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A informação recolhida foi analisada através da técnica de análise de conteúdo, a qual está assente no pressuposto de que a categorização permite transformar dados brutos em dados organizados, sem introduzir desvios nos dados, permitindo antes conhecer índices invisíveis a nível dos dados brutos (Bardin, 1991). Krippendorff (1980) acrescenta ainda a esta definição que a análise de conteúdo permite fazer inferências válidas relativamente aos dados, tendo sempre em conta o contexto (in Sampieiri, Collado & Lucio 2006). A análise de conteúdo do tipo categorial permite “vincular conceitos abstratos com indicadores empíricos” (Carmines & Zeller, 1988 cit in Sampieri, Collado & Lucio, 2006, p.287). Através da realização deste tipo de análise procede-se ao recorte do texto em unidades de análise, às quais se dá o nome de categorias e nesta investigação, a codificação dos dados teve como critério de recorte, o tema (Bardin, 1991). O sistema de categorias resultou de um processo emergente, baseado na revisão da literatura previamente efetuada, nas questões de investigação definidas e na informação que a informação empírica facultou. O sistema de categorias foi estabelecido pela investigadora e pela orientadora deste trabalho, através de inúmeras leituras e revisão do material e através de um processo emergente, uma vez que resultou de uma classificação progressiva das unidades de registo, a partir da informação recolhida. Foi também realizada uma validação por pares do sistema de categorias, em que foi solicitado o apoio de um colega que se encontra a realizar investigação na mesma área. Assim, o sistema de categorias foi sendo aperfeiçoado, através de um longo processo, em que o confronto com a informação recolhida conduziu à necessidade de definição de novas categorias, reformulação de anteriores ou mesmo junção de categorias numa só.

Durante o processo de redução da informação, encontraram-se algumas dificuldades relacionadas com a codificação do material recolhido através da aplicação da TIC. Tal como exposto na secção anterior, antes de aplicar esta técnica foi necessário definir de forma clara quais os acontecimentos a focalizar, tendo sido solicitado aos participantes que identificassem na sua atividade acontecimentos indutores de stresse positivo e acontecimentos indutores de stresse negativo. No entanto, durante a análise da informação recolhida, tornou-se difícil traçar uma linha de separação clara entre acontecimentos indutores de stresse positivo e negativos, uma vez que, em diversas ocasiões, num mesmo acontecimento eram identificados aspetos que, de acordo com o participante, foram indutores de stresse positivo e outros aspetos que no mesmo acontecimento, foram indutores de stresse negativo. Esta situação

34 tornou difícil a classificação entre acontecimento indutor de stresse positivo e acontecimento indutor de stresse negativo, motivo pelo qual se optou por não se realizar essa distinção.

Existiu ainda outra dificuldade subjacente à codificação do material recolhido através da operacionalização da TIC. Uma das grandes vantagens associada a esta técnica é que permite relacionar o contexto, a estratégia, resultados e as consequências dos diferentes incidentes críticos (Flanagan, 1954), contudo, nesta investigação, encontraram-se elevadas dificuldades em estabelecer estas relações. Estas dificuldades resultaram do facto de grande parte dos incidentes críticos recolhidos não constituírem incidentes críticos de qualidade, por dois principais motivos. Em primeiro lugar, os acontecimentos de trabalho descritos são situações típicas e não situações específicas, os participantes descrevem aspectos gerais da sua actividade de trabalho que consideram indutores de stresse (e.g., “Sempre que aparece uma tarefa nova, isso é indutor de stresse” (P2) e “Prazos a cumprir e um acumular de trabalho muito grande. Portanto neste momento sinto que não tenho margem para mais nada” (P3) ). Assim, não são focalizados acontecimentos específicos do trabalho que foram indutores de stresse. Em segundo lugar, não foi possível recolher junto dos participantes incidentes críticos suficientemente detalhados de forma a obter-se para cada incidente informação acerca dos quatro critérios que tinham sido definidos, nomeadamente: circunstâncias, comportamentos, resultados e consequências. Esta situação impediu a possibilidade de estabelecer uma relação entre o contexto, a estratégia e as consequências do acontecimento, devido à falta de informação acerca destes diversos níveis de análise.

Apesar destes problemas, tendo em conta que foi obtida informação muito rica acerca das vivências de stresse ocupacional destes participantes, optou-se ainda assim por analisar a informação obtida, analisando as fontes e as consequências do stresse identificadas por estes participantes, uma vez que é relativamente a estes aspectos que os é eles referem a maior parte da informação acerca do fenómeno de stresse associado à sua actividade. Assim, os participantes identificam diversas fontes e consequências do stresse associadas ao exercício da sua função. Deste modo, foram analisadas as fontes e as consequências do fenómeno de stresse que os participantes identificam na sua atividade de trabalho, mas não se relacionaram as fontes do stresse com as consequências identificadas, uma vez que a informação recolhida junto dos participantes não permitiu estabelecer este tipo de relações. Isto porque as fontes de stresse identificadas dizem respeito, na maior parte dos casos, a fontes de stresse típicas da atividade do gestor e não é estabelecida uma relação clara entre determinada fonte de stresse e determinada consequência, tendo em conta que os participantes também se referem a consequências típicas do stresse que vivenciam no desempenho da sua função e não a

35 consequências específicas associadas a circunstâncias específica em que decorreu determinado acontecimento de trabalho.

No final do processo de codificação, resultou um sistema de categorias constituído por 34 categorias (cf. Anexo D), das quais 5 são categorias livres ou free nodes (cf. Anexo E) e 29 são categorias interligadas ou Tree nodes (cf. Anexo F). Nas Tree Nodes, foram constituídas 2 categorias principais, nomeadamente, Acontecimentos Indutores de Stresse e Socialização. Segue-se a descrição da estrutura destas duas categorias:

- Acontecimentos Indutores de Stresse: nesta categoria incluiu-se a informação recolhida através da TIC, incluindo-se toda a informação relacionada com o fenómeno de stresse que o participante identifica no seu contexto de trabalho. Pela análise desta informação, verifica-se que os participantes identificaram a presença de diversas fontes de stresse no seu contexto de trabalho, pelo que foi criada uma “categoria-filha” para agrupar as mesmas, ao qual se deu o nome de “Fontes de Stresse”. A partir desta categoria foram criadas 6 “categorias filhas” que correspondem às seis diferentes fontes de stresse que os participantes identificaram como associadas à sua actividade. Os participantes identificaram também diversas consequências do stresse ocupacional, tendo-se criado a categoria “Consequências do Stresse” para agrupar estas referências. Os participantes identificaram consequências a dois níveis, nomeadamente a nível individual e a nível organizacional, o que levou à constituição de duas “categorias filhas” que correspondem a estes dois níveis. Dentro destes dois níveis foram ainda constituídas duas “categorias filhas” para cada uma destes níveis, em que se integraram as consequências positivas e negativas de cada um. Desta forma, a categoria Consequência do stresse, ramifica-se em 4 categorias.

- Socialização: nesta categoria foram incluídas todas as referências do participante relativamente à socialização à função de gestão. Foi constituída a categoria “Práticas de Socialização” em que se integrou a informação relativamente às práticas implementadas pela organização de forma a promover a socialização dos participantes à sua função de gestão. Criou-se uma categoria que dá pelo nome de “Vivências na Socialização”, que se ramifica em 7 categorias filhas que dizem respeito aos diversos temas que foram identificados no discurso dos participantes, relativamente às experiências de socialização de cada um. Por fim, a categoria “Cumprimento de Expectativas” divide-se em duas categorias – expectativas Cumpridas e expectativas não Cumpridas - em que se inseriu informação relativamente à perceção do participante relativamente ao cumprimento das expectativas que possuíam antes de assumir a função.

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