUMLA, 2002). Nos países em

desenvolvimento como o Brasil, onde o ciclo doença-pobreza é mais agravante, a

TB tem desmantelado consideravelmente a economia, e as políticas econômicas

favorecem substancialmente a permanência e a disseminação da doença (WHO,

I n tr od u çã o 16

Figura 1 – Pobreza econômica e TB

Fonte: Adaptado de Hanson C. Tuberculosis, poverty and inequity: a review of the

literature. Geneva, Stop World Health Organization, 2002 (documento nao publicado

pelo STOP-TB).

A deficiência de renda estável (desemprego e seguridade social) e do acesso

à água, esgoto e assistência à saúde são fatores determinantes no desenvolvimento

da doença. A doença instalada, por sua vez, tende a representar um custo de 12

bilhões de dólares aos países em desenvolvimento, agravando sua crise econômica.

A TB acarreta ainda perda de 20 a 30% na renda das famílias, alimentando dessa

forma o ciclo da pobreza econômica-doença (WHO, 2005).

Algumas pesquisas apontam para o declínio da mortalidade por tuberculose

no século XX (SIMONE e DOODLEY, 1994; BATES, 1992) Estudos históricos em

TB enfatizam que o declínio relaciona-se ao papel dos avanços médico-científicos,

acompanhados da melhoria geral da nutrição, da moradia e de outros indicadores de

bem estar.

Alimentação

D

Deeffiicciiêênncciiaa: :

Renda estável

Pobr eza econômica

Água, esgoto e assistência à saúde.

TB

T

TBBooccaassiioonnaa::

Per da de 20 a 30% da r enda anual entr e os pobr es; Custo global anual de 12 bilhões

Há uma cisão na literatura, em que uma parte de pesquisadores atribuem

como causa do declínio dos óbitos por TB o crescimento econômico (variavelmente

relacionado à transição demográfica e epidemiológica) e outra defende a idéia de

que a queda na mortalidade relaciona-se à melhoria do padrão de vida, decorrente

de políticas mais sociais e eqüitativas e da reorganização institucional para o

aperfeiçoamento das condições sanitárias e de saúde pública (GANDY e ZUMLA,

2002).

A grande maioria dos “expertises” em doenças infecciosas refere que a queda

nas taxas de enfermidades transmissíveis e nas taxas de mortalidade relaciona-se

intrinsecamente à melhoria geral da nutrição e ao bem estar da população

associados ao desenvolvimento econômico. Esse pensamento baseia-se na

evidência empírica do decréscimo dos casos de TB em uma fase anterior aos

sanatórios e da aplicação de medidas de saúde pública (GANDY e ZUMLA, 2002).

Em contraste, perspectivas alternativas desenvolvidas por Szreter (1997) e

Nathanson (1996) enfatizam que as mudanças legislativas e as institucionais, em

que se privilegiam as políticas de saúde pública, são os determinantes no

decréscimo das doenças infecciosas, refutando a teoria do desenvolvimento

econômico.

Uma ênfase é dada às ações de saúde pública, revelando medidas

específicas e significantes no decréscimo de casos como a segregação eficiente dos

pacientes doentes, melhoria das condições do domicílio e do controle da tuberculose

bovina (FAIRCHILD e OPPENHEIMER, 1998).

Ainda nessa concepção, recupera-se a importância do Estado na elaboração

das políticas de saúde pública, reconhecendo-se que as políticas são mais

I n tr od u çã o 18

centralizado. Frente a esse contexto, a dimensão crítica das políticas públicas de

saúde é a capacidade do Estado em representar o interesse público que o respalda

e o legitima em suas ações (GANDY e ZUMLA, 2002).

Pesquisa histórica revelou que o declínio da tuberculose se aproximava mais

dos esforços políticos para aliviar a situação dos amontoados urbanos e das

moradias inadequadas do que associado à melhoria das condições mais gerais de

alimentação (MCFARLANE, 1989).

Todavia, na pesquisa, entende-se que o avanço ou retrocesso da TB não se

relaciona exclusivamente ao campo de desenvolvimento econômico, mas também é

resultado dos conflitos políticos e da reforma social. O desenvolvimento social

conjuntamente com as reformas econômicas constituem os pilares que sustentam a

via necessária ao controle da TB. Mudando-se os padrões econômicos e com o

investimento social, satisfatoriamente contribuem para uma nova geografia na

epidemiologia da doença.

Precisa-se reconhecer que a TB é muito mais social do que um fenômeno

biológico, posto que a doença ao longo dos tempos foi submetida a uma série de

transformações, desde sua emergência a partir do gado há sete mil anos. Na era

moderna, entretanto, o relacionamento entre a tuberculose e a sociedade permite a

compreensão de que a doença esteja entrando em uma nova e mais complexa fase.

Decididamente, o desenvolvimento social e econômico interfere na

predisposição e na disponibilidade de uma população na acessibilidade aos serviços

de saúde. Como anteriormente exposto, indivíduos com baixo poder aquisitivo/

financeiro, apresentam-se com menor capacidade na busca pelos serviços de

A correção pelo Estado que reduza as disparidades e iniqüidades através de

políticas sociais resulta consideravelmente em melhoria na acessibilidade aos

serviços de saúde, e na mudança dos padrões da população em risco (ADAY e

ANDERSEN, 1974). Após as possíveis explicações para as iniqüidades na

acessibilidade no contexto macro, na próxima seção será abordado o problema da

acessibilidade na esfera micro e as diferentes barreiras determinantes aos serviços

de atenção à TB.

1.4 O PROBLEMA A SER ESTUDADO: A acessibilidade ao tratamento da